quinta-feira, 24 de abril de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Marcelo Jácome




Quem é Marcelo Jácome? 
Eu achava que sabia até entrar na terapia uns anos atrás, depois disso o negócio ficou bem turvo. Hoje sou mais calado.
Nasci em 80 no Rio de Janeiro onde fui criado e moro até hoje.  
Basicamente passei por alguns colégios, fui presidente de grêmio estudantil e resolvi fazer arquitetura. Trabalhei na área por uns três ou quatro anos mas larguei aquilo por causa dos procedimentos que no final acabam te travando muito.


Como a arte entrou em sua vida?
Passei por algumas escolas que tinham uma proposta mais aberta, que davam mais enfoque para a criação, para discussão e construção de um pensamento
Até que quando cheguei na faculdade, (eu tinha uns 19 anos), comecei a ter aulas com o Hilton Berredo, com a Susana Queiroga, Manoel Fernandes, com o Grijó etc. A partir daí, comecei a pesquisar por conta própria o trabalho desse pessoal, o que me causou curiosidade e me fez querer ver o que era produzido hoje. Sendo assim, comecei a frequentar umas aulas de pintura no atelier da Cristina Mathias que trazia uns catálogos de exposição, livros de arte e todo tipo de material impresso. Era uma forma de mostrar o que acontecia. Acho que foi a partir dessa época que a arte entra na minha vida de uma forma mais objetiva.

Qual foi sua formação artística?
Minha formação artística está sendo. Esse negócio de se considerar "artista formado" acaba te limitando , o cara fica todo engessado, sustentando uns posicionamentos...
Até agora a coisa  tem sido meio misturada. Posso dizer que a faculdade de arquitetura  foi muito importante pra mim, foi lá que eu aprendi a olhar, era um lugar de trocas sensacionais! (nessa mesma época fazia o curso com a Cristina)
O tempo passou e fui morar um tempo em Búzios onde conheci o Armando Mattos que generosamente me fez ter contato com muitos estranhamentos durante uma temporada na BAB e então comecei a frequentar a EAV, participar de umas vivências com uns, com outros.. Agora estou cavando umas residências fora.




Que artistas influenciam em sua obra?
Gosto do pessoal que trabalha com autonomia da cor associado ao espacial.

Como você descreve seu trabalho? 
Meu trabalho busca dilatar o conceito de pintura. Para isso me utilizo do tridimensional o que acaba me fazendo trabalhar com a ideia de hibridismo entre objetos escultóricos, instalações e arquitetura.
O repertório material que utilizo está sempre ligado à um contexto popular. Procuro materiais de fácil acesso, que estão presentes num quotidiano e que permitam  ser requalificados e resignificados a partir de suas propriedades.
Dessa forma, me interessa trabalhar com a possibilidade do espaço não classificável, propor articulações entre o dentro/fora - lugar/vazio – pintura/escultura – instalação/arquitetura . 
Acho interessante pensar que para meu trabalho ser “visto", seja necessário se relacionar em outros níveis com ele.

 É possível viver de arte no Brasil?
Tem gente que vive e gente que sobrevive.

Como você percebe o mercado de arte no Rio de Janeiro?
Bem… o que se diz é que o mercado está aquecido e que a coisa vem crescendo, galeria de fora se firmando por aqui, feira vendendo e um novo público consumidor se formando.
O curioso, é que na hora que vou conversar com o pessoal em particular, só se reclama!  A conta não fecha: O mercado cresce, a feira é sensacional, gente nova chegando, mas na mesa do bar só se fala em dificuldade! Talvez  a cena do Rio esteja passando por uma movimentação:  agora, se isso é o tal do “mercado aquecido", não sei.

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los.?
É um formato que tenho pouco contato, mas me parece que apesar da limitações que esse tipo de proposta carrega, ainda é uma maneira de fazer circular uma produção que muitas vezes fica contida.



Você fez uma exposição na renomada Saatchi Gallery de Londres, como foi a experiência? 
No início fiquei tenso, seria o maior trabalho da série a ser executado, tendo que sozinho ativar aquela sala. Era uma responsabilidade que até então me era estranha, mas depois quando cheguei vi que a coisa seria interessante… primeiro por que a estrutura que te dão para execução do trabalho é sensacional, o que te possibilita transformar um grande vazio num lugar monumental sem grandes dramas operacionais, segundo que a quantidade de gente que tem contato com a tua obra é muito grande.

Como você poderá ser conhecido em âmbito nacional?
Não tenho como dizer. Quando isso acontece é de forma natural, acho que por si só o trabalho ganha chão, vai chegando mais longe, entra numa publicação aqui, uma possibilidade ali, o artista é selecionado para fazer uma residência acolá… aí acaba despertando interesse. Acho que é assim que a coisa acontece.

Na sua opinião, qual o exato papel do curador?
Ativar possibilidades implícitas.

Quais são seus planos para o futuro?
Esse negócio de planejar não deu certo pra mim. Em determinado momento vi meus planos reduzidos à algumas caixas de papelão com meia dúzia de coisa dentro.
 Acho que esses "planos para o futuro" travam as potencialidades do sujeito, a pessoa fica condicionada à um objetivo idealizado e no meio do caminho acaba deixando um monte de coisa passar. 
Pra mim, o indivíduo tem que saber o que presta e o que não presta pra ele o que ele quer e não quer e a partir disso ir seguindo do jeito que lhe convier.




 Planos Pipas No 17, 2013. Saatchi Gallery, Londres.



Planos Pipas No 17, 2013. Saatchi Gallery, Londres.

 

Série Não Lugares, 2011. Colagem de papel de seda sobre compensado. 110x160 cm.



Série Amassados, 2013. Papel de seda sobre compensado de madeira, 40x40 cm.



Pontos Suspensos, 2013.
 
 

Pontos Suspensos, 2013.



 Série Espaços Temporais, 2014.



Série Espaços Temporais, 2014.


Pórtigo, 2014. Jardim d'Acclimatation, Paris.

 

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Maurizio Cattelan

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