quinta-feira, 15 de maio de 2014

Conversando sobre Arte entrevista com a artista Cris Cabus




 1- Quem é Cris Cabus?

Essa é uma pergunta que, vez ou outra, me faço. Quando penso que algo se define, lá vem a ventania e desfaz as frágeis certezas.

Reverenciando meus ancestrais, por parte de pai descendo de nômades da antiga Mesopotâmia. Alguns se estabeleceram na Armênia, por motivos que desconheço. Chegaram ao Brasil fugindo do genocídio de 1915 trazendo, na bagagem, o alívio por estarem vivos aliado à dor da perda dos que lá ficaram.

Nasci no Rio, e vivi minha infância numa casa movimentada, muitos irmãos, mas ao mesmo tempo plena de silêncios, em essência, muito por conta do jeito de ser do meu pai. Esse ar misterioso me instigou a buscar sentidos e verdades ocultas nas coisas e situações. Por outro lado, minhas introspecções eram, e até hoje são, temperadas por uma boa dose de humor, alimentado, na infância e na juventude, por vivências lúdicas nas ruas do bairro, nas escolas por onde passei e em Amargosa, cidade do interior da Bahia onde minha mãe nasceu, para onde eu ia, quase sempre, passar minhas férias em meio ao barro dos ribeirões, pastos, árvores frutíferas e muitos primos e amigos, até cursar a Faculdade de Química, por quase 3 anos e, posteriormente, a de Arquitetura, na qual me graduei, ambas na UFRJ.


2-      Como a arte entrou em sua vida?

Com a curiosidade em tentar desvendar os mistérios contidos por detrás das aparências, eu acredito. Ainda muito pequena, fiz um tipo de experiência, marcante para mim até hoje, que consistia em retirar a tinta das paredes, logo acima dos rodapés, “trazendo” para o exterior as formas que lá habitavam em desenhos cujas linhas eram o cinza do reboco. Além disso, observar a minha mãe transformando, “magicamente”, tecidos planos em formas volumosas - ondas de saias e vestidos ornados de rendas, fitas, cetim – foi também determinante para minha compreensão, incipiente ainda, de que tudo poderia ser transmutado. Experimentei essa mesma sensação nos jogos dramáticos que meus amigos e eu inventávamos, nas peças montadas nas escolas e, mais tarde, nos grêmios estudantis, espaços onde tive oportunidade de criar figurinos, cenários, bonecos, adereços e, também, quando comecei a freqüentar o primeiro atelier de arte - pintura, aos 9 anos, no MAM, com o Ivan Serpa, a quem agradeço, profundamente, por ter me ensinado a dialogar com meus sonhos e devaneios.

3- Qual foi a sua formação artística?

Além da minha inclinação autodidata, buscando o aprendizado a partir de vivências, leituras e troca de informações com outros artistas, os encontros semanais no atelier de pintura do Ivan Serpa no MAM, durante quatro anos, foram determinantes como estímulo para seguir adiante, o que me levou a freqüentar vários cursinhos de arte em espaços alternativos, durante a juventude.

Na época, não pensava na arte como profissão, e me graduei em arquitetura na UFRJ. Durante os anos de formação na FAU, aproveitei para freqüentar aulas de modelo vivo, modelagem em barro, moldes de gesso e oficina de madeira na Belas-Artes. Já arquiteta, trabalhava também com arte – pintura a óleo, acrílica e pastel seco, serigrafia, ilustrações e criação de logomarcas. Foi inevitável seguir o fluxo do coração. Mesmo com toda insegurança, calcada no senso comum de que viver de arte é muito duro e difícil, mudei o rumo da conversa e entrei na EAV – Parque Lage. Fiz desenho com Mollica e modelo-vivo com Gianguido Bonfanti - também na Casa de Cultura Laura Alvim - e freqüentei o Atelier Sandro Donatello – pintura, durante alguns anos, até conhecer o Augusto Rodrigues, no final da década de 80, e me apaixonar por sua visão revolucionária do ensino de arte para crianças e por seu projeto Escolinha de Arte do Brasil, onde me formei como arte-educadora, em 1990. Anos depois, tive a grande oportunidade de conhecer o artista e curador João Wesley de Souza, extremamente dadivoso e comprometido com seus grupos de “Prospecção e Construção da Inclinação Poética”, inicialmente na Galeria Lana Botelho, na Galeria do Poste do Ricardo Pimenta em Niterói e, mais tarde, em meu próprio atelier. Paralelamente, palestras do Fernando Cocchiarale e Oficina de Escultura do Museu do Ingá, além das oficinas de formação e aperfeiçoamento na cerâmica: Terras Refratárias com Delma Godoy; Esculturas e Moldes de Gesso com Eduard Hermans; Engobes com Frieda Durian; Esmaltes Cerâmicos com Rosalyn Galera, entre outros.


