terça-feira, 28 de abril de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Augusto Fonseca








Quem é Augusto Fonseca?
Nascido e criado em Belo Horizonte. Atualmente trabalhando no Museu de Arte da Pampulha, no setor de Artes Visuais. Divido meu tempo entre o serviço público, as criações artísticas e os encontros com os amigos, principalmente, nos bares do edifício Maletta.

Como a arte entrou em sua vida?
Desenho desde criança. Acredito que a minha formação começou nessa época, com a educação do olhar, da observação, através de livros, revistas. Meu pai colecionou aqueles fascículos da abril, “gênios da pintura”, e também as enciclopédias cheias de ilustrações. Todas essas imagens foram muito presentes na minha vida.

Qual foi sua formação artística?
Desde novo procurei fazer cursos ligados ao desenho. Aos quatorze anos estudei desenho artístico e publicitário em uma escola técnica, depois cursos particulares. Quando chegou a época do vestibular, não tive duvidas do que fazer. Entrei para a escola de Belas Artes da UFMG. Mas trilhei um caminho, primeiramente, ligado ao cinema de animação. Posteriormente voltei para estudar pintura. Também participei de diversos seminários, oficinas no festival de inverno da UFMG, Oficina com Dora Longo Bahia  pelo CEIA, entre outros.

Que artistas influenciam em sua obra?
Acho complexo falar de influências, pois elas vêem de todos os lugares. Acho que a maior influência que tenho são as minhas experiências de qualquer tipo. Família, amores, cinema, musica, tv, literatura. Mas existem vários artistas que me influenciam de alguma forma. Começando com os artistas mais próximos, amigos e professores, tenho que citar Alan Fontes, Rodrigo Mogiz, Daniel Bilac, Rafael Zavagli, Renata Laguardia, Manuel Carvalho.  Tive como professor o aquarelista Mario Zavagli, o que com certeza estreitou meu caminho com a aquarela. Importantes orientações em desenho e pintura foram feitas por Giovanna Martins, Eugênio Paccelli Horta,  Lincoln Volpini e Marcelo Drummond dentro da escola de Belas Artes. De artistas nacionais que admiro, além destes que citei, são: Luiz Zerbini, Alex Cerveny, Adriana Varejão, Rodrigo Andrade,  Marcos Coelho Benjamim, Henrique Oliveira, Efrain Almeida, Marco Túlio Resende, Amílcar de Castro e Farnese de Andrade. Dos artistas internacionais, Franz Ackermann, Basquiat, Anselm Kiefer, David Hockney, Peter Doig, Andrew Wyeth, Francis Bacon e todos os gênios da pintura.

Como você descreve seu trabalho?
Tenho um trabalho basicamente voltado para desenho e pintura. O que venho fazendo mais frequentemente em questão de técnica é desenho sobre papel, aquarela, pintura acrílica sobre tela e, recentemente, tenho me envolvido em criação de objetos também. Penso que cada trabalho, de acordo com o assunto que abordo, pede um tipo de tratamento visual específico. Para as s “Outras cidades invisíveis” e “seres de existências cruzadas” , trabalhei com formas geométricas, então o uso de fitas, réguas, linhas, foram necessárias para enfatizar o assunto que trata da questão das cidades, arquitetura, ocupação do espaço e territoriedade. Para a série “quando penso ter razão”,  em que falo sobre a mudança de estado, precisei usar da fluidez da aquarela. O mesmo se aplica na série seguinte intitulada de “o falso espelho”, em que trabalho com o mito de narciso, que tem essa relação com o reflexo e a água. Já em minha mais recente série “walk me home”, o trabalho foi, em pintura, exclusivamente, em pintura acrílica, para conseguir cores e texturas plásticas, pois ligava a ideia do tema, que é voltado para os anos de 1980.

O material nacional para pintura já é de qualidade suficiente?
Acho que depende do resultado que o artista quer conseguir. No meu caso, utilizo materiais importados, principalmente, por trabalhar com aquarela e tinta acrílica. Acho que para tintas a óleo, por exemplo, consegue-se facilmente um resultado satisfatório com as tintas nacionais. Varia com a intenção do artista.

É possível viver de arte no Brasil?
Sim. Existem muitas profissões envolvidas com o meio artístico. Museólogo, restaurador, curador, historiador, ilustrador, etc. Viver de venda de trabalhos de arte já é mais complexo.

Você vive e trabalha em Belo Horizonte, como é o desenvolvimento da arte contemporânea em sua cidade?
Tem crescido bastante. A cidade possui duas universidades públicas de arte, o que faz com que a cada ano, muitos novos artistas apareçam. Com muitos espaços culturais sendo criados também. Recentemente, foram criados o CCBB, o Memorial da Vale e o Cine Brasil. Temos Inhotim perto da capital, principal centro de arte contemporânea do Brasil. O Museu de Arte da Pampulha, o Palácio das Artes, o Museu Mineiro, o SESC Palladium e o Museu Inimá de Paula. Todos cumprindo um importante papel no circuito cultural. Alguns editais de galerias em instituições foram e ainda são muito importantes por aqui, como o edital da COPASA, BDMG e CEMIG. Aliança Francesa, Centro Cultural da UFMG, Galeria de Arte Mamacadela, Galpão Paraíso, também têm feito ações interessantes.  Outros espaços e ações individuais têm se tornado comum. Temos também uma editora especializada em artes plásticas, que é a C/arte, que faz um trabalho primoroso em relação aos nossos artistas. E também temos algumas boas galerias comerciais.

Qual sua opinião sobre as Residências Artíticas?
È um meio pelo qual o artista pode desenvolver suas pesquisas, com a orientação de profissionais da área. Acho muito válido. È uma experiência rica, tanto para o artista, quanto para os outros envolvidos.  Tive a experiência de trabalhar no programa Bolsa Pampulha, que é um programa pioneiro no Brasil, criado por Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura, dois dos principais curadores do Brasil. Na quinta edição, na qual trabalhei, tivemos uma grande contribuição dos curadores Agnaldo Farias, Ricardo Resende, visita dos artistas Eder Santos, Cão Guimarães e João Castilho(ex bolsista), que com certeza enriqueceram o repertório dos artistas residentes.

O que você pensa sobre os salões de arte?
Eu acho que os salões de arte são um dos caminhos para legitimar o trabalho de um artista, assim como residências e outros tipos de eventos ligados à arte. A dinâmica dos salões foi muito questionada nos anos 90, dando o espaço para as residências artísticas. A residência é mais direcionadoa para a formação e a pesquisa no qual o artista pode ao longo do processo, criar algo especifico ali. Já no salão, o artista apresenta algo pronto. Acredito nos dois meios. Cada um tem sua característica.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Aparecer, estar em destaque. As galerias estão preocupadas em ter artistas de renome e vendáveis. E para chegar neste ponto, o artista tem que fazer muita exposição, conhecer gente da área, curadores, participar de salões,etc. Esse é o caminho mais comum.

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar pintando, exercitando o fazer e o pensar. Experimentar coisas novas, viajar. Tudo faz parte desta experiência viver.


Pinturas da série Outras Cidades Invisíveis.




Exposição CEMIG, 2009.


Exposição BDMG, 2013.


Exposição BDMG, 2013.



Eurocopasa, 2013,





Falso Espelho, 2012. 29x42 cm.






Cubo Branco Versus Cubo Mágico, 2014. 8x8x9 cm.




Meat is Murder, 2014. Acrílica sobre tela, 120x90 cm.



Walk Like an Egyptian, 2014. Acrílica sobre tela 155x190 cm.





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Maurizio Cattelan

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