segunda-feira, 18 de maio de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Neco Soares




Quem é Neco Soares?
Nasci no município de Franco da Rocha, região metropolitana de São Paulo, no dia 07 de fevereiro de 1986, registrado com o nome Edvan Soares Vieira.
Meu pai é de Guaraciama, Minas Gerais e minha mãe é de Tapira, Paraná, trabalhavam no campo e na juventude vieram para Franco da Rocha, ambos trabalham como comerciantes.
Vivi minha infância em Franco da Rocha e parte da minha adolescência entre Franco da Rocha e São Paulo, pois trabalhava no bairro do Bom Retiro (região central de São Paulo).

Em 2008 fui morar com mais 3 amigos em um apartamento no bairro do Sumaré, onde tínhamos um ateliê coletivo e comecei a trabalhar profissionalmente com fotografia como assistente do printer Silvio Pinhatti, ampliando fotografias e emoldurando obras de grande formato para artistas e fotógrafos brasileiros e estrangeiros, tais como Pierre Verger, Mario Cravo Neto, Maureen Bisilliat, Boris Kossoy, Otto Stupakoff, Anna Maria Maiolino, Antônio Peticov, Regina Silveira, Jamie Stewart-Granger, Claudia Andujar, Mauro Restiffe entre outros.

Entre os anos de 2011 e 2014 atuei como artista educador na Fundação CASA, desenvolvia trabalhos artísticos com os adolescentes privados da sua liberdade que cumpriam medida socioeducativa ou que aguardavam o julgamento.
Hoje, além de desenvolver meu trabalho autoral, minha esposa (também fotógrafa) e eu criamos o Nosso Estúdio Fine Art, onde comercializamos nossas obras e prestamos serviços de fotografia, tradução, impressão fine art e molduraria especializada, utilizando materiais de ph 100% neutro que garantem longa durabilidade.
Participo regularmente de salões, entre eles a 25ª Mostra de Arte da Juventude (SESC Ribeirão Preto/2014), 23ª Mostra de Arte da Juventude (SESC Ribeirão Preto/2012 – Prêmio de Menção Honrosa), 19º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (Praia Grande/2012), 6ª Bienal do Esquisito – a face oculta de um acéfalo (Atibaia/2012) XXXº Salão de Artes Plásticas de Rio Claro (Rio Claro/2012), Salão de Arte de Mato Grosso do Sul (Campo Grande/2012), 5ª Bienal Internacional de Gravura (Santo André/2010), 7º Salão Nacional de Fotografia Pérsio Galembeck (Araras/2010).

Fui catalogado no livro “A Mão Afro Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica” (Imprensa Oficial/2010) organizado pelo diretor e curador do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo e no livro “Bixiga em Artes e Ofícios” (EDUSP e CPC-USP/2014) organizado por Rose Satiko Gitirana Hikiji, professor do departamento de antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) e vice-diretora do Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo (CPC-USP) junto com Adriana de Oliveira Silva, doutoranda em antropologia social na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP).
Fora da arte, já fui feirante, office-boy, pacoteiro, balconista de frios e açougue (o que me convenceu a ficar mais de três anos sem comer nenhum tipo de carne).

Como a arte entrou em sua vida?
Na minha infância, quando eu vi os garotos mais velhos pixaram as paredes do bairro. Aquilo me chamou muito a atenção e desde então comecei a decifrar o que estava escrito e aos 13 anos comecei a escrever o meu nome por onde eu passava.

Como a prefeitura apagava os graffitis e as pixações que eu fazia, quando comecei a trabalhar registrado em 2004 (aos 18 anos, como pacoteiro) comprei a minha primeira câmera analógica amadora para registrar os meus trabalhos.


Qual foi sua formação artística?
Minha formação foi e continua sendo a minha vivência, mas frequentei a Oficina Cultural Oswald de Andrade (2007) onde estudei Xilogravura, Gravura em Metal, Fotografia e Arte Contemporânea.

Tenho formação técnica em Produção Gráfica (SENAI Theobaldo de Nigris, 2009), Comunicação Visual (ETEC Maria Augusta Saraiva, 2011), Curadoria em Artes Visuais (Centro de Pesquisa e Formação/CPF, 2014) e Arte e Marketing (Node Center Studies/Espanha, 2014).

Mas o ofício de printer e moldureiro aprendi trabalhando como assistente do printer Silvio Pinhatti.

