sexta-feira, 18 de julho de 2014

Nazareno Aqui do lado de dentro e Gui Mohallem Tchrafna na Luciana Caravello Arte Contemporânea.





Nazareno apresenta a mostra “Aqui do lado de dentro!”

Uma escada feita de imbuia e cordas, pendurada no teto, uma série de desenhos que começa com um papel limpo e vai até um adensamento pesado, telhas em miniatura, quase como uma maquete são algumas das obras que Nazareno vai mostrar na Galeria Luciana Caravello, com curadoria de Marco Lucchesi, na exposição “Aqui do lado de dentro!”, onde ele aborda a relação entre os diversos elementos contidos no interior de uma casa.
Os nove trabalhos retratam elementos arquitetônicos e outros mais sutis a partir de desenhos com escritos e imagens, onde o visitante entrará em contato com vestígios de conversas que poderiam ter ocorrido numa sala ou num quarto, ou na cozinha – existe todo um repertório de referências a espaços internos e no que ocorre dentro deles; algumas vezes isso se mostra de maneira direta, em outras se faz necessário o uso de artifícios tais como lentes de aumento e reflexões para se ver o que realmente reside do lado de dentro. Nazareno quer levar o visitante a imaginar o que seria o “dentro”. “O que é estar dentro de um espaço, dentro de um assunto?”
Ele apresenta ainda uma metáfora para a saudade; um vidro lapidado onde está escrito a palavra “saudade”, que aparece, através de uma luz, projetada na parede. “O que é a saudade? Saudade de quê?  Ela pode estar localizada no conhecimento do mundo a coisas que não se vivenciou, até a nostalgias”, explica.
Ao definir a obra de Nazareno para o texto de abertura da exposição, o curador Marco Lucchesi diz que ele é essencialmente um poeta do espaço. “Não do espaço puro, bem entendido, mas do espeço regido por um “deus ludens”, que o faz crescer e diminuir, como se buscasse os gigantes da Antiguidade e as províncias de Liliput.  Um poeta do espaço dentro de um cosmos sazonal, retrátil e expansivo: nas variações de escala, na taxa demográfica de objetos, que se nutrem de espaço, que dentro dele se descobrem e com ele se confundem”. A exposição fica em cartaz entre 24 de julho e 23 de agosto


Em “Tcharafna”, Gui Mohallem mistura horror e beleza 
 
O artista Gui Mohallem apresenta na Galeria Luciana Caravello , com curadoria de Paulo Miyada, a exposição “Tcharafna” - 15 obras entre vídeos, fotos e objetos, resultado de pesquisa realizada no Líbano, onde coabitam beleza e horror. Esses trabalhos são fruto de duas viagens ao Líbano, terra-natal dos seus pais. A série exibida na mostra aborda, ao mesmo tempo, questões relativas a conflitos históricos e fortes traços de uma cultura local.
“Nessa etapa de minha pesquisa, busco uma relação não idealizada com o outro”, explica o artista. “Tcharafna” dá sequência à série “Welcome Home”, tendo nesta um ponto de partida para uma nova busca. “Após a experiência da série ‘Welcome Home’, procurei encontrar um caminho novo, mais complexo, em que o lugar de pertencimento não é visto como um paraíso. Depois de encontrar um lugar para chamar de casa num santuário pagão, conquistei o chão para tomar o passo mais importante: o de investigar as raízes culturais da família”, analisa Mohallem.
O título da série atual é um termo de cumprimento similar a quando dizemos “Prazer em conhecê-lo”. A palavra “tcharafna”, contudo, está relacionada à honra, sendo que a tradução literal seria “Estamos honrados”. A presença de sentimentos profundos dentro de um universo cotidiano e corriqueiro se reflete nesses trabalhos de Mohallem, marcados pelo sangue, símbolo, ao mesmo tempo, dos laços familiares e da violência. Nessa exposição, o artista mineiro mescla um conjunto de vídeos e fotografias provenientes do imenso acervo de imagens coletadas ao longo de sua estadia na vila Fakiha, local de origem de sua família, no nordeste libanês. Continuação de sua pesquisa sobre pertencimento, “Tcharafna” não compõe uma única narrativa linear. Assim como seus trabalhos anteriores, a nova série traz uma postura envolvida e emocionalmente conectada.

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Nazareno presents “Here on the inside!”

Stairs made of wood and ropes, hanging from the ceiling, a series of drawings starting with a blank sheet and ending with dense traces, miniature roof tiles, almost as models, are a few of the works Nazareno is showing at Luciana Caravello Gallery, with essay written by ABL member Marco Lucchesi, at the exhibition named “Here on the inside”, where he deals with the relations between the elements contained inside a house.
The nine works showed at this exhibition portray architectural and other subtle elements using drawings, words and images where the spectator will get in touch with traces of conversations that might as well have occurred at a living room, or a bedroom, or a kitchen – there is a whole repertoire of references to interior spaces and what happens inside them; sometimes that is shown in a straight-forward way, others have the need for accessories, such as magnifying lens or reflections, in order to make what’s inside completely visible. Nazareno wants to make the visitor imagine what could be the meaning of being “inside”. “What is it to be inside a place, inside a subject?”
Furthermore, he presents a metaphor for the word “saudade”: carved on a refined glass, the word appears on the wall through the light projected on the glass. “What is ‘saudade’? What do we miss? It can be inside the knowledge of the world or in experiences we haven’t been through yet, or even in nostalgia”, he explains.
Defining the work of Nazareno, writer Marco Lucchesi states that he is essentially a poet of space. “Not of pure space, for sure, but of space governed by a deus ludens, who makes it shrink and grow, as if in search of the giants of antiquity and the provinces of Lilliput. A poet of space within a seasonal, retractable and expansive universe: variations in the scale and population density of the objects that feed on space, that discover themselves in space and blur into it.”. The exhibition goes until August 23rd.


In “Tcharafna”, Gui Mohallem blends horror and beauty

Artist Gui Mohallem presents, at Luciana Caravello Gallery, the exhibition “Tcharafna”, curated by Paulo Miyada. 15 works, between video, photography and objects, are the result from his research at residency in Lebanon, where beauty and horror cohabit. The works presented at this exhibition are the product of two trips to Lebanon, homeland of Mohallem’s parents. The series exhibited at this show deals, at the same time, with issues related to historical conflicts and also with strong emblems of the local culture.
“On this stage of my research, I am looking for a non-idealized relationship with the other”, the artist explains. “Tcharafna” is a sequel to his series “Welcome Home”, which became a start for a new view. “After the experience with the series ‘Welcome Home’, I was hoping to find a new path, more complex, where the concept of belonging wasn’t seen as a sort of paradise. After finding a place to call home at a pagan sanctuary, I found the grounds to make the most important decision: to investigate the cultural roots of my family”, Mohallem analyses.
The title of the current series is a greeting expression similar to “nice to meet you”. The word “Tcharafna”, however, is related to the concept of honor, the literal translation being something like “We are honored”. The presence of deep feelings inside an everyday universe is reflected in Mohallem’s works, stained by blood – at the same time a symbol of family bounds and violence. In this exhibition, the artist mixes videos and photographs that are part of the vast collection of images captured at his stay at Fakiha village, where his family originated, on the northwest of Lebanon. Following his research on the concept of belonging, “Tcharafna” is not a linear narrative. As well as his previous work, the new series is part of an engaged and emotionally connected approach.


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Rua Barão de Jaguaripe 387, Ipanema - Rio de Janeiro, Brasil 
Tel: (21) 2523.4696 l contato@lucianacaravello.com.br
De segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábado das 11h às 14h.

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Maurizio Cattelan

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