segunda-feira, 23 de junho de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Rodrigo Mogiz.





Quem é Rodrigo Mogiz? 

Nasci em Belo Horizonte em 3 de Dezembro de 1978. E vivo aqui na capital mineira até hoje, nunca morei em outro lugar. Dizem que, nós mineiros, nos acostumamos ou nos acomodamos com a proteção das montanhas. Sou filho único de uma família simples (mãe dona de casa e pai impressor gráfico) que com esforço me possibilitou seguir meus estudos, mesmo que eles tenham sido em artes.

 

Como a arte entrou em sua vida?

Sempre gostei de coisas artísticas: música, filmes, teatro e gostava de desenhar. Na adolescência é que vieram as aspirações de trabalhar com artes, talvez por ter sido nessa época que desenvolvi mais esse potencial nas aulas de arte que passei a ter na escola onde estudei entre os 11 e 14 anos. Mas ainda não sabia o que exatamente, mesmo tendendo fortemente pra artes-plásticas, teatro também me interessava. A partir daí passei a buscar mais informações em artes em muitos segmentos. Mais tarde, antes de entrar pra faculdade fiz curso de teatro, mas no final das contas as artes visuais foi o que prevaleceu até o momento.

 

Qual foi sua formação artística?

Estudei na Escola de Belas Artes da UFMG entre 1997 e 2003 com habilitações em Pintura e Desenho.

 

Que artistas influenciam em sua obra?

Muitos me influenciam de alguma forma. Posso começar chovendo no molhado, pois como faço bordados sempre se falará de Leonilson e Bispo do Rosário, pois desde que comecei são referências fortes no Brasil. Mas pesquiso e me influencio por muitos outros artistas que também bordam e que vieram depois destes dois. Mas fora o bordado sempre adorei a pintura de Vang Gogh, Francis Bacon e David Hockney. Figuração humana muito me interessa, então Klimt, Egon Schiele e Lucian Freud também. A fotografia de arte ligada a moda, ao universo das celebridades e com efeitos pictóricos de David Lachapelle e dos franceses Pierre e Gilles. E como artista mineiro, acho que o barroco de forma geral acaba me influenciando, mesmo que eu seja da capital, mas a arte religiosa sempre me atraiu.

 

Como você descreve seu trabalho?
 
 Eu acho que meu trabalho no final das contas é uma colagem de referências, do que estou sentindo ou do que quero tratar em determinado momento. Seja bordado, desenho ou pintura, sempre são apropriações de imagens que recontextualizo em narrativas poéticas. Representações da figura humana, do corpo, para tratar das afetividades mais diversas. Anseios que começaram pelo íntimo e pessoal, mas que extrapolaram a partir do momento em que começo a atingir as angústias de terceiros. Daí o trabalho não é mais só meu. E ele só tem a ganhar com essas novas leituras. Então eu sempre brinco que o que gosto de fazer é contar histórias ou escrever poemas por meio de imagens.

 

O material nacional para arte já é de qualidade suficiente?

Engraçado essa pergunta pra mim, pois nos últimos anos comprei muito poucos materiais tradicionais de arte. Fazendo mais bordados quase sempre, freqüento mais lojas de aviamentos do que lojas de tintas e lápis. Mas como pinto e desenho também algumas vezes, acho que sim. Que temos material de qualidade. Tudo vai depender do que se executa em arte também. Há aqueles trabalhos que precisam das melhores tintas pra se alcançar o efeito necessário. Outros não, pois a precariedade pode ser uma linguagem. Coisas das muitas facetas da arte produzida hoje. Nunca tive oportunidade de comprar materiais importados, então não sei opinar tanto sobre este assunto. Mas posso dizer que os materiais que tenho usado tem atendido as demandas do meu trabalho.

 

É possível viver de arte no Brasil?

