quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Richard Diebenkorn





Richard Diebenkorn (1922-1993) Nasceu em Portland, Oregon. Aos dois anos, sua família mudou-se para São Francisco. Estudou arte na Stanford University. Entre 1943-1945, serviu como fuzileiro naval da Marinha americana. Ao sair retornou sua carreira e foi professor da California Universty aré 1950. Abandou e mudou-se para Albuquerque para cursar o Mestrado na University of New Mexico. Foi importante artista, na Califórnia, ligado ao Expressionismo Abstrato movimento dominante na arte de Nova York. Entre 1960-1970, associou-se a Bay Area Figurative Movement, que retomou a pintura figurativa. Diebenkorn não abandonou totalmente a abstração continuando nos dois estilos, nessa época criou a série Ocean Park. Nos últimos anos de vida, dedicou-se aos pequenos formatos. Recebeu o Prêmio da Academia de Arte e Letras Americana. Morreu em Berkeley. Foto do artista aos 27 anos no Novo México.
Sem título, 1950. MoMA, Nova York.
Berkeley, 1955. MoMA, Nova York.
Girl with Plants,1960. Philips Collection, Washington.

Reclening Figure II, 1962. Litografia. MoMA, Nova York.
Small Red, 1980. Coleção particular.
Isosceles Triangle and Right Triangle, 1980. Brooklin Museum.


 Ocean Park # 67.


 Ocean Park # 95.



Ocean Park # 130.

Ocean Park # 140. 1980. Whitney Museum of American Art, Nova York.



Tri Colors, 1981. Múltiplo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Rodrigo Kassab na Galeria Lume, SP











Em exposição na GALERIA LUME, Rodrigo Kassab explora os limites entre espaços públicos e privados

 

 

A GALERIA LUME inaugura sua programação de exposições de 2013 com Priva-cidade, Publi-cité, de Rodrigo Kassab, na qual são exibidas pela primeira vez todas as fotografias da série que dá nome à mostra.

 

Esse conjunto de fotografias é composto por imagens de linhas paralelas que delineiam fachadas de prédios e as janelas, que são o cerne dessas fotografias. Em Priva-cidade, Publi-cité, o artista faz uma investigação dos limites e das relações entre os espaços públicos e os privados. “Percebi que este limite estava muito presente em cortinas e janelas, e, ao fotografá-las, poderia colocar o espectador entre esses dois espaços, como um voyeur, mas sem o elemento fetiche do voyeurismo, que é o medo de ser percebido”, explica Rodrigo.

 

O que se vê nessas fotografias são fragmentos de histórias, que, embora pessoais, estão à vista de quem passa diante dessas janelas. “A eterna pausa da fotografia nos dá segurança e nos permite a reflexão. Se pararmos para pensar, esse jogo entre público e privado vai acompanhar a foto onde quer que ela esteja”, diz ainda o artista.

 

Em sua pesquisa conceitual, Rodrigo Kassab escolhe um ambiente e caminha a esmo por ele até se deparar com elementos que servem como resposta a suas indagações. A série foi iniciada em Paris, daí o motivo para uma das palavras do título estar em francês. “Se essas imagens fossem estar situadas em algum lugar, esse lugar seria o espaço que há entre a privacidade e a publicidade, que parece imenso, mas na verdade é menor que o traço que separa o titulo”, reflete o fotógrafo.

 

Com influência do construtivismo, grande inspiração para Priva-cidade, Publi-cité é a arquitetura, analisada sob o espectro de reflexo humano e interação social, além do fator efemeridade, visto que as construções fotografadas para a série podem deixar de existir em algum momento, dando lugar a novas histórias, compartilhadas com o mundo, acidentalmente ou não, através das janelas.


Exposição                 Rodrigo Kassab – Priva-cidade, Publi-cité

Curadoria                  Paulo Kassab Jr.

