segunda-feira, 30 de junho de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Marcelo Armani




Quem é Marcelo Armani? 

Nasci em outubro de 1978 em Carlos Barbosa, interior do Rio Grande do Sul. Ainda na minha infância vivi em Caxias do Sul e posteriormente Encantado, cidade onde passava meus dias na escola rural e acompanhava meus pais na roça em tarefas de plantio, colheita e cuidado com os animais. Quando tinha sete anos nos mudamos para Canoas região metropolitana de Porto Alegre. Nessa cidade cresci jogando futebol em terrenos baldios, praticando skate após asfaltarem a maioria das ruas e comecei a tocar bateria. Sou artista sonoro e músico improvisador eletroacústico.


Como a arte entrou em sua vida?

Sinais e práticas artísticas sempre me cercaram de alguma maneira, mesmo que por métodos mais empíricos ou discretos. Percebo a “arte” no cotidiano, no contato que tenho com cruzamentos e afazeres diários. Por isso vejo essas situações ocorrendo em lugares distantes daqueles onde supostamente há e se faz “arte”.

Meus primeiros contatos foram com questões sonoras. Meu avô tocava sanfona e bateria e minha infância foi muito marcada por isso. Ele sempre tocava quando estava conosco. Algum tempo depois nos mudamos para Caxias do Sul, pois meu pai conseguiu um emprego em uma metalúrgica. Minha mãe trabalhava como costureira em casa e as notas da máquina de costura se misturavam aos sons de cantores e cantoras vindos do vinil. Ainda nos anos 80 meus pais se mudaram para Encantado para trabalhar na roça. Tempos depois fomos para Canoas e as apreciações que fazia do universo visual e sonoro do meio rural ao subir no telhado dos galpões onde guardávamos os grãos ou admirar as tempestades que se aproximavam no campo, deram lugar a uma atmosfera urbana e intensa. Esses novos sons permearam minhas percepções. Havia outro ritmo nas escadas rolantes, nas avenidas e ruas, no abrir e fechar das portas do metrô e no movimento que esse fazia durante o seu deslocamento pelos trilhos.

Saímos do interior do Rio Grande do Sul em função da doença de minha mãe e pelo convite que meu tio materno fez aos meus pais para trabalharem na indústria metalúrgica dele. Meses depois fui matriculado em uma escola de doutrina religiosa diferente da escola rural que havia frequentado. Padres e orações substituíam as aulas de educação física uma vez por mês. Não era um aluno aplicado, bem na verdade, não gostava da escola e sempre encontrava uma forma de “ter” uma dor de barriga ou simplesmente “esquecer” o caminho entre a casa e o colégio. Por um tempo o transporte escolar me levava até a escola pela manhã e no início da tarde me deixava na empresa de meu tio com meus pais. Lembro que foi com o motorista dessa “Kombi Escolar” que descobri bandas nacionais e internacionais de rock e metal. Recordo quando ele instalou o sistema de som para ouvir fitas cassete durante os trajetos. Ele acabou assumindo o papel de irmão mais velho, dando dicas e contando histórias desses grupos. Por fim me presenteou com um vinil que tenho até hoje.

O meu segundo turno “musical e plástico” acontecia na indústria de meu tio. As máquinas me fascinavam. Sons e imagens. Fumaças e vapores. A transformação dos materiais. Processos manuais e mecânicos. Ferramentas. A organização do ambiente. Máquinas eram grandes instrumentos plásticos e sonoros que construíam continuamente uma composição cheia de plasticidades. Resquícios da matéria que se deslocavam pela arquitetura acústica do pavilhão. Creio que foram meus primeiros contatos com aspectos presentes na arte sonora e exemplificados na frase de Murray Schafer:

 “Não possuímos pálpebras nos ouvidos. Estamos condenados a escutar”.

Alguns conceitos e poéticas surgem da doença de minha mãe. Exames. Intervenções cirúrgicas. Patologias. Aderências. Cortes. Rituais. Toalhas e panos brancos. Estátuas em vários altares. Relações e discursos que nos atavam pela esperança concedida aos objetos. O invisível. Vi pessoas que dançavam, bebiam e fumavam ritmadas pelo toque de tambores. Alguns gritavam, articulando palavras desconhecidas. Banhos de ervas e sal grosso. Círculos de pólvora. Desenhos feitos por xis branco. Animais e velas. Abundância dos vermelhos. Passaram-se doze anos até que a última intervenção cirúrgica por uma equipe médica com mais de oito profissionais materializou a dita “esperança” em minha mãe e a mim gerou constantes questionamentos quanto à crença na palavra ou nos atos dos homens, aproximando-me cada vez mais de objetos inanimados.

Passada essa fase, meus pais começaram um empreendimento próprio. Uma pequena metalúrgica que para mim foi a possibilidade de ocupar o meu turno matinal não mais com os comportamentos e padrões da escola e sim apreendendo a trabalhar com máquinas e processos industriais. Aos 14 anos, ganhei uma bateria e comecei a tocar em grupos de música experimental, post-punk e post-rock. No início, ensaiávamos em um galpão nos fundos de casa que ficava no mesmo terreno da metalúrgica de meus pais e anos depois passamos a ensaiar em Esteio na casa de um dos integrantes.