Pode ser que seja possível, mas não pra todos. Isso vai depender do trabalho, das oportunidades, dos contatos, de muitos fatores. Então acredito que a maioria de nós, artistas, executam outras atividades também ligadas a arte ou não. Somente produzindo, expondo, vendendo em galerias é complexo. É muito artista para um mercado e para políticas culturais ainda não tão fortalecidas. Eu mesmo já trabalhei em projetos sociais, dou oficinas e atualmente tenho um trabalho mais burocrático como supervisor de cursos técnicos na área de produção cultural e design. E acho bom também trabalhar de outras formas. E a questão comercial é oscilante, há épocas que meu trabalho vende bem, outras nem tanto. Por isso é importante ter algum outro trabalho.

 

Para alguns, o desenho é menos valorizado por ter durabilidade menor no nosso clima. Qual a sua opinião sobre isso?

Nunca parei muito pra pensar sobre isso. Acho meio chato pra falar a verdade ter que se limitar a produzir algo levando em consideração a durabilidade da obra. A valorização deveria ser pela qualidade técnica e conceitual do trabalho. Será que é melhor comprar uma pintura ruim, do que um ótimo desenho? Não acho também que deveria valer menos. Eu honestamente faço sem grandes preocupações com essa durabilidade. Conservadores e Restauradores existem pra isso e deveriam ter existir ainda mais e serem bem valorizados também.

 

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?

Acho que são válidos e devem continuar existindo. Eles tem sobrevivido em cidades longe das capitais nos útlimos tempos.  Locais que nem sempre tem uma constância de eventos em artes visuais. O que é muito bom, pois é uma ótima oportunidade de se conhecer novos artistas, de circulação e interação entre artistas de locais tão diversos. Talvez eles tenham que agregar mecanismos que os torne mais atrativos pros artistas, no que diz respeito a divulgação e valorização do trabalho. Alguns já até fazem algumas coisas nesse sentido, com prêmios que se configuram em bolsas, residências, exposições individuais posteriores ao salão... Acho que pode se pensar em muita coisa nesse sentido pra que eles vão mudando e acontecendo de acordo com os meios mais atuais de pensar e consumir arte.
 

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?

Primeiramente que uma galeria se interesse pelo que você faz.  Isso depende de alguns fatores, da qualidade do trabalho em si ou do que tipo de artista que essa galeria quer trabalhar, do público que consome arte, se são colecionadores, arquitetos, decoradores... O reconhecimento do trabalho do artista por meio de prêmios, com o aval de curadores,  participações em mostras importantes, também ajuda para as galerias que trabalham mais com colecionadores e que vêem a aquisição de determinadas obras como investimento, além de um gosto pessoal e afinidade com as obras.

 

 Que comentários você faria sobre a arte contemporânea em Belo Horizonte?

É bastante rica com ótimos artistas e muito diversos no que fazem. Temos a pintura bem forte com uma figuração densa e artistas que tem encontrado na performance sua forma de protestar e poetizar. Mas, temos uma mistura grande das linguagens. É o que mais tenho acompanhado. Acredito que o cenário tem se ampliado com a abertura de muitos equipamentos culturais, museus e centros culturais. Ainda não é de tudo ideal, mas tem possibilitado a inserção maior dos artistas. Lugares alternativos de exposição tem aparecido por iniciativas de artistas para comercialização ou simples experimentação. Isso tem democratizado mais a arte que é produzida aqui. Estamos num crescente, espero.

 

Quais são seus planos para o futuro?

Ah, sempre temos projetos a concretizar. Tenho muitas idéias a por em prática, trabalhos que tenho que dar andamento. Muitos desdobramentos com o bordado. Descobrir onde quero chegar com isso, mas também voltar a trabalhos de pintura. Alguns em desenho ultimamente vem rondando minha cabeça. Enfim, os planos se concentram em continuar a produzir. Mas também ampliar minhas possibilidades de exposição, ir para um ateliê maior e/ou transformar o lugar também num espaço de exposição, expor mais fora de Belo Horizonte, viajar, conhecer artistas, fazer mais amigos, bordar, desenhar, pintar, viver amores, me apaixonar.


