domingo, 31 de março de 2013

Imagem Semanal Ressureição de Cristo


Republicação com acréscimos.


"Eu sou a ressureição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá".
João 11:25






Fra Angelico (1387-1455) Giovanni da Fiezole nascido Guido de Pietro Trosini, mas conhecido como Fra Angelico por ter entrado para o convento de Fiezole em 1407 quando já era pintor. A sua comunidade foi exilada no convento de São Marcos, Florença após desentendimento com o Papa Alexandre VI. Lá, ele pintou diversos afrescos. Trabalhou em Roma antes de ser nomeado prior do convento de Fiesole. Foi um dos mais importantes pintores de Gótico tardio e do Renascença Resurrection of Christ and women at the tomb, 1440-41. San Marco Museum, Florença.





Piero de la Francesca (1415-1492) Nasceu em Borgo Sansepolcro, Itália. Teve importante papel na passagem da pintura medieval para a Renascença com o uso do óleo sobre painel, a introdução do nu e o estudo da perspectiva. Influenciado por Masaccio. Nos últimos anos escreveu sobre matemática e perspectiva. Ressuction, 1460. Museo Civico de Sansepolcro. O trabalho mostra um Cristo atlético com um dos pés na borda do túmulo. O soldado com a túnica marrom esverdeada, adormecido e com a cabeça tocando na haste da bandeira é o auto retrato do artista. O fundo mostra um lado de árvores sem folhas e do outro florescendo o que significaria a redenção do homem pela ressureição de Cristo.





Bramantino (1465-1535) Pintor e arquiteto italiano nascido em Milão. Foi aprendiz de Bramante de quem herdou o nome. Nomeado como pintor da corte do duque Francisco II Sforza. The risen Christ, 1490. Museo Thyssen Bornemiza, Madri



Giovanni Bellini (1430-1516) Nasceu e morreu em Veneza. estudou com o pai Jacopo Bellini e trabalhou com seu irmão Gentile. Influenciado por seu cunhado e amigo Mantegna. sucesso pessoal e seu atelier procurado sendo o aluno mais conhecido Ticiano. No início suas obras eram realizadas com têmpera, mas logo aderiu ao óleo. Resurrection of Christ, 1475-79. Staaliche Museum, Berlin.



Rafael Sanzio (1483-1520) Nasceu em Urbino. Grande nome da Escola de Florença. Sendo considerado com Leonardo da Vinci e Michelangelo os três maiores artistas da Renascença. Foi pintor e arquiteto.  Ressurreição de Cristo, 1499-1502. MASP, São Paulo.




Rembrandt van Rijn (1606-1669) Nasceu em Leiden. Fez sua carreira de gravador e pintor em Amsterdam. É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos. Ressurection of Christ, 1636-1639. Alte Pinacotheck, Munique. Faz parte de um conjunto de cinco quadros encomendado ao artista pelo príncipe Fredrik-Hendrich sobre a Paixão de Cristo.  Diferentemente das outras representações, quem ocupa o centro do quadro é o anjo com sua luz divina. O milagre espanta os soldados e um deles cai do túmulo. A luz emana de seu manto branco.





Bartolomeo Esteban Murilo (1618-1682) Nasceu em Sevilha. Começou seu treinamento com seu tio Juan de Castillo respeitado artista, mas sem muita projeção. Nessa época, foi influenciado por van Dyck, Ticiano e Rubens. Em 1645, mudou-se para Madrid com intuito de aperfeiçoar-se. Estudou os pintores flamengos e venezianos. influenciado por Velázquez e Zurbaran. No ano seguinte, voltou para Madrid, onde teve muito sucesso pessoal e financeiro. Na peste perdeu quatro filhos
Recebeu inúmeras encomendas e sua fama, levou ao Rei Carlos II a convidá-lo para estabelecer-se definitivamente em Madrid, onde permaneceu até sua morte. Foi um dos grandes nomes do Barroco espanhol. Ressuction of Christ, 1658. Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, Madrid.

 


Albin Lienz Eggen (1868-1926) Pintor austríaco dedicado à pintura de gênero e à temas históricos. Inciou seus estudos com o pai. Foi influenciado pelo francês Jean-François Millet. Professor da Escola de Artes de Weimar. Serviu como pintor na Primeira Guerra Mundial. Ressuction of Christ, 1924.

sábado, 30 de março de 2013

Beuys, Para Onde Nos Leva? A Obra de Beuys em Foco.