4-      Que artistas influenciam sua obra?

Gosto de muitos artistas, mas os que mais me afetam são aqueles cuja produção espelha a transcendência, onde a materialidade expressa não se fecha nela mesma, ao contrário, contém a força latente de novas perguntas, sempre aberta ao imponderável.

Nesse contexto, muitos me influenciam, principalmente aqueles que trazem, no bojo de sua poética, a produção de obras que expandem o conceito de pintura e escultura ou ainda, que se realizam plenamente na interação direta do fruidor com elas, como Ligia Pape, Helio Oiticica, Ligia Clark, Anish Kapoor, Ivens Machado, Celeida Tostes, Eva Hesse, Tony Cragg, entre outros.


5-      Como você descreve seu trabalho?

Comecei minha formação em arte com o desenho e a pintura. Tinha certa dificuldade com as cores e, de verdade, me bastavam o preto e o branco. Bem mais tarde, com a cerâmica - principalmente com o Raku, um tipo de queima onde o inusitado e as linhas enegrecidas se revelam na parceria entre o fogo e o ceramista por conta dos choques térmicos – senti uma fascinação e uma energia inexplicáveis que tocou no fundo da minha memória afetiva e significou a retomada com uma intimidade que nenhum outro meio me proporcionou. Há quase 20 anos, trabalho basicamente com a cerâmica, mas também com linhas e tecidos, e me interesso pelo desconhecido, com toda sua estranheza, buscando transcender os limites da realidade física. Meus objetos e instalações possuem espaços e/ou cavidades que evocam o mistério e a sensualidade, para que o observador se situe além daquilo que é dado ao olhar num primeiro momento. Ao espiar por uma fresta, ao olhar para dentro da obra e fitar uma cena lá disposta, a opacidade da primeira leitura cede lugar a uma pulsação que passa a existir a partir dessa interação, com experiências sensoriais que apontam para os meandros do corpo, da origem e do cosmo. Na maioria das vezes, opto pela escala das mãos, o que exige uma maior aproximação, uma investigação de minúcias que transforma o entendimento, abrindo condições para o surgimento de um conhecimento novo. Estou, no momento, dando continuidade a um projeto em que o desconhecido está contido numa escrita que criei, como hieróglifos, e que somente é desvelada, não importando sua decodificação. O interesse está no fato de que, por trás da aparência percebida no primeiro olhar, mesmo em dois objetos exatamente iguais, existe uma história singular, original, cujo conhecimento é igualmente válido, mesmo que este seja fruto da imaginação do observador.  



6- É possível viver de arte no Brasil?

É possível, sim, mesmo frente a um mercado ainda muito elitista. O Brasil é um país com grande desigualdade social, onde a maioria do povo não tem poder aquisitivo para comprar arte e, por conta de uma educação deficiente, apenas sensibilizam-se, ou são mais vulneráveis, a grandes produções ou mostras de arte montadas dentro do conceito de “espetáculo”, com filas quilométricas, horas de espera, multidões nas salas de exposição. As pequenas produções, ao contrário, carecem ainda de público, sendo este, em sua maioria, formado pelos próprios artistas amigos, curadores, críticos de arte, arquitetos e, por vezes, alguém com poder aquisitivo suficiente para obter uma obra.

Ainda assim, frente a esse contexto, pode-se viver de arte, dependendo, é claro, de como cada artista idealize essa questão, podendo correr o risco de elevá-la a patamares surreais. Existem grandes artistas brasileiros consagrados no mercado nacional e internacional, mas a realidade da maioria é de muita luta exigindo, além de comprometimento com seu processo de produção autoral, estar atento e flexível às alternativas de trabalho, ainda no âmbito da arte, facilitadas inclusive pela internet, principalmente via redes sociais, onde a visibilidade do artista e a demanda do mercado se amplificam significativamente.


7-      A arte da cerâmica já é reconhecida no Brasil?

