quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Conversando sobre Arte entrevistada Adriana Beatriz Cangalaya







Quem é Adriana Beatriz Cangalaya ? 
Nasci em Buenos Aires, de mãe chilena e pai peruano. Fui criada no Peru.  Dos 3 até  os 6 anos, vivi na Serra peruana (Huancayo), cidade no vale do Mantaro, cheia de cor, mantos  coloridos, a feira de domingo , a loja de tecidos da minha avó, cheia das cores intensas para roupas típicas e de festas.
Tinha 6 anos quando mudamos para Lima e comecei o primário, numa escola bilingue, com livros bilingues e coloridos. Eu adorava estudar inglês,e, pintar, desenhar e colorir imagens davam sentido a tudo que fazia. Caderno sem imagens estava incompleto.
Adoro música, sempre pinto com música...cinema...Se eu não fosse artista plástica seria música ou cineasta... ou quem sabe astronauta, pois me facina também o espaço, o universo, os planetas. Chorei quandoentrei no site da NASA e vi a terra desde a estação espacial.
Adoro viajar, conhecer lugares e culturas novas.
 

Como a arte entrou em sua vida?
Desde os 5 anos, morando na serra  do Peru, usava todo o dinheiro da minha mesada comprando livros para colorir numa papelaria ao lado da casa da minha avó, onde morávamos. 
Aos 11 anos, foi Carmen Jarque, minha professora de pintura na escola,  quem me introduziu à história da arte, me apresentando a Picasso e aos Cubistas. Um dia ela me mandou representar a  escola num concurso de ikebana... Lá fui eu, sem a menor ideia do que era a tal da ikebana, até a hora que tive de botar a mão na massa.

 

Qual foi sua formação artística?
Aos 16 anos,  entrei para a Mississippi University for Women, nos Estados Unidos, com uma Bolsa de Estudos do Instituto de Educação Internacional. Me graduei com um Bacharelado em Belas Artes, com especialização em Arte Comercial (o que é hoje Publicidade). Meu projeto de graduação foi a pintura do primeiro Mural do Centro de Estudantes da Universidade. Um tropeço e uma lata de tinta verde esparramada  por todo o meu corpo me fizeram sentir batizada como pintora para toda a vida.  Logo depois estava no Mestrado em Pintura, na mesma Universidade.
Em 1979, voltei ao Peru e fiz a minha primeira exposição individual na Galeria Forum  de Lima.
Depois fiz aulas de desenho e pintura com os artistas peruanos Cristina Galvez, Margarita Checa e Leslie Lee.
Em 1985, cheguei ao Brasil onde fiz cursos no Museu de Arte Moderna do Rio com Guianguido Bonfanti. Depois disso a Escola de Artes Visuais do Parque Lage passou a ser minha segunda casa. Foram muitos os artistas e professores que contribuíram significativamente para minha formação, entre os quais, Charles Watson, Daniel Senise, Luiz Ernesto, Katie Ven Sherpenberg, Bia Milhazes, Malu Fatorelli, Chico Cunha, Iole de Freitas, Anabela Geiger, Fernando Cochiaralle, Viviane Matesco.

 

Que artistas influenciam em sua obra?
Influências são várias, constantes e atemporais , desde cores, formas e técnicas até atitudes e pensamentos. Destaco, entre outros, Matisse, Gerhard Ritchter, Cristina Canale, Beatriz Milhazes, Luiz Zerbini, Luiz Ernesto, Nuno Ramos, Daniel Senise, Lucia Laguna, David Hockney, Albert Oehlen e Anish Kapoor, El Anatsui.

 

Como você descreve seu trabalho?
Sempre utilizei técnicas variadas, como acrílico, óleo, desenho, colagens e fotografias, muitas das quais eu mesma faço e sobre as quais interfiro. Tudo isso testemunha o encontro e a tensão entre procedimentos artesanais e  tecnológicos. Memória,  raízes culturais e vida urbana vêm sendo a fonte principal  de minha obra. Você pode encontrar num quadro meu, fragmentos de pontes nova-iorquinas, figuras egípcias em exposição no Metropolitan, assim como guindastes do porto do Rio e fragmentos do Maracanã. Tudo isso, evidentemente, elaborado, ressignificado em novas leituras abraçadas a técnicas diversas.