Que artistas influenciam em sua obra?
Hélio Oiticica, Lygia Clark, Joseph Albers, John Cage, Volpi, Mario Cravo Neto, Eustáquio Neves, Geraldo de Barros, Jeff Wall, Charles Griffin, Tinho, Vitché.

Como você descreve seu trabalho? 
Utilizo a fotografia para me expressar, porém meu processo de criação não se resume somente em capturar a imagem. Como eu mesmo imprimo e emolduro as minhas obras, tenho que dedicar boa parte do meu tempo em calibrar o monitor e a impressora para garantir a fidelidade da cor e não ter surpresas desagradáveis, ajustar as imagens, fazer diversos testes de tiras, provas de cor, estudar distintos tipos de papéis e imprimir em cada um até chegar no papel em que realmente eu irei imprimir as fotografias para atingir o resultado que quero.
Escolher o tipo de montagem mais adequada para cada ideia, se terá passe-partout ou se será “sangrada”, perfil de moldura, enfim, penso no processo como um todo.

Aliando minha vivência do graffiti e da pixação com esse conhecimento  de fotógrafo e printer, consigo imprimir tramas de uma geometria sensível, reveladas pela luz e pelos reflexos que emanam sobre os objetos originais, de modo a observar e captar a poética existente em meu entorno, destacando aspectos composicionais e arranjos estéticos presentes na arquitetura, nos espaços de passagem ou de moradia, mesclando o tempo, o espaço, o esforço humano e a efemeridade.

Mas como todo bom fotógrafo, também fotografo outras temáticas, como retratos, fotografias das cidades que viajo, fotografias noturnas da cidade, brincadeiras de criança, rituais religiosos e etc…


É possível viver de arte no Brasil?
Depende. É muito pessoal.

Acredito que todo artista vive da sua arte e para sua arte, mas viver da venda da sua obra é outra história.

Logo quando comecei a trabalhar como assistente do Silvio, conheci o fotógrafo Mario Cravo Neto e fiz uma pergunta semelhante:

 - “Mario, como posso fazer para viver de arte? ”

Ele me olhou nos olhos, deu uma risadinha e disse:

 -“Você já vive de arte desde o dia em que nasceu, só você não sabe. O jovem artista tem uma ilusão de que será rico com a arte e não é bem por aí, chega a ser ingenuidade pensar que nós que temos algum tempo de carreira ganhamos tão bem assim. Estou vendendo aquela obra minha por tanto (me lembro que era um valor alto), quantas obras dessa você acha que eu vendo por ano? ” E soltou uma super gargalhada.

Confesso que não fiquei muito convencido, então depois de algum tempo fiz amizade com a galerista Mônica Filgueiras e em uma conversa bem informal na galeria dela repeti a mesma pergunta e a resposta dela foi a mesma que a do Mariozinho.


Quando você é fotógrafo e quando você é artista?
Sou fotógrafo, artista, pré-impressor, impressor e moldureiro 24 horas por dia, não separo um do outro, ambos se complementam. Penso em todo o processo.


Os preços das fotografias atingem preços astronômicos nos leilões
internacionais, que comentário você faria sobre isso?
Um dia eu chego lá!

Há uma dúvida sobre a durabilidade da obra em papel, o que você pensa sobre isso?
Hoje em dia existem muitos materiais importados que garantem longa durabilidade superior a 100 anos para obras em papel.

Tintas de pigmentos minerais, papéis de algodão, vidro com proteção UV, cantoneiras de polipropileno, passe-partout de ph 100%neutro.

Cabe ao artista usar ou não esses materiais e escolher bons profissionais e de confiança.

E cabe também ao colecionador de obras em papel ter uma estrutura mínima para conservar as obras, afinal o colecionador é um guardião da memória e de um recorte histórico da vida do artista.

Como está o mercado brasileiro para fotografias artísticas?

Tem muita gente comprando fotografia. O mercado brasileiro para fotografia nunca esteve tão aquecido, mesmo nestes tempos de crise, a cada dia que passa a fotografia conquista mais espaços, seja em novas galerias especializadas em fotografia, em museus, instituições a nas paredes dos colecionadores particulares.

E tem fotografia para todos os gostos e bolsos, boa ou ruim, com tiragem única, com tiragem de 50 cópias, de 100 cópias ou sem tiragem, grande ou pequena, colorida ou preto & branco.

Recentemente vendi 04 obras de grande formato da série Candomblé para um colecionador.

