quarta-feira, 25 de junho de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada Cassia Aresta.




Quem é Cassia Aresta?
​Nasci em Florianópolis, em 13/11/56.Minha primeira infância gostava de ver meu pai , que assim complementava a renda mensal, fazer plantas baixas.Ele criava os espaços internos da casa.Ele criou algumas casas​, assim como aquela em que cresci.A casa era diferente da concepção usual.Por exemplo: cada parede tinha uma cor. Minha mãe dona de casa tinha mãos  que sempre faziam crochê, trico e bordados.Observando meu pai, aprendi o conceito do desenho e geometria espacial, com minha mãe, o refinamento dos acabamentos.
Sempre em casa desenhava muito ou lia.Era rata de biblioteca.Passei minha juventude lendo muito.Nesta mesma época comecei a gostar de cinema.O desenho, a leitura e o cinema passaram a ter papel importante em minha formação e a minha maneira de olhar o mundo.

Como a arte entrou em sua vida?
​Conto sempre que um dia minha mãe foi convidada a ir na casa da professora que a ensinava pintar em bandejas, caixas, etc,​Minha mãe me levou.Acredito que eu tinha uns 10 anos. Quando cheguei lá, entrando pela varanda já encontrei as paredes forradas de cima a baixo com telas que essa professora pintava.Ela era acadêmica com variações de temas.Dentro de casa se repetia o mesmo padrão.Me lembro muito bem que logo pensei "minha casa  vai ser assim".E ali eu já sabia que minha vida tinha uma grande ligação com as artes visuais. Lembro de um primo bem mais velho que morava em Curitiba que quando vinha nos visitar, ficava desenhando comigo.Para mim era um dos momentos mais agradáveis de nossa convivência. Meus cadernos de escola tinha as margens sempre desenhadas ou pintadas. Era uma maneira de lembrar da matéria por aquilo que eu ali interagia. Fazia as lições de arte para os amigos, em troca de matérias que eu não dominava.Na adolescência pintava camiseta, bolsas, lenços, calças que eu vestia. Me lembro de algumas exposições de artistas de Florianópolis que me marcaram. 

Qual foi sua formação artística?
​Com 19 anos fui para São Paulo. Florianópolis não tinha nem artes, nem arquitetura.Fiz o cursinho na FAAP e passei na FEBASP em segundo lugar.Comecei a  graduação e desisti.Atualmente fazendo uma oficina com alunos ​ de uma graduação em artes, descobri que os mesmos motivos que me levaram a desistir persistem até hoje como método de ensino na  licenciatura em arte.Ou seja, nada  mudou e eles reclamam das mesmas coisas.
Mas não desisti de aprender fora da graduação.Creio até que esta formação fora faculdade foi bem melhor para o meu tipo de pessoa e meus anseios.Fiz vários cursos relacionados com artes. Comecei a viajar muito(passou também a ser meu outro interesse de vida) para fora do país e nestas viagens muito vi de arte.Sempre visitei os melhores museus e galerias, e tive a oportunidade de ver grandes exposições que aqui nunca chegaram.A formação não pode ser estanque e a do artista,mas do que nunca, tem que ser revista todos os dias.
Com o gosto pela leitura, fui me aprofundando em filosofia da arte frequentando cursos especializados com mestres em filosofia.E acima de tudo sempre experimentando tudo, com todos os materiais que me servem de suporte.Este é um dos grandes aprendizados.Conhecer e falar com o material que trabalhamos.Muitas vezes vem deles as resposta para os assuntos estabelecidos para trabalhar.
Só assumi mesmo a minha condição de artista visual em 1992, partindo para exposições individuais.
Toda a minha formação foi em São Paulo, estou em Florianópolis há 11 anos.Esta vinda para cá não exclui a vontade e nem parei de aprender.

Que artistas influenciam em sua obra?
​Como a minha linguagem desde cedo foi bem clara que era a geometria, meu preferidos são os construtivos.Não deixando de lado outras linguagem, claro!
No Brasil tenho o Barsotti, Willis de Castro, Tuneu, Sacilotto, Ligia Clarke, entre outros.​Persegui bem de perto toda a produção deles.De fora do país gosto muito da produção de Aurélie Nemour, Serra, François Morelet, Pierre Soulagé, Anish Kapoor, etc.
Hoje não tenho preferência, tudo o que vejo,  seleciono um pouco, me servem de referência para pensar melhor a minha produção.Seja qual for a linguagem do que elejo para ver.
Tenho alguns filósofos como: Gaston Bachelar, Blanchot, M. Ponty. Atualmente tenho lido Arthur Danto e ainda alguns poetas concretos.Cito Haroldo de Campos.