Coordenação                        Felipe Hegg

Abertura                    05 de março de 2013, terça-feira, às 19h30

Período                       de 06 a 25 de março de 2013

Local                          GALERIA LUME – www.lumephotos.com

Rua Joaquim Floriano, 711 - 2º andar – Itaim Bibi – São Paulo, SP

Tel.: (11) 3704.6268

Horário                       segunda a sexta das 10h às 20h

Nº de obras                10

Técnica                       fotografia

Dimensão                   70 x 70 cm a 80 x 120 cm

Preço                          R$ 4.000,00 a R$ 12.000,00

 

 

Ass. Imprensa            - Balady Comunicação – Silvia Balady/ Bruno Palma

Tel.: (11) 3814.3382 – contato@balady.com.br

 

 

O artista

Formado em Cinema e Fotografia, Rodrigo Kassab trabalha como diretor de cinema, diretor de fotografia e fotógrafo. Além das artes visuais, o artista se interessa principalmente pela arquitetura e música, artes que busca retratar em suas imagens. Morou em Paris de 2008 a 2011 para se aperfeiçoar e se dedicar inteiramente à arte.

 

A galeria

A GALERIA LUME foi fundada em 2010 por Felipe Hegg, Paulo Kassab Jr., José Eduardo e Luiz Aranha Moura, com a proposta de mostrar a qualidade, transgressão e criatividade dos artistas e fotógrafos contemporâneos. A galeria tem um leque amplo de atuação: promove exposições periódicas, tanto coletivas quanto individuais, agenda visitas personalizadas, participa de feiras de arte no Brasil e no exterior, realiza projetos especiais, que transcendem seus limites físicos, além de elaborar e coordenar workshops e cursos sobre o tema fotografia com os mais renomados profissionais da área. A LUME oferece duas linhas de produtos: a Open Edition, imagens com tiragem média, o que as torna mais acessíveis a novos colecionadores, e a linha Collector, séries exclusivas com tiragem restrita.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 

 

Conversando sobre Arte entrevistada Suelen Pessoa, BH


Apresentado pelo fotógrafo, artista e professor Scott Macleay (ver sua entrevista em http://conversaartes.blogspot.com.br ) fiz o contato com a jovem artista de Belo Horizonte. Já avisado de suas qualidades artísticas, não foi surpreendido pela profundidade de sua entrevista e maturidade de seu trabalho. Obrigado Suelen, muito sucesso. Grato Scott.



