quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Conversando sobre Arte entrevistada a artista Valéria Oliveira






Quem é Valéria Oliveira 
Nasci no Rio de Janeiro e passei minha infância e juventude em Botafogo e no Humaitá, recentemente me mudei para uma casa em Santa Teresa e estou realizada em morar tão próxima do verde. 
Durante muitos anos trabalhei como vitrinista e programadora visual de vitrine e fazia as vitrines da channel, BVL, S.Ferragamo, Kenzo.... esse trabalho me deu uma bagagem de rapidez e criatividade enorme. A noite fazia faculdade de artes, na época minha filha Carolina tinha apenas 6 aninhos e a levava comigo p assistir as aulas práticas de desenho, pintura e mosaico, ela foi a mascote da minha turma. Como dá pra perceber tive que conciliar trabalho, filha e faculdade, mas valeu muito a pena, conheci pessoas fantásticas que fazem parte da minha vida até hoje e tive grandes professores como Lydio Bandeira de Mello, Ângelo Proença, Maria Lúcia Garcia, Antônio José da silveira, Aldo Victorio Filho entre outros que me marcaram muito. Desde então vivo e respiro artes, produzindo meus trabalhos, lecionando e passando texto de teatro com a minha filha que está na faculdade e seguiu o caminho das artes cênicas. 
Passei pelas práticas do mosaico, escultura, aquarela, mas me identifiquei mesmo com as pinturas em acrílica. Comecei a expor meus trabalhos somente em 2012 em exposições coletivas e alguns prêmios que ganhei me incentivaram a montar a minha primeira individual em 2013 "Sentir Sentindo" no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, o castelinho do flamengo. Agora estou com a minha segunda exposição individual chamada "Escavações " no Centro Cultural Municipal Parque das ruínas em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, 


Como a arte entrou em sua vida? 
Aos 17 anos fiz curso de teatro e depois fui trabalhar na empresa chamada Trupe Trombada, era de recreação infantil, mas toda voltada para peças teatrais infantis, só estudantes de teatro ou dança faziam parte desse grupo, foi uma época muito feliz da minha vida e de grande aprendizado. Lá eu fiz amizade com a Lara Navarro, cujo o pai era um grande artista plástico e quando ia pra sua casa ficava encantada com as pinturas e o ateliê dele. Foi meu primeiro contato direto com a arte abstrata e meu sonho de consumo era ter um dos seus quadros. Não tinha ninguém na minha família ligada a alguma expressão artística, não sofri nenhuma influência na infância, a arte entrou na minha vida por caminhos próprios. 

Qual foi sua formação artística?
Sou formada em licenciatura em educação artística, com habilitação em artes visuais pela Faculdade Metodista Bennett, pós-graduada em avaliação educacional pela UERJ e vitrinismo e programação visual de vitrine pelo Senac.

Que artistas influenciam em sua obra?
Nossa, são tantos, mas pra começar são Lygia Clark, Helio Oiticica, Carlos Vergara, Paul Klee, Picasso, Basquiat, Frida Khalo e Pollock, admiro não só os trabalhos, mas a entrega, a coragem e inventividade dessa galera de peso.

Como você descreve seu trabalho? 
Basicamente meus suportes são tela e madeira e gosto muito da acrílica e spray,meus trabalhos hoje seguem um caminho do abstracionismo informal e geométrico. 

Você está com uma individual no Parque das Ruínas, você poderia comentá-la?
Estou muito feliz e lisonjeada em ter meu trabalho exposto num espaço como o Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, além do espaço físico ser maravilhoso ainda tem uma equipe muito profissional, competente e atenciosa com Gilson Barros na gestão. A exposição ESCAVAÇÕES apresenta 14 telas e uma instalação sensorial. 
As pinturas em tela contam com um  alfabeto simbólico que eu mesma desenvolvi, onde cada símbolo representa uma letra do nosso alfabeto, formando palavras. Questiono e convido o público a refletir sobre as nossas percepções sobre a dualidade e dicotomia entre as falas e atitudes do individuo no mundo contemporâneo, um exemplo é um painel com 3 telas de 1,00x 1,50 cada, intitulada "P A Z, forças antagônicas" que está escrito paz, mas com muito vermelho aludindo o sangue, evidenciando muito bem essa dicotomia:  pedimos e falamos tanto em PAZ, mas estamos sempre fazendo a GUERRA.
Além das telas há uma instalação chamada Painel de Unidades que conta com a participação ativa do público.  O participante tenta fazer um desenho apoiado na instalação, que é uma máquina que faz movimentos fortes e constantes, ao mesmo tempo tem um fone no ouvido emitindo ruídos mesclando sons da natureza com sons caóticos de buzina, britadeira etc, e sente um aroma bem suave no ambiente, após esse processo ele escolhe um sabor para seu paladar, que pode ser doce (bala de morango), amargo (bala de café) e azedo (bala de tamarindo). O desenho do participante vai para um painel coletivo, ele poderá colorir o seu desenho como os desenhos dos demais. Com essa instalação podemos discutir vários assuntos relevantes da atualidade, uma das discussões é o excesso de estímulos sensoriais que vivenciamos, onde cada vez é mais comum comer, falar ao celular e dirigir ao mesmo tempo. Será que nos percebemos nesse caos, estamos sensíveis aos nossos sentidos? Outro aspecto que abordo com essa instalação é a importância do indivíduo na coletividade, assim como os sentidos estão agrupados, nós também estamos. O painel coletivo reverbera essa ideia.
O homem e a mulher já estão em igualdades de condições no mercado de arte?
Ainda não, mas estamos chegando lá. É uma questão de tempo, de pouco tempo.

O que você pensa sobre a qualidade do material nacional para pintura ?
Ainda é muito inferior aos importados e os preços absurdos, isso deixa claro como o Brasil ainda não entendeu a importância das artes para uma nação mais crítica e evoluída.

É possível viver de arte no Brasil?
Como sou professora de artes posso dizer que eu consigo sim, mas se falarmos em produção e venda acredito que seja um pouco complicado e incerto e poucos conseguem. O que observo são artistas visuais que produzem seus trabalhos, mas que atuam em segmentos ligados a artes para garantir seu sustento. O Brasil ainda não tem valorização cultural, basta relembrarmos a última eleição presidencial de 2014, onde o assunto "cultura" não fez parte da agenda e foi esquecido e quando citado foi de forma muito tímida e aquém da relevância do assunto. Isso também explica porque nosso material artístico no brasil é ainda de baixa qualidade.

Você tem uma atividade docente, poderia falar sobre ela.?
Leciono em duas escolas estaduais, com adolescentes do ensino médio e segundo ciclo do ensino fundamental. O contato com eles é de troca constante, eles não imaginam o quanto eles me ensinam e me fazem refletir sobre questões que estão fora dos livros didáticos e intrínsecos da alma humana. É muito gratificante poder ofertar para adolescentes um espaço para eles exporem seus trabalhos, suas ideias, seus pensamentos, poder observar a evolução crítica de cada um. Melhor ainda seria se nossos políticos também fossem sensíveis a essa causa que é a educação dos nossos jovens.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não sou representada por nenhuma galeria, mas acredito que tenha que ter contato, afinidade de proposta, trabalho consistente, prática constante e potência artística e conceitual.
Quais são seus planos para o futuro?
Para um futuro bem próximo quero levar a exposição Escavações para São Paulo. 

























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Maurizio Cattelan

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