sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada a artista Angella Conte.





Quem é Angella Conte? 
Sou artista visual autodidata, nasci em Jaboticabal, interior de São Paulo. Vivo e trabalho na Capital paulista. Passei minha infância e adolescência entre telas, pinceis e livros de arte; filha de artista, relutei para seguir a mesma profissão. Iniciei psicologia mas logo troquei pela arte, substituindo a universidade por vários cursos de natureza prática e teórica no campo das artes visuais. Experimentando várias técnicas como; cerâmica, desenho, pintura, escultura e modelagem, fotografia entre outros.
Nestes quase 20 anos de produção, 8 deles eu me dediquei exclusivamente a escultura, em esteatita, ferro e mármore. A partir de 2004 eu passei a experimentar novos suportes e daí surgiram objetos, fotografia, instalação, vídeo,  performance e intervenções, que são os suportes que utilizo até hoje.

Como a arte entrou em sua vida?
Como disse na pergunta anterior sempre tive um convívio próximo com a arte, mas não pensava em ser artista. Desde criança sempre tive muita habilidade manual e uma necessidade enorme de aprender, eu queria saber como as coisas eram feitas, e por conta desta necessidade acabei aprendendo várias técnicas, que empregava inicialmente como atividade paralela, mas a partir de 2000 eu passei a me dedicar exclusivamente a arte.


Qual foi sua formação artística?
Além de oficinas e cursos práticos, participei de grupos de estudos com as artistas Nazareth Pacheco, Laura Vinci, Inaê Coutinho, Neide Jallageas, Eder Santos e Lucas Bambozzi, e também grupos de acompanhamento de projetos com os críticos Guy Amado, Juliana Monachesi, José Bento Ferreira e Rafael Campos Rocha. Fiz cursos téoricos de arte contemporânea com Agnaldo Farias, Charles Watson, Cauê Alves, Andrés Hernandez, Ana Amélia Geniolli, entre outros. Participei também de várias residências artísticas no exterior, que muito contribuíram para minha formação artística.


Que artistas influenciam em sua obra?
Inicialmente fui muito influenciada por Louise Bourgeois e Farnese de Andrade. No momento nenhum em particular e muitos ao mesmo tempo, poderia citar vários nomes de artistas dos quais admiro o trabalho, como Cildo Meirelles, Cao Guimarães, Mira Schendel, Ólafur Eliasson, Bas Jan Ader, Anish Kapoor, Bispo do Rosário e muitos outros.


Como você descreve seu trabalho?
As aspirações da minha  produção se encontram na inter-relação criada entre o indivíduo e seu meio, pautando suas histórias, trocas e  resquícios. A partir deste pensamento, surgem as questões que dão corpo aos projetos; geralmente elejo um assunto que me incomoda ou que me atrai e parto para materializar o projeto independente do suporte. O resultado final pode ser objeto, fotografia, instalação, vídeo, intervenção ou performance.
Faz parte do meu processo de construção reaproveitar materiais, e os objetos com os quais trabalho são objetos que encontro ou que me encontram, e estão relacionados com o meu cotidiano e com o simbólico deste cotidiano. Também coleto imagens deste cotidiano, que formam um arquivo a serem usadas posteriormente.
Nos meus últimos projetos, existe uma forte presença da ação do homem no meio ambiente, não com pensamento ativista mas sim comportamental. Nada jamais é permanente ou parado, existe um processo de investigação, uma forma de abordar o mundo não como um série de verdades precisas, mas em termos de questões e possibilidades.
Qualquer que seja o cenário, o protagonista é sempre o ser humano em meio ao desejo e à falta. O motor que move o trabalho é sempre o dilema da vida humana diante das inúmeras possibilidades.

É possível viver de arte no Brasil?
Sim é possível, mas não é fácil.

De que maneira a produção de vídeos é financiada? Há mercado para eles?
Embora exista atualmente muitos editais e bolsas de incentivo para a produção de vídeo arte e novas tecnologias aqui no Brasil, ainda não é suficiente para suprir a demanda do grande numero de artistas. Existem algumas instituições voltadas exclusivamente para este fim, que por vezes, preferem insistir nos mesmos produtores e não ousam experimentar o novo. A produção do trabalho em vídeo é cara, acredito que a grande maioria de vídeos produzidos aqui, é com recurso próprio do artista.
Lá fora existem galerias e espaços voltados exclusivamente para produção em vídeo arte, e existe mercado, mas aqui ainda não temos. Acredito também que as Galerias, de modo geral, não tem preparo para comercializar vídeo da mesma forma que comercializam pintura, objetos, fotografia etc.