Hendrick Goltzius






Hendrick Goltzius (1558-1617) Nasceu na Alemanha na fronteira com a Holanda. Quando criança sofreu sérias queimaduras, que deixaram sequelas irreversíveis na mão direita. Em 1577, estabeleceu-se em Haarlen. Lá começou sua própria empresa de impressão. Treinou vários gravadores. A qualidade de seu trabalho levou sua fama a toda a Europa. Viajou a Itália, onde produziu vários trabalhos. Em 1600, passou a dedicar-se à pintura influenciado por Ticiano e Rubens. Foi artista ligado ao Maneirismo. Auto retrato, 1592-1594. Graphische Sammlung Albertina, Viena.








 Venus and Adonis, 1614. Alte Pinakothek, Munique.



Hercules and Cacus, 1613. Frans Hals Museum, Haarlen.

 Stervende Adonis, 1609. Riijksmuseum, Amsterdam.
 War and Peace.



Portrait of Ferderik de Vries, 1597.



Seated Monkey on a Chain, 1595-1600. Carvão sobre papel. Riijksmuseum, Amsterdam.



 Autumn, 1594. Metropolitan Museum of Art, Nova York.




Appolo, 1588. Metropolitan Museum of Arts, Nova York.



The Fall of Phaeton, Metarmophosis, 1588. Metropolitan Museum of Art, Nova York.



Phaeton, 1587. Metropolitan Museum of Art, Nova York.



Allegory of Wooman with Two Serpents and Two Pigeons, 1586. National Galley of Art, Washington.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Imagem Semanal A Descida da Cruz




 
Rogier van der Weyden (1400-1464) Seu verdadeiro nome era Rogier de La Pasture. Foi notável pintor gótico flamengo. Discípulo de Robert Campim, viveu em Roma e Ferrara. Foi nomeado pintor oficial de Bruxelas. Seu tema foram os fatos religiosos.  Influenciou uma geração de notáveis pintores como: Hugo van de Goes, Hans Memling, Petrus Christus, Mabuse e Dieric Bouts. Descent from Cross, 1435. Museu do Prado
 
 
 

Fra Angelico (1387-1445) Seu nome verdadeiro era Guido di Pietro Trosini. Nasceu em Vicchio di Mugello e morreu em Roma. Começou seus estudos com Lorenzi Monaco antes de ser admitido no convento de Fiesole. Um desentendimento com o Papa Alexandre V fez com que toda a comunidade fosse transferida para o convento de São Marcos em Florença. Lá produziu inúmeros afrescos. Foi convocado pelo Papa Nicolau V para decorar a capela do Vaticano. Trabalhou, ainda, em Orvieto. A maior parte de sua obra está no convento de São Marco. Sua pintura é realizada com cores claras e linhas bem definidas e seu tema são os assuntos religiosos. Em 1982, o Papa João Paulo II determinou sua beatificação, passando a chamar Beato Fra Angelico. Descent from Cross, 1437. Museo di San Marco, Florença.
 
 
 
 
Jan Gossaert ou Mabuse (1478-1532) Artista flamengo nascido em Maubeuge considerado o introdutor do Barroco em seu país. Estudou em Bruges e seguidor de Rogier van der Weyden. Foi o primeiro artista flamengo a ir para Itália. The Descent from Cross, 1520.
 
 
Jacopo Pontormo (1494-1557) Nasceu em Pontorme. Pintor maneirismo florentino. Foi aluno de Leonardo da Vinci, Piero de Cosimo e Andrea del Sartro. Viveu em Florença sob os auspício da família Medicci. Suas figuras são retorcidas. Pintou cenas religiosas em murais ou afrescos. Descent from Cross, 1525-1528. Capela Santa Felicita, Florença.
 
 
 
 
 
 
Peter Paul Rubens (1577-1640) Nasceu em Siegen. Seus pais saíram de Antuérpia para Colônia para fugir da perseguição aos Protestantes. Aos dois anos, morreu seu pai e com sua mãe retornou a Antuérpia crescendo como católico. Aos 14 anos, iniciou seu treinamento, de início com Tobias Verhaerght e depois com Van Veen. Viajou para Itália, primeiro para Veneza e depois ficou em Mântua sob o patrocínio do Duque Vincensi I Gonzaga. Foi A Roma e Florença, onde estudou grego clássico. Em 1603, foi a Espanha em uma função diplomática. Em 1609 retornou a Antuérpia em virtude da doença de sua mãe.  Descent of Cross, 1612, Shuvalov House Museum, São Petersburgo.
 
