segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Conversando sobre Arte entrevistado o artista Pirecco






Quem é Ricardo Pirecco? 
Meu nome é Ricardo Trombini Pires, tenho 30 anos. "Pirecco" é meu apelido e acabou virando a forma como assino o meu trabalho também. Nasci em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.


Graduado e pós-graduado em Design Gráfico pela faculdade ESPM de Porto Alegre, trabalhei alguns anos como diretor de arte e ilustrador em agências de publicidade, estúdios de design e marcas na área de moda.



Morei em Vancouver (Canadá), onde estudei e trabalhei como designer gráfico e ilustrador durante 2009 - 2010Vivendo lá com a minha esposa, após um ano, descobri que estava com Câncer (Linfoma Não - Hodgkin) e por isso precisei voltar para Porto Alegre.



Atualmente, morando novamente em Porto Alegre, divido o meu tempo estudando artes visuais, ministrando aulas em escolas / faculdades e produzindo no meu atelier projetos de design gráfico, ilustração e artes visuais para clientes no Brasil e exterior.


Durante a minha infância e juventude vivi para o esporte, mais especificamente para o Tennis e Paddle, dois esportes de raquetes, muito parecidos. Cheguei a jogar profissionalmente, conquistei títulos estaduais, nacionais e internacionais, até os meus 18...19 anos de idade. Naquela época, ser jogador de Tennis no Brasil era muito complicado (hoje ainda é), pois não haviam muitos torneios no país, era difícil de pontuar no ranking, as viagens muito caras, faltava patrocínio, etc. Então acabei entrando na faculdade e comecei a dedicar o meu tempo em outras coisas.

Mesmo sem viver mais do esporte, ele sempre esteve e continua muito presente na minha vida. Sempre que tenho tempo, continuo jogando Tennis, praticando ciclismo e fazendo as minhas atividades físicas.

Sou casado, estou com a minha esposa a quase 9 anos já e estamos aguardando a nossa primeira filha, que deverá nascer em Junho de 2015.




Como a arte entrou em sua vida?
A arte, de certa forma, entrou na minha vida desde muito cedo, convivi bastante com as minhas duas avós quando criança. Uma pintava e a outra era pianista. Tenho certeza que isso acabou me influenciando de alguma forma. Meu pai sempre gostou de desenhar também e me lembro de brincar muito de desenho com ele. Então eu sempre gostei de desenhar e riscar, mas demorei bastante tempo para saber que isso poderia se tornar o meu trabalho, minha profissão.

Em 2001, quando entrei na faculdade de Design Visual, comecei a aprender um pouco mais sobre Design Gráfico, Comunicação Visual e Artes Visuais.

Após 7 anos estudando, uma especialização, um pós-graduação, trabalhando como diretor de arte, designer gráfico e ilustrador em agências de propaganda e estúdios de design, em 2010, quando voltei para POA, acho que a arte realmente entrou na minha vida. Foi quando eu comecei a frequentar as aulas do professor Jailton Moreira e do professor Charles Watson. Também, em 2011, fiz ingresso de diplomado na Faculdade de Belas Artes da UFRGS. Então, nesse momento, eu comecei a engatinhar em um lugar que eu nunca tinha estado e é nesse lugar que ainda estou recém iniciando uma longa caminhada. 

Não tenho dúvidas que a experiência da doença que tive em 2010 influenciou muito o meu trabalho e a forma como me relaciono com ele. Revendo muitos valores, me fazendo voltar e buscar questões totalmente pessoais, íntimas, que antes eu não parava para pensar e não colocava talvez, no meu trabalho.


Qual foi sua formação artística?
Como falei anteriormente, em termos de formação acadêmica, sou graduado em Design Visual (ESPM), tenho especialização em Direção de Arte (ESPM), Pós-Graduado em Comunicação (ESPM), aluno dos professores Jailton Moreira (POA), Maria Helena Bernardes (POA) e Charles Watson (RJ), desde 2011, cursando bacharelado em Belas Artes na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Participei também do curso imersão em desenho, chamado Procedência e Propriedade, com professor Charles Watson, em 2012, no Rio de Janeiro, além de diversos outros cursos complementares.

Que artistas influenciam em sua obra?
É uma pergunta difícil de responder, pois são muitos, não somente das artes visuais e dependendo da fase da minha vida, pode mudar muito também.
Acho que atualmente, com a quantidade de informações e o fácil acesso a elas, acabamos sendo influenciados por quase tudo em nossa volta. Acessando sites de arte, por exemplo, é possível conhecer 10 novos ótimos artistas por dia, então isso muda muito. Não é mais somente os grandes mestres da arte, dos livros e exposições que influenciam, mas sim tudo que está acontecendo. No meu caso, o design gráfico, a moda, o cinema, a fotografia a música, está tudo muito relacionado também e influenciando bastante.

