segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada Alice Lara




Quem é Alice Lara?
Taguatinga e Vicente Pires são duas cidades satélites do Distrito Federal onde sempre vivi. Ainda vivo e trabalho na mesma chácara onde fui criada, um espaço sobrevivente da invasão urbana ao redor, onde convivo com animais que normalmente não participam do cotidiano da cidade. Sempre fui uma criança que gostava de fazer artefatos, criar, pesquisar materiais. No fim do ensino médio pesquisei mais sobre artes plásticas e decidi fazer esse curso. Estar na Universidade de Brasília foi algo muito importante para o meu contato mais amplo com arte e arte contemporânea, e lá comecei a pesquisa que faço até hoje. Também sou professora na escola pública daqui.  Bem acho que esses são os detalhes mais importantes da minha vida.

Como a arte entrou em sua vida?
Vi pouca coisa do que se chama "arte" no meu dia-a-dia, era uma coisa da escola e que só ficou mais séria no ensino médio. A visualidade mais rica na minha vida foi a que acessava pela tv, pela música, em desenhos, filmes, jornais e novelas. Isso é algo que ainda me acompanha. Também tinha uma vivencia muito grande com os matérias ao meu redor: a lama, os corantes da cozinha, os papéis ... Depois na universidade que pude ter mais contato com arte, com arte contemporânea e pude aproveitar as oportunidades culturais que acidade me oferecia. 

Qual foi sua formação artística?
Licenciatura e bacharelado na Universidade de Brasília 
Que artistas influenciam em sua obra?
Francis Bacon, Alessandra Sanguinetti, Franz Marc, Delacroix...  

Como você descreve seu trabalho?
Uma pintura que tenta pensar na condição do animal, enquanto se identifica com esses sujeitos. Que pensa na cor, no espaço, nas texturas. É a minha forma de sentir o mundo e viver certas coisas. 

É possível viver de arte no Brasil?
 É possível sim, mas acho complicado lidar com o mercado de arte que é muito inconstante. Mas temos outras formas de trabalhar. Aqui no DF, por exemplo, temos tido várias feirinhas de arte onde estão jovens artistas viabilizando seus trabalhos sem esperar uma iniciativa mercadológica.     


Qual sua opinião sobre o desenvolvimento da arte contemporânea Brasília?
Embora sejamos a capital e a cidade tenha se formado na contemporaneidade, ainda somos uma cidade pequena em alguns aspectos. Aqui temos um acesso a coisas interessantes que não veríamos se morássemos em outras capitais brasileiras, dá para fazer um programa cultural todo dia. Mas o artista daqui ainda sofre muito para viabilizar seu trabalho, embora circule muito dinheiro em mercado de arte na cidade esse dinheiro quase não fomenta a produção da cidade local.

Você acabou de ser selecionado para o Salão Anapolino, que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
 Os salões tem sido recentemente uma boa maneira de fomentar e divulgar a arte. Mesmo sem sermos selecionados, nosso trabalho é visto por curadores. Se selecionados em alguns salões, recebemos valores que podem nos ajudar no transporte da obra, na compra de um equipamento e começam a nos profissionalizar. Os salões em cidades pequenas, principalmente, tem sido uma oportunidade para as populações locais terem acesso a arte contemporânea e a artistas que não iriam para lá se não fossem essas iniciativas. Além da presença física das obras boa parte deles tem um programa educativo exemplar como é o caso do salão de Jataí e de Anápolis que formam os alunos e professores de sua cidade para a arte contemporânea.
Sinto falta de um feed-back para os artistas que foram ou não selecionados para que todos possam entender melhor os processos que guiam a escolha dos curadores. Tem que ser cada vez mais alimentada á ideia de um salão como lugar para construção de diálogos e pesquisas. É claro que existe um interesse na aquisição de valores por meio dos salões, é uma coisa positiva tanto para o governo como para o artista, mas acredito que esse não deve ser o critério de escolha das obras. Também seria importante que o eixo Rio- São Paulo fosse mais igualitário em sua visão para com o resto do país assim como somos com eles.  
      

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
  Produzir, se articular e ter bastante sorte: tem trabalhos muito sérios e interessantes que não tem e não terão espaço no mercado.

O material nacional para pintura já tem qualidade adequada?
Quase. O material brasileiro já tem opções para as marcas europeias, mesmo que com uma qualidade inferior, tem tinta que muda de tom após um ano, telas empenadas na loja, ausência de teleiros e moldureiros especializados. Sofro com essas coisas por que infelizmente minha pesquisa ainda depende desses matérias tradicionais da arte, então tento explorar o que tenho e o que posso acessar, buscando não sentir que meu trabalho é inferior por isso.      

Quais são seus planos para o futuro?
Continuar produzindo, pesquisando, buscando ver o que vai acontecer com o trabalho, que é o mais interessante de tudo.



Coração Jaula, 2013. Óleo sobre tela 20x150 cm.



Gran Circus, 2013, Óleo sobre tela. 90x60 cm.



Esperando por mais Delícias, 2010. Óleo sobre tela. 90x90 cm.



Respiração por Respiração, 2009. 90x120 cm.



Excesso, 2009. 90x90 cm.












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Maurizio Cattelan

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