terça-feira, 11 de novembro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada a artista Flora Assumpção.



Quem é Flora Assumpção? 
Sou mineira, mesmo vinda de família paulista, principalmente de São Paulo capital e da baixada santista, pois nasci e cresci no sul de Minas Gerais, em São Lourenço. Meus pais se mudaram para lá um pouco antes de eu nascer, justamente pensando em criar filhos em cidades saudáveis, não poluídas, com crianças correndo e brincando na rua até a noite, com alimentação natural etc. Eu me mudei para São Paulo quando entrei na faculdade de artes visuais, aos 17 anos. Acabei ficando, é onde moro e trabalho principalmente, até pelas necessidades da profissão, pois o circuito de artes visuais acontece principalmente São Paulo, no Rio, e outros grandes centros. Na minha cidade, quase ninguém tem ideia do que eu faço. Existe sim um buraco, muito específico e elitista, do qual as artes visuais ainda não conseguiram sair. Felizmente, o circuito vem se expandindo e cada vez mais cidades têm seus circuitos locais.
Conheço um pouco estes outros circuitos através da participação em salões, viagens e pelos artistas que a gente vai conhecendo por este caminho. Com minha segunda família, que é a que a que ganhei através de meu esposo Flávio Lamenha (que também é artista e fotográfo especializado em documentação de arte), nos últimos anos estou conhecendo mais um circuito nordestino (Recife, Maceió, João Pessoa), este ano mesmo fiz 2 exposições que gostei muito de ter feito, uma no MAMAM - Recife e outra na Pinacoteca de Maceió. Fotografia da artista por Flavio Lamenha.

Como a arte entrou em sua vida? 
O início de minha educação foi em escola Waldorf, cuja pedagogia minha mãe pedagoga pesquisa. Então desenhei desde muito pequena. Meu pai também desenhava muito quando eu era criança, pintava como hobby. Na adolescência passei por um período de colecionar quadrinhos e foi quando o desenho voltou a ganhar minha atenção. E fui praticar num ateliê de pintura. Mas isso falando apenas das artes visuais, pois a literatura e o cinema também eram grandes interesses do meu pai e por isso cresci com o hábito de ler e tive contato com grandes obras do cinema, a despeito de ter crescido numa cidade tão pequena e limitada nos quesitos bibliotecas e cinemas. O meu trabalho é muito influenciado/inspirado por outras artes, como literatura, arquitetura e música, além de mitologias, religiões e ciências.

Qual foi sua formação artística? 
Inicialmente aprendi a pintar a óleo, desenho com pastel oleoso e seco, nanquim, aquarela etc com um professor particular, antes da faculdade quando ainda morava em Minas, na época da escola, fim do ensino médio quando me preparava para o vestibular. Fiz a graduação em artes visuais na ECA-USP e este semestre defendi meu mestrado também em artes visuais no mesmo Departamento de Artes Plásticas na USP, sob orientação de Marco Buti. E alguns cursos extras que a gente vai escolhendo pelo caminho.

Que artistas influenciam em sua obra? 
Theo Jansen, Anish Kapoor, Liliana Porter, Kate MccGwire, Andy Goldsworthy, Carlos Amorales, Regina Silveira,Marcelo Silveira, os desenhos de mar e tempestades da Sandra Cinto, Gabriel Dawe, Do Ho Suh, Li Hongbo, Anila Quayyun Aga, Baptiste Debombourg, Antony Gormley, gravadores como Marco Buti, Claudio Mubarac, Evandro Carlos Jardim, os buris de Lívio Abramo e vários outros artistas, não apenas contemporâneos; impossível lembrar de todos.