Em 2007, meu interesse por sonoridades abstratas se intensificou. Mergulhei na captura e no tratamento de material sonoro através de softwares e equipamentos de registros. Captações que envolviam distintos processos de microfonação. Aprofundei minhas pesquisas através dos trabalhos de John Cage, Marcel Duchamp, Steve Reich, Pierre Schaeffer e Delia Derbyshire, explorando os caminhos do ready made, da música eletroacústica e concreta. Em 2009 lançava meu primeiro trabalho solo. Também tive trabalhos editados por selos independentes da Argentina, Chile, México, Venezuela, Brasil e atualmente sou representado pela gravadora Luscinia Discos de Granada, Espanha. Até então atuava apenas na música experimental, articulando pelos campos da improvisação, da música eletroacústica e concreta. Porém em 2011 fiz uma oficina em Buenos Aires cujo caminho me levou até a arte sonora. 


Qual foi sua formação artística?


Apesar de frequentar algumas faculdades a minha formação em artes é autodidata. Desde criança me inclinei a relações intimistas, estabelecendo laços com objetos como uma forma de “animá-los”. Alguns deles adquirem aspectos humanizados em meus conceitos. Posso falar com eles e ouvir o que dizem (rs).

            Do meu período escolar lembro muito pouco. Acho que desenvolvi uma barreira com essa época. Lembro-me da escola rural que frequentei, mais por momentos ligados à cachoeira que podia ver da janela, do lanche da tarde e das tantas matérias incompreensíveis que havia nas divisões do quadro negro, pois as turmas eram misturadas e os anos escolares eram divididos pela fileira de classes. Dessa forma, eu sempre bisbilhotava (quando não copiava) as matérias de outros anos subsequentes. Adorava os 3 km que percorria a pé de minha casa até essa escola. Sempre inventava histórias e contos em minha mente até chegar ao destino. Já o período escolar de minha adolescência não me é tão presente. Lembro mais das festas juninas, dos jogos de futebol e dos boletins que meus pais deviam assinar (rs).  

Creio que a escola nunca me provocou ou, quem sabe, não gerou questionamentos mais aprofundados. Era um ato de decorar datas, fatos, técnicas e depois aplicá-las no papel. Em uma aula de literatura na qual deveríamos ler um determinado livro e depois apresentá-lo à classe, lembro que minha apresentação foi interrompida pelo sinal do final daquele período e deveria continuá-la no próximo encontro. Fato é que li apenas algumas páginas do final do livro e assim o apresentei. Meus colegas nem se lembravam do conto e, assim fizeram poucas perguntas e voltei à classe com uma nota acima da média.

            Anos mais tarde, retomei os estudos, por certa aposta em frequentar um ensino superior. Concluí o ensino médio por supletivo aos 22 anos. Cursei licenciatura em Música, mas acabei desistindo do curso em função da limitação que sentia em relação a outros processos não tão “musicais”, afinal aquela era uma faculdade de música. Em minha opinião a faculdade de Engenharia Mecânica era mais musical que a própria licenciatura. E assim, segui alguns anos pela engenharia. Em abril de 2011 participei de oficinas dentro da programação do Festival de Arte Sonora TSONAMI em Buenos Aires na Argentina com dois artistas mexicanos. Um deles Manuel Rocha, artista sonoro e outro Rodrigo Sigal, músico eletroacústico. Essas duas oficinas foram o divisor de águas em meu caminho. Já no avião quando voltava para o Brasil pensava em um projeto de instalação que posteriormente se chamaria tranS(obre)por projeto esse que apresentei pela primeira vez em julho de 2011 e no final do ano foi selecionado no SPA das Artes na categoria exposição MAMAM no Pátio. Aqui compreendi o que estava fazendo, pois pela ótica da música “produzia barulhos” e aos ouvidos das artes plásticas “produzo universos táteis por outros sentidos”. No final desse ano de 2011 decidi abandonar a faculdade de engenharia pela UFRGS e realmente me dedicar àquilo que me completava.

            Por um tempo pensei em cursar artes visuais, mas passar quatro anos dentro da academia para “aprender a acertar” a partir dos meus “erros” não me pareceu uma boa ideia. Prefiro explorar essas situações em minhas vivências. Deixar os erros a mostra não me preocupa. Gosto de vê-los em meu trabalho porque eles assumem os gestos que há em mim. Essa constante do processo. Apesar disso tenho contato com artistas de dentro e fora da academia com os quais troco ideias, bebo uma cervejinha e peço dicas de livros. Em 2009 fundei com outros três amigos e artistas um grupo de arte performance intitulado Tentacle Ensemble Colective. Um grupo com o qual cresci e tive a oportunidade de criar, agregar e experimentar transversalidades entre vídeo arte, action painting, instalação e arte sonora tudo amalgamado pela performance. Acredito muito nesses laços, independentemente do tempo que eles durem. Acho que podemos viver uma vida de experiências em questão de segundos. E também quando decidi fazer da minha vida uma extensão de minha relação com as artes não tive muita paciência para me preparar para a disputa de uma vaga em uma universidade e me deparar com todos os padrões novamente... Acredito que seria mais um curso a contar em minha estatística de abandono (rs).