Precisaríamos saber de que Brasil estamos falando... Considerando o povo brasileiro como um todo, quando se fala em cerâmica vem, de imediato, à mente das pessoas, a maravilhosa cerâmica popular das grandes feiras de artesanato, principalmente às do nordeste, e de núcleos de cooperativas pelo interior do país, além de potes e vasos vendidos em beiras de estradas. Num segundo momento, está a produção industrial, de baixo custo, consumida largamente em shoppings e, até mesmo, em supermercados.

A cerâmica de atelier, com tiragem limitada de séries utilitárias, peças decorativas especiais e únicas, ou a cerâmica como meio de expressão artística – instalações, objetos, painéis, murais – é pouco reconhecida e também sofre, como qualquer obra de arte, das mesmas dificuldades frente ao mercado consumidor, restrito à parcela da população com maior poder econômico. Neste caso, mesmo as peças decorativas, mais procuradas pelos arquitetos e lojistas, tem seu preço sempre questionado, seja pelo público que visita os ateliês, seja por esses profissionais que intermedeiam a venda das peças para seus clientes.

Essa falta de reconhecimento está refletida também nos meios acadêmicos, pela inexistência de faculdades de cerâmica com incentivo à pesquisa, ao contrário do que acontece em várias partes do mundo. No máximo é uma matéria eletiva, de um ou dois semestres, em cursos de outra formação e em pouquíssimas universidades. Cabe a nós, ceramistas brasileiros, suprirmos essa deficiência com apoio mútuo, experiências compartilhadas, ações coletivas, enfim... Divulgar a cerâmica em toda sua diversidade.


8-      Quando a cerâmica é arte e quando é decoração?

Quando uma “produção artística” é arte? No mundo contemporâneo, a noção de arte é bastante elástica. Penso que, com os avanços tecnológicos e a fragmentação do sujeito e suas identidades culturais, os antigos conceitos que tentavam definir a arte não dão mais conta da diversidade e pluralidade da produção do ser humano. Hoje, conta mais a reaproximação do artista com o mundo em que vive, em constante deslocamento, através da atividade sensível, buscando entender e “traduzir” os territórios objetivos e subjetivos em que se insere. Nesse sentido, sua liberdade de experimentação contínua frente aos materiais também se alarga, as mídias entrelaçam-se, a noção de sacralização dos espaços expositivos, da própria arte e do artista, relativizam-se, os limites se diluem.

O mesmo deveria valer para a cerâmica, um dos muitos meios de se dialogar com o mundo, mas, infelizmente, existe ainda um preconceito entre artistas e outros atores culturais em relação a ela, vista como “arte menor”. O vício de leitura e o senso comum, alimentado secularmente pela antiga natureza principalmente funcional da cerâmica – potes, ânforas, jarras, copos, pratos – seja para uso diário ou com uma função meramente decorativa, impede um novo olhar para trabalhos como o de Mestre Galdino, por exemplo, do Alto do Moura-Caruaru, repleto de substância simbólica, que tem na vida do agreste seu repertório.

O mesmo ocorre com vários outros artistas, do interior e das grandes cidades, que usam a cerâmica como meio de expressão, mesclada ou não a outras mídias, principalmente no Brasil, por motivos já expostos anteriormente nessa nossa conversa.

Portanto, na minha visão, o problema não está na cerâmica em si, mas na postura do ceramista em relação ao seu trabalho, o que também é válido para qualquer meio que o artista use. Se, ainda no caso da cerâmica, a intenção é apenas fazer um objeto bonito, formalmente bem resolvido, que se harmonize num ambiente qualquer, aí estaremos falando de um objeto decorativo. Para um observador que se permita um olhar sem pré-conceitos, ficará fácil distinguir entre arte e decoração.


9-      O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?

Isso vai depender muito de como a galeria conceitua seu espaço, mas penso que o que todas têm em comum seja preferir representar artistas que já tenham percorrido um caminho de produção com aprofundamento significativo no que seria sua inclinação poética. Considero que esse percurso tenha menos a ver com o tempo de estrada e mais com a intensidade de comprometimento do artista no seu processo que, em contrapartida, deve ter sempre muito claro dentro de si quais os seus limites e o que pretende a cada instante, inclusive de não ser representado por nenhuma galeria. Essa relação é quase inexistente no caso daqueles que, como eu, optam pela cerâmica como meio principal para seu trabalho, talvez pelo preconceito comentado acima, o que lamento profundamente - mais o preconceito do que a falta de representação.


