sexta-feira, 17 de abril de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o galerista Luiz Landeiro





Quem é Luiz Landeiro? 
Eu sou de Salvador, na Bahia, eu nasci no dia 07 de março de 1980, minha família é meio baiana com espanhóis. Minha infância foi muito criativa, junto com a natureza, e toda sua liberdade, tive uma infância e juventude muito próxima com as artes plasticas, pois minha mãe, Dolores Landeiro, também pintava, além dela ser arquiteta e gostar muito das expressões artísticas, sempre frequentando teatros, cinemas, circos, museus e exposições. 
Sou formado em Bacharelado em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Marketing, Pós Graduação em Branding, tendo trabalhado 12 anos no mercado publicitário. Já produzi alguns eventos na área musical também.

Como a arte entrou em sua vida?
Desde cedo, através dos estímulos da minha família, já absorvia algumas sensações que as obras de arte proporcionam. Aos 7 anos, comecei a pintar com o apoio de minha mãe. Estudei durante uns 4 anos em diversos cursos no MAM-Museu de Arte Moderna da Bahia, cursos de Historia da Arte, Desenho Criativo, Xilogravura, Lito gravura, Escultura, Percepção Tridimensional e etc, este período, também me influenciou muito a amar as artes em geral, todos os sábados no museu há uma Jam Session de Jazz, com diversos músicos do mundo todo.


Quais são seus artistas preferidos? 
Meus artistas preferidos são Helio Oiticica, Leonilson, Joseph Beuys, Anselm Kiefer, Jeff Koons, Nam June Paik, Ivan Navarro, Hieronymus Bosch século XV, Caravaggio século XVI entre outros. 
Tem também os artistas da nova geração como Fábio Magalhães, Arthur Scovino, Tuti Minervino, Marcelo Daldoce, Coletivo GIA, Ana Elisa Egreja, Os Gêmeos, Juan Francisco Casas, Alessandra Vaghi, Ernesto Neto, Virgilio Neto, Camila Soato, são muitos nomes e todos esses tem minha preferência.


Quando e por que você resolveu abrir uma galeria?
Foi a mais ou menos há 10 anos, quando um vizinho meu tinha um quadro de um grande artista modernista, e gostaria que eu fizesse uma avaliação e cotação de preço para este quadro, como eu conhecia a família deste artista modernista, que já havia falecido há alguns anos, levei a obra do meu vizinho pra fazer a autentificação da obra, além de uma cotação para saber o valor de mercado da obra. Pois bem, fiz o meu dever de casa, retornei com o quadro para a casa de meu vizinho, chegando lá, ele me perguntou se eu gostaria de vender o quadro, ele ainda me daria uma comissão sobre a venda da obra. Aceitei a oferta. Uma semana depois, eu havia vendido o meu primeiro quadro como um marchand de arte, para um outro vizinho. Depois em 2010, realizei minha primeira exposição como curador no Instituto EBEC em Salvador, na Bahia, com a exposição da artista Zau Pimentel, foi aí que me encontrei de vez.

Como deve ser a formação de um galerista?
Em primeiro lugar, amar arte. Segundo, meditar muito, pois é um mundo de vaidades, para não deixar o ego dominar. Em terceiro, você começa com um curso de Historia da Arte, estuda desde do período paleolítico inferior, até os tempos mais recentes e a arte contemporânea principalmente. Busca, saber sobre curadoria, crítica de arte, produção, montagem, preservação de obras de arte, administração e logística. Mas tem vários detalhes que fazem a diferença e só quem trabalha com isso sabe.

De que maneira as galerias poderiam contribuir para divulgação da arte no Brasil?
Não sendo tão tendenciosas.

É possível viver de arte no Brasil?
Sim. Mesmo sendo honestamente, que é meu caso, vivemos um boom artístico no momento, o país é um celeiro criativo, transborda de tanta arte, desde da arte popular, até a arte contemporânea.

O que você pensa sobre as Feiras de Arte?
São espaços fundamentais, para a divulgação de diversos artistas e galerias.

Quais seus critérios para escolher os artistas representados?
Para mim o mais importante é a obra de arte, o que ela quer expressar.

A grande artista Doris Salcedo, em entrevista recente, disse: ...as condições do Terceiro Mundo são difíceis, há poucas oportunidades para que artistas jovem possam desenvolver ou expor suas obras", o que você pensa sobre isso?
Realmente, é muito difícil, para os artistas jovens darem o seu ponta pé inicial na carreira artística. Pois eles saem das suas escolas artísticas, artistas e não empreendedores comerciais, ou produtores,  muitas vezes até conseguirem se inserir em qualquer cenário é complicado. Mas são diversos fatores que levam essas dificuldades aos artistas jovens há ter uma oportunidade. Inclusive, pois são muitos artistas para poucos espaços. Mas os bons artistas sempre terão espaço no mercado.

Você pode nos dar um panorama da arte contemporânea na Bahia?
A arte contemporânea no estado, está fortíssima com diversos movimentos artísticos surgindo, temos o Arthur Scovino, que participou da Bienal de São Paulo e da Bienal da Bahia. Temos o coletivo GIA, que ganhou o prêmio Nam June Paik, na Alemanha, entre diversos artistas em uma constante e inquietante movimentação artística.


Quais são seus planos para o futuro?
Continuar fazendo o que eu mais gosto, trabalhar com arte.




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Maurizio Cattelan

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