            Vejo minha formação muito mais dessa maneira. Colocando em prática concepções que estabeleço em função daquilo que vivencio, de algo que me provoca e por consequência propague questionamentos sejam eles de ordem íntima ou coletiva. É desse ponto que desenvolvo minha técnica e linguagem para driblar obstáculos e compor meus projetos. Influenciado pela felicidade e pelo bem estar que tal pesquisa me proporciona.


Que artistas influenciam em sua obra?

            Constantemente descubro ou redescubro poéticas presentes na obra de artistas que admiro. Entre esses posso citar Chelpa Ferro, Nervo Óptico, John Cage, Marcel Duchamp, Cildo Meireles, Cao Fei, Sergey Prokofiev, Nuno Ramos, Norberto Nicola, Kandinsky, Brain Eno, Baudelaire, Rolf Julius, Russolo, Lorca, Fred Frith, Úrsula Bogner, Giacometti, Van Goh, Pierre Scheaffer, Paulo Bruscky, Pierre Henry, Steve Reich, La Monte Young, Mauricio Cattelan, Walter Karwatzki, Kátia Costa, Grupo Zero, Kentridge, Manuel Rio Branco, Francisco Lopes, Santiago Cao, Christine Renaudat, Rafael Marchetti e Rachel Rosalen, Sonic Youth, Fugazi, Mogway, Brusky, Thelmo Cristovam, Delia Derbyshire, Eliane Radigue... E tem pessoas que divido muitas fases importantes de minha vida. Essas me trouxeram até aqui e estão presentes e meu trabalho Jurema Armani, Augusto Armani, Liane Strapazzon, Fernando Perales, Guilherme Darisbo, Emiliano Hernandez, Sarah Vacher, Paulo Vivacqua, Luciano Zanette, Túlio Pinto, Carlos Suarez, Mário Macilau e Daniel Toca.



Como você descreve seu trabalho? 

“Observador, filósofo, flâneur – chame-o como quiser... a multidão é o seu elemento, como o ar é o das aves, como a água, o dos peixes. Sua paixão e sua profissão é esposar a multidão. Para o perfeito flâneur, para o espectador apaixonado, é uma imensa alegria estabelecer residência na multidão, no ondulante, no movimento, no fugido e no infinito”, Charles Baudelaire.

Sou movido mais por “coordenadas intuitivas” que propriamente por aspectos puramente racionais. Vagar por entre o trânsito da multidão, pelas lacunas que se formam no momento em que o cotidiano se desloca de um lado para o outro. Crio a partir de objetos e vivencias simples/corriqueiras. Exploro tanto a arquitetura quanto questões pertinentes ao espaço em que exponho. Gosto quando meu trabalho constrói esse acesso entre o espaço e os “sussurros” históricos suspensos nesses locais.

“{...} Marcell Duchamp, por exemplo, começou a pensar sobre o tempo, quero dizer, pensando sobre a música, não sendo uma arte do tempo, mas uma arte do espaço. E assim criou uma peça intitulada: "sculpture musicale", que significa diferentes sons vindos de diferentes lugares e perdurando. Produzindo uma escultura, que é sonora e permanece. {...}". John Cage (Time and Space) Interview on Silence and Music: http://www.youtube.com/watch?v=U7O0VXzbV2Y

O “tempo”, a transubstanciação de objetos, a espacialidade e a plasticidade sonora são elementos recorrentes em meus trabalhos. Quando desenvolvo uma instalação a estrutura visual tem uma relação direta com as peças sonoras que são compostas. Atribuo a essas obras características e qualidades próximas ao humano. Em alguns casos a cor representa ausência, translucidez da matéria ou semelhanças ao sanguíneo. Os objetos geralmente carregam um espaço físico da memória, o desapego, o abandono, um tempo deslocado ou estático. Porém, não consigo ver essas estruturas separadas do material sonoro. Tenho-as como uma escultura, onde as peças sonoras são responsáveis em dar voz a esses objetos e, dessa maneira, já não vejo as qualidades industriais da matéria, mas sim alguém, um ser que expõe suas entidades sensitivas, provocando a percepção daqueles que interagem com elas.

Entendo a música como a manifestação em série de eventos visíveis e ocultos. Uma porção que se articula pelo espaço marcando, definindo e mapeando aspectos antropológicos de um tempo. Esse conceito vai além do mero sistema atrativo inserido na sociedade pelos conglomerados do espetáculo. Sons e ruídos são elementos que assumem uma identidade, que materializam gestos. Quando compreendi isso não apenas como uma possibilidade musical entrava na arte sonora. Aqui encontrei uma maneira bastante flexível para transitar livremente entre a composição e as distintas linguagens das artes plásticas. Posso amalgamar aspectos e elementos da fotografia, desenho, escultura, pintura, desenvolvendo esses na performance, intervenções e sobre tudo em instalações sonoras. Vejo a arte sonora como um local onde as questões do mercado fonográfico não podem entrar e tão pouco explorar os conceitos e poéticas dessa arte da forma comercial e vazia como o fazem, lançando diariamente novos “artistas” e “compositores” para abrir grandes espetáculos esportivos ou determinar meras tendências sob o discurso da “renovação” na cultura musical.