Como você descreve seu trabalho? 
Iniciei minha produção em artes por meio do desenho, da pintura e da gravura, e desde 2002 me interesso pela extensão da escala do desenho para o espaço arquitetônico e experimento diversos materiais, técnicas e linguagens.As técnicas tradicionais da arte, como pintura com têmperas ou a óleo, nanquim e gravuras (xilogravura, ponta seca ou maneira negra e fotogravura, técnica tradicional aprimorada no século XIX) são parte da minha prática junto com a
apropriação de materiais ou técnicas industriais cotidianos como lixas para metais e madeiras, vinil, gravação e recorte a laser, pastas de acetato translúcido típicas de papelarias, bijuterias e adereços de moda e vestuário, resinas, cartazes lambe-lambe, carimbo, xerox, objetos construídos manualmente etc.
Trabalho com temáticas relacionadas ao elemento natural e ao fantástico (sobrenatural), numa tentativa de reflexão sobre a atuação do humano diante do mundo natural. A natureza aparece na forma de criaturas (principalmente pequenos seres marinhos, répteis e plantas) e fenômenos naturais (como neblinas, tempestades, furacões, mares, nuvens, desertos, vulcões e luar, entre outros) sob uma atmosfera misteriosa, insólita e fantástica trazida de lendas, mitos e contos populares do Brasil e do mundo. Este é um artifício para abordar outros assuntos além do que a
situação ficcional apresentada propõe (assim como o fazem os contos de fadas e lendas). O humano aparece nas técnicas utilizadas (muitas vezes caracterizadas por uma artificialidade aparente) e na relação visual estabelecida entre o corpo dos animais e o modus operandi dos fenômenos naturais com os mecanismos (máquinas) criados pela
humanidade, em alusão à ideia de inevitabilidade da máquina artificial em copiar os mecanismos da natureza, pois todos os princípios foram criados antes pela natureza. Até porque nada está fora da natureza; nem o humano.

É possível viver de arte no Brasil? 
Sim. Não é fácil nem estável, mas é possível. Exige muita autonomia, tem sempre que correr atrás, fazer projetos para editais, residências, oficinas, prêmios etc. Cada vez existem mais editais dos governos, mais salões (privados inclusive), mais galerias de arte, mais programas de residências artísticas, mais possibilidades de formações acadêmicas (existe, por exemplo, o mestrado e o doutorado de artista, que considera o conhecimento e a linguagem visuais tão válidos como a linguagem científica. Muitos não percebem, e até criticam, até dentro do meio artístico, mas esta aceitação na academia é um grande avanço para a nossa área do conhecimento, e no qual, pelo que sei, o Brasil é pioneiro).

Você trabalha com vídeos, como eles são financiados? Há mercado para eles?
Trabalho pouco com vídeo e nas vezes em que o fiz, eu mesma financiei. Mas cada vez mais abrem editais específicos de vídeos. Pelo que eu percebo, editais de artes têm aumentado e se profissionalizado e isso faz parte de ações dos governos (federal e estadual) dos últimos 10 anos. Os artistas tiveram sim, graças a políticas dos governos, uma melhoria substancial na profissionalização de seu trabalho, mas ainda têm muito que melhorar.

