quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Conversando sobre Arte entrevistado o artista Eduardo Recife




Quem é Eduardo Recife?
Nasci em Belo Horizonte em 1980. Na infância, passava boas temporadas e finais de semana na casa de campo de um amigo, o que me fez hoje escolher morar um pouco mais afastado da cidade em meio a natureza. Aos 14 anos de idade comecei a me interessar muito pelo grafite e pichação. O universo das letras me chamou muito a atenção e dai começou uma paixão que me levou até à criação de famílias tipográficas digitais (o que tenho feito até hoje). Dos 16 até os 18 anos fiquei muito interessado por  desenhos realistas e foi um exercício constante até que, em meados de 1998, deixei de lado a prática e comecei a desenhar com a mão esquerda, rejeitando a busca pela perfeição e  buscando um traço mais solto e próprio. Neste período, até 2003, trabalhei em uma agência de Design Gráfico em Belo Horizonte, a Voltz, e, paralelamente, foi uma época de bastante experimentação com diversos tipos de materiais e técnicas, talvez o meu período de maior produção até os dias de hoje.  Depois disso, comecei a trabalhar como ilustrador freelancer e também pude dar uma enfase maior ao meu trabalho pessoal com as colagens digitais, analógicas e também nos trabalhos sobre madeira em técnica mista.


Como a arte entrou em sua vida?
Fui muito influenciado por minha mãe que sempre teve um grande talento para o desenho e artes manuais. Me lembro de pedir a ela para desenhar super-heróis para mim e de pensar como era mágico o processo de criação; como poderia dar vida a imagens usando apenas um lápis e papel. Com isso, desde muito pequeno, estava sempre desenhando; meus cadernos e livros de escola eram sempre decorados com desenhos ao redor das páginas e passava boa parte do dia com o lápis nas mãos. 

Qual foi sua formação artística?
Sou formado em Design Gráfico pela FUMEC, mas o desenvolvimento do meu trabalho pessoal e todo o processo criativo foi intuitivo e auto-didata, pelo velho método de tentativas e erros.

Que artistas influenciam em sua obra?
Foram tantos! Mas acho que inicialmente fui muito influenciado pela estética grunge dos anos 90 e também pela arte DADA que me abriu as portas para as colagens. Hoje sou influenciado pela pintura clássica (Bouguereau, Greuze, Klimt, Sargent...) mas também por artistas como Cy Twombly.

Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho é um reflexo do que estou vivendo, pensando e/ou questionando; faz parte da minha busca. Não me expresso muito bem com as palavras e por isso gosto de criar para externalizar aquilo que está do lado de dentro. Os assuntos são diversos, mas muitas vezes recorrentes como o Amor, a Felicidade, a busca pela Verdade e tudo o que nos aproxima ou afasta desses ideais. Tenho uma natureza introspectiva e isto acaba se evidenciando na minha criação.

Alguns trabalhos são feitos em Técnica Mista (acrílica, óleo, pastel, lápis, pigmentos, colagem...) e outros são feitos digitalmente a partir de fragmentos de desenhos, texturas, pinturas e imagens scaneadas e montadas no computador.

Você poderia falar sobre a diferença entre um ilustrador e um artista?
É bastante complexo separar essas categorias em definições distintas, já que muitas vezes elas se interrelacionam e compartilham de uma base comum. Muitos conceitos de ilustração a definem como um meio de criação subordinado a uma historia ou conceito, mas esta definição poderia facilmente se aplicar, por vezes,  como parte do processo artístico também. Na minha prática, trabalhar com ilustração significa criar algo para suprir uma demanda de um cliente e estar sujeito a receber interferencias de todo tipo durante o processo criativo. Já nas artes, a tendencia é que o artista tenha mais liberdade e controle sobre o seu próprio processo de criação e concepção da obra.

É possível viver de arte no Brasil?
Tudo é possível, mas não é um caminho simples ou fácil. A grande maioria dos artistas possuem algum tipo de trabalho paralelo, relacionado as artes ou não.




Como você estuda e se atualiza?
Um boa parte do aprendizado é simplesmente praticar e experimentar coisas novas. Mas gosto muito de livros e estou sempre estudando, pesquisando e praticando. Tenho feito aulas de desenho e pintura, além de, raramente, mas sempre que possível, participar de workshops.


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não existe uma receita e os requezitos podem variar de galeria para galeria, mas alguns fatores que podem influenciar são: trabalho consistente, produção constante, autenticidade, estética que dialogue com os demais trabalhos da galeria, reconhecimento, perseverança, sociabilidade, marketing, sorte, amizades, etc.

O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-ós

Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo dedicar o meu tempo integralmente as artes plásticas e possivelmente estudar pintura e desenho em um escola na Itália. Além de tudo isto, quero continuar caminhando e buscando uma paz interior.




Allis Vanity.


Awake.


In Your Garden.


Joy.


Last Wish.


Love.


Pleasures of the Word.


Joy.

ER9 TWB.


X.

Um comentário:

Maria Alice de Toledo Gaspar disse...

Muito interessante! gostei das respostas do entrevistado...o artista tem que estar sempre estudando, conhecendo novos valores e criando. Uma variante da arte que conheço pouco.Parabéns!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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