A arte sonora tem por base conceitos da partícula sonora. As possibilidades de reconfigurar essa pequena parte e gerar universos múltiplos. Nela se forjam ruídos, captações de campo, estruturas visuais, pesquisas com sons sintetizados, manipulações, estruturas enarmônicas, cacofonias, espacialidade, plasticidade sônica. A obra acontece em um espaço expositivo, em ambientes externos, agora mesmo ocorrem obras sonoras no ambiente em que estamos inseridos. Creio que a arte sonora abre outras possibilidades de escuta do ambiente e da relação que estabelecemos com a própria música. Aprofundando nossa apreciação a essas tantas sonoridades a um estado não apenas auditivo, mas visual, físico e tátil. Por isso meu foco até hoje é proporcionar uma aproximação do público mais leigo a essas expressões a que estou familiarizado. Uma instalação sonora abre a possibilidade de um concerto que se estende pelo tempo, interagindo com outros processos, estabelecendo contato com mais pessoas.


É possível viver de arte no Brasil?

            Acho possível. Requer muito esforço e trabalho. A denominação “artista” é uma palavra imponente, bonita, mas ninguém compreende o que é de fato. Os conglomerados fonográficos e a mídia despejam essa denominação aos milhares porta a fora. Programas medíocres de finais de semana ou em horários “nobres” criam “artistas” da mesma maneira que Henry Ford o fez com seus produtos. No meio de todo esse desperdício de energia surge a fama e o dinheiro. Então pessoas simples associam a denominação “artista” a essas duas condições, portanto tal trabalho passa a ser “arte” e sinônimo de uma vida de “abundâncias”.

Mas viver da outra forma artística é abundantemente difícil no Brasil. Eu consigo sobreviver dela, trabalhando muito mais que em um emprego “tradicional” e no final de todo esse trabalho surge uma obra que expõe de forma visceral as minhas reflexões, minhas dores e vivencias. E o que ouço é: “mas o que é mesmo que o teu filho faz?”. “Ah! que bom então ele viaja bastante e conhece outros lugares”. “Será que daria para baixar um pouco esse barulho?”.

Em fim, apesar das dificuldades, sou muito feliz, fazendo desse trabalho a minha vida. Até o momento consigo sobreviver orientado por planilhas de gastos (rs), por meus projetos e com uma ajudinha de meus pais vez ou outra. E também não me vejo em outro trabalho “seguro”, onde meu emprego depende diretamente do aquecimento do mercado de automóveis ou de crises que possam surgir nas indústrias do petróleo ou da aposentadoria fictícia oferecida em meus 60 e tantos anos. A minha arte não é criada para ser exposta em uma vitrine ou empilhada entre inúmeros CDs de uma música escrita por sei lá quem, produzida pelo fulano de tal, gerenciada por um qualquer, entregue às mãos de meia dúzia que dizem como devo agir, onde devo ir, com quem devo me relacionar, que tipo de “artista” devo representar agora. Minha arte não, essa vive pela eternidade daqueles que a vivem. Ela é que me torna consciente, me faz errar e concertar. Dessa arte sim eu vivo de uma forma modesta, honesta, tomando minhas próprias decisões e traçando o meu caminho.


O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?

            Ultimamente esse tem sido um tema bem complicado. Primeiramente, creio que os salões são formados por pessoas como quaisquer outras, repletas de erros e acertos. No meio desses caminhos sempre ocorrem fatos desagradáveis, mas acho que assumir esse erro e concertá-lo de forma limpa e sincera é um primeiro passo, pois salões e artistas são basicamente um ser só. Andam, ou deveriam andar juntos. Entretanto, o que vejo acontecer por ai são salões que recebem aporte financeiro de instituições privadas ou por meio de seleção em editais públicos. Infelizmente, em alguns casos esse recurso é destinado exclusivamente para o gasto de divulgação e afins do próprio salão. Não há um prólabore artístico, uma divisão igualitária àqueles que participam ou que são selecionados nesse salão. Do contrário, são oferecidos o espaço e a divulgação, ou seja, em minha opinião, o artista ganha um pepino para descascar. Em muitos casos até há uma premiação ou um valor “x” que, sabe-se lá o porquê, esse valor não chega às mãos dos artistas.

Eu mesmo em 2012 passei por uma dessas. Fui selecionado para uma dita Bienal no Recôncavo baiano que era mais um salão de arte que ocorre em uma fábrica de charutos da região. Descobri o resultado pelo google. Não fui contatado nem por e-mail, telefone, carta, telegrama ou sinal de fumaça. Arquei com meus gastos, pois isso constava no edital. O diretor era uma figura excêntrica cercado de pompas. Tivemos um choque pela ignorância dele em relação ao meu trabalho, que bem na verdade o sentimento que lhe faltou foi respeito. No dia da abertura consegui entrar no local para ligar os meus equipamentos porque um dos eletricistas abriu uma porta lateral, pois o diretor havia “estabelecido” que não queria ver ninguém dentro do local no dia da abertura a não ser os funcionários, artistas nem pensar. Durante o período de exposição que foi de novembro de 2012 a março de 2013 o único contato que recebi foi um telefonema do diretor me perguntando sobre o nome do título e do escritor de um livro que lia na ocasião da montagem. O meu trabalho e meus equipamentos jamais retornaram a minha posse. Não assinei nenhum contrato dizendo que doaria essa obra para acervo e outros fins. Tentei me comunicar de muitas formas com eles, mas nada, inclusive havia um recado na página da bienal dizendo que os materiais seriam entregues até tal data. Estou até hoje esperando chegar em minha casa um pacote, vindo daquela cidade do Recôncavo situada em uma das margens do rio Paraguaçu.