Como você descreve seu trabalho?
 Elaboro meu  percurso na construtividade. Entre a textura e a pintura lisa, a lisa ganhou para transformar áreas em planos. A poética está no surgimento de novas conexões, surpreendendo o olhar com relações inesperadas. Exploro o  máximo a fragmentação das figuras. Na pintura-objeto(como eu as intitulo) determino  novas leituras.Nesta interação fica claro meu processo individual. Estabeleço o diálogo da forma com a cor para chegarem a uma sutil relação.Onde um e outro são muitas vezes um só.
Este é sempre o meu assunto nas pinturas( uso acrílica), nas colagens com papéis.Assim como na fotografia.

O material nacional para pintura já é de qualidade suficiente?
​Não sei dizer, pois só uso material​ importado.

É possível viver de arte no Brasil?
​Imagino que alguns artistas de ponta vivam. No meu caso, mesmo já com um ​bom percurso, infelizmente ainda não.

O homem e a mulher já estão em igualdade de condições no mercado de arte?
​Espero que sim,mas vejo ainda  preconceitos.​
Pensando melhor para responder, não deveria ter esta diferença sexual no mercado de artes.Supostamente  é o ambiente mais destituído de preconceitos.Porém a condição sexual do artista muitas vezes fica evidente no seu fazer.O que não desabona sua produção.É apenas mais um elemento que aparece na maneira com o qual ele se relaciona com o seu mundo.E não acho que isto influencie na escolha de uma obra.Ao menos para mim.
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O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
​Os salões sempre irão ter um papel importante para mostrar a produção artística num todo.Sugestão para aprimorar não tenho, mas gostaria que houvesse mais isenção nas escolhas.​
Digo: já é esperado ver uma tendência em determinados salões, quando estes são feitos por algumas instituições  ou participam alguns curadores.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
​Ter uma boa produção recorrente.​

Que comentários você faria sobre a arte contemporânea em Florianópolis?
​Ela é tão boa quanto o resto da produção do país.Temos artistas de Bienal, e outros tantos com um percurso e fazer muito pertinente a​ questão do contemporâneo.Como São Paulo e Rio são as duas grandes vitrines para o resto do país, quem aí mora, e eu morei 27 anos em São Paulo e pensei igual, que no resto do país nada se faz.E tenho visto justo ao contrário.Em qualquer canto do país tem sempre um artista como uma boa produção contemporânea.

Quais são seus planos para o futuro?
​Persistir com o meu fazer sempre.Não consigo separar o meu viver sem estar ligada as artes visuais.Mesmo que em determinados momentos não esteja produzindo, estou sempre atenta ao entorno para o meu processo criativo.



























Instalação.