10-   A mulher está em igualdade de condições no mercado de arte?

Basta circularmos nos museus, galerias e outros espaços culturais para sabermos que não. Recentemente fui a uma exposição composta por 9 homens e apenas 1 mulher. Existem algumas pesquisas reveladoras da quantidade infinitamente maior de obras de artistas homens nos acervos dos maiores museus do mundo e em exposições montadas nesses espaços, apesar da superioridade numérica de mulheres nos cursos de graduação em arte. Isso é revelador da herança histórica patriarcal dominante, comprometendo a diversidade de expressão e o acesso à pluralidade de visões acerca do mundo.


11-   Como é sua experiência com o ensino da arte?

Minha formação no Curso Intensivo de Arte Educação e posterior coordenação do mesmo na Escolinha de Arte do Brasil, operou uma ebulição transformadora dentro de mim e me fez pensar no quanto a minha espontaneidade e abertura para o novo havia sido tolhida na educação formal. As experimentações com diversas linguagens eram tentativas de um reencontro pessoal e não o aprendizado de metodologias para ensinar arte às crianças e jovens. Quando comecei a atuar em escolas, aquela ebulição entrou em choque com o sistema educacional, visivelmente estagnado. Foram alguns anos de embate na tentativa de ampliar o diálogo e conquistar espaço nessas instituições, sem muito sucesso.

Por essas razões, um amigo e eu, apresentamos um projeto à Secretaria de Educação do Rio, de reciclagem de professores das escolas públicas, na esperança de gerar um efeito multiplicador de sensibilização e discussões em torno das questões inerentes ao ensino da arte. Foram muitas descobertas, de ambos os lados, e talvez tenha sido uma das minhas experiências mais re-compensadoras em educação. Outra foi a oficina de cerâmica, no meu atelier, com jovens oriundos de várias comunidades populares do Rio, durante 2 anos, dentro do projeto OPA, da Associação SerCidadão, em parceria com o Museu da República, entendendo que saberes culturais e estéticos inseridos nas práticas de produção e apreciação artísticas são fundamentais para a formação e o desempenho social.

Hoje, fora do contexto educacional institucionalizado, dou continuidade a projetos de arte para crianças em meu atelier, integrando diversos meios, técnicas e circulando pela história da arte a partir do que eles produzem, como uma ponte de referências e um primeiro contato com o pensamento e o sentimento estético de cada época. Da mesma forma, são muito importantes e produtivas, para eles e para mim, as nossas conversas, ao final das oficinas, acerca dos seus processos, dos resultados e da infinidade de novas possibilidades que surgem daí. Várias teorias e discussões em torno do ensino da arte estão registradas em teses, artigos, livros os mais diversos, que sem dúvida contribuem para meu crescimento como arte educadora, mas o que é prioritário para mim é atuar junto a eles levando em conta seu universo, descobrindo os melhores caminhos na relação. Posso dizer que me sinto ventilada a cada encontro.

Além disso, mantenho o curso regular de cerâmica, workshops eventuais para jovens e adultos, abrindo também meu espaço para outros artistas que queiram compartilhar seus projetos.

12-  Quais são seus planos para o futuro?

Basicamente, não me disponho a fazer planos para o futuro, mesmo porque acredito que o próprio trabalho vai indicando os próximos passos, revelando novas ações e, o que é melhor, deixando brechas para o desconhecido, o inusitado, o que de certa forma me excita bastante.

Na área do ensino da arte, prefiro não falar em termos de planejamento, mas sim um desejo de retomar o tipo de trabalho que realizamos, os jovens da Associação SerCidadão e eu, porém não institucionalizado. Talvez montar oficinas em espaços públicos, junto a movimentos sociais com os quais me identifico, como ação política/artística/cultural, para toda criança e jovem que queira participar, incluindo os moradores de rua.

Da Série Contra Torno, 2003. Cerâmica branca, alta temperatura, torno alternado. XVI Salão Paraense de Cerâmica, Museu Alfredo Anders.

Play Ground. Ensaio para Grandes Penetráveis, 2003. Cerâmica e chamote branco, forno de alta temperatura, torno alternado. Campo transcendental.