Quem é Suelen Pessoa?
Nasci em Belo Horizonte, em 19 de maio de 1984, mas vivi a vida toda na cidade de Contagem, que fica na região metropolitana de BH. É uma cidade predominantemente industrial, onde a classe média é (ou era, na minha infância) quase inexistente. Ou as pessoas eram muito ricas, de família de industriários, executivos das grandes multinacionais, ou eram muito pobres, gente peão-chão-de-fábrica, morador da periferia da periferia da periferia. Então eu fazia parte da pequena fatia que não era de nem um extremo nem de outro. Meus pais não foram casados, mas sempre tive a presença física do meu pai em casa (eu morava com a minha mãe). Meu pai trabalhava na Petrobrás, refinaria REGAP, aqui perto, em Betim, e minha mãe era promotora da Companhia União de Açúcar, e depois da Lacta Chocolates.
A minha infância e pré-adolescência foi em Contagem mesmo, sofrendo bullyings eternos nas escolas particulares daqui. Sempre fui muito boa em todas as matérias, praticava todos os esportes que a escola oferecia e, como nunca fui nem um pouco tímida, fazia todas as atividades propostas: dançava quadrilha, atuava nos teatrinhos, era oradora na abertura dos jogos olímpicos da escola, ganhava os concursos de redação. Isso tudo me fazia ser a "queridinha" dos professores, título que eu odiava e que trazia mais problemas que benefícios. E toda essa polivalência era confundida com prepotência pelos coleguinhas. Juntando a isso a minha aparência, digamos, muito fora do padrão deles - negra, de cabelo crespo, magra, usando todo tipo de aparelhos dentários, de freio-de-burro a fixos com brackets -, acho que vocês já conseguem imaginar um panorama de como foi difícil socialmente pra mim esse início de vida. Risos.
O ponto de virada na minha vida foi quando meus pais entraram em uma crise financeira grande após o nascimento da minha irmã. Nossa diferença de idade é de 7 anos (hoje eu tenho 28, e ela 21). Quando ela entrou em idade escolar, eles viram que não dariam conta de pagar a mesma escola cara para nós duas, então a solução foi mudar a gente para um colégio mais barato. Eu já estava na oitava série e passaria para o primeiro ano do ensino médio já em uma nova escola. Tomei pra mim esse novo começo como a chance de mudar a minha vida social. Então eu comecei a andar com o pessoal mais popular da escola, ajudei a fundar o grêmio estudantil, matava aula para jogar vôlei, paquerava os meninos, ia para as festinhas nas casas dos colegas. Minha vida social subiu tão vertiginosamente quanto meu desempenho escolar caiu. Mas, um ano depois, fiz uma prova para o curso de Turismo e Lazer do CEFET e fui aprovada na segunda chamada. Acho que nunca fui tão feliz. Durante minha adolescência, além das aulas comuns que todo mundo tinha: português, matemática, física, química, biologia, etc, eu ainda tinha outras disciplinas, como Cultura Brasileira I e II, Folclore, Geografia de Minas Gerais e Belo Horizonte, História Brasileira, História da Arte... Além disso, fazíamos muitas visitas técnicas para várias cidades do interior de Minas Gerais, e era sempre muito divertido. Ou seja: tive, nesse período crucial da vida, uma formação muito voltada para a história, cultura e arte, o que foi excepcional.
Durante esse período, decidi cursar Publicidade e Propaganda. Logo no início do curso, na PUC-Minas, tive aula sobre os fundamentos básicos da fotografia com o Prof. Eugênio Sávio, e me apaixonei de cara. Lembro de me perguntar como a fotografia não tinha aparecido antes na minha vida, pois era uma coisa maravilhosa! Eu tinha uns 18, 19 anos e, desde então, nunca mais trabalhei com outra coisa que não fosse fotografia ou imagem. Antes mesmo de terminar o curso básico de foto, no segundo período, eu já batia na porta do laboratório de fotografia da faculdade todos os dias pedindo uma vaga de estágio. A coordenadora, Marta Carneiro, me ensinou tudo o que havia para ensinar no laboratório. Eu atendia os alunos, revelava os filmes p&b, ensinava a operar as câmeras, fazia ampliações - mágicas - em papel fotográfico... Durante um ano e meio eu fiz isso bem feliz, todos os dias. Também fotografava bastante, e meu primeiro uso da fotografia foi autoral. O comercial veio só depois.
Ainda na faculdade me despertou interesse a pesquisa acadêmica no campo da teoria da imagem, e meu trabalho de conclusão de curso se chamou "Sociedade Megapixel: as relações sociais através da fotografia na web", em 2007, e foi uma investigação de como a facilidade de acesso das pessoas comuns a equipamentos digitais (com todas as novidades e facilidades do aparelho e do ato fotográfico) trazia consigo uma mudança de subjetividade na sociedade.
Pouco tempo após eu me formar, fiz uma pós-graduação na UFMG, em Imagens e Culturas Midiáticas, onde prossegui minha pesquisa defendendo que o que é usualmente denominado "fotografia digital" não poderia ser chamado dessa forma, pois havia mudanças muito profundas, e em todas as instâncias, que tornavam esse fazer de imagens outra coisa, que não mais fotografia. Essa ideia está apoiada em publicações de diversos autores, como Joan Fontcuberta, Gisele Beiguelman, Andre Rouilee, entre outros. Foi quando percebi que ou eu seria pesquisadora da arte e da imagem e seguiria carreira acadêmica, ou eu seria artista. O fazer e o pensar se atropelam. As duas coisas não podem andar juntas, pois uma atrasa e atrapalha enormemente a outra.


