segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Katie van Scherpenberg




Além da excepcional qualidade da obra de Katie e do seu impecável currículo, é  preciso enfatizar o seu trabalho na formação de novos artistas. Sua cultura e rigor característicos quer na Escola de Artes Visuais do Parque Lage quer nos incontáveis cursos ministrados em diferentes estados e no exterior e em seu próprio atelier, Katie dá uma enorme contribuição para a arte brasileira pela qualificação de seus artistas. Parabéns Katie, vida longa e feliz. Foto Maycon Lima, 2013.



Katie van Scherpenberg Mildrid Catharina van Sherpenberg (1940-) Nasceu em São Paulo. Passou parte de sua infância na Inglaterra, retornando ao Brasil com sua família em 1946. Estudou na Inglaterra de 1953 a 1957. Seu pai resolveu, depois de um tempo no Brasil, radicar-se no Amapá na Ilha de Santana. Katie estudou pintura no Rio de Janeiro com Catherina Bavatelli (1958-1960). Entre 1961 e 1963, aperfeiçou-se na Academia de Belas Artes de Munique, onde estudou escultura com George Brenninger e, em Salzburgo, Áustria aprofundou-se em aquarela com Oskar Kokoschka. Entre 1963 e 1964 morou em Nova York. Ao retornar ao Brasil, fez o curso de gravura no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. Casou-se em 1964 e teve uma filha em 1965. Em 1967, após a separação, morou na ilha de Santana até 1973 quando retornou definitivamente ao Rio de Janeiro. Em 1971, morreu seu pai e Katie fez seu sepultamento nas margens do Rio Amazonas, local escolhido por ele para morar nos últimos 20 anos. Katie é uma reconhecida artista no Brasil e no exterior tendo participado de inúmeras exposições em galerias e instituições culturais e museus. Participou das Bienais de São Paulo, do Fim do Mundo, Uchaia e do MercoSul, Porto Alegre. Suas obras estão distribuídas em diversos museus e coleções do mundo. Katie tem uma extensa atividade didática como professora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e de  diferentes Universidades no Brasil e no exterior. O Workshop sobre Materiais é uma marca pessoal e por ele já passaram centenas de alunos. A artista vive e trabalha no Rio de Janeiro. Pinturas, gravuras, fotografias e intervenções são seus meios mais utilizados. Aguardando Papai, intervenção no Rio Negro, Amapá.






A Queda de Ícaro, 1980. Gesso, fuligem e têmpera sobre pano eucatex. Cinco trabalhos de 100 x 100 cm cada. Coleção da artista.




Sem título, 1980. Acrílica sobre tela. Coleção Gilberto Chateaubriand.




Série Mamãe Prometo Ser Feliz. Duna, 1992. Técnica mista. Essex Collection of Art from Latin America.


Viajante das Perdidas Ilusões, 1993. Serigrafia.


Série Feuerbach e Eu. Santana e o Anjo.




Série Feuerbach e Eu, Swimm, 1993. Coleção Eduardo Lopes Pontes.




Série Feuerbach e Eu. Incidentes,1995. Coleção Maria Helena Fonseca.


Sonhos de uma Noite de Verão II, 1996. Coleção particular.


Sopro (Breath), 2004. Wood panel, oxidado cooper on paper, pigments (red oxido) in tempera. Universidade do Texas.



Scum, 2005. Encáustica e pigmentos sobre madeira.





Ashes, 2005. Encáustica e pigmento sobre madeira.


Red Landscape, 2006.




Paisagem 2, 2008. Vidro, têmpera e óleo. ARCO.  Madrid.



"O corpus paisagístico de Katie van Sherpenberg segue a trajetória do signo que qualifica o espaço pintura. Diante do que se vê, o pacto necessário entre a artista, o crítico e o espectador-leitor: assumir que essa é uma arte de paisagem". Paulo Herkenhoff Catálogo da exposição Distante / Far Away




Jardim Vermelho, 1986. Intervenção no jardim da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Óxido de ferro vermelho.


Sem Nome, 2009. Uchuaia, Patagônia, Argentina. Quatro celas de um presídio e quatro lamparinas de querosene uma em cada cela. Bienal do Fim do Mundo.



Utopia, 2009. Lago do Escondidos Uchuaia, Patagônia. Bienal do Fim do Mundo. Quatro quadrados de óxido de ferro vermelho. Foto: Rafael RG.


Intervenção na areia do Rio Negro, 2004


Encosta do Morro, 2004. Rio Negro, Amapá



Katie van Scherpenberg em sua última exposição Far Away, 2010.  Paço Imperial, Rio de Janeiro.



Atelier da artista.



Entrevista publicada em Conversando sobre Arte em 2010.

A sua última exposição no Paço Imperial (1995) recebeu o título Mãe, Prometo Ser Feliz. Você cumpriu a promessa?
Não, pois se tivesse sido feliz não teria realizado a exposição. A felicidade era sobre a vida, sobre o casamento e ele havia fracassado. Os trabalhos foram construídos com peças do meu enxoval. As mães sempre sonham para os filhos uma vida perfeita, mas é impossível.

Você fez uma belíssima performance chamada Esperando papai, uma homenagem a ele. Qual a influência do seu pai em sua vida e obra?
Meu pai teve enorme influência em minha vida. Ele nasceu na Holanda e veio para o Brasil como diplomata e resolveu ficar. Comprou a ilha de Santata no Amapá e lá se radicou em busca de seus sonhos. O espirito aventureiro transmitido por ele, possibilitou a mim ser uma artista, viver em diferentes países, passar por todas as dificuldades afetivas e financeiras, vencer as injustiças e continuar a trabalhar. Papai falou: "Nunca se aposente".


Numa conversa com você, eu contei ter um amigo que a cada dezembro ao ver a floração do Flamboaiã, ele ouvia o Oratório de Natal de Bach. Você comentou: "É preciso percorrer a vida com poesia". Os títulos de sua exposições são sempre poéticos, você vive com poesia?
Creio ser importante diminuir a distância entre a vida e a poesia. Procuro por essa aproximação quer na vida quer em minha obra.

Um dos seus trabalhos mais importante é A Queda de Ícaro. Qual o significado dele?
A Queda de Ícaro é um trabalho de 1980 feito com gesso e fuligem. Ao terminá-lo, eu tive a verdadeira compreensão sobre pintura. Antes pensava estar ela ligada à posição ou política e ser algo social. Percebi não haver nada com essas coisas, mas um trabalho duro diário e interminável. Entendi o que disse Giacometti: " Não sei sobre pintura, eu pinto".

Você é conhecida e respeitada como uma grande pintora. Como os registros filmados e fotografados de suas intervenções e performances se encaixam com a pintura?
Há mais de trinta anos, eu faço e registro essas intervenções em praias, jardins e rios. Percebi serem eles uma complementação da discussão sobre pintura. Tenho mais de cinco mil registros, os escolhidos para a atual exposição darão ao público uma idéia do trabalho realizado e dessa relação com a pintura.

Katie, parabéns por mais essa vitória. Você deseja fazer algum comentário?
Eu lembrei de minha mãe, ao visitá-la na Europa, ela estava lúcida. Eu muito orgulhosa mostrei todos os catálogos de minhas exposições e contei a ela ao que havia feito em minha carreira. Ela comentou: "Pena que você não casou".



http://www.katievanscherpenberg.com.br





Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now