sexta-feira, 22 de maio de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Flavio Colker



Quem é Flavio Colker? 
Carioca, judeu, neto de imigrantes russos e romenos, nascido em 56 em família de classe media.  Herdei o temperamento artístico do meu pai e a porra louquice da minha mãe. Sou implicante, obsessivo e rio muito desde pequeno. Minha juventude foi angustiada.. eu sempre fui artista.

Como a arte entrou em sua vida?
Como mencionei.. herdei o temperamento do meu pai. Ele foi musico e arquiteto. Eu desenhava muito quando pequeno e depois tomei gosto pela leitura. As outras crianças me aborreciam. Eu preferia ler. Adorava mitologia. É o que eu ainda gosto: de mitologia. É o que eu faço..

Qual foi sua formação artística? 
Fui vizinho da Ana Bella Geiger e aos 16 anos estudei com ela. Eu já fazia fotografia; comecei a mexer com fotografia aos 12 anos.. porque gostava de câmeras fotográficas. Eu gosto de maquinas.. até hoje. Maquinas são perfeitas.

Que artistas influenciam em sua obra ?
Monteiro Lobato, Raymond Chandler, Esopo, Andy Warhol, Michelangelo, Stan Lee, Eggleston, Walker Evans, Brassai, Kertesz, August Sander, Bruce Weber, Helmut Newton, Cartier Bresson, Elvis, James Dean, Steve McQeen, Don Siegel.

Como você descreve seu trabalho?
Eu não gosto de analisar meu trabalho. Acho que é pretensão e perda de tempo mas eu diria que sou muito marcado pelo Mito e pela fábula.. Eu tenho vocação para composição geométrica plasticidade mas meu interesse é alcançar o mito e traze-lo para o ambiente naturalista. Esse encontro da mitologia e da manifestação mais banal do cotidiano .. isso é o que me movimenta. O minha fabula favorita é do Patinho Feio e o meu mito favorito é Aquiles.

É possível viver de arte no Brasil? 
Eu vivo de fotografia e de arte.

Quando você é fotógrafo e quando você é artista?
Eu sou artista no ambiente de arte. Quando coloco uma fotografia  na galeria, no museu.. sou artista e penso como artista. Quando fotografo uma capa de disco, moda ou teatro, sou fotografo. Quando dou aulas sou professor. Quando dirijo clipes  sou diretor. O meio faz a minha natureza.

Os preços das fotografias atingem preços astronômicos nos leilões internacionais, que comentário você faria sobre isso?
Não entendo como isso funciona.  Tenho vaga noção mas outros devem entender melhor do que eu.

Há uma dúvida sobre a durabilidade da obra em papel, qual a sua opinião?
Uma fotografia bem produzida vai durar de 60 a 100 anos. E pode ser refeita se os arquivos digitalizados forem bem cuidados. Mármore e óleo duram mais .. 

Como está o mercado brasileiro para fotografias artísticas?
Eu vendo minha obra e acho o Mercado brasileiro desconfiado em relação à fotografia.. Nosso mercado é conservador. É Mercado de pintura moderna (que eu adoro).  Essa é a minha experiencia mas outros talvez encontrem mais receptividade.


Quais são seus planos para o futuro? 
Publicar alguns livros de fotografia. um deles descrevendo a minha experiencia; seria um livro de texto. Montar algumas exposições individuais principalmente da minha série, o Cântico, são 150 imagens constituindo uma narrativa. Eu tenho outra narrativa áudio visual que tenho que finalizar, o Dialogo, feito de uma correspondência amorosa e imagens de estrada.  Escrever.. eu cada vez mais tenho a sensação de que meu trabalho é escrever, trabalhar com a palavra, a frase, a narrativa. E continuar fotografando. Não interromper, ser o que sempre fui e acordar para ser a criança que gosta de ler, de mitologia e representar fabulas e mitos em imagem.. Viver com elegância. Essa é a vida que eu quis.



O vídeo do Cântico.
Aqui a musica é importante e as imagens fazem uma narrativa a maneira dos trípticos medievais. 




Velazques, Gainsborough e eu. Projeção em video/ instalação.


Faxina no Consultório do Psicanalista.


Tesoura.


Cântico Tríptico Molhado.


Série Lençol.


Teorema.


 O Artista




O Artista. Oi Futuro.



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