A mulher e o homem estão em iguais condições no mercado de arte? 
Definitivamente não. Em números absolutos as mulheres estão muito menos contempladas nos editais de arte e nas galerias que representam artistas. Porém, porcentualmente, arrisco dizer que somos no mínimo 50% da classe dos artistas ou mais, como o somos da população do país. Acho que tem sim, um machismo aí. Machismo é como racismo e homofobia; não dá pra dizer que não existem, inclusive nos mais mínimos detalhes e aparecem gritantemente nos resultados práticos. Veja por exemplo, que para responder esta pergunta, verifiquei, em números exatos, o que já sabia por vivenciar: em galerias de São Paulo, Rio, BH, Curitiba e Recife os números, pesquisados entre galerias dirigidas (total -maioria nesta pesquisa- ou parcialmente) por mulheres, são absolutamente terríveis: em uma galeria de 42 artistas representados, 13 são mulheres, em outra, de 38, as mulheres são 16, em outra são apenas 3 mulheres em 15 artistas, em outra ainda a proporção é 7 mulheres de um total de 30 e continua com 5 mulheres em 27, 7 em 28, 11 em 24, 12 em 27, 8 em 27, 13 em 31, 5 em 26, 4 em 15.... Se formos pesquisar entre os artistas selecionados 
nos editais, a proporção homens/mulheres vai ser igual ou pior. Todos os anos, são incontáveis os editais e prêmios onde não tem artistas mulheres selecionadas ou elas são minoria bem escassa. E para completar o caso, que eu considero de machismo internalizado e involuntário, há artistas mulheres (e não são tão poucas) que, apesar de perceberem e reclamarem destes resultados que descrevi, acreditam que as cotas para mulheres não devem existir em editais.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los? 
Penso que, como estes salões existem nas mais diversas cidades, são excelentes iniciativas para divulgar as artes e tentar diminuir aquele buraco conceitual que existe entre a população em geral e as artes visuais contemporâneas. Um buraco que a escola tradicional não cobre, não ainda, não somente. Porém, o problema é quando o próprio júri não é tão especialista em arte contemporânea quanto deveria ser. Mas outro aspecto importante dos salões é que devem atuar como parte da institucionalização do artista como profissional, como profissão. Portanto, o aprimoramento vital dos salões é que todos passem a pagar por participação do artista (o que seria um cachê de participação na exposição e conversas com o público, atividade que muitos já propõem, nem todos remunerando por isso) e deveriam ajudar nos custos de produção da obra, bancar custos de transporte e de passagens e estadia dos
artistas. Mais importante do que ter um prêmio em dinheiro para 2 ou 3 artistas escolhidos, é que todos os 
selecionados sejam remunerados como profissionais que estão trabalhando, como de fato estão. (Lembremos que todos os demais envolvidos em um salão/edital de arte são remunerados, desde o garçom que na abertura serve bebidas até o montador, o educador e o curador etc. O que justificaria o artista não receber?). O prêmio especial com mais verba deve existir somente se existe uma condição de participação digna para todos os selecionados.
Outro aprimoramento dos salões é que todos deveriam diminuir os custos de participar dos editais, tendo inscrições online ou aceitando portfólios em CDs e eliminando a necessidade de sedex; carta registrada, que fornece um número de rastreio para verificar se foi entregue a encomenda, é suficiente. Para eliminar a necessidade do sedex, basta que quem escreve os editais organize as datas de seleção considerando o tempo dos correios, simples, não é?!... Falta comprometimento para que as organizações de salões e editais percebam e mudem isso. Afinal, quanto dinheiro por ano os artistas têm de reservar para imprimir portfólios e enviar sedex com AR??...Além de que ainda existem trabalhos cujas fotografias dificilmente ficam boas impressas, por terem materialidade metálica, brilhante, transparente, cores sutis ou tudo isso junto. Eu por exemplo tenho obras inteiramente em folhas de ouro ou de prata e considero que consegui fotos boas quando as vejo no monitor do computador, em cor luz, mas impressas perdem muito da materialidade da obra, tornando impossível o júri perceber a obra pela foto impressa.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria? 
Olha, para entrar numa galeria não sei. Acho que não existe mais a necessidade de um curador indicar o artista, pelo menos não em todas as galerias, pois os currículos e portfólios mostram se o trabalho do artista está sendo bem aceito pelo circuito, seja em exposições de instituições, editais, prêmios ou salões de artes, além de mostrar o fôlego que o artista tem para produzir. Porque estar representado em uma galeria exige que o artista tenha frequentemente objetos de arte para venda, de preferência atendendo prazos e metas de feiras e exposições anuais que as galerias participam e organizam. As galerias são muito importantes, pois delegam a tarefa de vender para profissionais de venda, deixando o artista com mais tempo para sua atividade criativa de produzir, e vender ajuda a viabilizar esta produção. Mas o circuito está estranhamente saturado, não tem galerias para todos os artistas, mesmo que muitas das galerias não tenham custo em ter artistas, afinal, nem todas pagam a produção do que não vende. Acho que existe um receio de muitas galerias em arriscar. E acho também que se exigem uma exclusividade de representação, deveriam garantir um compromisso de venda, pois as galerias ficam com possibilidades de lucro através de diversos 
artistas, mas os artistas ficam reféns de ter vendas através de uma única galeria, que pode ou não estar vendendo bem. A saída, enquanto isso não muda, vira buscar galerias em diversos estados e até outros países e obter verbas de editais. Ou seja, exige muito empreendedorismo dos artistas. Vendo isso, só posso achar que não existe melhor nome de prêmio para artistas do que o 'PIPA - Prêmio Investidor Profissional de Arte'... É o que os artistas que aceitam participar deste circuito se tornam.