 
 
  James Joseph Jacques Tissot (1836-1902) Nasceu em Nantes, França e morreu em Buillion. Estudou na École de Beaux-Arts, Paris, sendo aluno de Ingres e Lamothe. Aos 23 anos, participou do Salão de Paris. Foi convocado para lutar na Guerra Franco-Prussiana. Após a baixa, passou a viver em Londres. Lá estudou com S. Haden e trabalhou como caracturista. Conheceu Kathlen Newton com quem se casou e tornou-se sua modelo. Manteve contato com os Impressionistas Degas, Manet e Berte Morissot, sem se associar ao movimento. Após a morte de sua mulher, viajou para a Palestina, onde dedicou-se a produção de obras com temas bíblicos. Voltou para a França e dedicou os últimos anos de sua vida a pintar cenas do Velho Testamento. O Museu de Brooklin, Nova York abriga uma coleção de cerca de 500 obras do artista.The Descent from the Cross, 1886-1894. Museu do Brooklin, Brooklin
 
 
 
 




Max Beckmann (1884-1950) Nasceu em Leipzig e morreu em Nova York. Pintor expressionista. Sua pintura foi considerada como degenerada pelos nazistas, o que o levou a mudar-se para Amsterdam e depois para os Estados Unidos, onde foi professor da Universidade Washington, São Luis. Carnival, 1920. Tate Gallery, Londres. Descent from Cross, 1917. MoMA, Nova York. O artista referiu-se aos antigos mestres utilizando-se de sua visão da época. O rigor mortis, as feridas, as manchas de sangue, os braços edemaciados e a facies de sofrimento dão a noção do martírio.


 
 
 
Marc Chagall (1887-1985) Pintor, gravador e vitralista russo. Nasceu em Vitebk na Rússia uma pequena cidade, onde metade era de judeus. Começou seus estudos com Yuri Pen, artista de sua cidade. O ídiche foi sua língua até aos 17 anos. A partir daí, começou a aprender russo, pois foi selecionado para estudar na Academia de São Petersburgo. Morou em Paris, onde conheceu os amigos Apollinaire, Max Jacob, Modigliani, Cendras e Delaunay. Com elementos do Fauvismo e do Cubismo construiu uma linguagem pictórica única. Muitas de suas obras vem de recordações infantis, das lendas, contos e histórias russas judaicas e cristãs. Após a guerra com a derrota o regime czarista, Chagall retornou a São Petersburgo e foi nomeado comissário de belas artes em sua cidade natal, onde, também, fundou uma escola aberta a todos os estilos. Divergências com o grande Malevitch o levaram à demissão. Nesse período, pintou murais para o teatro judeu de Moscou. Casou-se com Bella. Retornou a Paris. Ilustrou a Bíblia, Almas Mortas de Gogol, as Fábulas de La Fontaine e sua autobiografia. Entre 1941 e 1947, morou nos Estados Unidos, onde morreu sua mulher Bella. Retornou à França e criou os vitrais para Sinagoga da Universidade de Jerusalém e da catedral de Metz. Visitou Israel muitas vezes para realizar obras por encomenda. Recebeu a Grã Cruz do governo francês. Morreu em Saint-Paul de Vince. Descent from the Cross, 1968-1976. Centre George Pompidou, Paris.
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Amarelonegro sp-arte/2013


Galeria Laura Marsiaj SP-Arte 2013


Galerias 1500 Gallery, Galeria LUME e Paralelo SP-Arte 2013.





As galerias 1500 Gallery, Galeria LUME e Paralelo participam da edição de 2013 da SP-Arte, apresentando, cada qual em seu stand, suas respectivas especialidades, da fotografia à arte contemporânea.
Entre os destaques da 1500 para a edição de 2013 da feira estão fotografias dos brasileiros Bruno Cals, Hirosuke Kitamura e Julio Bittencourt, além de obras da dupla alemã Bernd e Hilla Becher.
A Galeria LUME, por sua vez, apresenta trabalhos dos fotógrafos Martin Parr e Harry Benson, da Inglaterra, Laurent Chérère, da França, e John Crawford, da Nova Zelândia, além de série inédita do brasileiro Penna Prearo.
Já a Paralelo investe numa diversidade de suportes e gerações, exibindo em seu stand obras tridimensionais de Emanoel Araujo e Fernando Ribeiro, fotografias de Ivan Cardoso, Rodrigo Petrella e Deborah Anderson e obras em técnica mista de Carolina Caliento.
O material completo sobre a participação das galerias na SP-Arte 2013 segue em anexo.
SERVIÇO
SP-Arte 2013 – de 04 a 07 de abril de 2012
1500 Gallery – stand A08
Galeria LUME – stand J01
Paralelo – stand B05
Pavilhão da Bienal – Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP
Horário: 04 e 05 de abril, das 14 às 22h; 06 e 07 de abril, das 12h às 20h








Bruno Cals.
 
