segunda-feira, 28 de abril de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada Vick Garaventa



Quem é Vick Garaventa e como a arte entrou em sua vida?
 Nasci em junho de 1989, em São Paulo. Minha mãe e meu pai sempre se interessaram por arte, os dois chegaram a pintar em algum momento da vida, mas nunca exerceram como profissão.
Eu sempre gostei de criar, desenhar e construir coisas, me pareceu muito natural trabalhar com arte, quando eu cresci. Ainda assim, eu tive um momento de dúvida e prestei vestibular para medicina e artes plásticas, juntos. Mas logo percebi que meu interesse pelo corpo, por mais que se aproximasse da ciência, era artístico.

Qual foi sua formação artística?
 Estudei artes plásticas na FAAP, me formei em 2010.

Que artistas influenciam em sua obra? 
O trabalho da Marlene Dumas me marcou muito, assim que conheci. Também me interessa muito a relação que Kiki Smith estabelece com o corpo, em muitas de suas obras. Gosto também das pinturas da Jenny Saville, a maneira como ela constrói o corpo, as camadas de tinta que evidenciam o processo (quase uma narrativa da tinta), algo realista e ao mesmo tempo gestual, e também a relação com a escala.

Como você descreve seu trabalho? 
 Eu trabalho com pintura, desenho, gravura, objeto e, algumas vezes, fotografia também. Acredito que cada trabalho pede um suporte e uma finalização diferente. Minha pesquisa gira em torno do corpo, e a possibilidade de reconfiguração dele. O corpo como processo, o orgânico e mutável, a idéia de manipulacão, a relação entre natural e artificial.

É possível viver de arte no Brasil?  
 Sim. Mas não é fácil, é uma vida instável. Acho que em muitos casos, os artistas encontram outras maneiras de ganhar dinheiro, dando aula, fazendo projetos paralelos...

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los.?
 Eu gosto muito da idéia de ter editais que estimulem a produção de jovens artistas, não apenas salões, mas qualquer tipo de edital, para residência, exposição, etc. 
Me incomoda um pouco o modelo antigo que alguns salões ainda adotam, de dividir as inscrições por suporte (pintura, escultura, gravura, desenho), isso não faz mais sentido na arte contemporânea, muitos projetos podem incluir mais de uma mídia ou simplesmente não se encaixam em nenhuma dessas opções.
E sou contra os editais que exigem pagamento para realizar a inscrição. Já investimos muito no trabalho (e no transporte, muitas vezes).

Na sua opinião, qual o exato papel do curador?
 Acredito que cada curador trabalha de uma maneira, mas cabe à ele pensar na exposição como um todo, sua concepção física e conceitual, montagem, etc. Ele deve estar familiarizado com o(s) artista(s) escolhido(s), para poder se aprofundar nas questões de cada trabalho e pensar como isso funciona no espaço que é realizada a exposição.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria? 
Acho que são vários fatores que influenciam. Mas acho que todo artista que entra em uma galeria deve ter muito claro quem ele é como artista, o que é realmente importante para ele e quais são seus limites.

Você está inaugurando uma exposição na Zipper Galeria, SP, qual a sua perspectiva?
 Por ser minha primeira exposição individual, pensei que seria interessante ter um pouco de tudo o que eu faço, incluindo alguns trabalhos mais antigos, que mostram minha trajetória como artista. Fico muito feliz em poder mostrar esse recorte da minha produção. Acho muito legal a iniciativa do projeto Zip'Up, o espaço é ótimo e o projeto tem um caráter mais experimental (que não é tão comum no espaço de galeria), e é focado em artistas jovens que não são representados por galeria.

Quais são seus planos para o futuro? 
Continuar produzindo, sempre. Tenho vontade de fazer residências em outros lugares do mundo, trocar experiências e ver como isso afeta o meu trabalho.

Artículos dos apêndices de artrópodes ou falanges, 2013 Nanquim sobre papel 15 cm x 30 cm.



Better living through chemistry, 2012 Óleo sobre tela 150 cm x 100 cm .

 
Cabra cega, 2013 Acrílica e óleo sobre tela 70 cm x 70 cm

 
 
Sem título, 2014 Dois crânios ligados por fita crepe sobre prateleira de madeira 5 cm x 15 cm x 5 cm.

 
 
Sem título, 2014 Nanquim sobre papel 31 cm x 25 cm.
 
 
Por una cabeza, 2012 Óleo sobre tela (tríptico) 53 cm x 76 cm.

 

Tegumento (Jabba The Hutt) - da série Star Wars, 2009  Acrílica sobre tela 160 cm x 150 cm.  Aquém, 2014 Nanquim sobre papel 38 cm x 33 cm Los Angeles, 2013 Ampliação fotográfica

 
Aquém, 2014 Nanquim sobre papel 38 cm x 33 cm.

 
 
 
 Los Angeles, 2013 Ampliação fotográfica.







 
BIO

Artista plástica brasileira, nascida em 1989 na cidade de São Paulo.
Formada em Bacharelado em Artes Plásticas pela FAAP, em 2010. Participou da 41ª e 42ª edições da Anual de Arte da faculdade, ganhando prêmio máximo de bolsa de estudos.
Realizou duas exposições individuais e fez parte de diversas exposições coletivas, incluindo no Museu de Arte Brasilera (MAB), em São Paulo, e no programa de exposições do Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP).
Paralelamente, trabalhou como assistente de artistas como José Roberto Aguilar, Rodolpho Parigi e Adrian Villar Rojas.
Foi também assistente de montagem para exposição no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo.
Atualmente produz seus trabalhos em seu estúdio, em São Paulo.



Um comentário:

Anônimo disse...

Incrível!

Maurizio Cattelan

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