Borde Comigo 1 Performance realizada em Fevereiro de 2014 para o Sesc Venda Nova em Belo Horizonte


 Borde Comigo 2 Performance realizada em Fevereiro de 2014 para o Sesc Venda Nova em Belo Horizonte



A porta estava aberta - Bordados, tinta e aplicações sobre tecido - 40 x 70 cm - 2013


O garoto ouve rádio e pássaros - Bordados, tinta e aplicações sobre tecido - 40 x 70 cm - 2013


O rei que borda - Bordados, tinta e aplicações sobre tecido - 40 x 70 cm - 2013



A sua pele - Bordados sobre tecido - 50 x 90 cm - 2014



O meu jardim - Bordados sobre tecido - 50 x 90 cm - 2014



O teu perfume - Bordados sobre tecido - 50 x 90 cm - 2014



Dois vasos - Acrílica sobre impressão em papel - 40 x 57 cm - 2012



Dia de descanso - Acrílica sobre impressão em papel - 40 x 57 cm - 2012



Natureza morta com rosas - Acrílica sobre impressão em papel - 40 x 57 cm - 2012

 
 
 


Rodrigo Mogiz
(Rodrigo Leite de Oliveira) – Belo Horizonte/MG. 03/12/1978
Tel: (31) 92054203 – rmogiz@gmail.com
www.flickr.com/photos/rodrigo-mogiz/
 
Formação
Bacharel em Pintura e Desenho – Escola de Belas-Artes da UFMG.
 
Exposições individuais
2011 – Com quem você tem Bordado? - Galeria de Arte Ibeu – Rio de Janeiro/RJ
 
2010 - Caos (in) apropriado - Galeria de Arte Cemig – Belo Horizonte/MG
 
2007 - Labirinto Fabuloso - Belizário Galeria de Arte - Belo Horizonte/MG
 
2005 - Páginas Bordadas - Galeria de Arte Copasa – Belo Horizonte/MG
           
            Bordado Diverso - Museu Chácara Dona Catarina – Cataguases/MG
 
2002 - Preces Pintadas - Centro Cultural da UFMG – Belo Horizonte/MG
 
Exposições Coletivas
2014 – FARTURA – Galpão Paraíso – Belo Horizonte/MG
           
            O Jardim de Adelicia – Sesc Palladium – Galeria de Arte GTO – Belo
            Horizonte/MG 
          
2013 –  XIII  Salão Nacional de Artes de Itajaí – Fundação Cultural de Itajaí – Santa
            Catarina
 
             I Prêmio Moldura Minuto BH de Arte Contemporânea – Boulevard Shopping –
             Belo Horizonte/MG
 
             I Prêmio Camelo de Artes Visuais – Casa Camelo – Belo Horizonte/MG
 
            Diversos – Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Salão Diamantina –   
            Centro de Artes e Convenções da UFOP - Ouro Preto – MG
 
             Ao Avesso – Verão Arte Contemporânea - Espaço Mari’Stella Tristão – Palácio
             das Artes – Belo Horizonte/MG   
                    
2012 – Sobre Pintura Alheia  -  Galeria de Arte Copasa – Belo Horizonte/MG
 
Na dimensão da Sutileza – Galeria Wega Nery – Campo Grande – MS.
 
            My Paper Sunglasses – 3ª edição - Marte Centro Cultural – Montevidéu –         
            Uruguai e HomeGrown – Rio de Janeiro/RJ
 

2011 - 17º Salão Anapolino de Arte - Galeria Antonio Sibasolly - Anápolis – GO

          

            Queira.me NA PAREDE 001 - Restaurante 2011 - Belo Horizonte – MG

 

            My Paper Sunglasses – 2ªedição - Cartel 011 – São Paulo – SP

 

            ENTRE 8 - Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza - CE

 
2010 – 10ª Bienal do Recôncavo -  Centro Cultural Dannemann - São Félix - Bahia
 
            O Sentido das Coisas - Galeria do Festival de Inverno de Bonito - MS
 
            Encontros e Mestiçagens Culturais – Breve Panorama da Pintura   
            Contemporânea em Minas Gerais – Salão Diamantina – Centro de Artes e 
            Convenções da UFOP – Ouro Preto/MG        
           
            ENTRE 6 - Galeria Archidy Picado – FUNESC – João Pessoa/PB
            Museu Murillo La Grega – Recife/PE
           
           Salão dos Artistas Sem Galeria - Casa da Xiclet e Matilha Cultural - São Paulo
           Patrícia Costa Galeria – Rio de Janeiro – RJ
 
2009 – Por Dois Infinitos – Rodrigo Mogiz e João Maciel -  Belizário Galeria de Arte –  
            Belo Horizonte/MG           
           
            Wallpaper – Desenhos do início do século - Galeria 3+1 Arte Contemporânea –
            Lisboa - Portugal
           
            28º Arte Pará, MEP / Museu Histórico do Estado do Pará, Belém, PA.
 