 
 
Julio Bittencourt.
 
 

Martin Paar.


 

Ivan Cardoso.



Emanoel Araujo.

 
Fotógrafos internacionais em destaque no stand da Galeria LUME na SP-Arte 2013
 
Em seu segundo ano de atuação no circuito cultural, a Galeria LUME, especializada em arte e fotografia contemporânea, exibe na edição de 2013 da SP-Arte obras de artistas internacionais que passam a integrar seu casting, além de finalizar projetos para concretizar sua participação no mercado global.
 
A galeria, em seu atual momento, investe em nomes de peso da fotografia internacional. Entre os destaques do stand J01 estão obras dos ingleses Martin Parr e Harry Benson, do francês Laurent Chérère e do neozelandês John Crawford, não esquecendo de valorizar seus artistas brasileiros, também presentes no espaço, como Penna Prearo, Florian Raiss, Gal Oppido, Alberto Ferreira, Alexandre Urch e Rodrigo Kassab.
 
A Galeria LUME exibe nessa edição a série inédita “The Last Resort”, na qual Martin Parr faz uma crítica à sociedade britânica; fotografias dos Beatles em começo de carreira registradas por Harry Benson; a famosa série “Aerial Nudes”, de John Crawford, em sua primeira exibição na América Latina; e a série “Flying Houses”, de Laurent Chérère, além de “Falange Ciclope”, série inédita de Penna Prearo.
 
No stand estarão expostas também fotografias de Alberto Ferreira, com imagens icônicas dos anos 1960, como a construção de Brasília e Pelé em campo; a nova série de Alexandre Urch, chamada “Babilônia SP”; e obras de Rodrigo Kassab e Gal Oppido.
 
SERVIÇO
 
Galeria LUME
SP-Arte 2013 – stand J01 – de 04 a 07 de abril de 2012
Pavilhão da Bienal – Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP
Horário: 04 e 05 de abril, das 14 às 22h; 06 e 07 de abril, das 12h às 20h
 
Galeria:
Rua Joaquim Floriano, 711 - 2º andar – Itaim Bibi – São Paulo, SP
Tel.: (11) 3704-6268 – www.lumephotos.com
 
 
Ass. Imprensa            - Balady Comunicação – Silvia Balady/ Bruno Palma
Tel.: (11) 3814.3382 – contato@balady.com.br
 
 
 
 

A 1500 Gallery participa da edição de 2013 da feira SP-Arte, apresentando no stand A08 obras dos fotógrafos brasileiros Bruno Cals, Hirosuke Kitamura e Julio Bittencourt, dispostas nas paredes do espaço ocupado pela galeria, além da dupla alemã Bernd e Hilla Becher, cujas fotografias se alternam num display a cada dia da feira.
 
Na edição de 2013, a 1500 apresenta trabalhos de Bruno Cals nos quais são exploradas possibilidades irreais de horizonte, registros sensíveis do clima do meretrício na capital baiana feitos por Hirosuke Kitamura, e um grande políptico de Julio Bittencourt do edifício Prestes Maia, que serve como uma pequena alegoria da vida nas grandes metrópoles. As obras de Bernd e Hilla Becher, por sua vez, retratam, em preto e branco, instalações industriais. Serão exibidas ainda no stand fotografias do renomado artista canadense Robert Polidori.
 
Com poucos anos de atividade, a 1500 Gallery não apenas firma-se nos Estados Unidos, como também marca presença em importantes feiras de arte no Brasil e no mundo. Em 2013 a galeria tem uma novidade especial para o público brasileiro. Ainda este ano será inaugurada sua sede em nossas terras. A cidade escolhida foi o Rio de Janeiro.
 
 
SERVIÇO
 
1500 Gallery
SP-Arte 2013 – stand A08 – de 04 a 07 de abril de 2012
Pavilhão da Bienal – Parque do Ibirapuera, São Paulo, SP
Horário: 04 e 05 de abril, das 14 às 22h; 06 e 07 de abril, das 12h às 20h
 
Galeria:
511 West 25th Street, #607, New York, NY
Tel.: +1.212.255.2010
www.1500gallery.com
 
 
Ass. Imprensa            - Balady Comunicação – Silvia Balady/ Bruno Palma
Tel.: (11) 3814.3382 – contato@balady.com.br

 

Maurizio Mochetti







Maurizio Mochetti (1940-) Nasceu em Roma. Estudou no Liceo Artistico e na Accademia de Belle Arte, Roma. Em 1969, recebeu o prêmio Pascali. Participou das Bienais de Paris, Veneza (1972, 82, 86, 88 e 97), Sidney, Nagoya e São Paulo. Em 2003, retrospectiva no Palazzo Ducale de Sassouolo. Seu interese é o estudo da luz entendida em sua fisicalidade. Simona e Maurizio Mochetti.
 
