terça-feira, 29 de abril de 2014

Fernando Ferreira de Araujo Rennants Gabinete D, SP.



A mostra “Remnants” do artista plástico pernambucano, Fernando Ferreira de Araujo, residindo atualmente em São Paulo,   estará aberta ao público do dia 10 de maio a 07 de junho no Gabinete D, na Rua Estados Unidos 273, no Jardim Paulista. A abertura será sábado, dia 10 de maio das 12h00 às 17h00.
Pintando há mais de 20 anos, a trajetória do artista data desde 1989, um marco na sua carreira, quando duas de suas obras foram selecionadas pelo MAC – Museu de Arte Contemporânea de PE para o Salão de Novos daquele ano. Em 2001 Fernando Ferreira de Araújo passou a se dedicar à pintura de forma integral e profissional. Em 2003, mergulhou no cenário internacional, participando de várias mostras individuais, coletivas e leilões nos Estados Unidos e Europa. Membro do The Art Students League of NY, se mudou para Nova York em 2003, onde montou o seu atelier em Manhattan. Desde então vem solidificando a sua presença no mercado internacional. As suas obras podem ser encontradas em importantes coleções privadas nos EUA e Europa assim como no acervo permanente do MAC-PE.  Em 2010 foi listado como um dos 100 brasileiros mais influentes de Nova Iorque pela revista Vogue em conjunto com a BrazilFoundation. Para esta mostra o curador, Eduardo Machado, selecionou 26 obras todas em papel de algodão - 300g a 640g - montadas em caixa de madeira e vidro. A grande maioria é inédita e produzida entre 2012 e 2014. No entanto uma pequena parte, fase seminal do conjunto da obra, participou de uma mostra individual do artista no MAC-Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, no ano passado (abril-junho, 2013).

Na vida nômade que o persegue, ou perseguida por ele, como ele mesmo diz, Ferreira de Araújo resolveu coletar parte dos pedaços que deixa para trás e representá-los em texturas que falam por cada centímetro. Ele aborda aspectos que há muito tempo queria focar como tema principal: 'Textura' e a dimensionalidade a partir do detalhe. Neste distanciamento do pictórico, o artista busca o encontro com o caos, com o desordenado, mas, que o norteia em cada gesto, cada passo. Nesta série ele coleta fragmentos do seu passado (recortes, rebocos de paredes de antigos estúdios, recibos, embalagens, fotos e o que mais tiver passado no seu caminho) e os integra, com impastos, ao momento presente da obra através de um depoimento gráfico-caligráfico, que inicia o seu trabalho, mas ao mesmo tempo é quase soterrado pelas reminiscências e sobreposições de camadas. Neste processo o todo é tão importante quanto o detalhe que originou a obra, e que na maioria das vezes encontra-se quase que completamente soterrado sob as várias camadas de matérias. Aqui o foco é ampliado sobre o ângulo sem perder a visão macro e sem necessariamente expor, por completo, o detalhe seminal. Fernando reforça que muitas vezes, ou na maioria delas, os detalhes, os fragmentos os agradam mais do que a obra finalizada. A sua obra é abstrata por essência e, comumente o observador se depara com detalhes que sobrepõem a visão macro.


Este processo orgânico e visceral leva a uma textura e tridimensionalidade fragmentada que não é para ser entendida, apenas sentida. O desgaste da matéria é refletido literalmente nas pontas dos dedos do artista que ficam tão gastos quanto o aspecto intencional e autobiográfico da obra










Texto de apresentação por J. Wair de Paula para a mostra “Remnants” do Artista Plástico pernambucano, Fernando Ferreira de Araujo, residindo atualmente em São Paulo. A mostra estará aberta ao público do dia 10 de maio a 07 de junho no Gabinete D, na Rua Estados Unidos 273, no Jardim Paulista. A abertura será sábado, dia 10 de maio das 12h00 às 17h00.
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‘REMNANTS’
Papéis pintados, colados, reprocessados, rebocos de paredes, camadas de sedimentos de ordem quase geológica e a pureza que pode estar contida no acúmulo. O título desta série de Fernando Ferreira de Araujo poderia, à primeira vista, encaminhar nosso olhar e sentidos para o fato dele se utilizar de sobras, restos, para compor a intrincada superfície de suas obras. Mas uma análise mais acurada vai nos levar a outro significado deste termo – resquícios. Fernando trabalha com o tempo, com vestígios, com sua própria história (a gênese deste trabalho data de mais de uma década, desenvolvida no período em que o artista morava em New York) para criar superfícies matéricas, intensas, meticulosamente edificadas sob uma aparente desordem. Reforça na arquitetura arqueológica de seu trabalho o pensamento de Mario Quintana, de que o passado não reconhece o seu lugar, pois está sempre presente. Mas, ao contrário do procedimento arqueológico, em que os sedimentos são minuciosamente retirados para que se descubra o objeto histórico, aqui o método é igualmente meticuloso, mas oposto – a sucessão de pequenos elementos, fragmentos de uma (outrora) mesma área que vão compondo um panorama cujas referências parecem encontrar paralelo na obra filosófica de Jacques Derrida, em sua necessidade de levar ao limite os contrastes, à desconstrução ante a forma. Resíduos intensamente carregados de camadas e camadas de tinta junto a fragmentos de embalagens industriais, em franco contraponto em suas essências, criam uma dialética única, onde visualmente, neste processo, o paradoxo se impõe ante à desconstrução – parecendo que as obras foram escavadas, não construídas.
Desta forma, o artista visita seu repertório e revisita seu método de forma analítica, escavando de sua própria narrativa pictórica os elementos imprecisos que sugerem o caminho, reforçando o dogma de que definir é matar, sugerir é criar.


j. wair de paula 



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Maurizio Cattelan

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