quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Luiz Rocha




Quem é Luiz Rocha?
Nasci em 1982 no Rio de Janeiro sou neto da doutora Laelia de Alcantara médica e senadora pelo Acre, a  primeira mulher negra no Brasil a exercer tal mandado, a quem agradeço tudo,  pela saúde, educação e o lar que me criou...


 Toda minha relação de família está mais presente no lado materno apesar de levar o nome do meu pai, que pouco conheci.  Morei em Vila Isabel até meus 15 anos com a minha tia e meu primo. Depois, voltei a morar, com minha irmã e minha avó na Tijuca.. Minha mãe nessa época morava em Macaé... Moro ate hoje na Tijuca na rua Barão de Mesquita na casa da minha avó que faleceu em 2005, foi um momento bem triste para toda família, esse período minha mãe sofria alcoolismos e usava drogas problemas que carregou ate 2006, e hoje ela tem 8 anos de abstinência e mora comigo, minha irmã passou para um concurso publico e foi morar em São Paulo . Cresci curtindo Saquarema, com meus primos amigos e toda família no final de semana, feriado, férias, carnaval e ano novo. Sou apaixonado por futebol torcedor do Fluminense daqueles que assiste quase todos os jogos. Joguei muito futebol de botão minha paixão de criança e vôlei no colégio defendendo a equipe depois no America e vôlei de areia, fui um fominha de vôlei até meus 25 anos.


Como a arte entrou em sua vida?
"A ARTE" É difícil falar quando entrou na minha vida, talvez seja mais fácil lembrar quando ela foi determinante e resolvi que era aquilo que queria. Desde criança, sempre desenhei e pintei mas era um espaço livre e bem fechado era uma forma de presentear minha avó e outras pessoas queridas. No colégio vivia desenhando no caderno na mesa era divertido me apaixonar, escrever e desenhar para as garotas, lembro que depois que terminei o colégio fiz um curso de desenho no SENAI, eram desenhos de observações de cubo, esferas e outros objetos na ultima semana teve aula de modelo vivo . Mas foi numa conversa com a minha irmã que decidi ser artista, fiquei feliz pelo apoio que recebi e o quanto ela entendia que aquilo era especial para mim, eu falava que ia fazer educação física e trabalhar com vôlei e no final da minha vida pintaria, acho que tinha em minha cabeça uma imagem do Monet velhinho pintando que tinha visto em um livro da biblioteca do curso, era uma ideia romântica, hoje sei o quanto Monet lutou pelo seu trabalho. Em 2006, resolvi entrar no Bennett para estudar arte e que seria professor, essa época comecei trabalhar na livraria laselva  a do aeroporto Galeão e pagar minha faculdade. Nesse período passava boas horas lendo livros de arte.


Qual foi sua formação artística?
Em 2010, me formei em Licenciatura em Educação Artística pelo Bennet.  Até então tinha uma pintura autodidata. Um pouco antes em 2009, passei frequentar as aulas de pintura do Bernardii Lemes,  que estudou comigo no Bennet. Em  2009 estudei na Escola de Artes Visuais   do Parque Lage com os   professores João Goldberg, Franz Manata, Fernando Cocchiarale, Luiz Ernesto, Tina Velho, Tatiana Grinberg, Marcelo Campos, Efrain Almeida, Brígida Baltar, Manoel Fernandes e com Suzana Queiroga  como monitor de pintura durante dois anos. Atualmente sou monitor do professor Gianguido Bonfanti nas aulas de modelo vivo.



Na E.A.V. do Parque Lage comecei a entender a importância do processo de criação, e o pensamento, não é fácil, leva um tempo pro artista entender a sua busca. Acho fundamental esse espaço... Aprendi muito como monitor da Suzana Queiroga, foi uma experiência de começo de carreira e para vida toda. Vivenciar suas aulas, debater sobre os trabalhos, essa troca com a turma de  procurar referencias em outros trabalhos de artistas contemporâneos aquilo que fazemos e muitas vezes não entendemos, porque a arte não está pronta, nunca está pronta, é sempre um espaço de investigação, terminamos um trabalho que sempre implica em começar outro. Atualmente venho trabalhando com Gianguido Bonfanti procurando aprimorar meus desenhos figurativos como um interesse direto da pintura, entender esse meu espaço de criar o corpo e a minha presença no auto-  retrato.   


Que artistas influenciam seu pensamento?
Nossa! Muitos  posso lembrar de alguns Oiticica, Yves Klein, Davis Salles, Robert Rauschenberg, Martial Raysse, Cecily Brown, Elke krytufek, Eric Fischl,  Edward Hopper, Gustav klimt, Egon Schiele, Tolouse Lautrec, Munch, Modigliani, Degas, Seurat, Magritte, Paulo Bruscky, Rubens Gerchman, Roy Lichtenstein, Francis Bacon, Matisse, Chagall, Auguste Rodin, Manet, Bernini, Sigmar Polker...      