 
 
Cillindro Due Dischi di Luce, 1960.



Sem título.



Binfinito.




Binfinito.



Palle, 1988. Colezzione Berlingieri.




Sem título.





L'Ombra della Sera.





Divertissement, 2011.



Linne Rette di Luce nell'Impespazo Curvilineo, 2011. Maxxi Ricerta. Foto: Patrizia Tocci.


 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Conversando sobre Arte entrevistado Allan de Lana





Quem é  Allan de Lana ?
Allan de Lana Frutuoso é a pessoa, nascido em Brasília, 1980. Pai e mãe mineiros, aposentados como psicólogo e professora, preocuparam-se em transmitir aos filhos seu apreço ao "faça você mesmo", que aprenderam ainda muito novos, trabalhando seja na marcenaria ou na mercearia.
Morávamos na cidade satélite do Cruzeiro Velho, onde os becos, bastante largos, eram cenário de muita brincadeira, às vezes recebiam varais com roupa estendida da vizinhança ou fogueiras com muita gente ao redor!!!!!! Ainda criança, tentei ser vendedor de jornal, mas a timidez era grande para abordar as pessoas e a comissão ficava sempre muito baixa. Foi meu primeiro trabalho infantil (rsrsrs!)
 Junto a tudo isso, havia o cenário da abertura política e as crises do país. Lembro, por exemplo, de ter ficado fazendo companhia a meus pais em uma fila durante mais de hora, devido a um racionamento de comodities, onde cada família só poderia comprar até um litro de leite e cinco pães - coisas assim, do arco da velha, que eu achava muito pitorescas.
Depois mudamos para a Asa Sul, onde as ruas eram desertas e o medo da criminalidade era maior… Passei a frequentar shows de rock e a tocar em uma banda punk da escola. Tentei largar tudo para tocar guitarra. Passei por algumas bandas, mas ainda era condescendente demais para uma escolha como essa, que exigia mais radicalismo e dedicação do que eu era capaz. Hoje, o som é uma das matérias mais fortes de que posso lembrar.
Quanto à formação escolar, as crianças da família foram matriculadas em escolas do governo, a meu ver, devido a dois princípios: primeiro, de que nelas nelas haveria inúmeros bons educadores apaixonados pelo ofício e, em segundo lugar, está a idéia de que o sujeito ser bom é mais consequência de sua autodeterminação que de imposições alheias. Uma escolha epicurista que foi mais positiva para minha formação do que terminar o ensino médio ou passar no vestibular. Em minha opinião, em Brasília, esta cidade-utopia, o preparo do sujeito para o mercado não deveria ser o principal norte da educação.
Uma máxima de Epicuro diz que "o maior fruto da autodeterminação é a liberdade", só faltou dizer que a "liberdade" estava sujeita a atentados, acasos e imprevistos e é, em grande parte, alheia ao esforço individual.
Talvez sob influência daquelas escolhas paternas/maternas, hoje, tento viver intensamente o urbanismo de minha cidade… Esta é uma cidade linda, o Plano Piloto é uma obra rara da modernidade que a sociedade contemporânea optou por condenar e virou as costas. O transporte público local é marcado por "concessões" vitalícias e sucateamentos, a ocupação do espaço se tornou impulsiva e selvagem…
Coloco a opção por uma experiência urbana intensa entre as primeiras linhas que contam para que eu seja esta pessoa e este profissional. Certa vez, um redator de texto de uma instituição mais que séria extirpou essa referência em duas linhas de uma curta biografia e esqueceu de deletar os sinais de pontuação, entre os quais ficou o vazio da minha identidade excluída. Quando observei o erro, eles corrigiram a pontuação errada, mas não quiseram nem saber de publicar coisas sem diploma.
Além de trabalhar com arte, sou Técnico Bancário.