Depois de adquirir a impressora Epson Stylus PRO 9900 que tem 110cm de largura, estou ampliando as minhas fotografias em grande formato, pois é o que o mercado está me pedindo.


Quais são seus planos para o futuro?Comprar um galpão onde eu possa montar um laboratório analógico de grande formato junto com uma prensa de gravura em metal e o estúdio digital, tudo integrado.






Candomblé II.



Candomblé IV.



Composição IV.



Composição I.



Composição III.



Oferenda para Ogum II.

 Ogum.




 Porta II.



Portão II.



Crucificação.









BIOGRAFIA
Neco Soares teve seu primeiro contato com arte através do graffiti aos 13 anos de idade. Vive e trabalha em São Paulo.
Frequentou no ano de 2007 ateliês livres onde estudou xilogravura, monotipia, gravura em metal, fotografia e arte contemporânea na Oficina Cultural Oswald de Andrade.
Começou profissionalmente na fotografia como assistente de fotojornalistas e fotógrafos de eventos, montando iluminação em estúdio e em reportagens externas. Posteriormente trabalhou como assistente do laboratorista analógico P&B e printer fine art Silvio Pinhatti, emoldurando e ampliando fotografias de grande formato para importantes fotógrafos e artistas, brasileiros e estrangeiros, tais como Pierre Verger, Mario Cravo Neto, Maureen Bisilliat, Claudia Andujar, Mauro Restiffe entre outros.
Algumas de suas obras já foram catalogadas no livro “A Mão Afro Brasileira: Significado da Contribuição Artística e Histórica” (Imprensa Oficial/2010) organizado pelo curador e diretor do Museu Afro Brasil Emanoel Araújo e integram acervos e coleções particulares, além de participar regularmente de exposições em galerias, centros culturais e museus no Brasil.
Em 2011 começa a lecionar  artes visuais para adolescentes que cumprem medida socioeducativa privados de sua liberdade na Fundação CASA, realiza sua primeira exposição individual, com o título “Fotografias”, no Ateliê OÇO. Ganhou o prêmio de menção honrosa no concurso de criação do logotipo da Semana de Design – Caminhos do Designer na ETEC Maria Augusta Saraiva, local onde se forma em design gráfico no mesmo ano. 
Em 2012 ganha o prêmio de menção honrosa na “23ª Mostra de Arte da Juventude” do SESC Ribeirão Preto.
Já foi selecionado para participar em diversos concursos, entre eles o 7º Salão Nacional de Fotografia Pérsio Galembeck (Araras/SP/2010), 5ª Bienal Internacional de Gravura de Santo André (Santo André/SP/2010), 6ª Bienal do Esquisito – A Face Oculta de um Acéfalo (Atibaia/SP/2012), XXXº Salão de Artes Plásticas de Rio Claro (Rio Claro/SP/2012), Salão de Arte de Mato Grosso do Sul (Campo Grande/MS/2012), 23ª Mostra de Arte da Juventude do SESC Ribeirão Preto (Ribeirão Preto/SP/2012) e o 19º Salão de Artes Plásticas da Praia Grande (Praia Grande/SP/2012).
Participa em 2013 da 1ª feira internacional de arte “Art Lima”, em Lima, Perú, representado pela galeria de arte Klaus Steinmetz de San José, Costa Rica.
Dirige o laboratório fotográfico Nosso Estúdio Fine Art, em São Paulo, onde comercializa seu trabalho autoral e realiza serviços de digitalização, impressão fine art e molduraria especializada, utilizando materiais de ph 100% neutro que garantem longa durabilidade cumprindo com os padrões internacionais museológicos e de conservação fotográfica.





FORMAÇÃO:
Curadoria em Artes Visuais – Centro de Pesquisa e Formação – SP
Arte y Marketing – Visions of Art/Node Center Studies – Espanha
Comunicação Visual – E.T.E.C Maria Augusta Saraiva – SP.
Produção Gráfica – SENAI Theobaldo de Nigris – SP.
Gravura em Metal, Fotografia e Arte Contemporânea – Oficina Cultural Oswald de Andrade – SP.

FEIRAS
2013
“Art Lima – Feira Internacional de Arte” – stand 23, Galeria Klaus Steinmetz Contemporary Art – Escuela  Superior de Guerra del Perú – Chorrillos/Perú.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
2012
“Fotografias – Neco Soares” – Casa das Caldeiras/SP.
2011
“Fotografias – Neco Soares” – Ateliê OÇO/Galeria Cinesol.

