segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Conversando sobre Arte entrevistado o artista Walter Trindade

Com os agradecimentos a Leda Monte.



Quem é Walter Trindade? 
Walter Trindade, 50 anos, solteiro, natural de Belo Horizonte onde trabalho e resido. Sou Bacharel em Desenho e Plástica pela UFMG e Graduado com Licenciatura Plena em História da Arte UFMG. Bacharel em Direito pela PUC-MG e graduando em Psicanálise pelo Círculo Psicanalítico de Minas Gerais.


Como a arte entrou em sua vida?
Por incrível que pareça a decisão de estudar arte veio depois de fazer um teste vocacional.  É claro que passei a infância e adolescência fazendo umas coisas sem muita pretensão, mas na hora de decidir sobre vestibular tive de fazer o tal teste porque tinha muitos interesses e o sistema educacional me obrigava a escolher um só. Deu arte na cabeça!  Anos depois fiz Direito porque preciso de estímulo intelectual constante para não ficar entediado, embora hoje não exerça qualquer função na carreira jurídica.

Qual foi sua formação artística?
Comecei os estudos na Faculdade de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, onde me graduei como Bacharel em Desenho e Plástica pela UFMG e a nos depois voltei para uma nova graduação em Licenciatura Plena em História da Arte UFMG momento a partir do qual lecionei por algum tempo para alunos do último ano do Segundo Grau nas escolas da Polícia Militar de Minas Gerais.

Que artistas influenciam em sua obra?
Dos Renascentistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo veio a paixão pelo mundo da cultura clássica e a sede de conhecer e entender o mundo que nos cerca. Dos modernos como Picasso, Salvador Dali e Matisse a certeza de que por mais inventivo que se seja deve-se trabalhar muito e permanentemente para realizar um trabalho minimamente honesto. Avançando, os expressionistas abstratos sempre me informaram sobre novos caminhos principalmente Pollock e Rauschenberg. Na pintura pós-moderna o Francis Bacon já foi uma fonte importante sempre aprendo algo novo com o trabalho do David Hockney.  Atualmente sempre me divirto muito vendo as coisas do Jeff Koons, do Basquiat, do Julian Schnabel e no Brasil penso que a disciplina do Nuno Ramos produz eventualmente coisas instigantes. Para finalizar entendo que a Beatriz Milhazes merece o posto conquistado simplesmente porque recuperou uma artesania frugal que estava totalmente esquecida na arte e que é talvez a sua essência mais importante. O trabalho dela visto in loco é realmente impressionante pela beleza direta que emana.

Como você descreve seu trabalho?
Atualmente minha fonte temática principal são as imagens veiculadas nos noticiários da mídia impressa cotidianamente. É um esforço no sentido de subversivamente desconstruir e resignificar o discurso imagético do cartel jornalístico que controla o nicho dos noticiários. A maior parte do meu trabalho é composta de figuração tendo como tema crítica social, com certo humor sarcástico. Trabalhei muitos anos com desenho sobre papel, preto e branco em escala grande, usando vários materiais. Depois me dediquei alguns anos à pintura com tinta acrílica sobre tela. Aos poucos outros suportes foram sendo experimentados e a tridimensionalidade passou a ser explorada, fase em que o crítico de arte Paulo Pontes cunhou o termo pintura-objeto para designar os trabalhos.
Depois veio a fase do vídeo-arte impulsionada pela premiação no Festival do Minuto cuja produção foi exposta em dezenas de mostras no Brasil com destaque par duas coletivas no Museu de Arte de São Paulo – MASP.
Hoje, as colagens também exploram a tridimensionalidade em um desdobramento que tenho chamado de colagem-objeto. Este mês estou envolvido com desenho sobre papel por conta de uns materiais que me deram de presente de forma que estou rememorando o prazer de rabiscar e recortar coisas!

Óleo ou acrílica?
A tinta acrílica tem sido o principal material na  pintura pois além de secar quase que imediatamente, tem menos cheiro e é mais fácil de manusear. Hoje estou novamente lidando com o guache. A textura é instigante e a se a pincelada não for precisa o material acusa, então é sempre meio tenso e emocionante.

É possível viver de arte no Brasil?
Eu não vivo sem arte, então a resposta é sim. Mas brincadeiras a parte, na minha experiência os recursos financeiros para o meu sustento nunca vieram do mercado de arte. É uma operação que dá prejuízo há 30 anos! Trabalho em searas totalmente diversas das artes. Mas isto de certa forma não é uma coisa ruim porque me trouxe muita independência para fazer o que eu bem entendesse sem ter que ficar refém de interesses estranhos a minha intimidade no ato de criar.


Como você vê o desenvolvimento da arte contemporânea em Belo Horizonte?
Vai de mal a pior. Só se fala de performance e grafite e a cena é muito ruim, com uma gente quase analfabeta e alienada, travestida  de “artista”,  se retorcendo pelada nos locais tidos como legitimadores para a arte, todos financiados com dinheiro das Leis de Incentivo a Cultura.
Os artistas contemporâneos se perderam totalmente na agenda da chamada “esquerda”.  Foram transformados nos principais bufões no circo de brutalização da sociedade fundamental para a cristalização da hegemonia socialista-comunista em que vivemos hoje no Brasil. Fazem o papel dos “idiotas úteis” com perfeição e nem se dão conta disto.
Se você não se alinha com o discurso esquerdóide seus pares te olham torto. Ficam o tempo todo reforçando o discurso do partido que está no poder e fazendo arte “chapa branca” para poder ter o que comer. Como macacos numa jaula que de vez em quando ganham uma banana e em troca apresentam coisas verdadeiramente ridículas e infantilmente ofensivas.  Toscos e ignorantes, estão destruindo a sacralidade de sua função principal como faróis que deveriam iluminar novos caminhos e se dedicar a busca da discussão e da construção de uma ética Humanista sobre o que seria a beleza, a estética e colaborar para um a crítica fundamentada sobre a sociedade com coragem e honestidade intelectual.