Quando você começou a se interessar pela arte?
Minha família não tem uma cultura muito artística. Não visitávamos muitos museus, ou teatros na minha infância. Mas eu semprei li bastante, meus presentes de aniversário e natal eram sempre livros, mas nunca tivemos uma aproximação muito direta com a arte, principalmente artes visuais. Nunca fiz cursos de música, teatro, pintura, nem nada disso durante a infância e adolescência - esses interesses foram aparecendo espontaneamente enquanto eu ia amadurecendo e buscando minhas próprias coisas na vida.
Enquanto eu trabalhava no laboratório de fotografia da faculdade, eu vi, certa vez, um cartazinho da fotógrafa Márcia Charnizon com uma vaga de assistente no estúdio dela. Me candidatei e fui aprovada para ser assistente dela nos eventos (era um estúdio de fotografia lifestyle e familiar, o produto principal era casamento). Ao todo, trabalhei com a Márcia uns cinco anos, em diversas funções, de assistente a produtora, designer e, claro, fotógrafa. Mas a rotina do estúdio era muito maçante e estava muito longe da forma com que eu havia sonhado trabalhar com a fotografia... Às vezes sentia como se eu estivesse matando minha paixão por essa arte usando-a pra ganhar dinheiro. E, durante meu tempo livre, eu não tinha o menor ânimo de pegar a câmera de novo e ir fazer minhas coisas, porque eu estava cansada e não conseguia ter ideias.
Mas foi através de uma oportunidade dada pela propria Márcia que eu consegui descobrir meu caminho na arte. Ela pagou um processo de Art Coaching, com a coach Simone Nimkaya Marques, para toda a equipe do estúdio e ali eu descobri que eu precisava dar "voz" ao meu trabalho. Elaborei tanto esse "dar voz", que comecei a fazer aula de canto! Rs. Mas no final eu percebi que o meu sonho na vida é ser artista e fazer disso minha vida e profissão.
Sempre senti que eu tenho alguma grande contribuição a dar ao mundo, mas nunca soube bem o que era. Agora vejo que estou mais perto disso, estou pavimentando meu caminho enquanto ando sobre ele. Sinto que tenho muito a dizer e quero dar ao mundo a minha arte. É isso.



