sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Luiz d'Orey



Quem é Luiz d'Orey? 
Meu nome é Luiz Felipe d'Orey. Tenho 21 anos recém completados. Passei 18 deles sempre próximo da minha família, principalmente dos meus primos que são muitos, no bairro das Laranjeiras no Rio. Cultivo as mesmas boas amizades desde meus primeiros anos no Colégio Teresiano, na Gávea. Torço para o Botafogo graças ao meu avô Sebastião, e graças ao meu pai Luiz Guilherme pratico tênis desde meus cinco anos. Atualmente moro em Nova York, onde estudo o que eu mais amo que são as artes visuais. 

Como a arte entrou em sua vida?
Essa é uma pergunta que eu também não sei responder, hahaha. Quando eu parei para notar ela já estava lá. Desde que eu me lembre, sempre gostei de desenhar. Conforme o passar do tempo esse interesse foi aumentando, até eu perceber que era isso que eu queria fazer da vida. 

Qual foi sua formação artística?
Até meus 18 anos não tive nenhum contato muito acadêmico com a arte. Buscava aprender com qualquer coisa que despertasse meu interesse visual, como livros, filmes, grafites nas ruas do Rio ou com obras de arte que cruzassem meu caminho. Acho que foi uma época importante para desenvolver uma relação pessoal com a arte e uma linguagem própria. Em 2012 me mudei para Nova York para cursar ilustração na School of Visual Arts. 

Como você descreve a sua formação na School of Visual Arts, Nova York?
Está sendo a melhor coisa da minha vida. A experiência de morar sozinho em uma cidade como Nova York, focado no que eu mais gosto de fazer e rodeado de pessoas com os mesmos interesses que os meus é muito prazerosa, além de me ajudar muito como artista. Aqui eu penso em artes enquanto estou acordado e sonho com artes quando eu durmo. De vez em quando tenho que levantar da cama de madrugada para anotar um idéia ou fazer um ajuste em uma pintura antes que eu me esqueça. Adoro todas as minhas aulas e o feedback dos meus professores sempre acrescentam. Na faculdade eu tenho um contato mais técnico com a arte, aprendendo as estratégias para se construir uma imagem. Pratico desenho e pintura de modelo vivo constantemente, além das aulas de história da arte. Acho que são estudos cruciais para qualquer artista, pois é o que te da opções para se expressar e colocar seus trabalhos em um contexto. A busca por uma idéia original sempre é acompanhada pela dificuldade de transmitir essa ideia para outras pessoas.  

Como foi a decisão de estudar no exterior?
Foi algo gradual. Nunca tive dúvidas de que eu queria cursar alguma faculdade relacionada a arte. Conforme fui chegando perto de me formar no ensino médio, comecei a procurar faculdades que me interessavam dentro desse meio. Perguntei para muitos conhecidos, busquei em muitas paginas e pesquisas na internet. Apliquei para algumas faculdades de artes aqui nos EUA, mas ainda sem saber se viria pra cá. Quando recebi a resposta de que tinha sido aceito foi um susto. As coisas aconteceram muito rápido e graças à minha família hoje estou aqui. 

Que artistas influenciam em sua obra?
Sempre busco extrair o que me interessa de tudo que vejo. Desde os artistas do grafite que acompanho desde criança até os grandes nomes da história da arte. Gosto muito do Degas e Manet dentre os impressionistas, da intensidade das pinturas do Van Gogh, do cubismo sintético do Picasso e da psicologia por trás dos trabalhos de algum dos artistas austríacos do início do século XX como Klimt, Schiele e Kokoschka. Também procuro acompanhar o que têm de novo na arte contemporânea. Acho o trabalho do Kaws bem interessante, assim como o d' Os Gêmeos. Nas minhas férias desse ano tive o prazer de trabalhar como assistente do Carlos Vergara no Rio. Foi uma experiência espetacular. Passei a admirá-lo como pessoa, além da forma como ele pensa e confecciona seus trabalhos. O Vergara sem dúvida se tornou uma grande influência para mim.

Como você descreve seu trabalho? 
A arte sempre foi para mim algo muito íntimo. Mas ao mesmo tempo que boto meus pensamentos numa pintura, tenho que ter em mente que cada pessoa interpreta o que está ali de um jeito diferente. Tenho me interessado bastante pela forma com que lemos uma imagem e atribuímos um significado a um símbolo, uma postura ou uma marca de tinta qualquer. Em outras palavras, o motivo que você pensa em um sentimento, conceito, num personagem de cinema, numa memória de infância ou declara uma imagem abstrata quando olha uma pintura. Quanto ao material, acho que eu procuro sempre trabalhar com o que me sinto mais confortável e com o que funciona melhor para o processo que eu tenho em mente. Ultimamente tenho usado uma mistura de colagem, tinta acrílica e gesso. 

O material brasileiro para pintura já tem a qualidade desejada?
Acho que não. Nem os produtos e nem as lojas. Basta você ver como os brasileiros em geral ficam encantados com as lojas de artes aqui nos EUA e em outros lugares do mundo. Comigo não foi diferente. Fiquei perdido na primeira vez que entrei na Pearl aqui em Nova York. A praticidade de encontrar os mais diferentes materiais da melhor qualidade em uma loja só é algo que falta no Rio. 

Que diferença você você vê entre o mercado brasileiro e o americano da arte contemporânea?
Pelo o que eu vejo, os americanos são muito mais profissionais e competitivos do que os brasileiros. Acho que pode até ser mais difícil de se iniciar uma carreira de artista plástico nos Estados Unidos, pois têm muita gente fazendo os mais diversos tipos de artes em alto nível. Porém, aqui o mercado é muito maior. Uma vez estabelecido, as possibilidades na carreira de um artista são muito maiores. No Brasil, apesar de não haver a mesma concorrência, o mercado de artes é bem menor. 

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Acho que é necessário que seja uma relação de benefícios proporcionais para os dois lados. Mas acho que cada caso é um caso. Têm muitos artistas em início de carreira que procuram enquadrar seu trabalho em algo que venda ou que está na moda. Assim como galerias que guiam a produção dos artistas de acordo com o interesse financeiro. Acho que no fim das contas o que convence e o que vende são os trabalhos com qualidade e verdadeiros em relação à quem o artista é. 

Quais são seus planos para o futuro?
Tenho minhas ambições, mas não gosto muito de fazer planos. Tenho minha fé para tomar conta do acaso, e o resto tento resolver com trabalho.







Foto impressa em papel de algodão. 110x75 cm.






Sem título, 2014. Acrílica sobre tela. 69x56 cm.












Brooklyn Bound, 2013. Acrílica sobre tela. 61 x 68 cm.



Tim Maia, 2014. 15x16x23,5 cm.





 meu email ldorey@sva.edu

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Maurizio Cattelan

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