Entre os grandes mestres que me influenciaram, podemos citar nomes como: David Carson, Stefan Sagmeister, Keith Haring, Jean-Michel Basquiat, Andy Worhol, Banksy, Picasso, Matisse, Richard Diebenkorn, Richard Serra, Frank Gehry, Leonílson, Iberê Camargo, toda turma dos impressionistas, Degas, Cezanne, Manet, Monet, Renoir, Toulouse-Lautrec, Lucian Freud, Edward Hopper, Ellsworth Kelly, Jasper Johns, Willen de Kooning, Rothko, Marlene Dumas, Elizabeth Peyton, Nan Goldin, Sol Lewitt, Cy Twombly, David Hockney, Robert Rauschenberg, Kurt Schwitters, etc. É muita gente.
Isso sem falar das ótimas conversas e trocas com os amigos, professores e colegas de atelier, que sem dúvida, influenciam bastante no meu trabalho.

Como você descreve seu trabalho? 
O meu trabalho até hoje sempre foi desenho e pintura. Tenho vontade de trabalhar com outros suportes e materiais, mas basicamente até hoje foi somente desenho e pintura e ainda quero continuar por um bom tempo assim. Quero criar uma espessura, um volume, uma relação de trabalho de desenho e pintura muito maior do que tenho hoje no meu atelier.
Venho do Design Gráfico, da ilustração, então comecei com materiais bem simples, pois eu desenhava a mão só para layout, escaniava e finalizava no computador. Então eu não me preocupava muito com os materiais. Já hoje, meu processo mudou bastante, me preocupo com a qualidade dos materiais que trabalho e cada vez mais estou usando menos ferramentas digitais no processo de criação. Comecei a me preocupar com a qualidade dos materiais que utilizava, quando eu comecei a vender alguns trabalhos e comecei a pensar sobre a durabilidade e com a forma com que eles iriam "trabalhar" com o passar do tempo.
Gosto bastante de experimentar materiais diferentes quando desenho e pinto. Tenho utilizado bastante tinta a óleo para os meus trabalhos autorais, pelas possibilidades que ela permite e também pelo processo, que me interesso bastante. Para projetos comerciais, sob encomenda, acabo pintando com acrílica em função do tempo de secagem e do grande volume de sobreposições que faço.

Em relação aos assuntos discutidos no meu trabalho, ainda é tudo muito recente pra mim. Faz muito pouco tempo que comecei a pensar e refletir sobre o meu trabalho autoral, ainda nem sei direito qual caminho seguir, mas basicamente funciona assim: Tenho três linhas de trabalho.
1) Ilustração: São trabalhos que faço como ilustrador, desenhando para diversas marcas e agências de publicidade sob encomenda.
2) Trabalhos sob encomenda: São trabalhos que faço para pessoas que querem ter um trabalho meu em casa, na parede. Na maioria das vezes, ele viram algum trabalho meu como ilustrador, gostaram e querem algo do gênero.
3) Trabalhos autorais: São os trabalhos que faço pra mim, tentando não pensar "se vai vender", ou "se vão gostar". Faço simplesmente por uma necessidade e uma vontade minha.

Esses trabalhos são bem recentes, comecei a pensar neles em 2010 e até 2012 só tinha porcaria no meu atelier. Em 2013 e 2014 começou a tomar mais forma, eu acho. (Não que hoje ainda não sejam porcarias hehehe). Basicamente, eu desenhava e pintava algumas fotos que eu fazia, com a idéia de um "diário de bordo" de imagens.

Agora, pela primeira vez, estou começando a trabalhar e pensar em projetos em séries, coisa que nunca tinha feito antes. É onde quero dedicar a maior parte da minha energia atualmente.
As questões relacionadas a esse "diário de bordo" ainda estão muito fortes na minha cabeça e tenho bastante interesse em continuar. São situações, memórias, pessoas, coisas da minha vida muito pessoal, que algumas vezes faço através de desenhos de observação, outras por fotos. É uma espécie de registro que quero deixar e também, talvez, uma forma de ver o mundo.
Qual a diferença entre o ilustrado e  o artista?
Por um bom tempo, não existia essa diferença pra mim, era tudo a mesma coisa. Desenhava e pintava e era tudo igual. Mas quando eu comecei a estudar mais sobre artes, em 2010, vendo referências novas, trabalhos novos, processos novos, eu comecei a achar que as duas coisas eram diferentes e comecei a entender melhor isso.

