terça-feira, 8 de julho de 2014

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Djenane Pamplona.




Quem é Djenane Pamplona?
Nasci no Rio de Janeiro às 17 horas do dia 12 de Agosto de 1946, filha de Militar e Professora Primária. Tive a infância muito influenciada pelos efeitos da Segunda Grande Guerra no meu pai. Morei até os dez anos em uma vila no Catete, onde havia uma professora de piano, Miriam, eu preferia sentar no batente frio da porta e ficar ouvindo o piano a brincar com as outras crianças, era um triste gostoso. Um dia ela me convidou para ter aulas, que foram interrompidas ao me mudar para o bairro do Leme. Quando minha vida de bailarina não deu certo encontrei a Engenharia, onde almejei colocar minha criatividade nas pesquisas. A arte me dava muito medo, medo da loucura. Fiz três Pós Graduações, duas no Brasil e uma nos Estados Unidos, mas o melhor foi um Pós-doutorado em Cambridge na Inglaterra, um local maravilhoso para se viver e trabalhar, cheio de música. Tive quatro companheiros, mas três desses relacionamentos acabaram, não sei se por coincidência, no Mestrado, no Doutorado e no Pós-doutorado. Com o quarto companheiro, depois de 20 anos de relacionamento, me casei. Tenho três filhos maravilhosos, um neto e duas netas, sendo uma postiça. Meus filhos são das grandes alegrias que a vida me deu.


Como a arte entrou em sua vida?
Venho de uma família relacionada com as artes plásticas, meu bisavô, José de Castro Paes Barreto era comerciante e pintor no Recife. Minha mãe, tias e primas pintavam. Meus primos Fernando Pamplona, por parte de pai, e Maria Augusta Rodrigues, por parte de mãe, foram professores da Escola de Belas Artes. Eu sempre desenhei e escrevi muito, sobre o cotidiano.


Qual foi sua formação artística?
Em 1980, voltei ao Rio e fui ser Professora da engenharia da PUC-Rio. A PUC naquele tempo era muito vibrante política e culturalmente. Uma tarde vi uma exposição no Solar Grandjean de Montigny com gravuras do Rembrandt (acho que foi Mendigo sentado e seu cachorro de 1629) e decidi que era aquilo que eu queria fazer. Por coincidência, ou não, encontrei em seguida um cartaz divulgando o Atelier Livre de Gravura da PUC, onde os Professores eram Carlos Martins e Gianguido Bonfanti. Meus colegas eram todos artistas, hoje professores do Parque Lage, tive a sorte de ser acolhida por eles. Apesar da minha não formação em Artes, nunca me senti penetra.
Desde então a Arte passou a ser uma necessidade para mim, sem a qual não tenho equilíbrio, é um contraponto à Engenharia, apesar do processo criativo nas duas ser muito parecido, levando ao mesmo tipo de angustia. A diferença é que uma ocupa o pensamento, o raciocínio, enquanto na outra o pensamento voa.
Fiz diversos cursos de pintura, inclusive na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e de fotografia com a Denise Cathilina. Também frequentei um workshop com Nelson Leirner que foi fundamental na minha vida.


Que artistas influenciam em sua obra?
Van Gogh pelo uso das cores e texturas e pela carne viva de seus trabalhos e vida, que eu nunca teria coragem de ter e a Georgia O’Keefe com sua leveza e transparências. Gosto muito dos gravadores, Iberê com o grão e a maneira negra, Goeldi com seus detalhes em outra cor, Rubem Grillo, Samico, Arthur Piza, Darel e Grassmann e obviamente o Carlos Martins a quem agradeço pelo rigor que me ensinou a ter na gravura. Flor Garduño é a fotógrafa que eu gostaria de ser. Admiro muito quem não posso ser, existe uma soltura, uma dança em alguns artistas, que não é minha e que valorizo muito.


Como você descreve seu trabalho?
Meu trabalho, seja em poesia, pintura, fotografia e gravura, fala sobre sentimentos, o feminino e o cotidiano. A gravura do Piazzolla nasceu de um desenho que fiz no auditório da TV Globo enquanto ele tocava seu bandoneon no programa Chico e Caetano. Gosto de fotografar Still Life em Macro e pinhole, digital ou não, faço minha lentes. Detesto a tradução Natureza Morta, deveria ser Natureza Calma ou Quieta. Na gravura em cobre uso muito água forte e água tinta com diversos grãos, trabalho também com maneira negra que apesar de muito trabalhosa tem um quê de escultura bidimensional e permite além de uma linda luz e diversos tons de cinza. A fotogravura permite unir a foto com a gravura, mas não é minha preferida. Às vezes me sinto muito fragmentada, como um Braque. Busco uma unidade e desejo fundir o texto no trabalho, mas acho difícil.


É possível viver de arte no Brasil?
Imagino que sim, pois existem artistas brasileiros que vendem seus quadros e trabalhos por uma fortuna. É fácil viver de Arte no Brasil? Acho que não. Muitos artistas dão aulas, mas o mesmo ocorre no Exterior.


