terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Fabio Carvalho na exposição Efígie




Pensando o conceito de efígie – uma representação icônica – a busca de um entendimento sobre a nossa natureza, vemos a aura e o poder de construção de uma imagem que representa o homem. As preocupações estéticas e os diálogos propostos na presente mostra ora se aproximam, ora se afastam do conceito de representação, além de trazerem frescor e abrirem vias para análises poéticas distintas. Com isso, nos deparamos com uma investigação lírica, uma procura por atingir um grau de encantamento. E, também, com uma tentativa de nos eternizar, quase transformando todos nós em divindades.


Partindo do pressuposto que sempre nos reconhecemos representados em toda e qualquer imagem humana, o autorretrato tornaria-se dispensável. No entanto, ele está cada vez mais presente, e fica difícil imaginar sua ausência em tempos de tantos selfies. Deitando o olhar no conceito de alegoria, quando se representa simbolicamente um objeto para significar outro, visualizamos, nesta exposição, trabalhos empenhados em dizer além das aparências do que surge na superfície, expressando pensamentos e emoções, ultrapassando, até mesmo, a ideia de metáfora.



Para esta exposição Fábio Carvalho produziu especialmente o trabalho "Bai feliz buando, no bico dum passarinho n° 9", que faz parte da série de mesmo título iniciada durante a Residência Artística no Maus Hábitos, Porto, Portugal, onde o artista buscou incorporar em seu trabalho elementos típicos dos lenços de namorados, um labor manual tipicamente feminino da cultura lusitana.

Os lenços de namorado, que surgiram no século XVIII, eram lenços bordados pelas moças solteiras, usados para declarar seu interesse por um determinado rapaz. Elas entregavam o lenço para o pretendente, que se o usasse em sua roupa no dia seguinte, indicava que ele correspondia ao seu sentimento. Mais tarde, os lenços passaram também a ser presenteados ao namorado ou marido que partia para uma terra distante em busca de melhores condições de vida, e muitas vezes o destino era o Brasil.




As fotos usadas na série Bai feliz buando, no bico dum passarinho são sempre de soldados que estavam prestes a partir para a I Guerra Mundial, muito provavelmente para serem deixadas com as famílias, como uma lembrança. Para muitas destas pessoas, esta foi a primeira e última foto que fizeram em todas as suas vidas.

Os artistas participantes da mostra são Ana Stewart, Arlete Soares, Bruno Veiga, Celina Portella, Daniela Dacorso, Edu Monteiro, Edu Simões, Fabian, Fábio Carvalho, Fábio Seixo, Frederico Dalton, Ismar Ingber, Joaquim Paiva, José Caldas, Kitty Paranaguá, Marco Antonio Portela, Marcos Bonisson, Pití Tomé, Renan Cepeda, Rogério Reis e Vicente de Mello. 

serviço:exposição Efígie
Galeria do Ateliê da Imagem abertura: 19/12/2014 - 19h
até: 28/02/2015
Av. Pasteur, 453 - Urca - RJ
seg a sex 10h às 21h | sab 10h às 17h
entrada franca. 


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Maurizio Cattelan

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