Isso tudo demonstra que o necessário para aprimorar um salão é ter o mínimo de respeito com aqueles com que você irá trabalhar. Ter o mínimo de noção ou de informação sobre esse indivíduo. É muito bonito ver o resultado em um catálogo bem impresso, colorido, mas na boa não compro 1Kg de feijão com as folhas desse catálogo, mesmo nelas constando o logo de importantes empresas locais, inclusive o mercado ou o produtor desse feijão que preciso comprar.


Qual sua opinião sobre o mercado de arte em Canoas/Porto Alegre?

            Canoas sempre foi encarada como uma cidade dormitório em função da proximidade com Porto Alegre. Porém, aqui existem grandes empresas do setor alimentício, metal mecânico, agrário e uma refinaria de petróleo sem falar na base aérea que lança seus caças pelos ares. Acredito que a proximidade com a capital e a falta de iniciativa de antigos gestores públicos ofuscou o investimento no setor cultural daqui.

De alguns anos pra cá me parece que esse cenário tem mudado. Surgiram investimentos e alguns movimentos começam a pulsar. Na ótica das artes plásticas encaro um momento ainda embrionário. Há uma casa grande que foi reformada para abrigar exposições e projetos culturais, porém vejo iniciativas acanhadas nessa questão. Existe uma forte inclinação dos órgãos públicos na realização de eventos ligados a música e a literatura, que por sinal nesse ano de 2014, Canoas comemorou a 30ª edição da feira do livro.

Em fim, apesar desses entraves existem iniciativas e acredito que um mercado de arte possa surgir futuramente à medida que artistas e órgãos públicos possam aprimorar seus conhecimentos, suas pesquisas e sobre tudo desenvolver mostras ou até mesmo um salão na cidade com processos de seleção e de fomento não somente aos artistas locais, mas que isso possa se estender para artistas nacionais e futuramente internacionais.

            Porto Alegre possui um movimento de arte muito marcado por constantes mostras de artistas brasileiros e internacionais promovidos por galerias, ateliês, centros culturais, museus e instituições privadas. Também se realiza a Bienal do Mercosul que atua nesse trânsito de processos artísticos.

No entanto, o mercado de compra e venda de obras é pouco presente em meu caminho. Vez ou outra escuto que há um leilão ou algo do gênero aqui e acolá, e bem na verdade não circulo muito por esses lados. Sei que há colecionadores por aqui, mas também desconheço até que ponto esses indivíduos aquecem o mercado local sobre tudo com artistas locais. O que percebo é que apesar de existir todo um sistema físico que comporte exposições, sinto falta de iniciativas que fomentem financeiramente a execução de projetos na cidade. Geralmente são propostas que destinam um prêmio para fulano ou beltrano através de uma seleção ou a ocupação de um espaço público sem verba para que o artista possa arcar com a montagem do projeto. Não sei como os recursos da cultura são distribuídos, apenas imagino como eles, digamos, se perdem pelo caminho e acredito que muitos dos funcionários desses órgãos não recebem devidamente pelo esforço e trabalho que ali desprendem.

No ano passado a Fundação Vera Chaves Barcellos localizada em Viamão adquiriu obras de 28 artistas com recursos obtidos pelo prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça e recentemente foi uma das selecionadas no projeto Rumos Itaú Cultural cujo projeto prevê ações de catalogação, pesquisa e digitalização do acervo da fundação. Nesse contexto, me pergunto quais são os motivos que impedem Museus e órgãos públicos de fazer ações similares com o trabalho de artistas contemporâneos locais. Vejo muito a citação “doação do artista” em placas de obras. Muitos dirão que a saúde e a educação são prioridades e realmente concordo, mas também acredito que é necessário mantermos a saúde da cultura, não só através de propostas pedagógicas, mas também com ações que possam remunerar os artistas sejam esses recursos concedidos por editais de seleção ou por outra forma, mas que com essa verba projetos possam alcançar outros planos de desenvolvimento.

Em fim, esse é um olhar e um desejo particular, onde tomo por base muitos dos projetos que tenho realizado fora do estado em locais cuja expressividade cultural não é tão evidente como em Porto Alegre, mas onde há a implantação de ações remuneradas. Às vezes me parece que culturalmente a capital dos gaúchos vive apenas de ações midiáticas, da troca de cumprimentos, doações e especulações que circulam mais pela influência que pelo trabalho.


Você teve um projeto selecionado pelo Itaú Cultural, qual o significado para sua carreira?

