segunda-feira, 28 de julho de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Escultor Melício




 Quem é o Escultor Melício?
Nasci em Angola, quando era colônia Portuguesa, em 1957, casado com a publicitária Silvelene, brasileira. O meu pai foi em Lisboa grande amigo do primeiro Presidente de Angola, o Poeta Agostinho Neto, que na altura estudava Medicina e era membro da direção do  movimento anti colonialista MPLA, que hoje se encontra no poder. Os meus pais foram para Angola com o meu irmão ainda bebé (hoje um prestigiado investigador universitário)  e eu vim a nascer lá, o meu pai começou a trabalhar nos Caminhos de Ferro de Benguela, como quadro superior, mas desenvolvendo paralelamente uma atividade revolucionária dado que era militante comunista, a minha mãe sempre foi uma mulher mais doce e compreensível, dado a sua origem aristocrática, um dos membros da família o Visconde Melício foi um homem de cultura superior, de grande sensibilidade artística colaborando financeira com muitos artistas Portugueses, destacando-se "o grupo de leão", alem de grande colecionador de arte, aliás outros membros da família estiveram no Brasil, também com grande destaque nas artes e letras, como a "Associação dos jornalistas e escritores " no Rio de Janeiro de que foi fundador. A minha infância foi complicada devido a sermos constantemente "visitados" pela polícia política Portuguesa a " PIDE " a pressão e o medo eram constantes devido á atividade política anti colonialista do meu pai, mas lembro-me com 6, 7 anos a começar a modelar o barro existente nas ruas, após as chuvadas africanas que deixava precisamente a via pública num lamaçal. Com essa idade eu e o meu irmão começamos a vir a passar as férias escolares a casa dos meus avós maternos em Lisboa, eram viagens de 17 dias de barco entre Angola e Lisboa, lindo, maravilhoso. O meu avô Melício era um homem encantador, culto, colecionador de obras de arte, fundador da "Associação dos Espiritas de Portugal", chegando ainda a estar preso pelo governo Fascista que reinava em Portugal, por fundar essa associação cultural e de livre pensamento. O meu primeiro contato com Museus, óperas, exposições de arte foi precisamente com o  avó Melício, aí comecei a ter gosto por arte e quando me era perguntado " quando o menino for grande o que quer ser? " eu afirmava ESCULTOR. Viemos definitivamente para Portugal quando eu tinha 9 anos de idade, apos concluir os primeiros estudos primários. Entrei na primeira escola de Artes com 12 anos de idade, a "Escola de Artes decorativas António Arroio" esta escola tinha muito prestígio no ensino artístico em Lisboa, os seus professores eram todos artistas, aprendi muito, eramos todos uma família de artistas, não tínhamos limites na criação e fruição artísticas,  até se fumava nas aulas! As casas de banho eram mistas! Assim começou a minha juventude, devido á atividade política do meu pai, tornei-me um jovem revolucionário, Maoista, Marxista, leninista, partia os vidros dos bancos, escrevia e pintava murais nas paredes da via publica de cariz revolucionário, isto ainda no tempo da ditadura fascista, que aventura! Quando  da queda da ditadura em 1974 eu tinha 17 anos, com os cabelos compridos pelos ombros, que eram penteados com os dedos, afinal eu " já era um artista principiante". entro para “Belas Artes” aos 18 anos, foi tudo muito turbulento, a ditadura tinha sido derrubada no ano anterior e as escolas estavam constantemente sem aulas, devido ás greves dos estudantes e dos professores, onde se exigia um ensino  mais democrático, ninguém estudava, namorava-se, bebia-se, fumava-se maconha em suma vivia-se a vida em LIBERDADE, como tinha sido difícil viver em ditadura ! Fiz a minha primeira exposição individual com 20 anos de idade " desenhos e colagens eróticas", vendi tudo !  o povo estava com fome de arte. Aos 21 anos fui viver para Paris, visitei Museus, Galerias de Arte,  fiz uma exposição individual de escultura em cerâmica na "Galeria Atelier Y" no bairro da Ópera,  também vendi tudo! Aos 24 anos voltei para Lisboa, Aluguei um Atelier na Grandiosa Vila de Sintra a 20 quilômetros de Lisboa, comecei a trabalhar em escultura de  pedra, principalmente mármores, calcários e granitos e também a pintar e a modelar azulejos, mas com estética modernista. Depois disto vivi em Sarono, Itália onde trabalhei como designer e ganhei dois primeiros prêmios de embalagem, depois tive estadias de estudo e trabalho em Nova Iorque, Frankfurt, Moscovo, Madrid, Barcelona, Havana. No ano 2000 comecei a dedicar-me à escultura híper realista, às resinas, silicones e particularmente á fundição na liga de bronze, utilizando a técnica da cera perdida.

