O BANQUETE SEGUNDO
REGINA MELLO
Marcos Fabrício Lopes da Silva*
Reza a tradição grega que, em torno de “O
Banquete”, despertou-se um diálogo platônico escrito por volta de 380 a.C, com
a finalidade de oferecer um conjunto de discursos sobre a natureza e as
qualidades do amor, notadamente por meio de uma disposição erótica. No livro O Erotismo, Georges Bataille, “a
essência do erotismo é, assim, ser a transgressão por excelência, dado que ele
é resultado da atividade sexual humana enquanto prazer e, ao mesmo tempo,
consciência do interdito”. O filósofo ainda salienta que o erotismo se revela
como “aquele ponto em que o homem é ao mesmo tempo social e animal, humano e
inumano, além de si mesmo”. Nesse sentido, o sabor das reticências corporais
está para o erótico, assim como a ordem pornográfica, em seu ponto final
avassalador, impõe uma impostura de desempenho à performance erótica. O
erotismo aprecia, a pornografia devora.
O propósito de um banquete se revela
mundanamente como uma festa, na qual quase sempre se bebe mais do que se come.
Com licença poética, podemos admitir que o banquete é o espaço livre onde se
revela a “razão ébria” presente em todos nós, isto é, situações em que
colorimos a nossa lucidez com as tintas do lúdico. Momento especial em que o gozo
deixa de ser só prazer e satisfação para se transformar em humor. Amor e humor,
ao mesmo tempo, se nos aventurarmos a curtir o banquete como ritual
antropofágico.
Existe um sinônimo conferido à palavra banquete
– a noção de simpósio – que se apresenta
como uma série de acenos provocados pela “memória da minha pele”, segundo a
bela expressão cunhada por João Bosco e Aldir Blanc. Pelo caminho das
reminiscências – aquele tipo de passado que se estende como presente para
embalar o futuro, a partir de um tempo projetado em espiral – o conceito de simpósio também acolhe o ritual do banquete. Simpósio, partindo de um
denominador comum de comunicação, pode também ser compreendido como as
conversas e os silêncios que povoam os sinais expressivos daqueles e daquelas
que participam do banquete.
De maneira plurissignificativa, a artista
Regina Mello dialoga criativamente com a tradição do banquete e sugere uma
“ceia barroca” disponível para o público apreciar cacos de vidros como alimento
simbólico que se expressa à altura de um mundo multifacetado, devido ao desafio
de nos manter íntegros frente à multiplicidade perceptiva que ora nos salva,
ora nos penaliza. Mergulhados em uma “modernidade líquida”, como diria Zygmunt Bauman, estamos abrindo distância da consistência
sólida que deveria sustentar a nossa individualidade em patamares mais
qualificados em matéria de expressão da alteridade. Regina Mello nos lança uma
instigante provocação: a de que vivemos em um tempo de “espelhos quebrados”. O stress contemporâneo, proveniente de um
ritmo produtivo extremamente automativo e robótico, gera em nossa condição
humana a sensação de que estamos um “caco”, vindo à tona, portanto, uma
estrutura quebradiça em parâmetros coletivos. Estamos cada vez mais expostos e
fraturados diante dos dilemas existenciais do autoconhecimento e da
interpessoalidade. Salvo melhor juízo, juntar os cacos, mesmo que haja o risco
de se quebrar de novo, se apresenta como proposta digestiva ousada, isto é, uma
espécie de “nutrição do caos” que, holisticamente, pode nos alimentar melhor.
Um tipo de refeição temperada pela dor e pela delícia de ser o que somos,
autenticamente falando.
*
Professor da Faculdade JK, no Distrito Federal. Jornalista, poeta e doutor em
Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG.
O Banquete
O Banquete. Detalhe.
Currículo Vitae
REGINA
MELLO - Regina Mágda Rodrigues de Melo
31- 88387367 / 94211959
Experiência
* 64 exposições individuais e coletivas no
Brasil e exterior com pinturas, esculturas, fotografias, performances,
instalações e objetos.