EXPOSIÇÕES COLETIVAS SELECIONADAS

2014
“25ª Mostra de Arte da Juventude” – SESC Ribeirão Preto/SP.
“Exposición Colectiva” – Galeria Visol – Ourense/Espanha
“pequenas OBRAS GRANDES artistas” - OVER Galeria – São José dos Campos/SP.
2012

“afro-brasileiros:arte” – Museu de Arte e Cultura Cesário Motta Junior – Capivari/SP.
“19º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande” – Complexo Cultural Palácio das Artes – Praia Grande/SP.
“23ª Mostra de Arte da Juventude” – SESC Ribeirão Preto/SP.
“Salão de Arte de Mato Grosso do Sul” – Marco – Museu de Arte Contemporânea/MS.
“XXX Salão de Artes Plásticas de Rio Claro” - Centro Cultural Roberto Palmari.
“6ª Bienal do Esquisito – A Face Oculta de um Acéfalo” – Museu Olho Latino – Atibaia/SP.
“Salve São Jorge 23 – 4ª edição” – Caza Arte Contemporânea – RJ.  “Arte Postal: Os Livros” – Galeria Gravura Brasileira – SP.
“Estopim! Exposição do acervo Galeria Coletivo” – Galeria Coletivo.
2011
“Arte, Afro e Descendência Mostra de Arte Contemporânea “ – Centro Municipal de Cultura Afro – Brasileira Odette dos Santos/ São Carlos – SP. “Arte Urbana SP” – Galeria L´oiel / Unidade Brooklin
“Leilão Beneficente em prol da Casa da Criança Paralítica de Campinas” – Shopping Prado/ Campinas – SP.
“L.O.T.E – Lugar, Ocupação, Tempo e Espaço” – Instituto de Artes da UNESP.
“Free Art Fest # 7” – Mônica Filgueiras Galeria de Arte.
2010
“5ª Bienal de Gravura de Santo André” - Salão de Exposições do Paço Municipal.
“7º Salão Nacional de Fotografia Pérsio Galembeck” – Centro Cultural de Araras.
“Free Art Fest # 5”- Mônica Filgueiras Galeria de Arte.
2009
"Andares Secretos"- Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso.
"Roupa de Domingo IV" - Galeria Olido.
"Free Art Fest # 2" - Mônica Filgueiras Galeria de Arte.
"27 de Março Dia do Graffiti" - Espaço de Cultura da Ação Educativa.
“Sarau Urbanidades Paulistanas” – Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso.
2008

"Metrópole SP, Idéias, Movimentos, Expressões" - Galeria Olido. "Cadernos de Cinema" – Espaço cultural da passagem subterrânea Paulista –Consolação / PMSP.
"Stick my World #1" - Open Bar Ostia Lido (Roma/ Itália).
"Impressão Digital" - Casa Campos Elíseos Melhor/ Instituto Porto Seguro.
2007
“Modos de Usar” – Oficina Cultural Oswald de Andrade.
“O Corpo e o Espaço" - Oficina Cultural Oswald de Andrade.
“Uma mão lava a outra e as Duas lavam o Rosto Parte 2” - Galeria Central.
PREMIAÇÕES
2012
A obra “Porta II” foi selecionada para ilustrar o material gráfico da 24ª Mostra de Arte da Juventude do SESC Ribeirão Preto 2013.
2011
Prêmio de Menção Honrosa no concurso de criação do logotipo da Semana de Design – Caminhos do Designer – ETEC Maria Augusta Saraiva.

PUBLICAÇÕES
2014
Catálogo da “25ª Mostra de Arte da Juventude” – SESC Ribeirão Preto.
Livro “Bixiga em Artes e Ofícios” – organizado por Rose Satiko Gitirana Hikiji e Adriana de Oliveira Silva (EDUSP e CPC) – páginas 102, 103 e 199.
2013
Material gráfico da “24ª Mostra de Arte da Juventude – SESC Ribeirão Preto
2012
Catálogo do “Salão de Arte de Mato Grosso do Sul 2012” – páginas 34, 35.
Catálogo da “23ª Mostra de Arte da Juventude” – SESC Ribeirão Preto. 2010
Livro “A Mão Afro- Brasileira: significado da contribuição artística e histórica ” – (Imprensa Oficial/2010)- páginas 134, 135.



Neco Soares
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