terça-feira, 1 de abril de 2014

Conversando sobre Arte entrevistado Jorge Medeiros







Quem é Jorge Medeiros?
Nasci em São Paulo, capital, onde trabalho e resido ainda hoje. Fui uma criança muito criativa, sempre pronta para fazer experiências e explorações pelo quintal de casa, além dos muitos desenhos com lápis de cor e canetinhas SylvaPen. Aos vinte e poucos anos a música também teve uma parte importante na minha vida, numa época em que me interessei pela guitarra e contra-baixo, que cheguei a tocar por longos anos. Com o tempo decidi permanecer apenas nas artes plásticas, que falaram mais forte. Jorge, 1900 Sépia.



Como a arte entrou em sua vida?
Desde a infância eu adorava desenhar. De vez em quando fazíamos concursos de desenho em casa, valendo figurinhas como prêmio, e eu ganhava sempre...rsrs. Na juventude comecei a levar mais à sério e aprendi a pintar com pastel seco. Sempre sonhei em seguir com a arte, apesar da falta de apoio da família, tão comum na história de tantos artistas.



Qual foi sua formação artística?
Não tenho formação acadêmica, sou autodidata. Mas realmente não vejo isso como um impedimento para o bom desenvolvimento da carreira de um artista. Atualmente participo do grupo de acompanhamento de projetos com Nino Cais e Marcelo Amorim, no Hermes Artes Visuais.


Que artistas influenciam em sua obra?
Tive muito contato com livros de Salvador Dali na infância. Eu achava fantástico. De alguma forma estas lembranças ficaram impregnadas em mim, e percebo um toque surrealista em algumas coisas que faço. Os Renascentistas também me marcaram muito. Hoje em dia vejo muita coisa que me agrada na arte contemporânea, mas não tenho consciência de alguma influência direta em meu trabalho.



Como você descreve seu trabalho?
Me interessa investigar aspectos do homem como um “ser cultural”, aquele que transforma o mundo e cria novos significados de forma consciente. Sempre me pego lendo coisas a respeito de antropologia, psicologia, e comportamento. A compreensão dos signos e das palavras também é uma força motriz que impulsiona o meu fazer artístico. Muitos de meus trabalhos são feitos com páginas de livros antigos, ou com folhas de papel em branco, unindo as técnicas de recorte, costura, impressão, e desenho. Sempre pintei à óleo, mas atualmente dou preferência para utilizar outras técnicas e suportes, como a fotografia mais recentemente.



É possível viver de arte no Brasil?
Acho possível, mas nem todo mundo alcança esse privilégio. No meu caso, busquei atividades paralelas nos últimos anos. Já escrevi para uma revista de música por um tempo, e hoje em dia tenho um e-commerce com produtos que desenvolvo.



O que você pensa sobre os salões de arte?
Acho que os salões são uma ótima forma de inserir o artista no circuito de arte e dar visibilidade. Particularmente, alguns salões que tive a oportunidade de entrar me deixaram mais animado. É bom saber que todo aquele esforço solitário em nossos ateliês tem um reconhecimento de vez em quando.



Você escreve sobre seu trabalho?
Sim. Para mim, é muito mais fácil escrever sobre o meu trabalho do que falar, ao vivo, sobre ele. Sempre me dediquei a este exercício de me fazer entender pela escrita, para falar da minha poética ou desenvolver algum projeto. Quando algum amigo artista me diz que não sabe falar sobre seu trabalho, eu respondo: Aprenda...escreva...re-escreva...treine...não se acomode com o “não sei fazer”.



O material para arte produzido no Brasil, já é de qualidade suficiente?
Sempre usei materiais nacionais e nunca tive problemas. Mas, é lógico que a qualidade dos produtos que vêm de fora são ótimos. Tenho usado tantos materiais diversos, além de tintas e afins, que não estou muito por dentro das novidades.






Como você poderá ser conhecido em âmbito nacional?

Não sei exatamente se isso é algo primordial para um artista. Mas, considerando que ser conhecido nos levaria a ser mais valorizado, e dessa forma, poder viver da arte...imagino que o caminho é trabalhar com seriedade, participar de salões, estar atento ao que acontece no circuito das artes em geral, trabalhar...trabalhar...trabalhar.



O que é preciso para um artista ser representado por uma galeria?
Acho que quando o artista leva à sério o seu ofício, uma hora ou outra ele é reconhecido. Mas sabemos que as galerias têm suas necessidades comerciais que precisam ser resolvidas. Na verdade, isso não me preocupa. Gasto meu tempo apenas focado em desenvolver um trabalho de qualidade, que me diga algo, e que me toque.



Quais são seus planos para o futuro?
Tive a grata notícia que fui selecionado para o 42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto de Santo André, São Paulo, que abre a exposição no mês de abril. De resto, continuo caminhando no território das incertezas e da imaginação.




Ensaio das Pequenas Torturas 1, 2013.
 
 
 

Ensaio das Pequenas Torturas 2, 2013.
 
 

Apresento Minhas Armas, 2013,
Território, 2013
 
 
Transitório, 2013.
 
 
Predicados, 2013,
 
 
Topografia, 2013.
 
 
Simulacro, 2013.
 
 
Decreto 1, 2013.
 
 
Decreto 2, 2013.

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