segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado o fotógrafo especialista em arte Roberto Bellonia




Quem é Roberto Bellonia?
Eu sou de Petrópolis, e comecei meus estudos lá, mas logo vim para o Rio, onde fiz Publicidade na FACHA e também estudei na EAV na época do Rubens Guerchmam. Minha mãe pintava muito, minha irmã mais velha, Regina, fazia retratos em carvão, minha irmã Lúcia é formada em História da Arte e a mais nova, Rita é design de interiores e uma artista que faz coisas incríveis. Depois, fui para os Estados Unidos, a convite de uma das mais importantes galeristas americanas, Lauren Greenough. Lá, conheci Robert Rauschenberg e outros artistas, como Don Gummer, escultor, marido da atriz Meryl Streep.

Como a fotografia entrou em sua vida?
Foi ainda na adolescência, gostava de tirar fotos diferentes. Meu pai,  um dos mais importantes farmacêuticos do Brasil, sempre me apoiou muito.

Qual foi sua formação fotográfica?
Eu comecei meus estudos em Petrópolis, e aqui no Rio fiz estágio em vários estúdios, e fiz estudos diversos, além de um curso em Paris, de fotografia da arte. Nos Estados Unidos eu tive o apoio de Lauren Greenough para estudar e tive a oportunidade de fotografar os clássicos, como Renoir, Picasso, Chagall, Miró, e outros. Nessa época eu fiz uma foto de um quadro de Andy Wharhol que era um Papai Noel. Era época de Natal, e por incrível que pareça, esse foto virou primeira página do site de arte mais importante do mundo, o artnet.com, de Londres. Para uma galeria nova foi como ganhar na loteria.

Que artistas e fotógrafos você admira?
Eu sou fã do Sebastião Salgado, e no fotojornalismo o Custódio Coimbra, de O Globo.

Quando você usa cromo e quando usa fotografia digital?
Nos Estados Unidos eu usava cromo. Aqui não tem como usar, infelizmente. Mas procuro estudar, aprender, trocar informações, para tentar melhorar a cada dia, pois acho que fotografar obras de arte é uma responsabilidade muito grande, pois você está reproduzindo um trabalho que foi pensado, criado, e você não pode estragar esse processo.


Qual a importância do Photoshop nos dias de hoje?
O Photoshop é muito importante, pois a fotografia digital é limitada. Você tem que recuperar o contraste, as tonalidades, a nitidez, entre outras coisas.

O material nacional para fotografia já tem a qualidade desejada?
Na verdade não existe material nacional. As câmeras e lentes são japonesas ou alemãs, caras e de alta performance.

Quais são as obras de arte mais difíceis de documentar?
Todas as obras são difíceis. Mas posso destacar uma foto que eu fiz para o Museu Imperial de Petrópolis. Era uma compoteira em prata, ouro e cristal. Fiquei uma semana tentando descobrir o jeito de iluminar a peça sem ter reflexos. Outro momento incrível foi documentar toda a obra da maior gravurista brasileira, Fayga Ostrower. Foram 1.410 fotos, para seu site, incluindo da produção dela ao longo de 50 anos. Outro trabalho maravilhoso foi a Coleção Gayer, que resultou em um livro maravilhoso, com obras do Brasil Colonial. Um fato pitoresco foi quando um fotógrafo americano disse na galeria que era impossível fotografar um quadro de Miró de 1950, por que ele tinha um vidro, colocado pelo próprio Miró, que já tinha fungos e a tela grudada no vidro.  A dona da galeria me chamou e eu fui nos Estados Unidos fazer essa foto, usando dois pedaços de isopor grandes para tirar o reflexo do vidro.
O custo do meu “equipamento” foi de 3 dólares cada folha de isopor. Resolvi o problema e ela mandou a foto pra o fotógrafo. Até hoje ele está querendo saber como o problema do reflexo foi resolvido. Recentemente aconteceu o mesmo na Galeria Movimento, com os quadros do Paulo Vieira.

Há uma crítica quando a durabilidade das fotografias em razão do nosso clima, você concorda?
Na verdade, temos muita umidade e variação de temperatura. Aconselho aos colecionadores colocarem seus arquivos digitais em forma de nuvem, que hoje tem vários serviços disponíveis. Quanto às fotos em papel, é importante guardar as fotos envolvidas em papel especial e o mais importante, ter no ambiente um aparelho desumidificador profissional.

Quais são seus planos para o futuro?

Eu quero trabalhar exclusivamente com arte, para museus, colecionadores, artistas, galerias, antiquários e restauradores. Estou focado nisso, e sei que em breve vou conseguir atingir esse objetivo. Um dos indicadores que estou no caminho certo foi o convite para fazer a foto de capa da Revistas das Artes, com uma obra de Abraham Palatinik. 





Roberto Bellonia na Galeria Movimento.

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Maurizio Cattelan

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