            Essa seleção me deixou completamente surpreso pelo fato de ser qualificado como um “jovem” artista, com um trabalho ainda desconhecido pela crítica. Lembro quando apliquei em 2011 para o SPA das Artes no Recife que minha dúvida era se inscrevia um projeto na categoria “intervenção urbana” ou para o prêmio “Exposição MAMAM no Pátio”. Tomei corajem e inscrevi para a segunda opção. Recebi um telefonema do Recife e semanas depois realizava aquela que seria minha primeira exposição individual e terceira de minha carreira até então. Em 2013 apliquei para uma residência artística na Ilha de Réunion / França, pensando apenas em enviar um projeto para fora do país. Acabei lendo o email sobre a minha seleção muitas vezes e mesmo assim pensava que eles haviam se enganado (rs). Recentemente no Rural Scapes tive a mesma surpresa e, após o contato telefônico da organização, escrevi um email a eles, perguntando se aquilo que haviam me falado no telefone era mesmo verdade ou se havia sonhado (rs). Com o Rumos tive as mesmas sensações. Li o resultado da seleção muitas vezes, olhando com calma para ver se era mesmo o meu nome que estava ali.

Vejo essa seleção como uma grande possibilidade de expor meus processos. A construção diária de múltiplos olhares. Um local moldado pelo equilíbrio entre gesto, percepção e doação. Um espaço de construção e compartilhamento. Arquitetar nossas “cidades invisíveis” como as de Calvino. Ora em terra, ora em abismos. Soltas ao rumo dos ventos. São dessas experiências que planto o próximo alicerce para fundar as bases em um novo lugar. Por isso acredito que o significado desse prêmio do Rumos na minha carreira é reviver, expor, partilhar e vivenciar outra etapa dentro desse processo. Dar sequência a mais um passo. Erguer um ambiente sensitivo nesse universo que me proponho a construir em cada um dos dias que estou vivo.

De que maneira você financia a construção dos seus trabalhos? Quem são os compradores?

            Vivi os anos 80 e 90, influenciado pelo ideal do faça você mesmo, vindo do punk rock e da galera do skate. No início financiava os meus projetos, trabalhando em outras áreas para ter uma renda disponível e aplicá-la na compra de equipamentos e fazer viagens para participar de concertos de improvisação. Obviamente que essas viagens não se pagavam. No ambiente da música experimental e/ou independente as pessoas não tem o hábito de pagar uma entrada para ver o show do “amigo” ou comprar um CD feito praticamente de forma artesanal por um artista nacional ou até mesmo latino americano. Porém, o cenário disso para artistas estrangeiros com essas mesmas características vende.

            Quando entrei no círculo das artes visuais com projetos que envolviam sons e ruídos não pensava que poderia financiar meus projetos por eles mesmos e, tão pouco, imaginava que poderia sobreviver desse trabalho. Até o momento não vendi nenhum dos meus trabalhos a um comprador porque nenhum me procurou (rs). Tenho aplicado meus projetos à seleção de editais de mostras e residências artísticas tanto em instituições públicas quanto privadas como forma de financiá-los e pagar as minhas contas. Sei que o mercado da arte sonora no exterior é mais forte. Aqui no Brasil sinto que existe uma dificuldade em relação a essas obras. E bem na verdade não tenho a preocupação de produzir algo exclusivamente com a intenção e o foco na venda. Também não vejo problema em quem o faz. Apenas o processo e a percepção de meu trabalho seguem por outro caminho. Não sou vendedor e tão pouco produzo influenciado por esse viés. Ainda tenho aquela essência do início de minha carreira. A iniciativa de fazer por mim mesmo sem que me sinta dependente única e exclusivamente de ações ou processos públicos culturais estagnados pela burocracia ou pela relação com o partido que se encontra no poder. 


O que é preciso para um artista ser representado por uma galeria?

            Não faço a mínima ideia, talvez porque eu não seja representado por uma (rs). Arrisco dizer que algumas galerias priorizam mais a influência, a crítica/mídia, os contatos que propriamente aquilo que a obra representa e fala sobre o artista que a produz. Mas, isso é tudo uma questão de afinidade entre as diretrizes da galeria e o pensamento/caminho traçado pelo artista. Em fim, creio que há espaço para todos sejam artistas conceituais ou comerciais. Cada um faz e encontra o devido equilíbrio conforme aquilo que produz, anseia e pelo que se posiciona. Quem sabe futuramente receba uma proposta e venha a trabalhar com uma galeria de arte em que haja essa afinidade, essa reciprocidade com o meu fazer artístico e possa ter outra resposta para essa pergunta (rs). De qualquer maneira, o meu trabalho segue como sempre o fiz.


Quais são seus planos para o futuro?

            Isso representa um pouco daquilo que quero para o futuro.

“{...} O propósito dessa música sem propósito se cumpriria caso as pessoas aprendessem a escutar. Quando escutarem talvez descubram a preferência pelos sons da vida cotidiana aos que escutam em um concerto musical. {...}”. John Cage, O Futuro da Música: Crença. Fragmento do manifesto. Lido por John Cage em 1937.


“A vida virtuosa é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento.” No que Acredito, Bertrand Russell. 