CASSIA ARESTA
Residência e Ateliê
Av. Luiz Boiteux Piazza 4142/112
88056 000 Florianópolis S.C.
Tel Fax 55 48 32842231 celular 55 48 99229268
ESTUDOS
1976 FEBASP, São Paulo, sem conclusão de curso.
1994/95 Oficina de arte com Tuneu, Dudi Maia Rosa, Paulo Pasta, SP
1996/99 Ateliê de cerâmica próprio, SP
1996/97 Estudo e desenvolvimento da obra com a artista Ana Maria Tavares, SP
2002 Formação específica em Arte Contemporânea, USP, Ana Mae Barbosa, SP
2003 Avaliação e orientação de trabalhos, Geórgia Kyriakakis, São Paulo, SP
2006 Seminário sobre Os Conceitos de Verdade e Falsidade na Filosofia e sua Relação com as Obras e Operações das Artes e Belas-Artes, filósofo Nazareno Eduardo de Almeida, Florianópolis, SC
2004/5/6/ Filosofia na Arte Contemporânea c/ Dr.Prof e Filósofo Nazareno Eduardo de Almeida, Fpolis,SC
2013 Workshop Processo Criativo com Charles Watson
2013  1º Diálogos Internacional sobre imagens, CEART, SC
PROJETOS
1997 Projeto Triangulares na empresa CARGILL
1997 Projeto Triangulares na empresa SHARP DO BRASIL
2001 Ateliê de colagem na empresa BAYER DO BRASIL
2013 Vivências Itinerantes, pela Fundação Cultural de Santa Catarina.
WORKSHOP
1999 Travessia das Águas, SESC Pompéia, São Paulo
2000 Planété Óuverte, Ganties, França.
2001 Imagem de Você Mesmo, SESC Pompéia, São Paulo.
SALÃO DE ARTE
1988 4º Mostra Aberta de Cerâmica-Arte , Paço das Artes, São Paulo.
1988 1º Salão de Esculturas ao Alcance de Todos, artista convidada, São Paulo
1989 5º Mostra Aberta de Cerâmica-Arte, Faap, São Paulo.
1993 Salão de Arte Contemporânea de Mococa, Mococa, SP.
1994 1º Salão Contemporâneo de Arte, Elke Hering, Blumenau, SC.
23º Salão Bunkio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa,
(Premio Medalha de Bronze), São Paulo, SP.
1995 24º Salão Bunkio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa,
(Premio Tinta Mágica), São Paulo, SP.
1995 8º Salão Mokiti Okada, São Paulo, SP.
1996 25º Salão Bunkio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, São Paulo.
2012 40º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto,Sto André, SP.
COLETIVAS
1987 Nove Ceramistas, Galeria de arte Liberdade Garô, São Paulo, SP.
1998 Galeria e Gabinete de Arte LR, São Paulo,SP.
1999 Exposição Planété Óuverte, Prefeitura de  Ganties, França.
Exposição Planété Óuverte, Prefeitura Saint Gaudens, França.
II Prêmio Maimeri do Brasil, Liceu de Artes e Ofícios, São Paulo,SP.
2000 Exposição Cassiopéia, Museu Pierre Bayle, Carla Bayle, França.
2003 Exposição Palmo Quadrado, Instituto Alumni, São Paulo, SP.
2004 Exposição Palmo Quadrado, Museu of Latin American Art, Califórnia
2004 Projeto Diferentemente Iguais, Museu de Arte de Joinville, SC.
2004 Projeto Diferentemente Iguais, Museu do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, SC.
2004 Projeto Diferentemente Iguais, Memorial de Curitiba, Curitiba, PR
2004 Projeto Diferentemente Iguais, MAC de Porto Alegre, RS
2005  Coletiva Palmo Quadrado Conneccticut College, New London, Connecticut.
2005  Coletiva Palmo Quadrado University Art Gallery, Sonoma State University, Rohnert Park, California
2006 Paint a Future, Museu de Arte de Santa Catarina, Fpolis, SC.
2006 16 no Forte, Forte Santa Bárbara, Fundação Franklin Cascaes, Fpolis,SC.
2006 Draw-Drawing 2  LONDON BIENALE,  Londres
2007 Paint a Future,  Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, SC.
2007 Invenção da Memória, Museu de Arte de Joinville, Joinville, SC.
2007 Lestada e a Desconstrução, Fundação BADESC de Cultura, Florianópolis, SC
2007 Lestada e a Desconstrução, Múltipla Galeria de Arte, São Paulo, SP.
2009 Projeto 365 MAC Paraná, Curitiba, PR.
2009 Projeto 365 Cidadela Cultural Antártica, MAJ, Joinville, SC.
2009 6º MOTIVO Casa das Rosas, São Paulo, SP.
2009 Projeto 365 na 2º Bienal de Artes Plásticas Brasileira de Bruxelas.
2009 Projeto 365 MHSC Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis, SC.
2010 Projeto 365 SESC Pinheiros, São Paulo, SP.
2010 Projeto 365 Centro Cultural da UFMG, Belo Horizonte, MG.
2010 Projeto 365 no Contemporary Art Museum, CAM, Casoria, Itália.
2010 Projeto 365 no Centro Cultural Sergio Porto, Rio de Janeiro, RJ.
2011 Troy Art Mube São Paulo
2012 6X6X2012Rochecester Contemporary Art Center, Rochecester, NY
2013 Memoriando Espaço Oficinas do Centro Integrado de Cultura (CIC) ,Fpolis
2013 Afetos e Saberes,  Martha Pagy Escritório de Artes, Rio de Janeiro, RJ
2013 Narrativas ,Martha Pagy Escritório de Artes, Rio de Janeiro, RJ



INDIVIDUAIS
1996 Exposição Triangulares, FUNARTE, São Paulo,SP.
1997 Exposição Colagem e Pintura, Galeria Alliançe Française, São Paulo,SP.
2000 Exposição Círculos, CCSP Sala Mario Pedrosa, São Paulo,SP.
2001 Exposição Correspondência, Instituto Goethe, São Paulo,SP.
2001 Exposição Correspondência na Bayer do Brasil,São Paulo, SP.
2002 Exposição Correspondência, Mônica Filgueiras Galeria de Artes, São Paulo,SP,
Exposição Correspondência, Goethe Institut, Frankfurt, Alemanha.
Exposição Correspondência, Goethe Institut, Bordeaux, França.
2003 Exposição Círculos, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis, SC.
2003 Exposição Círculos, Cidadela Cultural Antártica, Joinville, SC.
2008 Marcas Indeléveis, MUnA, Uberlândia, MG.
2012 Exposição Código do Olhar, Casa de Cultura Rogério Cardoso, Mococa,SP.
2014 Exposição Código do Olhar, SESC-SC São Bento do Sul
2014 Exposição Código do Olhar, SESC-SC Chapecó.

Obras em acervo
MASC- Museu De Arte de Santa Catarina,
MOLAA-Museum of LatinAmerican Art, Califórnia, EUA,
MAJ- Museu de Arte de Joinville,
Museu Pierre Bayle em Carla Bayle, França.
CAM-Casoria Contemporary Art Museum, Itália.


Edições: The book of Arts Brazil-Geometrias.



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Maurizio Cattelan

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