Como foi sua formação artística?
Muito boa para mim mesmo, como pessoa! Havia passado dos 20 anos de idade quando percebi a arte como possibilidade. Eu tinha me matriculado em uma turma de pintura da qual minha mãe fazia parte e, com o passar do tempo, isso levou a certas lembranças. Quando criança, o desenho, os trabalhos com papel, o violão e, posteriormente, a guitarra, tinham feito parte inegável de meu desenvolvimento. Configuravam formas de linguagem e acesso a idéias que, na língua corrente e na minha timidez diante de um mundo esquisito, eram interditadas.
Então, parei de ver essas coisas todas como passa-tempo, pois na verdade elas são mesmo é um modo de viver a vida (o que não deixa de ser uma forma de passar o tempo - rsrsrs!) Foi quando comecei a buscar linguagens capazes de driblar determinismos. Passo a gostar de ler, a ter um contato prazeroso com a filosofia e a literatura, etc. pois elas me conduzem pelo mundo histórico e os mundos possíveis. Principalmente, quando não utilizam um léxico, mas o reinventam a cada frase.
Na universidade, pude explorar o entusiasmo de transitar entre diversos contextos de linguagem (sobretudo visuais e verbais). Desenvolvi a capacidade de formalização de um pensamento. Desfrutei muito, também, da possibilidade de não seguir estritamente os ditames do fluxo de disciplinas. Utilizei fartamente a Biblioteca Central (UnB), onde tive contato com correntes de pensamento como o existencialismo, a fenomenologia, a Dialética e a Estética hegelianas, o criticismo kantiano, os estruturalismos… Às vezes, tinha até leitura sobre arte. Isso e as pessoas com quem me relacionei e relaciono empenhadas no mesmo tipo de busca continuam agindo em minha formação.



Que artistas influenciam seu pensamento?
… Certas influências importantes ocorrem de forma pouco clara ou mediadas por um texto de outro autor. Mas os artistas que eu posso citar, mais facilmente são: Werner Herzog; Guimarães Rosa; Cildo Meireles; Hélio Oiticica; Lygia Clark; John Cage; os minimalistas e conceitualistas americanos; Redson (da banda Cólera); Oscar Niemeyer; Laurie Anderson; Joseph Beuys; Fluxus; o pessoal do ambiente, da instalação, Robert Smithson, Alan Kaprow; da arte-processo, Francis Alys, Paulo Bruscky etc. Além dos amigos conterrâneos, contemporâneos e congêneres, que me fervem de questões.


Além do estudo de arte o que ajuda na elaboração dos seus trabalhos?
Além dos aspectos citados, o que me faz continuar trabalhando é o saber que a arte põe em ação. A cada dia, atualmente, tenho sido mais atraído pela vontade de conhecer, perceber, ver, ouvir, tocar. A busca pela escuta do mundo em que vivo é uma das coisas que me impelem a forçar a vista, o tato, o ouvido, me colocar a caminho à exaustão e elaborar os trabalhos mais recentes. Mais ou menos como Ives Klein quando dizia (algo como) querer tocar "o lado de lá" do azul do céu… Em termos práticos, ainda é bom morar sozinho e poder utilizar o apartamento minúsculo como ateliê e estúdio.


Como você descreve seu trabalho como artista? 
Essa é uma tarefa difícil, quando a relação trabalhador-trabalho se inverte facilmente. De modo geral, eu não saberia discernir a linha divisória entre "artista" e "pessoa" sem criar duas caricaturas. Para esse trabalhador, o trabalho nem sempre é o que se leva a público (o produto fabricado), mas inclui o esforço ou laboração e um processo em geral complexo. No meu caso, pode incluir caminhadas, viagens, anotações, fotografias, gravações de áudio, vídeos, desenhos, pequenas pinturas etc. e esses meandros são guardados, de modo que posso consultá-los.
O que pretendo ver e mostrar, no final, quase sempre está relacionado a de que modo o trabalho se dá no lugar em que será apreciado. É importante que a obra seja um nascimento mútuo de tudo o que a constitui e, se está na rua, que proporcione também o aparecimento dessa rua escondida pelo uso. Tem uma influência existencialista nisso, mas também me parece que uma presença do pensamento escultórico - esculpir, ou fazer aparecer - e da relação de coexistência imediata que o desenho cria entre materiais e suportes.
Acho que meu trabalho tem sido uma tentativa de experimentar e propor mudanças de olhar mínimas para que um contexto se desdobre em outro(s). Algumas vezes, inclusive, chego a mais de uma instalação ou intervenção em momentos ou lugares distintos e algumas instalações são, na verdade, momentos de uma investigação posta em obra. Isto é, uma ação ou acontecimento dialético mostrado em diferentes etapas.
Em Achados: diário de uma artista errante, por exemplo, no primeiro momento o diário era facilmente acessado pelas pessoas, sobre a mesa de uma residência - onde foi montado pelos próprios moradores dessa residência. No segundo momento, já levado para uma galeria, foi posto no meio de um grande retângulo de fino véu de poeira marrom sobre o chão de mármore e esse frágil novo elemento (pó coletado no caminho e depois geometricamente soprado no piso) se colocava como convite aos visitantes a acreditarem na representação, pois, de outro modo, caso desacreditassem, poderiam muito facilmente invadir o frágil retângulo e acessar o diário, sob pena de destituírem o caráter de obra instaurado pelo espaço de distanciamento ou representação que ela necessita.
Parece-me que um trabalho de arte nem sempre pode ser confundido, portanto, com a informação extrínseca que ele veicula. Às vezes, ele é isto, ou seja, sua própria transpiração.


