quarta-feira, 18 de março de 2015

Conversando sobre Arte Entrevistado Marcus Andre





Fale algo sobre sua vida pessoal.  
Eu nasci na Beneficência Portuguesa no Bairro da Glória, e morei no Catete até os meus cinco anos . Meu pai era administrador e contador da antiga CTC , empresa de transporte publico do Estado da Guanabara, minha mãe professora de educação da família. Quando esta no jardim de infância minha mãe foi chamada para uma reunião de final de bimestre, quando chegou na sala que eu estudava ela exclamou: puxa quantos desenhos .!!!....a turma deve ser grande...!..? .Não !!!...a professora respondeu..... são todos do seu filho. 
Meu avo por parte materna era comerciante relativamente bem sucedido, dono de armazém na Gamboa, migrou para o ramo dos calçados no final dos anos quarenta a família tinha uma sapataria em Botafogo. Estudei até o colegial na Escola Estadual Estácio de Sá ficava no Forte da Urca, foi la que passei a maior parte da minha infância, na praia de fora e no cais da praia de dentro. Nesta época eu pintava e desenhava no meu quarto, alguém sempre me dava de presente tintas, porem a que eu mais coisa gostava era mergulhar nos costões de pedra da Urca, olhar os peixes grandes e tudo mais que se jogava dentro do mar.....era um universo e tanto....eu sou o único artista na minha família, as mulheres eram professoras, e os homens economistas.

Como foi sua formação artística?
Meus pais me levavam ao Aterro do Flamengo aos domingos, era um programa completo, com direito a participar das atividades alternativas em torno do MAM. Eram os Domingos da Criação, organizados pelo Frederico de Moraes, vinham pessoas de todas as classes e idades, eram encontros entre artistas e a cidade, os happenings públicos aconteciam no gramado e arredores do museu, quase sempre fazia sol e shows eram frequentes, tudo acontecia ao mesmo tempo, acho que a ideia era essa, os artistas eram audiência.
Formação de artista é coisa muito abrangente, considero no caso do artista toda oportunidade uma formação. Estudei, prestei vestibular como todo garoto de classe média, cursei Desenho Industrial na UFRJ, nunca exerci. Frequentei o Parque Lage entre 1978 e 1983, me matriculei na Oficina do Corpo, na época do Rubens Guerchman. Pintura naquela época era só em filme. Museu era o da Quinta da Boa Vista, o de História Natural, meu pai conhecia o diretor, seu nome era Prof. Feio. O museu era muito intrigante, tudo aquilo morto, natureza morta, animais mortos, uma continuação dos meus filmes preferidos com Bela Lugosi, tinha um ar de decadência, assim como a cidade. Em julho de 1978 o MAM pegou pegado fogo....podemos considerar que nessa época existia uma certa oposição e descrença a uma arte-educação ou seja, os artistas não mais saiam de escolas de arte....a ordem era a informalidade.

Que artistas influenciam seu pensamento?
A principio não costumo partir de uma pensamento para iniciar o trabalho. Dizem que 89 % do que somos entrou pelos nossos olhos. Os artistas que continuo vendo não mudaram tando nos últimos anos: paisagistas do séc. 18 e 19, história em quadrinhos, Vinet, Castagnetto, Grupo Grimm, Diebenkorn, Johns, Ceccobelli, Rauschenberg, Os Novo Realistas, Roberto DeLamonica e os gravadores brasileiros dos 50 e 60...quase todos, construtivos e de-construtivos.

No Inicio de Sua Carreira, você fez  estágio, como foi a experiência?
Na verdade eu nunca tive um estágio formal como se tem quando se esta iniciando uma profissão liberal ou coisa parecida. Quando estava começando tive alguns empregos temporários remunerados que considero hoje importantes na minha experiência como artista. Trabalhei em diversas atividades bem diferentes no Brasil e fora também. Para citar algumas: assistente de cozinha de um restaurante inglês, ilustrador, carpinteiro, impressor /colorista, bar-Man, pintor decorativo, assistente de cenografia e professor de gravura.

O que é ser um pintor no século XXI?
Este é um assunto bem abrangente. Dizem que cada cidade tem os artistas que merece, de certa forma era assim. Com a globalizadão , ou seja com extensão extrema do capitalismo o artista abandona sua identidade regional, e a ideia de pátria vem se esgotando a partir do pós-guerra. Ser pintor no século XXI é buscar um olhar sobre a natureza interna das coisas, e ao mesmo tempo atingir a superfície de um mundo de fantasmas.

Que exposição sua você Considera a mais Importante?
A mais importante para mim foi a do MAM Rio de Janeiro em 2001, um projeto que foi na época bem recebido pelo curador geral Prof. Agnaldo Farias. Foi acompanhada pelo lançamento de um livro com textos dos críticos Sônia Salzstein e Paulo Sérgio Duarte.

Como você descreve o mercado de Arte no Brasil?
Acredito que esta crescendo, assim como outros mercados também crescem neste momento. O Brasil investe pouco e colhe muito, dependemos da iniciativa privada. Nós teremos que mostrar opinião própria em vários segmentos sociais e econômicos nos próximos anos. Acho que isso será refletido no mercado de arte necessariamente, de uma maneira ou de outra. Ainda dependemos bastante do olhar externo, e não temos o colecionismo realizado por museus e instituições públicas brasileiras. Isso seria uma grande mudança. Por exemplo: o fato de não existir um museu no Rio de Janeiro para o Neo-Concreto, incluindo todos os agentes deste período abre uma lacuna que dificulta o estabelecimento de setores do mercado. O que é público , e o que privado? O artista individualmente ainda carrega o piano.

O material nacional para pintura já tem qualidade adequada?
 Sou cliente dos produtos da Mahler em São Paulo, eles fazem algumas coisas importantes com muito boa qualidade.  Meu interesse se da bastante nos materiais, porem não acredito neles como um valor em si....Nunca me esqueço de uma professora de ginásio que uma vez pediu um trabalho de ciências....eu fiz um trabalho sobre polímeros e plásticos....e aquilo me despertou bastante atenção a respeito de materiais e revestimentos sintéticos....acho que nosso memoria afetiva se forma principalmente nos primeiros anos....no meu caso no inicio dos anos 60 ...quando eu comecei a perceber o mundo que me cercava...eu me admirava com aquela enormidade de tecidos sintéticos, cores e elasticidades ...como o bamlon, nylon, jersey ou o rayon...acredito que a ideia era tudo tomar a forma do corpo.... um clímax do uso do petróleo.

Quais são seus planos futuros?
Tenho como projeto para um futuro próximo comprar toda a cera de abelha disponível no mercado.



2009. Encáustica sobre madeira. Díptico. 220x240 cm.




 2013.



Série Chicama. Têmpera e encáustica sobre tela. Díptico. 92x304 cm.



Série Chicama. Têmpera e encáustica sobre tela. Díptico. 92x244  cm.



Série Edificantes. Encáusticas sobre madeira. Díptico. 153x120 cm.



Série Galpões. Têmpera e encáusticas sobre tela, 2011. 120x220 cm.




Série Galpões. Têmpera e encáustica. 80x265 cm.



Série Chicama, 2015. Têmpera e encáustica sobre madeira. Díptico. 80x240 cm.


Série Chicama, 2015. Têmpera e encáustica sobre madeira. Díptico. 80x240 cm.



Série Chicama, 2015. Têmpera e encáustica sobre madeira. Díptico. 81x240 cm.




http://www.marcusandre.com/








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