 

É possível viver de arte no Brasil?
É difícil mas é possivel. Quem sabe toma mais tempo,  torna-se em principio uma questão de muita dedicação, entrega e trabalho, entre outros fatores.

 

O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los.?
Acho que são importantes para que os artistas possam mostrar seus trabalhos e também criam uma porta de intercambio entre artistas de diferentes lugares.

 

O que é ser uma pintora no século XXI?
É uma responsabilidade grande. É necessário estudar, pesquisar e trabalhar muito para desenvolver uma linguagem própria quando se diz que tudo já foi feito. Para isso, é decisivo estar conectada às incontáveis questões que tocam o mundo nesse momento e que podem permitir a expressão de uma particularidade inusitada.

 

Como você poderá ser conhecido em âmbito nacional?
Só um trabalho constante leva à realização da obra, qualquer que seja o meio ou a técnica. Só o trabalho persistente faz com que a obra num momento fale por si.

 
O material nacional para arte já é de qualidade suficiente?
Infelizmente não.  Faz uma grande diferença usar materiais de qualidade que permitem no caso da pintura uma melhor intensidade de cor, uma resistência


O que é preciso para um artista ser representado por uma galeria?
Volto novamente ao trabalho constante e persistente, a uma entrega diária que faz com que o resultado do trabalho fale por si. 

 

Quais são seus planos para o futuro?
Pintar muito, sempre… pesquisar, viajar … ver e fazer muita Arte… a Arte é a minha vida...

 

 










 
 
 
 
 
 
 
 
Texto de Luiz Ernesto da Fonseca Costa Moraes
2011
 
A pintura impõe aos artistas que utilizam esta técnica um enorme desafio. O peso de sua história exige do pintor hoje a investigação de novos materiais e procedimentos que a façam pertinente a uma época de imensos recursos tecnológicos de produção de imagens. Não surpreende, portanto, que alguns pensadores tenham proposto o seu fim.
Adriana Cangalaya é uma artista que, ao longo dos anos, vem enfrentando o desafio. Sua pintura incorpora tanto procedimentos tradicionais  quanto recursos da tecnologia digital. Seus trabalhos têm início com uma fotografia impressa sobre a tela. Nesta etapa, Adriana busca imagens ambíguas, como detalhes de caçambas de entulho ou de espaços arquitetônicos, fotografadas de modo a explorar uma certa dimensão “abstrata” das mesmas. Em um segundo momento, Adriana interfere nas fotografias com diversos procedimentos pictóricos e colagens. O observador é provocado então pela tentativa de reconhecimento dos vestígios da imagem fotográfica que se insinuam através das camadas de tinta e os espaços virtuais criados pelas cores intensas e texturas.
Neste “intervalo” é que se desenvolvem as pinturas da artista. Adriana não busca uma harmonia confortável entre os procedimentos que utiliza. Ao contrário, é na tensão gerada por eles que reside sua busca. O rigor da artista a leva a inúmeras mudanças ao longo do processo em busca da cor exata ou de um modo de intervir adequado.
Na dicotomia entre procedimentos tecnológicos e artesanais Adriana Cangalaya faz com que seus trabalhos estimulem uma reflexão sobre a pintura hoje, mostrando o resultado de uma busca que reconhece a força da tradição mas que não se submete a ela.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DICCIONÁRIO DE ARTISTAS PLÁSTICOS EN EL PERÚ.  Siglos XVI, XVII, XVIII, XIX y XX.
Gabriela Lavarello de Velaochaga
Lima- Perú  2009
 
PERU 10,000 AÑOS DE PINTURA
Marisa Mujica Pinilla
Lima – Perú
2006
 
PINTURAS Y PINTORES DEL PERÚ
Guillermo Tello Garust
Lima  - Perú
1997

 http://www.adrianacangalaya.com/


 



 

Um comentário:

pintando na cozinha disse...

Gosto muito do trabalho da Adriana e sempre que passo pela E.A.V. acontece uma pequena prosa entre nós. Respeito, admiro e me identifico com seu pensamento. Guilherme Secchin

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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