Você participou do Rumos Itaú Cultural, como foi a experiência?
Intensa. Fui selecionado para realizar uma intervenção que começou em 2008, no Espaço Piloto da UnB, e ampliara-se em 2010, no CCBB Brasília, quando ganhou inclusive o nome de Setor Faroeste. Uma referência às noções históricas do oeste como lugar do novo e da prosperidade, bem como à divisão do espaço urbanístico de Brasília em setores e à criação do famigerado, polêmico e especulado Setor Noroeste, exemplar para conhecer o crescimento atual de Brasília e de outras cidades.
Trata-se de um trabalho de grandes dimensões, que contém sons captados em matas, áreas rurais (animais) e estúdio (flautas) e instalada em lugares de transição (parede, calçada, estacionamento etc.). Porém, sua visualização e escuta exigem muito do visitante, pois atua em níveis sonoros baixíssimos e os componentes visuais são camuflados ou omitidos. Além disso, no projeto inscrito no Rumos, a obra se estendia em duas partes altamente separadas em termos espaciais, em uma investigação do que constituiria a unidade de uma instalação.
Setor Faroeste 1 é o som de áreas rurais de MG lançado moderadamente no ambiente expositivo e a criação de uma região vazia, sinalizada por uma iluminação magenta. Camadas escondidas desse som podem ser acessadas no contato do ouvido com a parede iluminada. Setor Faroeste 2 é uma composição aleatória de notas de flauta doce emitidas com sopros longos, cuja base são as frequências dos ruídos contínuos da cidade - que têm uma espécie de afinação impressa pela quantidade de rotações dos motores, hélices e sistemas de energia elétrica.
A obra foi executada na íntegra em São Paulo. Para SF 2, conseguimos apoio do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e da Secretaria de Cultura do Estado, para "ocupar" uma área que vai do viaduto da Beneficência Portuguesa (acima e abaixo desse), passando pela entrada da estação Vergueiro e no caminho que vai até o CCSP. Foi uma grande realização com todo o empenho possível da produção e meu. SF 1 ficou no Itaú Cultural.
Nas itinerâncias (MAMAM Recife e Paço Imperial do Rio de Janeiro), a instalação de SF 2 teve problemas relativos à produção: o esforço requerido é vasto e a equipe de montagem poderia correr alguns riscos que foram evitados pelo Itaú Cultural. Por isso, no Rio de Janeiro, surgiu o Setor Faroeste 3, mais condensado, simples e audível que o 2. Tem características mais presentes de uma composição musical, adota elementos relativos ao campo da música ambiente e se apropria das características arquitetônicas do edifício (do Paço Imperial/RJ).
SF 3 inclui pequeninos elementos visuais destinados a colaborar com a sua interpretação e é montado sobre capitéis e pórticos de pedra barrocos, a cerca de 2,9 metros de altura. Todos os elementos da instalação, incluindo fios, pesam 3,6 Kg.
Além disso, conheci alguns contemporâneos cujo trabalho já me admirava. Tive oportunidade de ouvir a fala de todos os participantes e sou muito grato por essa oportunidade, que nem sempre faz parte do programa e foi uma escolha dessa curadoria geral. Vi pesquisas próximas de campos a que tenho me aplicado, como a instalação e a audioarte… Realmente, sou muito grato por estar ali entre os selecionados e poder até contar com alguns gurus que me auxiliaram com o poder de sua mente, como o Paulo Miyada e o Matias Monteiro.