Rio e São Paulo, na minha opinião, são muito afastados, há pouco intercâmbio entre os artistas, qual a sua opinião sobre esse fato? 
Acho que tens razão. O bairrismo e o resquício de rixa histórica entre estes estados são bastante responsáveis por esta separação. Mas os artistas, junto com as instituições e galerias, têm procurado transpor estas barreiras e isso é muito bom, promove trocas de saberes e experiências. Vejo cada vez mais tem artistas do Rio vindo viver um tempo em SP e experimentar galerias e universidades daqui e vice-versa.

Quais são seus planos para o futuro? Algo no Rio? 
Os planos são continuar na luta para me manter na profissão, que é, sim, difícil e instável para a maioria dos artistas. Continuar meus trabalhos, meus estudos e a busca por novos espaços e possibilidades para o circuito de arte, pois faz tempo que já não se pode mais continuar apenas disputando os mesmos espaços. A força que o circuito alternativo tem ganhado faz parte dessa vontade dos artistas de não se limitarem aos editais que os governos e instituições oferecem ou às feiras e exposições que as galerias realizam, que além de não terem viabilidade de abarcar todos os artistas, são direcionados para públicos já inseridos neste circuito. A maior veiculação da arte é tarefa que os artistas estão tomando para si, até como estratégias de atuação para sobrevivência da carreira e por entenderem as capacidades das artes como transformadoras da sociedade.
Tenho intenção de conhecer e participar mais do circuito do Rio, sim, e para breve, tenho alguns projetos, mas ainda sem nada concreto.

São Paulo, 09 de novembro de 2014.


Rabo de Lagarto, 2014. Foto: Flávio Lamenha.


Água Viva, 2014. Foto: Flávio Lamenha.


Simbiose 2014. Foto: Flávio Lamenha.




Fósseis Coleção II, 2013. Foto: Flávio Lamenha.


O Pequeno Compêndio do Mar 1, 2014. Foto: Flávio Lamenha.


The Turn of  Screw, 2010. Foto: Pedro Victor Brandão + Theo Craveiro.


Pagode de Babel, 2014. Foto: Flávio Lamenha.


Pequeno Compêndio, 2014. Foto: Flávio Lamenha.


Drusa, 2013-2014. Foto: Flávio Lamenha.



Piscina III, 2013.  Foto: Flávio Lamenha.



FLORA ASSUMPÇÃO Miragens. 2014
Texto crítico: Lucas Oliveira (curador independente, educador no MAM-SP e artista plástico)

