terça-feira, 27 de maio de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Tony Camargo




Quem é Tony Camargo?
Nasci em 10 de fevereiro de 1979, em Paula Freitas, Paraná, um pequeno município, na divisa do Paraná com Santa Catarina, onde residi até os 18 anos de idade, quando fui para Curitiba fazer Faculdade de Artes, na UFPR.

Como a arte entrou em sua vida?
No segundo ano da faculdade descobri e percebi que poderia trabalhar com arte realmente, e portanto ser artista plástico. Comecei e não parei mais.

Qual foi sua formação artística?
Fiz Faculdade de Artes Visuais na Universidade Federal do Paraná, lá encontrei os professores Geraldo Leão e Ricardo Carneiro, ambos artistas, eles me mostraram e me orientaram sobre o meio e a produção de arte.

Que artistas influenciam em sua obra?
Eu sempre vi e... estudei, principalmente por reproduções, uma infinidade de artistas, desde os mestres e grandes pintores modernos, como Cézanne, Matisse, Gauguin, Picasso, Milton Avery. Vejo de tudo um pouco. Sempre gostei muito, por exemplo, de artistas eminentemente contemporâneos como o Yves Klein, o Jasper Johns, o Andy Warhol, o Richter, o Judd, o Peter Halley, o Guston, o Steinbach, o Richard Long, a Eva Hesse, o Jeff Koons, o Armleder, o Jeff Wall, o Richard Tuttle, o Gudmundsson, enfim, sempre fui bastante eclético nos meus gostos pessoais, apreciava desde cedo e ainda aprecio especialmente também muitos brasileiros como o Waltércio, a Mira Schendel, o Sued, o Bispo, o Volpi, o Guignard e os meus conterrâneos Bakun e Loio-Pérsio, além de gostar muito de artistas populares, como José Antônio da Silva e Heitor
dos Prazeres.

Como você descreve seu trabalho? 
São várias séries, centenas de obras e muita técnica envolvida, nesses 15 anos de trabalho. Nunca utilizei técnicas artísticas tradicionais, sempre tentei criar e inventar a técnica. Talvez para descrever mais genericamente o que busco com minha pesquisa, eu poderia dizer que busco um lugar diferente, uma espécie de espacialidade nova que justifique a existência de objetos quase impossíveis, irreais...

É possível viver de arte no Brasil?
Certamente é possível, fácil não é, mas é possível, tudo depende da dedicação do artista e de seu equilíbrio como profissional, afinal, para sobreviver de arte não é apenas o talento com arte que conta, mas são vários fatores, pois assim como qualquer outro negócio, o meio e o mercado são concorridos, e nem sempre são os melhores artistas que se destacam, mas sempre os melhores profissionais de alguma forma se destacam. No Brasil ainda é necessário ter muita garra, mas eu acredito que é possível sim viver dignamente produzindo arte sem precisar sair desse país.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los.?
Com esse nome: “salão”, acho que soa como algo meio conservador, se considerarmos a história desses eventos, mas acho viável e possível sim que continuem existindo certames que validem e introduzam novos artistas e ao mesmo tempo consagrem e estimulem artistas em ascensão. Infelizmente a maioria dos “salões” hoje privilegiam um tipo mais atraente de arte, que de alguma forma justifique a razão da escolha para qualquer pessoa, e isso faz com que trabalhos menos aprofundados e mais superficiais sejam oportunamente valorizados no meio.


Como você poderá ser conhecido em âmbito nacional?
Sinceramente, não faço ideia, e nem me preocupo com isso, na verdade.

Qual a importância do fotoshop para seu trabalho?
Não é estrutural, mas certamente o Photoshop é fundamental, faço de tudo com ele. Mas também é preciso dizer que não faço nada que não possa ser realizado com outros softweres similares, apenas o uso por ser o mais comum e já ter me habituado com ele.

O que é preciso para um artista ser representado por uma galeria?
Via de regra, acho que não existe nada, são sempre fatores específicos que contam para o início de um trabalho com galeria. Mas eu acredito que todo artista que conseguir ser original, peculiar, diferente, competente quando expor e ter profissionalismo, ser educado, modesto, com paciência e perseverança comedidas certamente será, mais cedo ou mais tarde, representado por uma boa galeria.

Quais são seus planos para o futuro?
Quero seguir desenvolvendo minha pesquisa visual, tenho muito a trabalhar ainda, tenho uma família e sonho bastante, mas não miro nenhuma situação utópica ou ideal como objetivo, meu objetivo é apenas trabalhar sempre bem, feliz, com propriedade e responsabilidade cultural pelo que faço, e ser justamente remunerado e dignificado por isso.



PF150, 2014 132x81x5cm.

FP10 2007 55x69x5cm.

PF260, 2014  164x71x5cm.
 

FP34, 2008 50x77x5cm
 

FP66, 2013 59x66x5cm.

FP61, 2012 53x75x5cm.



Tony Camargo
10 de fevereiro de 1979, Paula Freitas, PR, Brasil. Vive e trabalha em Curitiba.
 
Mini currículo:

Realizou até o momento 15 mostras individuais nos espaços: Funarte SP, São Paulo (2012); Museu da Gravura, Curitiba (2012); Galeria Adalice Araújo/UTP, Curitiba (2011); Galeria Casa Triângulo, São Paulo (2007, 2008, 2010, 2012); Paço das Artes, São Paulo (2008); Galeria Casa da Imagem,Curitiba (2005, 2010); Fundação Cultural de Curitiba (2007); Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba (2007); Casa Andrade Muricy, Curitiba (2004); Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (2004); Museu Alfredo Andersen, (Curitiba, 2002). Dentre as principais participações em mostras coletivas, destacam-se: Panorama da Arte Brasileira, MAM SP, São Paulo, 2005; Geração da Virada, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2006; Rumos Visuais, Itaú Cultural, São Paulo e Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2006; Lugares, Casa das Onze Janelas, Belém do Pará, 2006; Minimalist and Conceptual Work by Brazilian Artists, The Drake Public Spaces, Toronto, 2007; Poética da Percepção, MON, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2008; Nova Arte Nova, CCBB, Rio de Janeiro e CCBB, São Paulo, 2008 e 2009; Bienal Latinoamericana Vento Sul, MAC PR, Curitiba, 2009; Ponto de Equilíbrio, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2010; Geração 00, SESC Belenzinho, São Paulo, 2011; L'éloge de Vertige, Maison Européenne de la Photographie, Paris, 2012; O Triunfo do Contemporâneo, Santander Cultural, Porto Alegre, 2012; Limites do Imaginário, Fundação V. C. Barcellos, Porto Alegre, 2013.
Foi premiado no programa Rumos Visuais, Itaú Cultural, em 2006, no Salão Nacional Victor Meireles, MASC, Florianópolis, em 2008 e no Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, São Paulo, em 2012. Possui obras em importantes coleções particulares e nos acervos públicos: MAM SP, MAC CE, MAC PR, MASC, MAC RS, MUSA UFPR, Instituto Itaú Cultural, Clube de Colecionadores MAM SP, MON, FVCB e FCC Curitiba.

Um comentário:

Anônimo disse...

Faltou perguntar pra ele sobre a poética e oq as obras significam e criticam, mas ficou legal fora isso, valeu

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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