Concerto para Cocho, 2014. Peça sonora. Rural Scapes Laboratório em Residência. São José do Barreiro, SP.


 Conservação da Matéria. 2013. Instalação sonora. II Prêmio IEAVI, CCMQ, Porto Alegre.


A Mim Venderam-me a Cegueira Enquanto Roubaram-me a Esperança, 2014. Instalação sonora. Museu dos Direitos Humanos do MercoSul, Porto Alegre.


 De Posições e Impulsos a Estados Visíveis, 2013. Instalação sonora. MACRS, Porto Alegre.


Do Encontro ao Silêncio ou Os Eventos que Fundamentam sua Pausa, 2013. Instalação sonora. Bienal Arts Actuels, Ille de Réunion, Oceano Índico, França.


 Plastic Water, 2014. Registro Sonoro Rural.  Rural Scapes Laboratório em Residência. São José do Barreiro, SP.




 Silêncio Flutuante, 2014. Instalação sonora. Centro Cultural BNB Souza, PB, Brasil.



 TranS(sobre)por 07, 2013. Instalação sonora II. Mostra SESC de Arte Contemporânea, Curitiba.


TranS(sobre)por, 2013. Instalação Sonora 10. SPA de Artes. MAMAM no Pátio, Recife.


À Capela, 2014. Instalação sonora. Rural Scapes Laboratório em Residência. São José do Barreiro, SP.
Instalação sonora desenvolvida a partir da ocupação de uma antiga capela datada de 1955. A peça sonora é composta a partir do registro da limpeza que foi feita no local e de diversos fragmentos captados em igrejas e manifestações religiosas com duração de 10:45. A estrutura visual utilizada compreende um total de 700 pedras coletadas na margem do rio Ribeirão - Santana dispostas sobre 1400 páginas da bíblia. Em determinados períodos do dia, o vento sopra pela entrada principal da capela, fazendo com que o movimento das folhas de papel criem outra textura sonora que se incorpora a peça em reprodução.
 



Marcelo Armani

What sound do you see here? | SILVEIRAS-BANANAL

Mapeamento e Pesquisa Sonora Geográfica



            Registros. Mapeamentos. Deslocamentos. Migrações... A diluição de paisagens, objetos e tempos durante o período de residência artística no Rural Scapes em São José do Barreiro, SP, Brasil produziram imagens, objetos, peças sonoras e vídeos a partir de ações performáticas, intervenções e instalações sonoras. Práticas que surgem de questionamentos internos. De relações e conexões que objetos e materiais conferem sobre o corpo e o espírito.       

Ao longo desse processo, materiais, formas e construções arquitetônicas atuaram como suporte para a criação de diálogos entre estruturas visuais e composições sonoras. Experimentações/tentativas/erros/perspectivas. Procedimentos efêmeros presentes e amalgamados na imersão. Colocar os equipamentos em “teste”. Estendê-los a condições do ambiente – talvez humanas – Deixá-los com que forneçam os resultados a partir das sensações por eles sofridas. Uma série de peças sonoras compostas a partir dessa ação onde microfones de contato são arremessados no curso das águas da cachoeira São Isídrio ou lançados no leito do rio Ribeirão Santana ou simplesmente fixados entre o atrito dos bambus. Os registros são puros ruídos desse contato entre distintos materiais. Universos praticamente imiscíveis de uma qualidade sonora oculta. A manifestação de um processo quase intuitivo, ligeiro, fugido da ação racional.  

Os ouvidos mergulham por superfícies rugosas. Sulcos plásticos abertos ao tempo. A escuta através dos olhos potencializada pelo ato de frotar a placa de zinco com um arco de violino e, descobrir então, aquelas harmonias estáticas nas qualidades do objeto e do material. O deslocamento de ambientes sonoros. A escala do som não é a mesma da física. As pedras possuem, em seu silêncio, o peso de 700 delas repousadas uma a uma sobre 1.400 páginas de textos que expressam os valores de uma doutrina tão pesada quanto à rocha.

Materiais e objetos transubstanciados que estabelecem o diálogo entre o ambiente interno e externo. Um desenvolvimento ainda em mutação, em reformulação. Vivenciado nos sentidos e nas percepções alheias.







Marcelo Armani (1978, Carlos Barbosa, RS) – Artista Sonoro e Músico Improvisador Eletroacústico. Cursou Licenciatura em Música pelo IPA e Engenharia Mecânica pela UFRGS. Possui materiais fonográficos editados por selos do Brasil, Argentina, Chile, Venezuela e México. Atualmente é representado pela gravadora Luscinia Discos, Granada, Espanha.