Há comentários sobre a durabilidade da obra em papel em nosso meio devido ao clima, você concorda?
Sei que algumas galerias não trabalham com papel. Eu li um comentário do Goeldi sobre o envelhecimento do papel, dizendo que não dava importância. Em alguns casos, como no caso dos tapetes, o papel envelhece graciosamente carregando sua história.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Acho uma necessidade. Um local onde é possível ter o trabalho reconhecido, conhecer novos talentos, sou a favor de premiação. Não gosto da ideia de existir temas para os salões ou para uma exposição. Acho que arte direcionada é um jogo ou é para quem não tem imaginação, para mim é um processo de inibe a criatividade e a liberdade.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não sei.


A mulher e o homem estão em igualdade no mercado de arte?
Eu acho que a mulher nunca está em igualdade com o homem, pelo menos até a minha geração, não importa em que profissão. Suzanne Valadon, nunca foi reconhecida como deveria ou como os pintores para os quais foi modelo. Marie Currie tinha três cadernos, para os filhos, finanças e química. Creio que não teria ganhado o Prêmio Nobel se não fosse casada com Pierre.


De que maneira a sua sólida formação acadêmica na PUC-Rio se relaciona com sua carreira artística?
Sou professora de Engenharia e minha pesquisa é em Biomecânica, unindo a Engenharia à Medicina. É um desafio grande, em que frequentemente tenho de aprender novas linguagens, mas muito gratificante já que tem como objetivo facilitar a vida ou diminuir o sofrimento de pacientes. Não poderia passar minha vida construindo pontes ou prédios, uso o que sei para calcular válvulas cardíacas, estudar aneurismas e criar aparatos e aplicativos que auxiliem cirurgiões. Para uma artista trabalhar num ambiente acadêmico masculino é muito sofrido, se não fosse a gratificação da pesquisa em si e o reconhecimento, seja pelos órgãos de fomento, seja no exterior, seria impossível tocar o barco.


Quais são seus planos para o futuro?
Aos poucos vou me afastando da Engenharia, concluindo meus projetos, escrevendo meus artigos e me aconchegando com a Arte. Na juventude a Engenharia me salvou da insanidade, hoje a Arte me salva da Engenharia. Desde 2012 estou semi-aposentada, me dedicando mais a gravura e fotografia, mas ainda dando aulas de Engenharia na Pós-graduação.






  Sapatos que vi na loja Sacks de NY - Água forte e água tinta (2012)

  Piazzolla tocando no programa Chico e Caetano da TV Globo- Agua forte e agua tinta (2004)


  Jovem jantando em uma Creperia em Rouen-França - Agua forte e agua tinta (2008)




Homenagem a Iberê Camargo - Maneira negra (2008)

Luar dentro da casca de um caracol em (SPS) São Pedro da Serra NF – Fotogravura (2011)





   Foto com Macro –Copo de Leite (SPS) (2001)


      Foto com Macro - Orquídea (SPS) (2011)



    Foto com Macro - Rosa (SPS) (2012)



   Foto pinhole digital - Copo de Leite (SPS) (2013)


  Foto pinhole digital - Orquídea (SPS) (2013)

Desejo – Água forte, água tinta e papier collè (2005)




Devaneio – Fotogravura (2011)


Imagens em pinhole  todas de 2013

Copo de leite. Pinhole (2013)


Bromélia. Pinhole (2013)



Frutas. Pinhole (2013)


  Flores do campo. Pinhole (2013)




A artista em seu atelier.







CURRÍCULO


NOME COMPLETO: Djenane Cordeiro Pamplona
NOME ARTÍSTICO: D jenane
NASCIMENTO: 12 de Agosto de 1946
PROFISSÃO: Professora Universitária
LOCAL DE NASCIMENTO: Rio de Janeiro
ENDEREÇO: Av. Ataulfo de Paiva 80/707
Leblon R J - 22440-033
Telefone: (021) 25111647/81119678
http://www.djenane.com



FORMAÇÃO ARTÍSTICA:

                                                 

·      Trabalhou no Ateliê Livre de Gravura da PUC-Rio sob a orientação do gravador Carlos Martins, 1982-1984.

·      Curso de Gravura, University East Anglia, Cambridge, Inglaterra, 1989.

·      Trabalhou no Ateliê Livre da artista plástica Cristina Mathias, 1992-1993, 1995-2001.

·      Freqüentou o workshop do artista plástico Nelson Leirner, 2001.

·      Curso de Fotografia – Denise Cathilina Escola de Artes Visuais, 2002, 2010, 2011.

·      Freqüenta o Atelier “Circé”, Paris, 2005, 2010, 2012, 2013, 2014.

·      Trabalha no Atelier de Gravura “Angela Rolin” – Projeto Impresso, 2004-.

·      Trabalha no Atelier de Gravura e Fotografia “D jenane”, Leblon, Rio de Janeiro e São Pedro da Serra, Nova Friburgo desde 2001.

