quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Jônatas Campos




Quem é Jônatas Campos ?
Um dos Jônatas Campos existentes sou eu, Jônatas Milagres Campos. Campos de pai e Milagres de mãe. Nasci em Contagem, no Hospital Santa Rita no dia 06 de novembro de 1983. Tenho pai, mãe, irmão, namorada, amigos, um pato, duas tartarugas, um gato e gosto de viajar. Moro em uma casa com um grande terreiro, muitas plantas, árvores, insetos, terra e muitas possibilidades. Atualmente trabalho em minha oficina/atelier que fica onde sempre morei, em Contagem. Desde criança meu contato com trabalhos manuais foi presente, tanto meu pai que sempre teve habilidades e interesses artesanais, quanto um primo que é pintor muralista. Minha família sempre me apoiou no que eu acreditava. Desde muito cedo já gostava de desenhar e executar trabalhos manuais. Não me lembro a data exata mas suponho que seja aos 12 anos, comecei a produzir e a vender chaveiros. Meu pai comprava e disponibilizava o material e as ferramentas.  Entalhava nomes em pequenas tiras retangulares de madeira, adicionava um pedaço de corrente e uma argola. Minha mãe os vendia para mim entre seus amigos no grupo escolar. Na falta de recurso, meu irmão sempre esteve presente também. Neste mesmo período fazia um curso livre de entalhe em madeira no parque Lagoa do Nado em Venda Nova. Meu pai me levava e também fazia o curso toda quinta e sexta feira. Quanta saudade!
De lá para cá continuei trabalhando, fazendo de tudo um pouco. Em 1999/2000 comecei um curso particular de desenho mangá no Big Jack, atual escola de artes visuais Casa dos Quadrinhos. Virei office boy da escola e aprendi muito com as pessoas que lá trabalhavam. Concluí os cursos de desenho que a escola oferecia, três anos depois resolvi sair e trabalhar por conta própria. Trabalhei algum tempo em casa como free lancer ilustrador , até que meu primo (o pintor), me chamou para trabalhar em uma empresa que fazia réplicas de móveis de séculos passados para exportação. Aprendi muito a lhe dar com tinta neste trabalho.  A conclusão das réplicas era demorada, haviam varias etapas e vários procedimentos. Desde a demolir as casas e selecionar as madeiras ao acabamento final.
Meu trabalho estava exatamente no meio deste processo. Quando iniciei, meu trabalho era determinar e aplicar a cor de fundo nos móveis e pintar as molduras para que os artistas pintassem os motivos escolhidos nestes espaços, que iam desde arranjo de flores, natureza morta, paisagens, etc. Logo ganhei espaço, treinei uma outra pessoa para me substituir e me tornei um dos artistas que executava estas pinturas. Ao todo éramos 5 artistas. Foi uma experiência muito produtiva e aprendi com todos na empresa. Acabou que a empresa fechou e começou a seca. Trabalho estava dificil, principalmente em artes visuais, ainda pegava uns free las do Big Jack, mas nao era o suficiente. Até que um dia um grande amigo me falou de uma loja de roupas que havia inaugurado a pouco nos shoppings, e caracterizava se pelo produto e estamparia, chamava-se Ospício. Me sugeriu a fazer alguns desenhos e apresenta los. Desenvolvi um portfólio com várias ilustrações para estampas, já aplicadas a marca da empresa. Descobri o endereço da fábrica e fui até lá vender o meu peixe. Não rolou de vender as estampas mas ganhei emprego de vendedor em uma das lojas que era na Savassi. Aceitei, quem não tem cão, caça com gato. De lá  fui para uma outra loja em um shopping e depois acabei virando gerente de uma terceira loja. Não era bem o que eu queria, mas era um bom emprego, conhecia muitas pessoas e ficava desenhando a maior parte do tempo em meus cadernos. Das pessoas que conheci estavam os funcionários da estamparia que desenvolviam os produtos da marca. Alguns deles já trabalhavam em outra estamparia. Fiz contato, pedi conta e comecei a trabalhar em uma destas estamparias. Fiquei uns dois anos, desenvolvi muitos trabalhos para diversas marcas de vestuário e como nas experiências anteriores conheci muitas pessoas que me ensinaram muito. Novamente resolvi que estava na hora de seguir adiante e trabalhar por conta própria, já que tinha uma boa quantidade de clientes, inclusive a estamparia que acabara decidido por sair. Trabalhei mais um bom tempo por conta própria, me acostumando com a instabilidade característica do mercado, para quem trabalha com arte aplicada. Em 2007/2008 recebi um cliente no meu atelier. Me convidava para ser diretor de arte e ilustrador de uma empresa de vestuário masculino. Aceitei, e foi uma grande experiência, uma verdadeira escola. Fiquei alguns anos e comecei a perceber que não estava tendo tempo para desenvolver meus trabalhos pessoais. Resolvi então prosseguir por conta própria. Atualmente, trabalho em meu atelier desenvolvendo estampas e projetos gráficos paralelamente com meu trabalho autoral como artista plástico, que empreitei a ser de uns tempos para cá.
Desde os 12 anos, venho fazendo cursos livres e técnicos, alguns incompletos. Trabalhei com outras coisas também, mas resumindo é isso. Ainda não tenho ensino superior mas talvez um dia.
O que posso dizer destes anos, profissionalmente e pessoalmente,  é que muito aprendi com as pessoas e com a própria natureza do mundo. Com a gentileza, paciência e persistência que muitos tiveram em ensinar me. Nada tenho a reclamar de ninguém e de nenhum trabalho. Todos foram muito valiosos e só tenho a agradecer. 
Quanto a área de trabalho que atuo, me acostumei com a instabilidade, um dia tem, outro dia não tem. Até gosto, me faz enxergar outras possibilidades e ficar mais atento.
Gosto muito do meu trabalho e me considero uma pessoa de sorte por estar rodeado de familiares e amigos que sempre me apoiaram.