O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Os salões de arte são uma forma bem interessante que o artista tem para fazer circular o trabalho, também dar a chance a críticos e curadores conhecer seu trabalho, e mostrá-lo para um grande numero de pessoas em diversos lugares. Importante também para o intercâmbio entre artistas: este convívio artístico, por ocasião dos salões, é enriquecedor para ambos, tanto para o artista local como para o artista que vem de outra cidade/estado.
Quanto ao formato dos salões que temos penso que precisa ser repensado; o artista precisa ser tratado com respeito e dignidade. Não se justifica salões sem pró-labore, sem apoio para o deslocamento do artista. O que vemos são regulamentos que exigem cada vez mais do artista, trabalho inédito, despesas de transporte, seguro das obras, envio de material por sedex, portfólio impresso, limite para tamanho da obra e tantas outras exigências. Geralmente são selecionados 20 ou 25 artistas, e apenas dois ou três recebem um prêmio - que nem sempre paga o valor do trabalho. Penso que o total destinado a prêmio  deveria ser divido entre todos os selecionados, afinal a seleção de 20 artistas entre 400, 500 ou mais artistas que se inscrevem, já caracteriza a premiação. Desta forma todos seriam beneficiados oferecendo este montante dividido entre os 20 artistas selecionados,  igualmente.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Depende da galeria, cada qual com seu foco. Tem galeria que prefere representar artistas renomados, tem galeria que prefere jovens artistas, tem galerias que preferem só fotógrafos, etc.
Mas acredito que o artista precisa ter uma certa projeção para que as galerias se interessem por ele.

Por que o Rio e São Paulo estão tão longe? Por que tão pouco intercâmbio entre os artistas?
 Essa é uma pergunta que eu também me faço, não sei dizer. Gostaria muito que houvesse este intercâmbio.

Qual o papel das Instituições Culturais no desenvolvimento da arte contemporânea no Brasil?  
 O papel das instituições é fundamental para difundir a arte contemporânea. Temos importantes instituições aqui no Brasil que funcionam muito bem. Poderia citar o SESC como uma das instituições de extrema importância, pois cumpre o papel de difundir a arte contemporânea abrigando exposições de altíssimo nível, tanto de artistas nacionais como estrangeiros. A meu ver é uma instituição democrática com modelo interessante de gestão abrangendo inúmeros setores oferecidos para a população em geral. É um local de grande visitação e de muita visibilidade para o artista. Uma instituição respeitada. O modelo SESC poderia ser utilizado em outras instituições.

Quais são seus planos para o futuro? Algo no Rio de Janeiro?
 Pretendo continuar produzindo muito, participar de  residências artísticas e fazer o trabalho circular cada vez mais. Me interesso muito por intervenções e me agrada a idéia de surpreender o público em geral. Lançar mão do espaço protegido de Galerias e levar arte para as ruas. Fazer mais intervenções urbanas.
Infelizmente não tenho nada programado para o Rio de Janeiro, mas gostaria muito.


vídeo instalação “Inside/Outside”  2007 trabalho desenvolvido na Irlanda em residência artística no LSC-Leitrim Sculpture Centre



“Entre líquidos”- vídeo 2008


“Escassez”-intervenção urbana 2009 Horto Florestal de São Paulo


"Da nascente à foz” vídeo instalação-Museu Octavio Vecchi-SP 2009



“(Re)Ocupação” vídeo instalação- 2012  - XIV SAMAP-João Pessoa-Paraíba


“Rotas Alteradas “ 2012  trabalho desenvolvido em Coimbra-PT em residência artística no IC Zero


“Aquário” intervenção urbana São Paulo-2013


“Sentido único” site specific 2013 Exposição Geometria Fragmentada- Galeria Contempo -São Paulo


“11.680 Dias” vídeo instalação 2013 Galeria Lourdina Jean Rabieh São Paulo.



“Cotidiano Inventado” instalação Estação Trianon/MASP linha verde metrô São Paulo 2014















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Maurizio Cattelan

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