terça-feira, 18 de março de 2014

Galeria Hiato Exposição Dez ao Cubo. Texto Marcia Zoé Ramos.


Galeria HIATO. Exposição DEZ AO CUBO

Texto de Marcia Zoé Ramos

Dez ao cubo
“Eis o compasso, o esquadro, a balança, a pirâmide, o cone, o cilindro, o cubo, o peso, a forma,...
a proporção, as equivalências. E o nosso itinerário.”
Cecília Meireles, in O estudante empírico

O Cubo é um dos cinco sólidos platônicos conhecidos desde a antiguidade clássica e nos antigos tratados euclidianos. Para Platão, o Universo era formado por um corpo e uma alma ou inteligência, ele concebia o mundo como sendo constituído por quatro elementos básicos: a Terra, o Fogo, o Ar e a Água, e estabelecia uma associação mística entre estes e os sólidos.
A terra, o elemento mais imóvel, Platão associou ao cubo, o único poliedro com faces quadradas, e dessa forma, o mais apto a garantir estabilidade. Sua forma geométrica sugere abrigo e segurança, perdendo sua natureza objetiva, tornando-se um espaço para reflexão, imaginação e expressão e nos remete à própria vida.
Dez ao cubo não é uma mostra com pretensões teóricas complexas. São obras que exploram suportes diversos como pinturas, gravuras, instalação e objetos permeados por poesia antes de tudo, devendo ser apreciadas pela sua singularidade. Os artistas aqui reunidos, todos eles com longo percurso dedicado à criação, em algum momento de suas trajetórias utilizaram o cubo como instrumento de suas pesquisas e representações e alguns deles foram diretamente influenciados por mestres neo concretistas ou estudaram com eles.
Fernando Borges, Ilcio Arvellos Lopes, Petrillo, Luiz Carlos de Carvalho, Maria Cherman, Osvaldo Carvalho, Paulo Mendes Faria, Rafael Vicente, Ricardo Pimenta e Roberto Tavares tem uma relação pessoal muito próxima dentro do cenário artístico, onde suas produções (passadas e recentes) se cruzam e interagem dentro do mesmo espaço físico. Convidados ao desafio do “cubo branco”, território das poéticas por excelência, cada um apresenta sua leitura da forma, com ou sem esquadro, nível, fio de prumo, perspectivas ou números e no contexto deste espaço o objeto artístico torna-se essência. O cubo é de todos e todos o recriam. Como no poema empírico, os dez artistas tem os olhos , o pulso e a memória. Todos eles acreditam que assim se constrói o cosmos e sonham. Segundo Platão, seria a "alma do mundo", o quinto elemento, o que ainda não foi encontrado. Talvez somente a arte seja o fio condutor do itinerário nessa busca por formatar o não visto.
 
 

 

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Maurizio Cattelan

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