Como a arte entrou em sua vida?
Ela sempre esteve presente.

Qual foi sua formação artística?
- Desenho e quadrinhos - Escola de artes visuais Casa dos Quadrinhos
- Animação - Casa dos Quadrinhos
- Curso Técnico Design Gráfico - Inap
- Cursos livres variados.

Que artistas influenciam em sua obra?
 Quando era mais jovem, tinha alguns artistas preferidos com influência direta , tais como Klimt, Schielle, Norman Rockwell etc, e muitos quadrinistas. Atualmente creio que a influência seja mais indireta e subjetiva, acredito ser influênciado por centenas mas não sei quem são.


Como você descreve seu trabalho?
Complicado descrever o próprio trabalho autoral como o  de qualquer outro. Mas tentarei. 
Acho o incompreensível, subjetivo e emocional. Por outro lado as vezes o tenho como racional, nítido e óbvio demais.  Não o entendo muito bem. Sintetiza-lo de forma objetiva é sempre um caminho mais fácil, mas não acredito que é bem por aí, e no momento opto mais por faze-lo do que entende-lo. 
Talvez seja  um emaranhado de pensamentos, de lembranças, de consciência e inconsciência existencial. Uma combinação de técnicas, referências e frequências que circulam por aí, que acabei me identificando e apropriando em partes. Acredito que seja a parte do todo e o todo da parte. Devo ser apenas mais um que da prosseguimento à algo que deve  ter começado a muito tempo. Não me sinto o único responsável criador de meu trabalho. Descreve-lo é relativo,  pode ter muito significados distintos, depende se apenas do referencial que nos posicionamos. Talvez não seja nada disso. Vai saber.
Básicamente trabalho com a imagem e com a memória. Com fotografias, com texto, com objetos.  Algo que foi, é e vai ser.
Trabalho com diversos suportes, vai aparecendo e vou experimentando.


É possível viver exclusivamente de arte no Brasil?
Até hoje estou vivendo, vai saber amanhã, na dúvida seria bom pagar o INSS.

Como você vê  a arte contemporânea em Belo Horizonte?
Não tenho acompanhado, estou atarefado no calabouço à algum tempo.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não tenho idéia. Um galerista deve responder melhor esta pergunta. Talvez ter um trabalho que comunique com o meio do qual estamos inseridos, ser comunicativo, ser politicamente perspicaz, etc.

O material nacional para pintura já tem boa qualidade?
Material de execução do trabalho? tintas, pincéis, papéis, ferramentas, etc? 
Acho que sim. Eu me dou bem com quase tudo, apesar de quase tudo ser importado, mas tem uma hierarquia na qualidade sim.

O que você pensa sobre os salões de arte. Alguma sugestão para aprimorá-los?
Agora que estou pensando a respeito, participei de apenas dois. Ainda não tenho condições para tirar conclusões.

Como se tornar um artista reconhecido nacionalmente?
Não sei. Se um dia eu me tornasse, poderia responder esta pergunta empiricamente.

Quais são seus planos para o futuro? 
Viver, morrer e começar de novo.








































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Maurizio Cattelan

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