Qual foi sua formação artistica?
Durante meu período de descoberta, fiz muitos cursos e workshops, e participei de muitos festivais de fotografia no país. Fui aluna de diversos artistas, profissionais, professores e curadores, com visões bastante variadas acerca da arte e da fotografia, o que acho que foi fundamental para enriquecer meu vocabulário visual. Gal Opiddo, Claudi Carreras, Joseph Victor Stephanchik, Kazuo Okubo, Erwing Darmali, Ana Paula Cardoso, entre outros. Comecei um curso de música e criatividade no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, aqui em BH, mas abandonei na metade, por incompatibilidade com o professor.. rs. Mas festivais de fotografia, congressos, bienais... tudo isso ajuda muito a se conhecer melhor, seja pela proximidade que determinadas obras e artistas tem com nossos valores íntimos, seja pelo distanciamento que causam.
 Em um desses eventos - Floripa na Foto -, conheci o artista canadense Scott Macleay. Assim que ele entrou na sala de aula para ministrar um workshop sobre retrato autoral, eu já sabia que a gente ia estabelecer alguma relação muito interessante, porque a empatia foi imediata com ele e a Eliana (esposa e representante artística do Scott). Na verdade, atribuo a ele e a tudo o que ele disse nesse workshop a força que eu precisava para decidir talvez a coisa mais importante da minha carreira: abandonar completamente o meu trabalho comercial para me dedicar ao autoral.
Desde então, tenho contado com o Scott para tudo na minha carreira artística: ele foi me dando dicas do que fazer e do que não fazer. De como funciona o mercado internacional de arte, de como deveria ser a apresentação do meu trabalho... conto com o Scott e a Eliana para vários conselhos na vida: até conselhos amorosos eu já pedi! Hahaha! A generosidade de ambos é infinita! Hoje o Scott e a Eliana, são mais que mentores na minha carreira, são parte da família! À parte a amizade que criamos, também fui aluna do Scott no projeto The Creative Process, que é um processo de média duração (3 a 4 meses), no qual ele ajuda o jovem artista a direcionar seu trabalho, por meio de exercícios e acompanhamento presencial e online. Foi fundamental para eu conseguir delimitar meu escopo de trabalho atual.
Que artista influenciaram seu pensamento?
Para ser bem sincera, não consigo saber quais artistas influenciam meu pensamento, ou se minha obra tem como referência a obra de um ou outro, especificamente. Procuro ver o máximo que eu posso, mas tenho muita dificuldade em guardar nomes. Então, mesmo quando eu me apaixono por determinada obra que vejo em algum lugar, eu acabo esquecendo o nome do artista...
Agora mesmo, por exemplo, gostaria muito de citar uma exposição que vi no CCBB em São Paulo no ano passado, mas tive que recorrer ao Google para lembrar que o nome do artista - fantástico, aliás - é Antony Gormley. Fiquei, mesmo, muito emocionada com o trabalho dele de esculturas de modelos humanos em escala minúscula ou em tamanho natural, mas que deixa os corpos com uma sensação surreal. E nem costumo ter nenhum tipo de experiência estética com esculturas. As do Antony foram as únicas até hoje que me comoveram dessa forma. Ele fez umas instalações desses modelos de tamanho natural em ferro fundido no alto dos prédios, espalhados pela cidade - o que me deixou numa tensão esquisita por não saber se aqueles corpos estavam livres ou se iam pular lá de cima. Em outra parte da exposição, dentro do CCBB, estes corpos estavam amontoados no chão, logo na entrada, e vários dependurados do teto, como se eles estivessem "infiltrando" da laje e escorrendo pro chão. Bizarro e maravilhoso. Em uma outra sala tinham milhares de homenzinhos de terracota cobrindo o chão todo, bem pequeninos e todos olhando para cima, como se olhassem para você. Então, você chega da porta e todos aquele olhinhos te vendo... como se você fosse um deus.. Foi muito aterrador pra mim.
Um artista que eu acho a mais maravilhosa de todas que já existiram é a Marina Abramovic. Eu acho ela tão sensacional que eu não consigo muito dizer o porquê. Acredito que seja porque nós duas temos uma visão do corpo físico como a mais poderosa ferramenta e matéria prima para a arte disponível. O uso que ela faz do próprio corpo, testando e expandindo seus limites em suas performances de longa duração, para mim, são o mais próximo do conceito de arte pura que eu consigo vislumbrar. Recomendo fortemente o documentário "The Artist is Present" sobre a retrospectiva do seu trabalho que foi feita no MoMA, em Nova York, e onde ela performou oito horas por dia, todos os dias, durante os três meses da mostra. Uma performance magnífica, onde ela responde com maestria a pergunta que todos fazem "por que performance é arte?". E eu acho que ela é a única artista viva que tem condições de responder isso de forma absolutamente clara, para todo mundo.
Outro artista que eu gosto bastante, porque eu acho que temos mais ou menos os mesmos interesses é o Wolfgang Tillmans. Também vi uma grande exposição dele no MAM, em 2012. O Wolfgang tem uma paixão pela astronomia, astrologia e tudo o mais que envolve o céu e a organização científica do espaço. Nós dois temos o mesmo amor pelo que não pode ser facilmente descrito, categorizado e por tudo o que não tem par no mundo.
Também adoro a artista brasileira Cris Bierrenbach e acho que temos preocupações semelhantes, bem como linguagem parecida. Ela também trabalha com performances em fotografia e vídeo e com instalações e perfomances site-specific. Acho fabuloso o trabalho dela e é o que eu poderia dizer de uma referência mais próxima que eu tenho com o que eu faço. Além de ser brasileira, o que dá uma enorme confiança em termos de atuação profissional.

Como você descreve seu trabalho? Falar sobre os meios e os assuntos discutidos.
Meu trabalho recente vem sendo descrito como performance fotográfica ou video-performance, porque eu - quase sempre - desemepenho ações voltadas para a câmera, seja em foto ou video.
Aqui no Brasil existem ainda poucos artistas que trabalham nessa linha. Já vi alguns (que, claro, não vou lembrar do nome) com trabalhos muito interessantes. Inclusive, na última Bienal tinha bastantes artistas com trabalhos performáticos. Fiquei bem feliz com o que vi.
Meus temas são bastante variados. Como apresento meu próprio corpo nas imagens, meus assuntos giram muito em torno do próprio corpo físico, da materialidade dele. É uma investigação particular das minhas relações conflituosas comigo mesma, com o outro e o com o mundo, que são mais ou menos as mesmas questões que todas as pessoas tem, o que promove um alto nível de identificação com quem vê.
Minha obra fala de uma sensualidade, que é ao mesmo tempo um tratado da identidade da mulher contemporânea, uma exploração sensorial das partes que compõem o todo e uma observação do mundo tangível e intangível que circunda a todos, numa abordagem bastante feminina e feminista. Também sempre aparecem traços de temas científicos, ortodoxos ou não, como a astrologia, a física clássica, a mecânica quântica e a biologia, pois são uma grande paixão e objeto de estudo meus.
Atualmente trabalho com três linhas de "raciocínio" nas minhas séries: "Metonímias", "O Retorno de Saturno" e "Tesarac". Essas ideias surgiram aos poucos durante o ano passado, próximo ao meu aniversário de 28 anos e pretendo trabalhar com elas até completar 30 anos. Ou seja: serão três assuntos majoritários tratados ao longo desses dois anos. São questões que me atormentam todos os dias, e tudo o que eu tenho feito pode ser encaixado em alguma dessas três linhas de pesquisa.