Prêmios e Seleções
2014     16º RUMOS Itaú Cultural, São Paulo, Brasil.
PROJETO FACHADA, Museu Murillo La Greca, Recife, Brasil.
RURAL SCAPES, programa de residencia artística, São José do Barreiro, Brasil.
WHERE. NOW. HERE, SAOUT Radio 5ª Bienal de Marrakesh, Marrocos.
Mapping Sound: Sonic Urbanity and Space in the Americas, Universidade de Cornell, Ithaca, NY, EUA.
2013      II Mostra SESI de Arte Contemporânea, Curitiba, Brasil.
Projeto ECOS, associação cultural OSSO, 3ª Trienal de Arquitetura de Lisboa, Portugal.
SESI - Vila das Mercês, ocupação dos espaços SESI, São Paulo, Brasil
BIENAL ARTS ACTUELS, programa de residencia artística, Réunion, Oceano Índico, França. VII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, Categoria Mídias Tecnológicas, Porto Alegre, Brasil.
II Arte Praia, Natal, Brasil.
2012     3º Projeto DJ Residente, MAMSP, São Paulo, Brasil.
VI Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, Cinemateca Brasileira, São Paulo, Brasil.
2011      10º SPA das Artes prêmio categoria exposição MAMAM no Pátio, Recife, Brasil.

Exposições Individuais (Seleções)
2014     Projeto Fachada Museu Murillo La Greca, Recife, Brasil.
SESI - Vila das Mercês, São Paulo, Brasil.
Centro Cultural BNB, Sousa, Paraíba, Brasil.
2013     II Mostra SESI de Arte Contemporânea, Curitiba, Brasil.
II Prêmio IEAVi, Fotogaleria Virgílio Calegari, CCMQ, Porto Alegre, Brasil.
2012     Centro Cultural BNB Cariri, Juazeiro do Norte, Brasil.
Porão do Paço Municipal, Porto Alegre, Brasil.
2011     10º SPA das Artes MAMAM no Pátio, Recife, Brasil.

Exposições Coletivas (Seleções)
2014     Centro Cultural de La Memória Haroldo Conti, Buenos Aires, Argentina.
Programa de residência artística Rural Scapes, São José do Barreiro, SP, Brasil.
Centro Cultural Franco Moçambicano, Maputo, Moçambique.
Museu dos Direitos Humanos do Mercosul, Porto Alegre, Brasil.
Projeto “Where. Now. Here”, SAOUT Radio, 5ª Bienal de Marrakesh, Marrocos.
2013     Projeto ECOS, associação cultural OSSO - 3ª trienal de Arquitetura de Lisboa, Portugal.
Projeto de Residência Artística, Bienal Arts Actuels, Ilha de Reunión, Oceano Índico, França.
Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.
II Arte Praia Casa da Ribeira, Natal, Brasil.
II Salão Xumucuis de Arte Digital, Museu do Estado do Pará, Belém, Brasil.
I Festival Fricciones, Casa Viva, Santiago, Chile.
2012     Galerias Quarta Parede, São Paulo, Brasil.
Centro Cultural BNB – Cariri, Juazeiro do Norte, CE, Brasil.
3º Projeto DJ Residente, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, Brasil.
Porão do Paço Municipal, Porto Alegre, Brasil.
I Festival Brasileiro de Música de Rua, Caxias do Sul, Brasil
2011      Comfluência SP, Galeria Quarta Parede, São Paulo, Brasil.
               Abertura da Casa M, Projeto Pedagógico, 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil.
               I Festival Internacional de Música Improvisada, Universidad del Pacifico, Santiago, Chile.
2009     Como se Fosse Um Happening, intervenção na obra de Ana Gallardo, convite do artista Júlio     Lira, 7ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil.
Musicircus, John Cage, com o grupo Tentacle Ensemble Collective, 7ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil.

Acervos
Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil.

Discografia
SOLO
2014     M.ARMANI, AMÁLGAMA (CDr), Porto Alegre, Brasil.
2013     ELEFANTE BRANCO, Verticalização de um Discurso Ancorado, MANSARDA RECORDS, Netlabel, EP.
M.ARMANI, Construindo Sombras, Luscinia Discos, Granada, Espanha, CD.
2010     M.ARMANI , Reentrada, Independente.
2009     M.ARMANI, Os Conceitos do seu Mundo Definem a sua Vida? Independente

GROUPOS
2012     Paulo Chagas e Marcelo Armani Aproximadamente 9.363Km, 158MB, Porto Alegre, Brasil.                                                     
              Dias | Rieger | Armani, Espólio, Porto Alegre, Brasil.
              Dias | Rieger | Armani, Sísmico, Porto Alegre, Brasil.
              Projeto Berros, Embarque, Porto Alegre, Brasil.
2011     M.ARMANI & ojO, Baquelita, Productora Mutante, Santiago, Chile.
2008     Darisbo e Armani, Sessão 15 de julho, Mun DISCOS, Buenos Aires, Argentina,
              Guilherme Darisbo e Marcelo Armani, Sessão 13 de julho, AMP Records, Guadalajara, México.  

COLETÂNEAS
2012     V.A. Place/Sítio – Coletânea Antena Vol. 2 Antena Netlabel, Porto Alegre, Brasil,
V.A. ARFANTE – Música para Instrumento de Sopro Solista, Mansarda Netlabel, Porto   Alegre, Brasil
V.A. La Paz, Vol 04 (compilado) Biodata Records, Mérida, Venezuela.
2011     FOBIA (Festival Formula Básica de Imagen y Áudio) Productora Mutante e Jacobino Discos, Santiago, Chile.
2009      V.A. +SOMA AMPLIFICA Vol 2, Revista +SOMA, São Paulo, Brasil.






Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now