Como a arte entrou em sua vida?
Poderei afirmar seguramente, que nascer e viver em áfrica naquela época já era arte, os penteados, as roupas das mulheres, das crianças, dos homens,  as danças, as pinturas e tatuagens nos corpos, a musica, as paisagens rurais e urbanas muitas vezes se confundiam, mas na verdade o avó Melício mostrou-me o que era as culturas europeias e mundiais, ainda hoje quando vou ao Teatro São Carlos aqui em Lisboa, assistir a uma ópera, lembro-me que a primeira vez que entrei naquele local tinha eu 7 anos, fiquei viciado em ópera e tudo que CHEIRA e RESPIRA-SE ARTE, vivo para a arte.

Que artistas influenciam em sua obra?
A arte africana é para mim a LUZ e por isso adoro PICASSO, conseguiu a rotura nos canons do classicismo, apesar que também ele teve a influência dos pintores Russos do princípio do séc. XX com o cubismo e a arte africana, Monet foi um mestre na sombra, Vieira da Silva com as suas estruturas arquitetônicas na tela foi genial, Almada Negreiros foi o expoente máximo do modernismo português, alias os artistas portugueses foram os grandes obreiros do abstracionismo mundial. Na escultura em pedra o Henri Moore e o João Cutileiro foram os meus imperadores, no ferro Picasso e no híper realismo Ralph Goings, Chuck Close, Don Eddy, Robert Bechtle e Richard McLean, George Segal mas incluiu artistas europeus como Gnoli, Gerhard Richter, Klapheck e Delcol.

Como você descreve seu trabalho?
O meu trabalho atual é a tentativa de chegar á perfeição no híper realismo, tanto no desenho, como na escultura apesar de muitas vezes ter momentos de revolta comigo mesmo e querer voltar a tudo que não seja identificado num primeiro olhar, ou seja o abstracionismo que muito desenvolvi nos anos da minha juventude de estudante. tenho feito também restauro arquitetônico, na recuperação de tetos em palácios,  igrejas e arte sacra. O ensino também me fascina,  tenho sido professor de cerâmica, aguarela, desenho, escultura e design de vários níveis escolares, como também tenho fundado escolas em
Lisboa,  seguindo os ensinamento do grande pedagogo inglês A.S.Neill  no ensino livre da arte e do livre pensamento, na igualdade de aprender e direitos entre as varias classes sociais. Fui dinamizador cultural e assessor na Câmara Municipal de Lisboa durante 7 anos, assessor de dois Ministros da Cultura e sou guia em museus de Lisboa.

É possível viver de arte em Portugal?
Atualmente com a grande crise econômica e social europeia e particularmente em Portugal, onde as pessoas perderam praticamente todos os seus benefícios sociais, o serviço nacional de saúde, que foi o melhor do mundo, onde a saúde era gratuita, como o ensino, as habitações são confiscadas as dezenas pelos bancos e finanças , por falta de pagamentos, onde o desemprego atinge 20% da população ativa, os Municípios estão falidos tanto em Portugal como na maior parte dos países da UE, porque o meu trabalho de escultura é de exterior, ou seja jardins, as instituições públicas empregam o dinheiro disponível nas ajudas alimentares e tem logica. O ensino tem sido a saída para a crise, devo referir que vendi muita escultura para Municípios, que eram os meus principais clientes.

Qual sua opinião sobre o desenvolvimento da arte contemporânea em Portugal?
A arte contemporânea em 2014  é uma fraude! Olha-se mais aos lóbis que a qualidade.

Você percorreu diferentes países da Europa, que comentários você faz sobre a importância dessas experiências?
As experiencias multiculturais para todo o ser vivo é duma grande utilidade, para os artistas é " como pão para a boca ", ver o que um pintor ou um escultor  de um determinado país faz é um chamamento á imaginação e permite questionar muita matéria vista até então.

Quais são suas expectativas em relação ao Brasil?
O Brasil para mim como artista, devido á sua dimensão, e multiculturalidade a começar pela arte do seu povo de origem, que são os índios, são uma fonte de fruição e fertilidade, tal como o trabalho criativo de muitos artistas. Contesto assim as sementes cristãs deixadas pelos colonizadores Portugueses. Gostaria de desenvolver durante algum tempo, a minha atividade com o meio intelectual Brasileiro e artístico. Apesar de ter sido convidado pelo fundador dos ” Pontos de Cultura” no Brasil, para ir desenvolver um projecto de ensino artístico, mas na altura encontrava-me demasiado ocupado, isto aconteceu á cerca de 7 anos atras.

Quais são seus planos para o futuro?
Viver em Liberdade de raciocínio e criação! Eis as minhas expectativas de futuro e olhar da minha janela neste lindo por de sol para esta Lisboa antiga! ou em outro local que me encante e estimule e que se respeite o direito á vida intelectual e física.













































Monumento  da República 



Monumento da República  


Paimel Rainha de Santa Isabel.