Da Série Objeto Relacional, 2004. Objeto instalado, porcelana, base de vidro, foto digital. Campo expandido. Galeria de Arte UFF, Niterói.


Bastidores, 2004. Tecido, linha de lã, bastidores. Mostra o Seu Que Eu Mostro o Meu. Casa França Brasil, RJ.


Da Série O Olho Vê o que também Olha e Também Vê, 2008. Objeto instalado, cerâmica branca, alta temperatura, torno e escultura. III Salão Nacional.


Night and Day. Vertentes e Confluências, 2009. Craft, gaze gessada, estrutura em madeira, tinta automotiva. Pintura fora da pintura.
 
NIGHT AND DAY – Vertentes e Confluências
Exposição PinturaForaDaPinturaNaBerlinda – Galeria do Poste, Niterói, RJ
Nesta obra, a dinâmica da luz do sol e as impressões de cada instante, com suas mudanças cromáticas, indicadas pelo relógio solar, remetem ao cíclico do feminino e sua antítese – a estaticidade do masculino, evidenciada pelo poste e o efeito da luz elétrica, que fixa a sombra do mesmo. Em meio a estas duas vertentes, uma confluência. Como na lenda do Feitiço de Áquila, apenas um tempo de encontro possível: o crepúsculo - tempo mágico, onde o telúrico e o cósmico se encontram.
Entremeios. Uma Escrita de Sonhos, 2010. Cerâmica branca, chamote terracota, ferro, tinta automotiva. Zona Oculta. Entre o Público e o Privado, RJ.



Borda Dura, 2011. Objeto instalado, novelo de lã, bastidores, malha elástica. Cor de Rosa Choque. CEDIM. Centro Cultural Heloneida Studart, RJ.


Crisália, 2013. Escultura em barro branco, lã e led. Beuys. Para Onde Nos Leva. SESC, Nova Iguaçu.


Design em Cerâmica.












PinturaForadaPinturaNaBerlinda

          Apontar os vestígios poéticos de cada indivíduo envolvido em um processo de comunicação à distância - artistas e curador - e apresentar os recursos gramaticais que perduram quando a experiência pictórica se expande e ultrapassa os limites da linguagem, não constitui a intenção primeira deste texto. Experimentar meios técnicos e teóricos fora da sua tradição usual, no que diz respeito à comunicação e à pintura como conhecimento fundamental e de referência para a curadoria de configurações que se inclinam em direção à pintura no campo expandido, é condição para uma tentativa de compreensão das imagens que compõem este conjunto em mostra.

          Apontar o sistema “Orkut” como plataforma de desenvolvimento de projetos artísticos, indica uma face da opção metodológica que norteou a troca dos comentários. Dentro deste mesmo contexto, a horizontalidade e multiplicidade dos diálogos propiciaram uma relação de vizinhança e igualdade entre os participantes e intensificação das interações técnicas e teóricas afastando, deste modo, o antigo modelo estratificado de relação entre artistas e curadores. Tal fato constrói o viés que define um segundo princípio de método, que participa e define o perfil desta exposição.

          Cris Cabus, Rogério Rauber e Lucila Tragtemberg são os artistas que sobreviveram a uma maratona de questionamentos de natureza conceitual e técnica que filtrou os participantes, pelo grau de dificuldade e enfrentamento em diversas áreas de conhecimento ao longo de três meses de trocas, basicamente via internet. Cabe lembrar que a disposição em solucionar os problemas que se apresentavam a cada momento, e a flexibilidade em redesenhar os projetos, sempre que necessário, assim como uma clara adaptação a horizontalização relacional, foram os critérios que mais contribuíram para afastar, durante o processo, outros participantes que não atingiram o final deste caminho que culmina nesta exposição.

          Lembro ainda que, mesmo mudando parâmetros teóricos e meios técnicos, um dos princípios da arte ainda é a exclusão. Uma exposição que se apresenta ou uma obra de arte que se finaliza é, em si, uma edição. Neste sentido convidamos a todos para a fruição deste resultado.

                                                                                             João Wesley de Souza - abril de 2009







Cris Cabus

Vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ


Artista visual, graduada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – UFRJ; Arte educadora formada pela Escolinha de Artes do Brasil, onde coordenou o CIAE – Curso Intensivo de Arte Educação e ministrou a Oficina de Processos de Criação em 1991 e 1992; Ilustradora de livros infantis como “Joana e o Lápis Amarelo” e “A Fábrica de Pipas”, ambos de Pedro Veludo; Artista participante do Circuito das Artes do Jardim Botânico, evento anual do bairro carioca.

