terça-feira, 12 de maio de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Jabim Nunes.






Quem é Jabim Nunes?
Nasci em 1963, na Praia de São Gonçalo-Parati, entre a Mata Atlântica e o mar, local em que vivi parte da minha infância.
Sendo o sétimo de 10 filhos, iniciei meus estudos numa escola municipal, em Mesquita/Nova Iguaçu, lugar em que estabeleci residência até então.

Como a arte entrou em sua vida?
Na casa onde vivi minha infância, as ressacas do mar nutriam minha criatividade, eu garimpava objetos trazidos pela maré, entre galhos de madeira que sugeriam formas figurativas, daí utilizava-os como matéria-prima para minhas obras, as quais os amigos e familiares adoravam.
Durante a juventude, tive contato com a arte ao criar e produzir os cenários para os eventos culturais estudantis e religiosos.

Qual foi sua formação artística?
Iniciei minha formação artística, propriamente dita, durante os cursos promovidos pelo Senac-Rio, entre eles o de desenho artístico, decoração, vitrine, e o médio técnico em propaganda e marketing. Mas foi em 1991, quando concluí minha formação em Educação Artística nas Faculdades Bennett.

Como você descreve seu trabalho?
Acho que posso defini-lo como um referencial das coisas do universo social estético contemporâneo.

Fale sobre os meios utilizados no seu processo criador.
Durante o meu processo de criação, utilizo pequeno  recorte de papel colorido  que vou  agrupando tipo um mosaico, com a intenção de encontrar nas  formas irregulares o equilíbrio. De posse dessa composição em miniatura, amplio para pintar, tendo como suporte o compensado de várias espessuras.

Quais são os assuntos discutidos?
Busco em Matisse o gestual dos recortes ao dar formas as minhas criações, em Malevich suas cores anglo-saxônicas e  possibilidades  espaciais ,  já em Tattin o abandono da moldura  e  em Van Gogh  as  texturas  e arabescos , mas foi com os novos  pigmentos , lançados no mercado, que encontrei  os  efeitos   reluzentes apresentados nesta série.
                                                









O material para pintura nacional já tem qualidade adequada?
Dentro das minhas necessidades sim! Certo que demorei muito a encontrar o material ideal, mas, agora que o encontrei finalmente, consigo um resultado satisfatório com bastante qualidade.

É possível viver de arte no Brasil?
Pelo que tenho vivenciado, não. Acredito que minha história seja muito parecida à de muitos outros artistas; desde o término da minha faculdade, me vejo mergulhado na educação, de onde retiro meus proventos. Mas, só agora, aos 52 anos, pude iniciar minha  carreira. As novas mídias me ajudaram muito nesse sentido, pois foi a partir de uma rede social que resolvi apresentar minhas recentes criações, propondo críticas e sugestões. Foi impressionante receber dezenas de  comentários que me deram a certeza da chegada do momento tão esperado. Pretendo, aos pouquinhos, incorporar a Arte como profissão e realização pessoal.

O que você pensa sobre os salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Sou a favor, tanto na esfera regional, quanto nacional. Eles propiciam oportunidade para todo artista, independente da situação econômica, apresentar sua produção, revelando  novos  talentos  da Arte Brasileira e promovendo, muitas das vezes, os  novos críticos.

Qual sua expectativa sobre sua próxima exposição no consulado do Brasil em Nova York?
É sempre uma emoção apresentar nossa nova produção ao público, além do mais, em se tratando de Nova York.
O curador Edson Cardoso propõe, com essa coletiva, um diálogo, ao apresentar as diferentes tendências criativas que compõem a identidade da Arte Brasileira. Segundo ele, trata-se de uma mostra que enfatiza e promove a diversidade estilística encontrada no Brasil, reunindo várias linguagens tais como pintura, fotografia, objeto e instalação, dando uma maior possibilidade para que espectador conheça uma grande representação consistente da Arte Brasileira. Serão 54 artistas provenientes do Rio, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Ceará e Brasília.
Com essa coletiva, Edson propõe mostrar ao povo nova-iorquino as últimas criações dos artistas contemporâneos brasileiros, dialogando com diferentes estilos.
Será uma exposição coletiva organizada pelo galerista Edson Cardoso, com 54 artistas brasileiros, montada na entrada do Consulado do Brasil em Nova York. Abertura dia 20 de maio com 500 convidados.
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Você poderia falar sobre sua atividade docente?
Desenvolvo meu trabalho no Núcleo de Arte Grande Otelo: um espaço de extensão escolar da Prefeitura do Rio, onde proponho despertar nos alunos o gosto pela arte, promovendo aulas-passeio a museus, espaços culturais e  entrevistas com artistas, buscando valorizar as experiências vivenciadas em contexto social,   sobre o processo criativo de alguns expoentes das artes plásticas/visuais, proporcionando um olhar comparativo, investigativo, reflexivo e contemplativo; ao propor o contato com  diversos materiais, até mesmo os desprezados pela sociedade,  ao aplicá-los na sua produção na busca de novos conceitos, sugerindo discussões pertinentes durante a criação, para que se tornem cidadãos contempladores, sensíveis e criativos diante das questões que compõem o seu dia a dia, fazendo pensar de maneira mais ampla, buscando explicações para determinados acontecimentos promovidos pela sociedade, mas,  se por ventura tornarem-se também  artistas, dar-me-ão felicidade em dobro.

Quais são seus planos para o futuro?

Apresentar, efetivamente, ao público minha primeira exposição individual, o que ainda não aconteceu. 






























Exposição em Nova York maio de 2015.







Um comentário:

analuciatoledo disse...

Gostei demais de conhecer a sua história, a sua trajetória artística Jabim Nunes...lindos trabalhos...muitas realizações!!!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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