* Curadora de eventos de poesia e artes
visuais no Brasil e exterior tais como: Encontro
Internacional Portuguesia (Portugal e
Brasil) e exposição Original – livro de artistas.
* Supervisora, consultora e assessora
artística para todas as áreas da artes.
* Ministra oficinas de artes, criatividade,
fotografia e poesia, para adultos e crianças em espaços públicos e privados
* Realiza pesquisas, seminários e encontros
nas áreas das artes visuais, música, dança e literatura, nos estados
brasileiros e exterior.
* Diretora-fundadora do Museu Nacional da
Poesia desde 2006.
* Gestora, produtora, supervisora e curadora
dos seguintes projetos:
Sementes de Poesia de 2008 a 2013, Galeria
da Árvore de 2007 a 2013, Original – livro de artistas de 2006 a 2013 e
Intercâmbio artístico-cultural do MUNAP desde 2008.
* Direção e produção dos espetáculos Poesia
Biosonora e NeoNão de Wilmar Silva 2011 e 2012
* Editora/surpevisora e organizadora de
Antologias Poéticas, impressas e audio, tais como: "Antologia de
Ouro" do Munap 2010 e 2012; “Tropofonia” Rádio UFMG, 2011.
* Autora de livros de poesia
"Cinquenta" e "Passos Partidos", livro aberto no Parque
Municipal Américo Renné Giannetti, livro de artista e livro escultura, (livro
de vidro).
* Produtora e co-curadora das (42 edições)
Terças Poéticas durante o ano de 2012 Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes BH
* Produtora do Verão Poesia - Verão Arte
Contemporânea de 2010 – BH
* Membro da Câmara Setorial de Artes Visuais
da FUNARTE 2007 – BH
* Participou da organização da I Conferência
Municipal de Cultura - BH
* Representante dos trabalhadores da cultura
na II Conferência Estadual de Cultura de Minas Gerais.
* Profa. Comunicação aplicada no
reinventando ensino médio na Esc. Estadual Maestro Villa Lobus. 2014
* Profa. curso técnico INSTRUMENTOS
MUSICAIS/PRONATEC módulo I “Aprender a Fazer”
Formação
* 1999/2002 Bacharelado pela Escultura pela Escola de Música
e Belas Artes do Paraná – Curitiba/PR.
* 1989/1995 Curso de Artes Plásticas pela Escola Guignard
(UEMG).
* Cursos de fotografia nos níveis básico e avançado com
Roberto Pitella (Escola de Música e Belas Artes do Paraná - EMBAP/Curitiba),
Claudio Feijó (Universidade Federal de Minas Gerais), Carlos Fadon e Henrique
Lorca (Fundação Municipal de Cultura de Curitiba/PR), Kurt Buchwald
(Berlim/Alemanha).
* "Curadoria e montagem de Exposição" -
básico e especialização (Escola de Governo de Minas Gerais e Fundação João
Pinheiro - BH)
* V Encontro Internacional de Performances (Hemispheric
Institute de Nova York - UFMG)
* Seminário de Arte Contemporânea com
Rodrigo Naves (Goethe Instituto - Curitiba)
* "Criatividade: o diferencial competitivo" com Ernesto
Artur Berg no Sebrae (Curitiba - Paraná)
* Música e Criatividade I na Fundação Clóvis Salgado –
Palácio das Artes com Andersen Viana
* História comparada da música - Palácio das Artes com
Andersen Viana
* História da Arte no Instituto Cultural Itaú BH com Tadeu
Chiarelli, Marco Elízio de Paiva, Fernando Cocchiarale e Maria Angélica Melendi
Biasizzo, Rodrigo Naves
* Museologia pelo Ministério de Cultura - DEMU e FUNDAC.
* Gestão Cultural DUO – UNA
BH – MG
Blogs, sites e redes que
administra e participa: