quarta-feira, 11 de março de 2015

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Luiz Monken





Quem é Luiz Monken?                                                                                                                
Sou arquiteto por formação, artista plástico autodidata. Nasci em Petrópolis e estudei Arquitetura, no Rio de Janeiro. Morei e trabalhei com arquitetura e artes plásticas na Zona Sul do Rio, onde ainda mantenho meu primeiro atelier. Casei com a arquiteta Dulce Daou, com quem vivo até hoje.  Em 2005, me estabeleci em Foz do Iguaçu, no Paraná. Acabo de construir minha casa numa chácara, onde moro e trabalho, a poucos quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu.
 Incentivado pelo meu avô por parte de pai, desde muito pequeno, até os meus 12 anos (quando ele faleceu) fui muito estimulado a conviver com arquitetura e as artes em geral. Desde cedo eu tinha facilidade com a linguagem do desenho, da pintura, escultura e música. Minhas brincadeiras eram sempre muito solitárias, já que esses interesses não eram comuns à maioria das crianças nos arredores. Meu pai em sociedade com meu avô tinha uma oficina de serralharia e do lado, meu tio mantinha uma oficina de carpintaria, ambas localizadas bem em frente à minha casa. Eu já despertava paixão por “fazer coisas”. Recortar, lixar e colar eram atividades banais, corriqueiras pra mim. As duas oficinas eram uma espécie de templo lúdico, era lá que eu podia construir meus próprios brinquedos de lata e madeira. As ferramentas todas ficavam à minha disposição. Eram meus verdadeiros brinquedos. Sem falar dos mestres (meu pai e meu tio) dispostos a me ensinar como utilizá-las corretamente. Aquelas atividades estão vivas na minha criação artística até hoje. Sei que a habilidade técnica construtiva muito presente nos meus trabalhos adentrou a minha vida desde a infância.

Qual foi sua formação artística?
Sou artista autodidata, mas na faculdade de arquitetura tive uma base artística muito importante, principalmente nos primeiros anos da formação. Sou grato a professores gabaritados, Maria Augusta (carnavalesca), Rosa Magalhães (carnavalesca), Onofre Penteado (artista plástico), Claudio Moura ( cenógrafo e artista plástico), dentre outros. Eles muito contribuíram para o meu desenvolvimento e a minha paixão por arquitetura e principalmente  pelas artes plásticas. Comecei a trabalhar com arquitetura e construção ainda como estagiário, era muito dedicado a isso. Formado em 1987, fui para Manaus, Amazonas, para trabalhar com o arquiteto Severiano Mario Porto, que entre todos os profissionais por mim conhecidos, era o que mais me despertava interesse pela riqueza da sua obra naquele momento. Passei alguns bons anos trabalhando no seu escritório em Manaus, depois na filial do Rio, quando tive a satisfação de receber três prêmios concedido pelo IAB - RJ ( Instituto de Arquitetos do Brasil), no Rio de Janeiro, como coautor dos projetos. Em paralelo, mas sem muito tempo para dedicação fazia algumas obras como pintura, desenho e objetos. Participei de algumas exposições, mas ainda sem nenhuma pretensão de me profissionalizar, até que em 1993, incentivado por um grande amigo o artista amazonense Sérgio Vieira Cardozo, me inscrevi no XIII Salão Nacional de Artes Plásticas, FUNARTE, Rio de Janeiro, RJ, quando recebi prêmio de aquisição, determinante para que eu me posicionasse buscando a profissionalização da condição de artista plástico.

Que artistas influenciaram sua obra?                                                                                            Vários artistas. O primeiro foi um artista holandês que morava no meu bairro em Petrópolis, Willem Leendert van Wan Dijk. Durante muito tempo, pintura para mim era o que ele fazia. Meu avô era muito amigo dele e me levava de vez em quando no seu atelier, para que eu o observasse pintando. Eu nunca o vi pintar, pois ele só o fazia solitariamente. Meu avô insistiu que eu fosse ajudante dele, lavando seus pincéis. Eu confesso que não queria. A figura dele me causava certo desconforto, não sei se pela imensa barba ou pelo barulho atribuído às pernas mecânicas adquiridas em consequência da guerra. Eu tinha apenas  9 ou 10 anos. A obra dele muito me impressionava, eram pinceladas vigorosas e muito espessas! Outras referências foram Juan Miró, por sua poética, temas e cores,  Michelangelo Merisi de Caravaggio (Caravaggio) pela forma como ele se utiliza da luz. Essa influência pode ser verificada nas minhas “pinturas secas”. Muitos outros artistas, alguns mais contemporâneos, foram pra mim também  importantes, como Joseph Beuys,  Marcel Duchamp, Nelson Leirner, Tunga, por exemplo.


Como a arte entrou em sua vida?
Como mencionei anteriormente, meu avô me apresentou às artes muito cedo, ele trazia para mim telas tintas pinceis e tudo mais necessário para se pintar antes mesmo de eu ir à escola primária. Me mostrava imagens de livros revistas e me desafiava para que eu realizasse tarefas como, por exemplo, transportar essas imagens fotográficas para telas de pinturas. Quando estas secavam,  mostrava-as, junto comigo, para o amigo dele pintor, Van Dijk, para dar o seu “veredicto”.   
                                                                                 
Como você descreve seu trabalho? 
Trabalho com pintura, escultura, objetos, instalações e vídeos. A temática pertinente nas minhas obras é o movimento e / ou a inércia, a leveza e / ou o peso. Trabalho muito com antagônicos. Luz e sombra, preto e branco, cheio e vazio. Em muitas das minhas obras são evidenciadas acumulações de pontos ou de linhas que por se repetirem sugerem movimentos. Em outras, faço uso de motor elétrico para proporcionar movimentos reais.

O que caracteriza um artista conceitual?
O conceito é importantíssimo na arte contemporânea.  Alguns artistas são mais e outros menos conceituais em suas obras. Penso que desde o momento que o nosso mestre Duchamp, num gesto iconoclasta, lançou mão do mictório (A Fonte), o modo de ver e fazer arte nunca mais foi o mesmo.

De que maneira você financia a produção dos vídeos? Há mercado para eles?
No meu caso, a minha produção de vídeos não é muito grande e totalmente bancada com recursos próprios. Não sei se há mercado para eles ainda não tive essa pretensão.

É possível viver de arte no Brasil?
Eu não vivo só de arte, por isso tive que me tornar primeiro arquiteto, fazer um pé-de-meia e me dedicar mais profundamente à arte depois de alguns bons anos. Mas hoje acho que é possível sim, conheço alguns artistas que vivem somente do seu trabalho de arte, não são muitos e trabalham bastante para isso!

Como você estuda e se atualiza?
Sou pouco dado à leitura, deveria ler mais, mas tenho bons livros de arte para consultas e folheio algumas revistas de vez em quando. Vou a todas as exposições de arte que eu posso. Viajo sempre para São Paulo e pro Rio. Sou muito observador da natureza, desde criança, e aqui na minha casa tenho esse privilégio, flora e fauna de sobra. Claro, conto muitíssimo com a Internet para me manter atualizado e em contato com as galerias. Sem a Internet eu não poderia morar onde moro hoje e me manter conectado com o Zeitgeist contemporâneo. Essa é uma dádiva na nossa Era.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Inicialmente ter um trabalho consistente e de qualidade. Ter sobretudo um bom currículo, com prêmios em salões e exposições importantes e também ter um contingente de obras comerciáveis, que agrade um determinado número de clientes dessa galeria, porque a galeria precisa vender para se manter.

Quais são seus planos para o futuro?                                                                                                   Eu não faço muitos planos para o futuro, as coisas vão acontecendo. Procuro manter um bom ritmo de trabalho, atendendo a minha própria demanda criativa, em primeiro lugar. Tenho uma exposição agendada para 2016, no Museu da República, na Galeria do Lago, com curadoria de Isabel Sanson Portella. Estou trabalhando para uma individual que deverá acontecer na Galeria Mercedes Viegas, ainda não amarramos a data. Neste momento estou trabalhando em novas obras para a SParte - Feira de arte de São Paulo 2015, que acontecerá no período de 9 a 12 do mês de abril.







Obra - 2 ( da série pintura seca ) - 2010 – fogo de maçarico sobre chapa de MDF e aguada de acrílica - 172 x 156 x 2 cm.






meu Negro, meu Madeira, meu Mamoré - 1993 - madeira carbonizada e aço inoxidável - 279 x 210 x 6 cm.



mesa para os meninos - 1997 - madeira e chumbo - 1997 - 130 x 280 x 80 cm.



Para se ouvir Cássia Eller - 1998 - borracha e plástico - 25 x 25 x 35 cm.


Sem título  - 1999 - borracha presa em piso de granito.


JC-13anos (da série panos de chão) - 2003 - tecido, caixas de luz com imagens fotográficas e fios elétricos - 340 x 220 x 5 cm.



Oscilações  - 2004 - tecido de algodão, azulejos, motor elétrico e projeção de imagem fotográfica - 250 x 250 x 250 cm.


Pequenos movimento 2 - 2007 - azulejos, gesso, motor elétrico com sensor de presença - 120 x 120 x 10 cm..



Pedras - 2009 - azulejos com impressão fotográfica e cabo  e molas de aço inoxidável - 225 x 165 x 15 cm.



Copo de azulejos - 2009 - vidro e azulejo - 7 x 7 x 12 cm.



Obra - 2 ( da série pintura seca ) - 2010 – fogo de maçarico sobre chapa de MDF e aguada de acrílica - 172 x 156 x 2 cm.





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Maurizio Cattelan

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