Qual a sua expectativa para a exposição no Paço Imperial, Rio de Janeiro?
De início, assim: "Uau, vamos para o Rio, berço do neoconcretismo!!!" O entusiasmo foi tanto que Setor Faroeste se expandiu, mas minha postura não passava de um preconceito. Na verdade, os movimentos de arte brasileiros deixaram marcas indeléveis na produção contemporânea, mas também legaram um fator a ser historiado. Como é que sambar, nos dias de hoje, no Rio de Janeiro, continua a ser um ato político abordado pelas instituições do mesmo modo como o foi na época da Apocalipopótese?
Na grande metrópole cultural ainda é possível notar o sentido do que chamamos de "antiarte", uma expressão demasiadamente naturalizada e banalizada hoje em dia, como se fosse o mesmo que "arte". E essa constatação significa que as instituições necessitam de conservação no sentido estrutural. Isto é, que elas repelem ou censuram o que aparentemente não pode ser tratado como anedota ou pura ficção.
Justamente na Cidade Maravilhosa, um gestor cultural me questionou: "por que vocês artistas têm essas idéias? Por que vocês fazem esse tipo de coisa?" Foi um momento de transe para mim. Transe e metempsicose, eu me transformei em uma pedra.
Mas a exposição está montada e tão maravilhosa quanto a cidade. Além disso, sempre admirei a forma como o Paço Imperial conserva a memória de nossa realeza. Um espetáculo!


Como você descreve o mercado de arte em Brasília?
Sou um pouco "out" no mercado (fico mais dedicado mesmo à pesquisa), mas tenho alguma visão dele. Os espaços institucionais de bancos, que promovem uma circulação ampla de arte nacionalmente, são os mais presentes e frequentados. Os empresários menores costumam encontrar dificuldade em concorrer com essas instituições. Mas a tendência, me parece, é que surjam cooperações, já que atualmente os bancos têm interesse em exercer um papel social reconhecido, por questões de imagem. Uma vez, uma dona de um espaço, muito simpática, me disse assim: "ingressos a preços populares é dumping!!! Como é que eu vou conseguir público desse jeito?". Os ateliês coletivos e com iniciativas próprias de produção e difusão tem sido algo interessante - cito, por exemplo, algumas palestras que assisti e uma que apresentei no Espaço Laje, organizadas pelo Virgílio Neto e pelo pessoal da revista Samba, iniciativas totalmente independentes. Há ainda um mercado crescente de galerias particulares e uma quantidade eterna e também crescente de "artistas emergentes" (?). Mas se, de fato for implementada uma escola superior de arte, que está na ordem do dia, certamente esse quadro mudará e até o sistema de cultura do DF poderá passar a um novo patamar dentro de poucas gerações.


Você escreve sobre seu trabalho?
Às vezes faço anotações teóricas, mais para mim mesmo, para me situar melhor na pesquisa e nas escolhas. E às vezes escrevo sobre alguma idéia de trabalho por que sei que não terei como realizá-lo tão cedo…


É possível viver de arte no Brasil?
Eu acredito que sim mas, como é que faz isso, eu já não sei.


O que pensa sobre os salões de Arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Até hoje, só consegui ser selecionado para um único salão, com uma série fotográfica e, quando cheguei à abertura da exposição, tinha até foto misteriosamente dependurada de cabeça para baixo. Historicamente, os salões não-oficiais têm uma relevância grande, pois proporcionaram um entendimento mais verdadeiro sobre a arte desvinculada das narrativas mestras, além de serem um estímulo à pesquisa de artistas que de outro modo teriam mais dificuldade ainda em bancar seu próprio trabalho. Hoje, os salões assumem papéis diversos e, os melhores que conheço, não são distribuidores de prêmios, mas inserem o artista no mercado de galerias. Desse ponto de vista, parece-me que algo como um salão pode ter seu valor, uma vez que organiza recursos de uma coletividade para projetá-la, e não é apenas uma loteria. Muitos salões preservam a moda antiga que o próprio nome sugere e, então, eu não tenho muito interesse nisso. Contudo, me parece interessante essa mentalidade meio de "consórcio".
 
 Quais são seus planos para o futuro?
Estou empenhado em uma individual a ser realizada em São Luís do Maranhão, na galeria do SESC, que está bem próxima. Depois disso, não sei o que acontecerá. Gostaria de lhe agradecer a oportunidade de responder a essas perguntas.

 
 
 
 
 "Milhões de vespas dançando com valentia no último raio do Sol poente - pormenor do ateliê do artista";
 
 
 


Ding, 2006.
 
 

"Regiões Audíveis (o Piscar de Olhos) - Espaço Piloto (Universidade de Brasília), 2008";
 
 
 "Achados: diário de uma artista errante, Espaço Cultural Marcantônio Vilaça, Brasília, 2009";
 
 
"Achados: diário de uma artista errante - casa participante do projeto Moradas do Íntimo, Sobradinho/DF, 2009"; 




"Ryu Halls Móveis Deley - loja de móveis Hill House, Brasília/DF, 2012";




Setor Faroeste.



Plano de Inserção. Setor Faroeste, 2012. Centro Cultural São Paulo.


 
 "Montagem de 'Por favor, não ultrapasse a linha branca' - Espaço Cultural Renato Russo, Brasília, 2011."

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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