Como você descreve seu trabalho?
  Meu trabalho separo  por séries..  Trago a minha própria relação entre arte e vida, uma forma de se colocar no cenário da pintura levando os desejos o espaço da rua a boemia dos bares, a importância da musa aquilo que tira o artista do espaço de conforto e vai criar exatamente o que  não imaginava o deslocamento ao encontro desse sentimento, é um pouco isso, meu processo, mas é vivendo ele que vamos entender ...   Há  4 anos atrás, fiz  pouco mais de cem desenhos  através da minhas relação e fotos da internet em site eróticos, chamei  esse trabalho de aperitivo urbano, e hoje ainda procuro manter essa serie sem a pegada de 4 anos atrás, um pouco mais sensual.  Esse mesmo tempo, que comecei a usar diariamente um caderno de bolso passei a desenhar e anotar tudo na rua, no bar em qualquer lugar, foi ótimo está sendo ótimo esse espaço do caderno de bolso. Sempre usei muito a tinta acrílica até mesmo pela dinâmica de como trabalhava em excesso um atrás do outro. Esse ano, voltei a usar mais tinta óleo fazer menos e
 trabalhos e ficar mais tempo na conclusão de uma pintura.  

É possível viver de arte?
Acredito que sim, espero que sim rs, estou me preparando pra isso. Há pintura cresceu bastante nos últimos dez anos, acredito que existem novas pessoas fora do mundo das artes frequentando as galerias e museus, e adquirindo obras de arte, que ajuda a criar um novo mercado e novos colecionadores facilitando a circulação de novos artistas.


O material nacional para pintura já é de qualidade desejada?
 O material nacional não é dos melhores porém uma marca ou outra dá para trabalhar. É bom trazer de fora ou pedir pra alguém que está viajando comprar no exterior,  é o que tenho feito.


 Arte é gosto, não é pra agradar todos e é impossível  talvez isso que faz arte e artistas serem polêmicos, nem todos salões eu gosto. Gostei muito da Art Rio e da Artigo Rio trabalhos com preços acessíveis, mas essa coisas das duas feiras de arte acontecerem juntas e perto uma da outra com tanta diferença de mercado e investimentos, não achei legal mas vi ótimos trabalhos principalmente na Artigo Rio.   

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
 Trabalho muito trabalho, acreditar no que faz colocar amor na criação, correr atrás de editais de arte, produzir bastante e escrever sobre o trabalho. Acompanhar as aberturas de exposições fazer contatos, ficar atento e sempre ter um portfólio atualizado e pronto.

Você poderia falar sobre sua atividade docente?
Sou professor de arte  da escola Be Happy desde 2009, onde trabalho arte contemporânea procuro um ensino  "Arte como um todo’’. O ensinamento da arte se dá através da troca de experiências como um todo, o fazer da criação da pintura à instalação, incluindo todas as possibilidades de materiais, mesmo os menos convencionais, não esperados para uma atividade artística.


O espaço da arte  acontece tanto dentro quanto fora da sala de aula, é na vivência, na liberdade de expressão para a criação, criando, não visando o produto final.
 Segundo o filósofo francês Maurice Merleau–Ponty, a percepção do mundo se dá por meio da integração dos cincos sentidos e não separadamente, com isso busco no deslocamento da arte pela escola visar uma abordagem contemporânea, na qual a arte envolva o aluno como um todo sensorialmente, inserido como parte da obra.

 Acredito que a arte vai além do desenhar e pintar, sem dúvida pintar é uma diversão, o próprio ato já impulsiona o aluno às suas decisões, cores ou espaços, conscientes ou inconscientes, com abordagens técnicas ou não, é esse experimentalismo que chamo de arte, não o produto final, esse acontece inevitavelmente, porém é no experimentalismo que o aluno obtém o aprendizado, apreciando e vivenciando.



 Como educador procuro levar conteúdos que dialoguem o fazer artístico com ícones da história da arte. E também tenho um grupo de adultos onde semanalmente discutimos o processo de criação e a historia da arte desde 2013, antes dava essa aula no Estúdio Belas Artes na Tijuca  como lá fechava  às 20 horas em ponto,e os alunos se atrasavam por causa do transito  acabei topando a dar  aula particular reunindo a turma em casa  discutindo arte.

Quais são seus planos para o futuro?
Terminar algumas séries, dar continuidade no meu processo, explorar novos matérias, expandir o pensamento, pensar mais sobre performance como espaço da pintura e explorar levando a novos quadros posso levar isso para pintura. Atualmente  venho trabalhando com copos americanos  garrafas de vidros, uma série que chamo.   ‘’Entre Beijo’’, pretendo um dia expandir esse trabalho num total de mais de mil copos nem tudo seria pintura mas também  instalação,  na verdade o processo que vai dizer enquanto isso vou trabalho, que posso dizer que pretendo para o futuro é viver intensamente o meu trabalho, aquilo que amo e procurar transmitir um trabalho verdadeiro e  produzir muito. 


 A Bailarina.



Auto-retrato

 Beijo.



Cervebeijo.


Chagall.


 Beijo.



 Beijo.



Copos.


Seurat


Yves Klein.


Sem título.


Sem título.


Sem título.

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