quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Ricardo Carvão






Quem é Ricardo Carvão?
Ricardo Carvão Levy nasceu em 31 de julho de 1949, em Belém do Pará.
Vive e trabalha em Belo Horizonte, Minas Gerais
Infância: Minha rica infância foi em Belém do Pará onde tive contato com a arte pré-colombiana. Era interessante ver a riqueza de brinquedos feitos artesanalmente de madeira. Eu brincava com pião que eu via ser criado. A gente escolhia a madeira, o tamanho e os brinquedos eram criados artesanalmente. As pipas/papagaios eram feitos também com muito esmero e arte. Tínhamos papagaios listrados, estampados e todos eles eram feito de forma a trabalhar da melhor forma possível à aerodinâmica.
Juventude/ Adulto: Com 15 anos eu vim para Belo Horizonte. No dia 04 de agosto fez 50 anos que estou na capital mineira. No primário, eu era um ótimo aluno. No ginásio, eu tomei aversão aos estudos. Não conseguia me dedicar. Em 1969, eu comecei a fazer artesanato. Meu primeiro trabalho como artesão foi uma caixa que tinha como intuito ser uma bombonière, mas a pessoa que adquiriu disse que precisa assinar a caixa porque aquilo não era artesanato. Era sim, uma obra de arte. Ainda fazendo artesanato, sem intenção de fazer arte propriamente dita, eu estava com uma jaqueta que eu mesmo havia criado e Inimá de Paula se aproximou de mim e perguntou onde eu a tinha comprado.  Expliquei a ele que eu a tinha feito artesanalmente. Ele me corrigiu dizendo que aquilo não era artesanato e sim uma escultura de se vestir. Depois de uma viagem que fiz ao México, eu decidi, ao invés de fazer arquitetura, fazer esculturas e passei sete anos só criando e executando. Completado esses setes anos, eu fiz minha primeira exposição e junto com ela veio a minha primeira esposa. Fiquei casado durante 10 anos e tive dois filhos.  
A música sempre foi meu hobby favorito. Tanto que ela se tornou uma maneira de eu criar minhas esculturas. De acordo com o traço ou dobra seria uma nota musical. Um convexo seria um sustenido. Um côncavo seria bemol. É como se criasse um trecho de uma música

Como a arte entrou em sua vida?
  Em sua cidade natal, o artista teve seu primeiro contato com as artes pré-colombianas marajoaras e tapajônicas. Em 1972, quando viajou ao México, teve contato novamente com a arte pré-colombiana, pela qual foi profundamente tocado. A partir de então, sentiu que seu caminho profissional seria dedicado ao tridimensional
Qual foi sua formação artística? 
 Ricardo Carvão é um artista autodidata. Ao voltar dessa viagem ao México (descrita acima), o artista debruçou-se num rigoroso recolhimento sobre a geometria e a matemática, criando inúmeros trabalhos utilizando a sola de couro, a partir, inicialmente, das formas da natureza, procurando enaltecer o material inapto e inóspito.

Que artistas influenciam em sua obra?
Meu tio Aluísio Carvão. Eu ainda criança, em torno de seis anos, adorava quando ia visitá-lo. Ele tinha um pêndulo, de mais ou menos um metro, feito de caixinha de fósforo. Adorava apreciá-lo. Mas a minha influência mesmo foi a própria natureza.  

Como você descreve seu trabalho? 
Os setes primeiros anos foi o corte e dobra do couro. Depois, eu fui diversificado usando o aço, alumínio, material reciclado, bronze. A natureza é ilimitada em suas formas e também vida. E minha obra de arte tem como intenção ser um alimento para o espírito. Dessa forma, a vida – tão bem representada pela natureza- é fundamental. A geometria sempre esteve presente na minha vida com a arte marajoara e tapajônica e a própria natureza possui uma geometria mais sensível.

É possível viver de arte no Brasil?
Sim. Evidente que não como em outros países. Eu até brinco quando perguntam minha profissional e digo que é mágico porque vivo de arte. Não é fácil viver de arte no Brasil, mas é possível. Como diz Mário Quintana: cuide do seu jardim que as borboletas apareceram. 
 
Qual a sua opinião sobre o desenvolvimento da arte contemporânea em Belo Horizonte?
Acho muito interessante o fato de termos o Inhotim, que deu um peso enorme aqui em Minas. O Circuito Cultural da Praça da Liberdade que é outro ponto relevante da nossa arte. Está evoluindo muito.
Ainda há espaço, nos dias de hoje, para os salões de arte?
Só em 1980 que participei de salões de arte, mas achei que não era o caminho que eu gostaria de trilhar, embora isso abra muitas portas. Vejo muito menos salões hoje em dia. São mais bienais. 

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Interesse de ambas as partes. Existem vários tipos de artistas e vários tipos de galeria. Aqui em Belo Horizonte, pelo menos, as galerias tem uma visão mais empresarial. Aquele artista que tiver interessado pode procurar a galeria e mostrar seu trabalho. O contrário também pode acontecer.

Que sugestão daria a um jovem artista para ter sucesso na careira?
Persistência, perseverança, fazer seu trabalho com amor e procurar fazer aquilo que é dele mesmo. Cada pessoa é uma. E que seu trabalho seja também único

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar trabalhando, criando. Gostaria muito de ter um espaço maior, um museu próprio, mas procuro cuidar do meu jardim e esperar as coisas acontecerem.












































































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Maurizio Cattelan

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