Em seu atelier, além do trabalho autoral, ministra aulas regulares de cerâmica – esculturas e design, além de promover workshops de Queima Raku e Oficinas de Arte para crianças.


Principais Exposições, entre individuais e coletivas:

- “Beuys, Para onde nos leva?” – SESC Nova Iguaçu, RJ - 2013

- “Cor de Rosa Choque” – CEDIM-Centro Cultural Heloneida Studart, RJ – 2011

- “Zona Oculta – Entre o Público e o Privado” – Galeria do SESC Nova Iguaçu, RJ – 2010

- “Zona Oculta – Entre o Público e o Privado” – CEDIM-Centro Cultural Heloneida Studart, RJ – 2010

- “Pinturaforadapinturanaberlinda” – Galeria do Poste, Niterói, RJ - 2009

- “Projeto Miragem”- Consultório.Galeria Dra.Cláudia Spínola, RJ - 2008

- “Casa Cor 2007” – Jockey Club do Brasil, RJ – 2007

- “Nano Exposição”, Galeria de Artes UFES–GAEU, Vitória, ES - 2006

- “20 x 20” – Galeria do Ateliê da Imagem, RJ – 2005

- “Sempre Cerâmica” – Instituto dos Arquitetos do Brasil, RJ – 2005

- “Mostra o Seu que Eu Mostro o Meu”, Casa França Brasil, RJ - 2004

- “Campo de Intersemioticidade” – Galeria de Artes UFF, Niterói - 2004

- “Campo Transcendental” – Galeria de Artes UFF, Niterói, RJ – 2003

- “Mutantes – Cerâmicas”, Casa de Cultura Laura Alvim, RJ – 2003 

- “Brazilian Expression Ceramics”– State University of West Geórgia, USA – 2001/2000

- “Cerâmicas” – Parque Jardim Botânico, RJ – 2000

- “Cerâmicas” – Galeria Almacén, Barra, RJ – 1999

- “Papel e Barro” – Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, RJ – 1999

- “Figurinos e Cenário p/ Coração Mamulengo de Ariano Suassuna–Pinturas” – Centro Cultural dos Correios, RJ – 1998

- “Retrospectiva Augusto Rodrigues e EAB” – CCBB, RJ – 1990

- “VII Expo de Arte RIOBI” – Galeria Place des Arts, RJ – 1988


Intervenções em Espaços Públicos:

- “EIA - Experiência Imersiva Ambiental / Canteiro de Obras” – Praça  da República, São Paulo, SP – 2005


Prêmios e Salões:

- “II Salão Nacional de Cerâmica” – Casa Andrade Muricy, Curitiba, PR - 2008

- “XVI Salão Paranaense de Cerâmica” – Prêmio Júri Popular - Museu Alfredo Andersen, Curitiba, PR – 2004

- “XV Salão Paranaense de Cerâmica” – Museu Alfredo Andersen, Curitiba, PR – 2002

- “1ª Bienal de Cerâmica RJ – Salão Novíssimos”– 1º Prêmio – Museu Histórico Nacional, RJ - 1998


Referência Bibliográficas:

- “Zona Oculta – Entre o Público e o Privado – Catálogo” – SECS Nova Iguaçu, RJ – 2010

- “II Salão Nacional de Cerâmica – Catálogo”- Museu Alfredo Andersen, Curitiba, PR - 2008

- “Campo de Imantação - Livro Galeria”, EDUFF- UFF, Niterói - 2004

- “Diálogo das Fronteiras - Livro Galeria”, EDUFF-UFF,Niterói - 2004

- “XVI Salão Paranaense de Cerâmica – Catálogo” - Museu Alfredo Andersen, Curitiba, PR – 2004

- “XV Salão Paranaense de Cerâmica – Catálogo” - Museu Alfredo Andersen, Curitiba, PR – 2002




Contato: Cris Cabus

Atelier: (21) 2259-5959      Cel.: (21) 98577-6001


3 comentários:

Betty Alvarez disse...

Uma obra instigante e uma visão realista.Parabéns Cris Cabus!

Cris Cabus disse...

Obrigada por seu comentário, Betty Alvarez! Um abraço.

Fernanda Chacel disse...

adorei,Cris.parabens!

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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