·       

PRODUÇÃO:


·    Exposição: Gravura. “Mini Print Paraná” Paraná – Argentina, Julho 2014

·    Exposição: Gravura. “Mini Print Cadaqués” Cadaqués – Spain, Junho 2014

·    Exposição Bienal de Gravuras: “Encre et Papier”, Paris, Março, 2014.

·    Exposição: Gravura. “Regresso ao imaginário” Rio de Janeiro, Novembro, 2013.

·    Exposição: Fotografia em grandes formatos – Galeria Colorida Lisboa, Portugal, Setembro, 2013.

·    Exposição: Gravura, “Regress to the imaginary” –Dante Alighieri Gallery - Miami, EU, 2013.

·    Exposição: Gravura, “Um Duplo” – ABL: Academia Brasileira de Letras– Galeria Manuel Bandeira - Rio de Janeiro, Novembro, 2012.

·    Exposição Bienal de Gravuras: “Encre et Papier”, Paris, Março, 2012.

·    Exposição: Gravura, “Devaneios” – Rio de Janeiro, Novembro, 2011.

·    Exposição: Fotografia, “Gelatina”, Espaço Apis, Rio de Janeiro, Maio, 2011.

·    Exposição: Gravura, “Pequenos Formatos” – Galeria Imaculada, Rio de Janeiro, Abril, 2011.

·    Exposição: “A Cara do Rio”, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, Fevereiro, 2011.

·    Exposição: Gravura, “Gravando Noel” – Galeria Imaculada, Rio de Janeiro, Dezembro, 2010.

·      Exposição: Gravura, “..quando por mim você passa” –Noel Rosa, Museu da República, Rio de Janeiro, Novembro, 2010.

·    Exposição: “Encre et Papier”, Paris, Março, 2010.

·    Exposição: “A Cara do Rio”, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, Março, 2010.

·    Exposição Individual: Gravura, “Então voe!” - Galeria Colorida Lisboa, Portugal, Agosto, 2009.

·    Exposição: “A Cara do Rio”, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, Março, 2009.

·      Exposição: Gravura, “Estampas d’Alma” –Machado de Assis, Galeria Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, Outubro, 2008.

·      Exposição: Gravura, “Dar permanência ao transitório” –Iberê Camargo, Galeria Candido Mendes - Ipanema, Rio de Janeiro, Julho, 2008.

·    Exposição: Gravura, “Poemas Mínimos”, Rio de Janeiro, Novembro, 2007.

·    Exposição: Fotografia, “Foto Rio”, UniversidArte, Rio de Janeiro, Maio, 2006.

·    Exposição: “A Cara do Rio”, Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, Março, 2006.

·    Exposição: Gravura, “Gravura Carioca”, Galeria Belmont, Rio de Janeiro, Novembro, 2005.

·    Exposição: “Encre et Papier”, Prize Nielsen Bainbridge, Paris, Novembro, 2005.

·      Exposição: Gravuras, “Projeto Impresso - Desejo”, Centro Cultural Arte Clara Cultural, Rio de Janeiro, Outubro, 2005.

·    Exposição: Gravuras, Aliança Francesa – Ipanema, Rio de Janeiro, Agosto, 2005.

·    Exposição “Graphias da Gravura”, São Paulo, Junho, 2005.

·    Exposição: Fotografia, “Foto Rio”, UniversidArte, Rio de Janeiro, Maio, 2005.

·    Exposição: “A Cara do Rio”, Centro Cultural dos Correios”, Rio de Janeiro, Fevereiro, 2005.

·    Exposição: Fotografia, “O Eterno Feminino”, Galeria Tarsila Amaral, Rio de Janeiro, 2004.

·      Exposição: Gravura, “Projeto Impresso”, Centro Cultural Arte Clara Cultural, Rio de Janeiro, Maio, 2004.

·      Exposição: Gravura, “Projeto Impresso - Convenções”, Centro Cultural Arte Clara Cultural, Rio de Janeiro, Dezembro, 2004.

·    Exposição: Pintura, Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2003.

·    Exposição: Fotografia, UniversidArte, Rio de Janeiro, 2003.

·      Exposição: Pintura, “A lírica de Safo”, Galeria do Centro Cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2002.

· Exposição Monotipias, Saguão da Biblioteca Central da PUC-Rio, 1993.

·    Exposição: Monotipias, Solar Granjean de Montigny, Rio de Janeiro, 1984.

·    Exposição: Gravura, Solar Granjean de Montigny, Rio de Janeiro, 1983.

·    Exposição: Gravura, Solar Granjean de Montigny, Rio de Janeiro, 1982.

3 comentários:

Teresa Pamplona disse...

Que emoção ver minha irmã..que para mim sempre foi um ídolo..Foi uma viagem linda pela vida e pela suas obras que sou apaixonada..Sucesso sempre..com todo carinho

Thiago PSP disse...

Parabéns!

Floriano disse...

Trabalhos maravilhosos e com muita sensibilidade. Parabéns!!!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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