quarta-feira, 4 de junho de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Paulo Branquinho




 Quem é Paulo Branquinho? 
 Sou carioquíssimo, onde apesar do meu jeito tranquilo, estreei na vida em um sábado de carnaval, em fevereiro de 1966.  Sou filho de dois artistas, a pintora Maria Teresa Vieira (1932 a 1998) e o escultor português José Cesar Branquinho.

- Como a Arte entrou em sua vida?
Segundo a minha mãe, nasci dentro de um balde de tinta e dentro dele aprendi a nadar. Teresa era alagoana e mudou-se para o Rio de Janeiro, sozinha, aos 18 anos de idade. Estudou na Escola de Belas Artes e seguiu carreira artística, vindo depois a abrir uma escola onde iniciou diversos artistas, muitos hoje conhecidos. Na minha adolescência fiz diversos cursos, como pintura, escultura, cerâmica, serigrafia, etc.
 Não me tornei artista, pensava em ser veterinário, mas quando em 1986, minha mãe ganhou um velho sobrado incendiado da Prefeitura, na Rua da Carioca, para sediar sua nova escola (Oficina de Arte Maria Teresa Vieira), decidi cursar Marketing Cultural na Cândido Mendes. Assim pude aprender e contribuir com a construção e manutenção do espaço. Meter a mão na massa acabou sendo a minha grande escola!
 Comecei produzindo exposições no espaço da Carioca, levando também as mostras para restaurantes e halls de teatro. Minha primeira grande produção foi a mostra do escultor dinamarquês Jesper Neergaard no MAM-RJ (1997). Seguindo itinerância para museus e centros culturais de Brasília, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba e São Paulo.  A partir do sucesso com o dinamarquês, os artistas brasileiros de grande porte passaram a prestar atenção em meu trabalho. Organizei exposições de Gianguido Bonfanti, Katie Van Schrepenberg, Mônica Barki, Luíz Aquila, entre outros. Fiz nova itinerância com o Jesper (2001) e no mesmo período, com o escultor português João Castro Silva, que trouxe ao Brasil.
 No passado já tive experiências com esculturas monumentais, entre 1998 e 2000 organizei mostras anuais no RB1, em plena Avenida. Rio Branco, no centro, com a participação de artistas do Rio de Janeiro e outros estados.
 Ao me mudar para a Lapa, em 2010, passeava diariamente com o Salvador Dali (meu amigo basset) na Praça Paris. Acho aquele espaço lindo e sonhava em realizar ali a “Mostra Rio de Esculturas Monumentais”. A exposição virou realidade, após um persistente trabalho, e estará aberta ao público até 20 de julho, com a participação de 17 escultores do Rio de Janeiro e outros Estados.

- Que artistas influenciam seu pensamento?
Gosto de muitos artistas, brasileiros e estrangeiros. Trabalho com pintores, escultores, gravadores, fotógrafos e multimídias. É difícil citar algum, pois busco a diversidade.  O meu barato é trazer artistas de fora do Rio para cá e levar os daqui para outras cidades, saindo da mesmice.

- Como você se tornou um curador?
Depois de organizar inúmeras exposições, convidado por artistas, passei a convidá-los. Planejando e organizando assim mostras coletivas e individuais em diversos museus e centros culturais pelo Brasil.

- É possível viver de Arte no Brasil? 
Sim.  Uma das frases que cresci ouvindo de minha mãe era “Se não tem trabalho inventa!”.  Eu invento.  Acho que este conselho vale inclusive para artistas, ou seja invente, saia da mesmice, seja ousado.

- De que maneira você percebe o financiamento oficial para a arte no Brasil?
Não é fácil captar recursos financeiros para eventos, temos ótimos projetos no mercado, então repito: “Seja ousado, seja inventivo e principalmente, acredite e seja persistente”.

- Há algum conflito quando um curador é pago para escrever sobre a obra de um artista?
Se o curador se identifica com a obra, não vejo nenhum problema. O artista tem o trabalho de fazer sua arte e o curador, entre outras coisas, de escrever sobre ela, isso quando o mesmo tem o dom da palavra.

- Qual seria a formação ideal de um curador?
 A educação e os estudos abrem a cabeça para o planejamento de uma boa curadoria, mas o senso estético e a sensibilidade também são de grande importância.

- Você organizou a “Mostra Rio de Esculturas Monumentais”, você poderia falar sobre ela?
 Como falei anteriormente a “Mostra Rio de Esculturas Monumentais”, na Praça Paris, foi um sonho realizado.  Outro dia, conheci uma senhora que me perguntou qual era o meu trabalho e eu respondi “Realizar sonhos”. Os meus e os de alguns artistas, organizando exposições e editando livros.
 Em meu caminho conheci muitos artistas, entre eles escultores, dai fui formando o time para a mostra. A maioria nunca havia feito uma obra em grande escala, então fiz o convite junto ao desafio. Deu-me um grande prazer colocar esses 17 artistas para pegar literalmente no pesado, pois as esculturas variam dos 300kg a 4 toneladas  

- Quais são seus planos futuros?
São muitos.  A “Mostra RIO de Esculturas Monumentais” em 2015 irá extravasar os limites da Praça Paris, sendo realizada também em outras praças em comemoração aos 450 anos do Rio. Darei continuidade também a itinerancia da exposição retrospectiva do Luiz Aquila, e do artista cearense Zé Tarcísio, além dos livros de Manfredo de Souzanetto, Katie van Scherpenberg e de minha mãe Maria Teresa Vieira, entre outros.Muitos trabalhos e muitas alegrias.


 

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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