Melício nasceu no Lobito Angola, (tendo conhecido o fundador e primeiro Presidente 
da República de Angola Dr. Agostinho Neto, amigo de seu pai) reside em Lisboa desde os 9 
anos de idade. Viveu e teve atelier no Bairro do Pigalle em Paris e tendo passado longos 
períodos de criação, estudo e convívio em Milão, Hanôver, Moscovo e Madrid trabalhou com 
o prestigiado escultor Cardenas restaurador do Brooklyn Museum em New York. Realizou 
mais de duas centenas de exposições nacionais e internacionais, tendo aí sido atribuído vários 
prémios.
A sua obra plástica reparte-se por várias modalidades. O modo que caracteriza a sua 
atuação nos diversos domínios tem como resultado trabalhos exaustivos cuja dedicação traduz 
o seu empenho e persistência. Quando jovem no tempo da ditadura governamental em 
Portugal, dedicou-se á pintura realista com murais pintados na via pública retratando a luta 
de classes e o colonialismo.
Do barro, gesso, desenho e da pintura transita para as artes do fogo, sem descurar a 
insistência em que as primeiras disciplinas o envolvem. Encara porém a cerâmica, 
designadamente a azulejaria moderna, com uma avidez que se torna obsessão. Essa constante 
caminha a par do design de iluminarias, automóveis e embalagens, restauro de estuques 
decorativos, frescos e do vitrinismo, na arquitetura. Na atualidade o HÍPER REALISMO 
(tamanho real da figura humana) é a sua criação praticamente em exclusivo destacando-se as 
esculturas em fundição a bronze e resina, tal como o desenho a pastel seco, carvão e grafit, 
dando-lhe assim o prestígio nacional e mundial a par dos grandes do HÍPER REALISMO.
Da textura da pedra, que esculpiu nos anos setenta e oitenta no seu atelier na 
encantadora e palaciana Vila de Sintra onde produziu dezenas de peças de escultura e 
iluminarias de interiores fazendo uso de maquinaria industrial e manual.
Fez parte da equipa técnica do projeto paisagístico do “ Corredor Verde do Parque 
Monsanto “ em Lisboa, coordenada pelo Comendador Professor Doutor Arquiteto Gonçalo 
Ribeiro Teles, assessor no Ministério da Cultura e da Coordenação Científica quando o 
Ministro era o Professor Doutor Francisco Lucas Pires e assessor quando o Ministro da 
Cultura era o Comendador Dr. Coimbra Martins, assessor no Município de Lisboa durante 8 
anos e Dinamizador Cultural e Guia, desde 1994 na Junta de Freguesia de S. João de Deus 
em Lisboa, assume igualmente funções de Docência no domínio da Escultura, Cerâmica e 
Desenho desde o ensino primário ao universitário, onde muitos dos seus alunos são hoje artistas. Convidado pela prestigiada e bicentenária instituição pedagógica Casa Pia de Lisboa, 
para Professor/ Artista na Escola Maria Pia, cuja vocação de ensino é as Artes.
Fundou em 1994 vários atelier/escola de ensino artístico para crianças e adultos, em 
vários locais da cidade com o apoio do Município de Lisboa, estando uma delas ainda em 
funcionamento na Freguesia de S. João de Deus, tendo como base a filosofia de ensino livre 
do pedagogo Inglês A. S. NEILL, fundador da Escola SUMMERHILL lendária como bastião 
da liberdade no ensino e respeito á criança.
Com muitas obras dispersas pelo espaço público de vilas e cidades em Portugal, 
Museus, Bancos e outras Instituições e Coleções Privadas, merecem contudo atenção as de 
maior visibilidade pública na cidade de Lisboa: como o friso em tela que encima a porta de 
entrada do carismático Café “ A Brasileira “ frequentado pela intelectualidade Lisboeta 
incluindo o Poeta Fernando Pessoa, situado no Bairro do Chiado, na Baixa Pombalina, as 
esculturas de bronze hiper-realistas “ A Família “ no Jardim Fernando Pessa da Assembleia 
Municipal e as “ Brincadeiras de Crianças “ que se encontram no Parque Monsanto e o 
Monumento de cerâmica suspenso em arcos metálicos dedicado à Vida e Obra da Rainha 
Santa Isabel e Rei D. Dinis, frente ao Edifício-Sede do principal Banco Português: Caixa 
Geral de Depósitos. Tem igualmente obras na Rússia, Espanha, Itália, Roménia, Alemanha, 
França, Líbia, Palestina, Brasil, México, Cuba, USA e Iraque. Foi selecionado pela 
administração do Metropolitano de Lisboa para a decoração de uma das suas estações 

subterrâneas.


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Maurizio Cattelan

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