Hoje vejo um trabalho de ilustrador como algo feito sob encomenda, com um briefing por trás, onde existe um objetivo para aquela ilustração. Pode ser comunicar algo, vender um produto, passar uma idéia, pode ser divulgar uma marca, etc.
Já o artista, na minha opinião, trabalha por uma necessidade, uma vontade muito pessoal, que muitas vezes é difícil de explicar para quem está do lado de fora do processo. 

Só gostaria de deixar claro, que considero as duas, profissões como qualquer outra. Não acho uma mais certa ou errada do que a outra, só acho que são coisas diferentes. Pelo menos pra mim, hoje são hehehe.

O material brasileiro para pintura já tem a qualidade desejada?É uma pergunta difícil de responder. Sou muito novo neste meio.

Mas, tentando responder, acho que sim, atualmente existem materiais nacionais de ótima qualidade. Acho que não vale como uma "desculpa" para não pintar hehehe.

É possível viver de arte no Brasil?Sim, claro que sim. Basta saber se posicionar e se valorizar.

Vejo muitos artistas e ilustradores com trabalhos incríveis, que passam a vida inteira reclamando do mercado, quando o maior problema são eles, que não sabem se valorizar, nem se posicionar.
Não acredito na idéia "romântica" do artista. Acredito em trabalho, como qualquer outro.

Qual sua opinião sobre os salões de arte, alguma sugestões para aprimorá-los?Nunca me inscrevi, nem participei de nenhum salão, então não tenho como responder. Mas em breve pretendo experimentar.

Como você avalia o desenvolvimento da arte contemporânea em Porto Alegre?
Pelo que tenho visto, acho que está melhorando, evoluindo. Existem vários artistas novos, fazendo trabalhos de ótima qualidade na cidade.

O que sinto mais falta são espaços de arte, galerias, espaços culturais, etc. Se comparado com São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, estamos bem atrasados ainda.


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
O principal é ter um bom trabalho e uma produção constante. Depois, saber se relacionar de maneira profissional com as questões comerciais que envolvem a profissão. Acho que é isso.

Lembrando que, não sou, nem nunca fui representado por nenhuma galeria hehehe, mas espero em breve, poder ser. O fato de eu ter uma demanda grande de trabalho, trabalhando sempre sozinho, também me deixa mais tranquilo em relação a necessidade e a urgência de ter uma galeria me representando.


Você será pai nos próximos meses. Quais são seus planos para o futuro com a chegada do herdeiro?
Hahaha...sim! Serei! Uma menina está a caminho.

Sempre sonhei com esse momento, então espero poder aproveitar bastante essa nova fase, com a minha esposa, a minha família e com muita saúde.
Os planos são seguir trabalhando bastante, já que agora a família está crescendo e as contas também hehehe. Obviamente, vou desenhar e pintar ela bastante nos meus cadernos.
Tenho muito forte ainda na minha cabeça a idéia de morar fora do país com a minha família, ter outras experiências culturais, ter mais qualidade de vida, segurança, etc. Mas para 2015, a prioridade será a chegada da nossa filha. No futuro, quem sabe, se for possível, faremos isso.
Para finalizar, gostaria de agradecer o convite e a oportunidade de estar contando um pouco da minha história e do meu trabalho aqui no teu blog Marcio. Muito obrigado!
Sempre que posso, acompanho o blog e acho muito interessante. Foi uma honra ter participado.

Valeu! Grande abraço!
Pirecco




Desenhos de caderno.


 Desenhos de caderno.




 "Hannover", 2013, Acrílica e bastão oleoso sobre tela, 100 x 210cm, Coleção privada






Desenhos de caderno.



Desenhos de caderno.


 Série de pinturas "Gostaria de ser uma estátua", 2014, Óleo sobre tela, 60cm x 40cm


"Bicicleta 01-2014" , 2014, Acrílica e bastão oleoso sobre tela, 130cm x 180cm, Coleção privada. Photo: Raul Krebs


Sem título.  Óleo sobre tela, 2013



 "Na praia", 2014, Acrílica e bastão oleoso sobre tela, 140cm x 383cm, Coleção privada. Photo: Raul Krebs.




 Desenhos de caderno.


O artista trabalha em seu novo site, atualmente, só com  trabalhos de ilustração: www.pirecco.com

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Maurizio Cattelan

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