segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Conversando sobre Arte entrevista com o artista Marcos F.Dias Correa




Quem é Marcos Dias Correa? 
Nasci em 7 de abril de 1976, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Cresci no bairro do Jardim Botânico, primeiro num apartamento depois em uma casa. A primeira faculdade em que entrei foi a de Engenharia, deixando o curso depois pela arte. Como era skatista obsessivo, construía rampas na garagem, e tocava bateria. Mas nunca saí daquela garagem, ou ela nunca saiu de mim. No colégio além de desenhar constantemente, aprendi a ter a cara-de-pau de subir num palco e tocar música para as pessoas. Na faculdade, meus cadernos eram cheios de diagramas de circuitos elétricos que eu achava visualmente incríveis mas não me interessavam muito além disso. Sou teimoso, como dizia minha Mãe e por isso acima de tudo, sou artista. Tem que aguentar incerteza, rejeições e insistir bastante. Mas é o que amo.


Como a arte entrou em sua vida?
Não me lembro de querer ser outra coisa. Tocava em uma banda e desenhava nas horas vagas. Desenhava meus colegas de sala e etc. Tinha amigos que entendiam de arte e me falavam, me indicavam livros. Hoje, alguns deles trabalham com arte há muitos anos, desde que saíram da faculdade. Tive a chance de visitar museus e galerias quando novo, 12 anos, e lembro que achei muito engraçado uma escultura que era um hamburger, feita por Claes Oldenburg. Achei aquilo bem humorado. Minha juventude foi ler livros sobre músicos, cineastas, artistas,...Era o que me encantava e o que ainda me encanta hoje em dia. Trabalhar em construção civil, em obras, em escritório de arquitetura e agência de propaganda só me trouxe mais certeza quanto a minha escolha. Na verdade, acho que era inevitável.



Qual foi sua formação artística?
Em 1999, após ter tentado transferência na PUC para o curso de Design e de Comunicação e não ter sido aceito, enviei portfolios para faculdades fora do país, a School of Visual Arts e para a Parsons School of Design, consegui ser aceito e receber um Financial Aid na Parsons, um desconto, que era dado a estrangeiros que solicitavam esse apoio. Eu tinha esse sonho de morar fora. Arrumei um trabalho com uma professora da faculdade chamada Siri Berg. Vi o WTC cair enquanto estava lá, foi uma experiência e tanto, imagine. Fiquei dois anos lá e tirei uma Associate Degree em Fine Arts, e na volta transferi os créditos e me formei em Design pela Univercidade. Criei um espaço para novos artistas chamado Espaço Repercussivo aonde mostrei muita gente legal que deslanchou na carreira, para citar alguns: Cadu, Berliner, Botner, Bokel entre outros. Depois tive de fechar. E estudei com vários professores na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e me mantenho frequentando hoje em dia ainda. Acho um bom lugar de troca.

Como você descreve a sua formação na Parsons The New School of Design?
O mais importante de ter passado por lá e pela School of Visual Arts, foi o desenho e a pintura de modelo vivo. Foi bem técnico desse lado. Realmente eram aulas longas com solicitação de trabalhos constantes, às vezes era preciso trazer trezentos desenhinhos no caderno de rascunhos, havia muita aula de modelo vivo e muitas abordagens diferentes. Além disso havia escultura em argila, aulas de photoshop, e aulas teóricas, era bem variado em termos de currículo. Mas muito mais importante foi a chance de ter estado em NY, esse foi o lado conceitual que ganhei, vi muitas exposições das quais não entendia bulhufas...Me sentia ignorante às vezes, mas também foi aquilo que despertou minha curiosidade e abriu minha cabeça. MInha bagagem de volta ao Rio continha muitos livros que comprei para desvendar as coisas.


Que artistas influenciam em sua obra?
Seria difícil citar uma lista enorme e que varia de tempos em tempos mas há dois especiais que gostaria de citar: Christian Marclay, artista francês que lida muito com o universo musical e o irrevente artista italiano Maurizio Cattelan. Não sei se me influenciam diretamente, temos realidades bem diferentes, não penso neles ao trabalhar mas gosto da "pegada" deles. Me fazem rir. Não curto muito artistas sisudos. E curto também Harum Farocki, cineasta alemão que acaba de falecer.


Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho é muito variado em termos de mídias utilizadas mas há um fio condutor.
Na primeira pergunta "quem é Marcos...", quase respondi: depende de quem contar, editar e montar essa estória. E basicamente meu trabalho tem sido sobre isso. Montagens, encenações, etc. Imagens que influenciam atitudes e ideologias. Uso pintura em acrílico e óleo, uso impressão sobre tela, me aproprio de imagens,  construo conjuntinhos de pinturas que se relacionam, e uso objetos e máquinas também, como furadeiras e vitrolas, em meu trabalho instalativo. É um trabalho político, é sarcástico e muitas vezes perturbador quando me exponho ao mercado como uma "brand", tocar no assunto dinheiro incomoda.


É possível viver de arte no Brasil?
Para viver de arte no Brasil tem que ser insistente, a imersão no circuito é lenta e diferente para cada artista. É preciso ter muita iniciativa, pois antes de pensar em galeria e vendas o artista tem que pensar em construir uma reputação por si próprio e isso inclui a maneira como ele lida com o mercado, com os outros artistas e as instituições de arte. Faço vendas cada vez mais numerosas mas ainda não dependo delas exclusivamente ou perderia uma liberdade necessária que consigo manter simplificando um pouco minha vida, meus gastos. Essa liberdade mantém a ética do meu trabalho.


O material nacional para arte já tem a qualidade desejada?
Não. Simples assim. Nem na tinta acrílica, nem no óleo. É incompatível com a qualidade dos artistas que temos e com o crescimento de todo o mercado no Brasil.

Há comentários sobre a obra em papel ter durabilidade menor e por isso é menos valorizada, que comentários você faria sobre isso?
Adoro trabalhar em papel e não vejo dessa maneira. Existem restauradores para todo tipo de coisa que ganhe valor de mercado. As outras devem passar...serem substituídas. Ou restauradas por amor.

O que você pensa sobre os salões de arte? Aguma sugestão para aprimorá-los?
Penso nos salões de hoje em dia, assim como nas feiras e penso nos salões oficiais da época do Impressionismo. Eles fizeram o salão deles próprios e criaram um rebuliço. O artista tem que ser visto, seja através de salões, de exposições selecionadas por críticos e professores, por seu grupo de artistas amigos, na rua, não importa...Claro que os salões dão oportunidade e são bons para o currículo mas, são poucos os artistas que conseguem trilhar um caminho fora das instituições e dos salões, o que só vem a melhorar com a integração de grafiteiros e artistas de rua ao escopo das galerias. Pessoas que não passaram por essa triagem de críticos. Isso mostra que a arte acima de tudo é uma atitude "Do It Yourself". Faça como der, aonde der, com quem aprovar ou não. Faça o que acha que tem de fazer. Afinal, se alguém quiser seu trabalho a galeria vai contratar um crítico pra escrever e "falar bem" de você. Pra te dar legitimidade. Ou você busca isso por conta própria entrando nos salões e etc.


O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Acho que a galeria tem que ter algo com que possa trabalhar. Seja um currículo institucional, exposição na mídia, bons relacionamentos ou trabalhos vendáveis. Ou então, ela não se interessará por você. É um mundo capitalista, não se esqueça. Nem todo mundo está interessado na sua complexa poética enquanto você não despontar comercialmente ou institucionalmente. Ou seja, cada etapa é pra ser vista com um posicionamento diferente.



Rio e São Paulo, na minha opinião são muito afastados, há pouco intercâmbio entre os artistas, qual a sua opinião sobre esse fato?
Acho que há pouca troca de informação sim. Deveria haver a Bienal do Graal, na Dutra. Seria a meio caminho dos dois. Mas o mundo da arte não vai pra São Paulo de carro ou ônibus. Uma pena. Atingiríamos um público bem interessante.

 Quais são seus planos para o futuro?
 Editar esse texto. 





Kind of Blue.





Blow in Her Face.



Texaco Dealers.












Back to School.



Chinese Drill.



Erótica.



Guerra Nau.



Didática.



Prato de Comida.















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