2008 – Terceiro Espaço  - Galeria Emma Thomas - São Paulo/SP
 
2006 - Casa dos Espelhos – Coletiva dos Premiados do Projeto Arte no Banheiro/
            Comida de Buteco -  Celma Albuquerque Galeria de Arte - Belo Horizonte/MG
 
2005 - “Mas isto também é?” - Galeria Léo Bahia Arte Contemporânea –
            Belo Horizonte/MG
 
2004 - 1º Salão Cataguazes-Usiminas de Artes Visuais
            Cataguazes e Ipatinga/MG, Nova Friburgo/RJ, Aracajú/SE, João Pessoa/PB.
 
2003 - Exposição do Ateliê de Desenho da Escola de Belas-Artes da UFMG –
           Pace Arte Galeria – Belo Horizonte/MG
                             
           Rodrigo Mogiz e Erik Fontes - Galeria BDMG Cultural – Belo Horizonte/MG
 
Performances e Sites Specifics
2014 – Borde Comigo – Performance e Instalação realizada no Sesc Venda Nova –   Belo Horizonte/MG
 
2009 – Sites specifics para os banheiros de 5 bares no projeto Arte no Banheiro do evento Comida de Buteco
 
2006 – Site specific para banheiro de bar no projeto Arte no Banheiro do evento Comida de Buteco.
 

 

 

 

Outras experiências profissionais

Supervisor de curso no Eixo Produção Cultural e Design pelo Pronatec/Coltec UFMG – desde outubro de 2013

 

Professor na oficina Bordando Vivências – O Bordado na Arte Contemporânea realizada na Maison Escola de Arte (abril a junho de 2013) e no Festival de Inverno de Ouro Preto (julho de 2013)

 

Professor na oficina Meu Retrato, Meu Bordado, Meu Avesso no Festival Plug Minas – Plug Minas - 2013

 
Cenógrafia, figurinos e trabalhos em bordados para material gráfico do espetáculo « POR LA MONDO – As voltas que o mundo dá »  da cantora Liliane Alves - Sesc Palladium - Belo Horizonte/MG -  2012
 
Coordenação artística e professor na ONG Projeto Fred – Uma Alternativa à Reintegração
2007/2008/2011/2012
 
Curador das exposições “Fragmentos de Vida, Histórias de Arte”,  « Jardim de Memórias » e « Descobertas » da ONG Projeto Fred – Galeria Mari’Stella Tristão – Palácio das Artes – Belo Horizonte/MG – 2007, 2008 e 2012
 
Curador da exposição « A Casa é Sua » da ONG Projeto Fred – Museu de Artes e Ofícios, Palácio das Artes e Memorial Minas Gerais – Belo Horizonte /MG – 2011 e 2012
 
Oficina e conferência no evento Bordado – Arte ou Prática Cultural do projeto Verviver Ipatinga, do IV Prêmio de Artes Visuais da Usiminas e do projeto Artesanato Contemporâneo – Ipatinga/MG - 2010
 
Bordados feitos para material gráfico do CD “Cânticos” de Thelmo Lins e Wagner Cosse - Poemas de Cecília Meireles musicados por Fátima Guedes – 2006
 
Oficina de Ilustração para crianças – Colégio Neusa Rocha – Belo Horizonte/MG – 2005
 
 
Premiações
  • I Salão Cataguases-Usiminas de Artes Visuais - 2004
  • 2º lugar no Projeto Arte no Banheiro/Comida di Buteco – 2006
  • Selecionado para o Prêmio CNI-SESI Marcantonio Vilaça para Artes-Plásticas 2009/2010


















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Maurizio Cattelan

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