É como dizia Salvador Dali: “São muitos oportunistas para muito poucas oportunidades.”

Como você estuda e se atualiza?
Eu trabalho muito e sem parar. Vejo filmes, leio livros, vou ao cinema, acesso a Internet converso com as pessoas na rua, frequento museus, faço cursos em outras áreas de conhecimento e viajo sempre que posso.  Nas últimas décadas firmou-se o entendimento de que é importante para o artista ficar dentro do meio acadêmico por anos escrevendo tratados empolados e repetitivos e o resultado é que os caras saem muito bons de conversa, mas o trabalho é uma bobagem... Ninguém mais pinta, desenha e ou esculpe; mas falam horas sem parar sobre gestos e “ações” tão banais que constrangem até as almas mais simplórias.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Vai depender em qual nível do mercado o artista quer entrar. Quanto mais elevado, mais sutil é o caminho. Tudo passa também pela capacidade de articulação social do artista, do seu compromisso com a clientela que pretende servir. Recentemente surgiram alguns livros sobre os meandros do mercado de arte que vale a pena ler. Esqueça a meritocracia, é tudo marketing embora “na grande arte” existam pessoas fazendo coisas realmente interessantes, surpreendentes e ganhando muito dinheiro.

Qual é a sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Eu penso que é um formato ultrapassado. Participei do Salão Nacional do Museu da Pampulha na década de 80 e depois que vi como as coisas eram decididas nunca mais me interessei. Hoje, com a Internet, os caminhos de divulgação dos trabalhos estão muito mais ágeis e a legitimação da produção pode se dar de milhares de formas diferentes. O mundo virou um monte de nichos aonde cada um vai se encaixando de uma maneira muito mais dinâmica e democrática. O tempo cuidará da memória desta produção.


Quais são seus planos para o futuro?
Eu pretendo continuar trabalhando muito na eterna busca pela próxima inovação. Como canal de divulgação o meu blog: http://waltertrindade.blogspot.com.br/?view=mosaic  tem sido um importante portal para o mundo, com visitantes que vão do Laos a Alemanha, Estados Unidos a Argentina, passando pelo resto do planeta em lugares quase inacreditáveis.
Criar imagens e objetos é a minha função neste mundo. O resto é só passa tempo.




Breve CV


"Tela Digital" - Coletive (video) - Rio de Janeiro - 2009, “8 ª Free Movie Festival: 2009 Selection” – Coletive - Rio de Janeiro, “1000 Minutos de 80 Países no MASP” – Coletive – São Paulo – 2009, “Parede 2009” – Coletive – Rio de Janeiro – 2009, “Santa Tereza, salve, salve!” - Documentary (Workshop Movie Mostra CineBH) – 2008; “TRASH – 4º Independent Movies Festival of Goiania” – Vídeo – (2008); "10º Belo Horizonte International Short Film Festival" - Worshop (2008); "Aleijadinho (barroc artist) in a contemporary times" – Ouro Preto Winter Festival - Coletive (2008); "Guilt" - One Minute Festival/Video -Individual - (2008); “Photographic Jorney” - Workshop – Museum of Historical Photographic Imagery of São Paulo City – São Paulo – (2007); “Recicle me or I will devour you” – Gallery Mil e Quinhentos Metros – Individual – São Paulo – (2007); Festival do Minuto Oi Internet – Coletive – (2007); ”X” – Coletive – Centro Cultural UFMG (2007); "Punk A Directory Of Modern Subversive Culture" - Coletive - Rote Flora - Hamburg - Germany - (2007); “Black Dispertion” – Winter Festival Ouro Preto/Mariana – Coletive – (2007); “Território Mineiro” – Coletive – Mineiro Museum– Belo Horizonte – (2007); “European Cut” - Coletive - Galerie Le Cocon – Hamburg – Germany - (2007); “Drawing on notebook paper”, Coletive – naLájea Galery – (2006); “Paint beyond Paint” - Coletive workshop – Funarte/CEIA – 2006; “Too tired for love” – Coletive - Copasa Art Galery – (2006); “CowParade Belo Horizonte” – (2006). As an actor, participated on: “Cinco frações de uma quase história”, from Guilherme Fiúza (2006), "Batismo de Sangue” from Helvécio Ratton - (2005), "Meninos da Zona Sul" from Cláudia Ribeiro / Silvia Godinho – (2004) and "Uma Onda no Ar" from Helvécio Ratton – (2003).
As a Director of Short Cuts: "meidinChina" - TRASH – 4º Independent Movies Festival of Goiania” – Vídeo – (2008); "Vosho Bushalo" - Classified on Paulo Coelho's 'The Experimental Witch' movie project - (2008); "Gasoline for what?”, “Here we use powder” and “Perfecto mundo”, exibited on the site and "Quem não deve não treme” (2008) all exibited on the site: http://festivaldominuto.oi.com.br/.
Director Assistent: “Santa Tereza, salve, salve!” - Documentary (Workshop Movie Mostra CineBH) – 2008.
































Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now