A exposição 'Miragens', individual da artista Flora Assumpção, apresenta um panorama de obras inéditas produzidas entre 2011 e 2014. Flora realiza um trânsito entre linguagens como
desenho, gravura, fotogravura, vídeo, objeto e instalação. Além disso, recorre a recursos tecnológicos, a exemplo da gravação a laser e adesivos espelhados ou plásticos, que lhe permitem
distender os limites entre as técnicas tradicionais e os materiais expressivos industriais. Cria corpo para que a solução material seja o elemento forte de conhecimento e aproximação dos
trabalhos.
Nesse sentido, a ideia de “miragem” pode remeter a própria qualidade do material, sendo ele o conteúdo essencial de si mesmo, norte da experiência de contato com o trabalho de
arte. Aspectos ópticos da luz, como a refração, o brilho ou a textura das superfícies, o espelhamento, a imersão na cena, tudo contribui para ampliar os sentidos e traduzir um ambiente
psicológico das obras. Por outro lado, podemos entender “miragens”, nas palavras da artista, como “metáfora inevitável das ilusões humanas”. Afinal, o que são a curiosidade, o deslumbre e a
ilusão se não sintomas do desejo?
A exposição é aberta com parte da série 'Pequeno Compêndio das Tormentas (Furacões e Mares)', na qual a artista reelabora a combinação que talvez seja a mais forte de sua
trajetória: a estética funcional da máquina da natureza e o imaginário fantástico. Flora trabalha sobre imagens do sublime, aquelas que submetem a humanidade à sorte das formas mais
imensas e destrutivas da natureza. Nestas fotogravuras e fotografias, a artista se apropria de imagens retiradas da internet. Tensiona com o conteúdo sublime das tempestades, dos
maremotos, editando e manipulando as imagens. Flora retira as imagens de sua condição pública e as sequestra para o seu laboratório, submetendo-as ao processo artesanal longo e delicado
que é gravar uma fotografia em camadas, corroendo o metal. Lado a lado, as ondas gigantescas e as nuvens parecem sugerir que a grandiosidade e a violência desses fenômenos possuem
uma dimensão intimista, privada, secreta. Como se fosse possível reduzir a sua fúria e estudá-la detalhe por detalhe, como uma célula ou sistema filosófico.
Em 'Salar', Flora nos dá uma pista do seu interesse pelas paisagens da América Latina. Bem como em 'Montanha Construída', ela propõe que as experiências corporais e de percepção
visual sejam o parâmetro do espectador para transportar-se para esses espaços, fazendo do corpo a régua para medir e provar uma geografia. Novamente, retira-se da natureza alguns
elementos, alguns detalhes que permitem internalizar a referência da paisagem e do espaço, fazer deles um exercício ficcional e de percepção. Em ambos, a ideia do “sem fim” e da
camuflagem é reiterada pela captação das texturas, da umidade ou da aridez.
As séries 'Engrenagens', 'Serpentes Negras' e 'Spectros são aquelas que, de maneira mais evidente, antecipam a noção de “máquina”, sempre presente na trajetória da artista. A ideia
de engrenagem, de maquinário, decorre da observação e do uso que Flora faz de adereços do vestuário, malhas de metal, correntes, joias, bijuterias etc. É importante considerar também que
há aqui uma influência vibrante da literatura fantástica de autores como Jorge Luís Borges, Júlio Cortázar e Gabriel Garcia Márquez. Criam-se simulacros, máquinas de criar desejo.
Na série Spectro, onde encontramos imagens de criaturas que parecem misturar-se à superfície das folhas de ouro e prata, propõe um momento único e vertiginoso com cada imagem.
Não são gravuras, não são objetos, mas um encontro, um tensionar entre a sedução da matéria e o movimento da forma. Qual é a forma do ouro; qual é a matéria do monstro. Estas séries
provocam a sensação intensa de adentrar uma situação de estudo, de laboratório, na qual o processo criativo de Flora é bastante palpável, simples, e sendo investigação, convida a nós, os
funcionalistas, a uma experiência sensível de saber.
Da mesma maneira, as séries 'Animais Simbióticos' e 'Fósseis' possuem um forte componente ficcional. São criaturas míticas cujo enigma está salvaguardado pela dimensão do espelho,
pela segurança do cubo acrílico gelado.
Extrapolando o plano bidimensional e trabalhando com o objeto, Flora nos brinda com uma amostra da série das 'Piscinas', uma transferência da iconografia e dos cenários ficcionais
míticos, sagrados e fantásticos para uma experiência de contato com a natureza - a água - totalmente controlada, retraída. A água sem movimento é como o tempo parado, sem vida.
Se o tempo fosse parado e nos lançasse a um estado de suspensão e vertigem; se o fluxo da água pudesse ser rompido pela lógica do objeto, haveria uma tentativa imediata de
resposta na obra final da exposição. A instalação 'Vertigem do Mar' responde a essa paralisia com a expansão do tempo, uma experiência de imersão corporal sem fim. Note, porém, que as
sequências das ondas não são diferentes do modelo de produção industrial, de repetição, contenção e estudo, como o é uências das ondas não são diferentes do modelo de produção industrial, de repetição, contenção e estudo, como o é a 'Piscina'. A natureza e a máquina, no limite, seriam apenas efeitos da percepção imediata.







http://floraassumpcao.blogspot.com.br/


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Maurizio Cattelan

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