É possível viver só de arte no Brasil?
Acredito que o mercado de arte no Brasil ainda está se abrindo. Muitos artistas que vivem somente da sua arte acabam precisando recorrer ao mercado internacional para seu financiamento. Apesar disso, algumas pessoas conseguem viver somente de sua arte aqui - e eu acho isso maravilhoso.
O que acontece aqui é que ficamos, muitas vezes, reféns de editais e leis de incentivo à cultura para conseguirmos expor os trabalho. Não estou dizendo que isso é necessariamente ruim, pelo contrário, é uma ótima oportunidade de reconhecimento e remuneração devida pelo trabalho. Apenas que é um meio ainda muito difícil de acesso ao dinheiro, ainda mais quando se é um artista jovem - como é o meu caso - com uma produção que ainda não é muito relevante comercialmente para as empresas que podem patrocinar.
O caminho é difícil para todos, mas não impossível.
Qual sua opinião sobre o mercado de arte em Belo Horizonte?
Não tenho opinião, pois o mercado está muito no início ainda. rs
Ainda somos muito dependentes do eixo Rio-SP, e este ainda não é tão desenvolvido quanto mercados internacionais.

O que você estuda? Como você se atualiza?
Já há algum tempo eu parei de estudar arte propriamente dita. Tenho estudado mais os processos: meios, linguagens, temas.
Para me atualizar das produções mais recentes, eu sempre visito grandes mostras, como a Bienal em SP, e outras exposições que passam aqui por Belo Horizonte. A internet também é um canal estupendo para adquirir informação e eu gosto mesmo de saber as "tendências" do mercado, mesmo que eu não as siga. rs
Atualmente estou estudando bastante física quântica e algumas ciências ocultas, como quiromancia, tarot e astrologia.
Meu namorado é musicista e trabalha com produções de música eletrônica, então eu tenho visto e me interessado por bastante coisa dessa área. Penso trabalhar com alguns recursos de música em alguns trabalhos e temos conversado sobre desenvolvermos uma instalação de som e imagem em breve.



Qual sua opinião sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Eu acho que os salões de arte são bons "termômetros" das tendências atuais das artes plásticas. Não acho que é ali sempre que estão as vanguardas, porque quando a coisa se populariza o suficiente para estar em um salão, é porque não é mais tão novidade.
Mas acho que é um importantíssimo indicador de sucesso e de consolidação de carreiras, além de uma enorme vitrine das produções dos artistas já consagrados.
O que acho que poderia acontecer, aos moldes dos grandes festivais de música, são mais mostras paralelas para artistas em início de carreira. Então seria uma mostra principal, com uma grande coletânea de renomados artistas, rodeada por pequenas mostras de jovens artistas.
Assim, o público que vem atraído pelas grandes obras tem também a oportunidade de conhecer quem está galgando os primeiros degraus e, talvez, já demonstre grande potencial.

O que é necessário para se tornar um ícone em artes plásticas?
Eu não acho que esse deva ser o objetivo maior de nenhum artista, mas acaba que é o último estágio de reconhecimento de um trabalho louvável. Acredito para se tornar um ícone são necessárias algumas coisas:
1) Um trabalho que se mostre consistente ao longo do tempo;
2) Conhecer as pessoas certas;
3) Uma produção constante, com exposições regulares;
4) Currículo: tempo de carreira, prêmios, coleções, grandes mostras individuais;
5) Dinheiro (que pode ser próprio ou de algum mecenas);
5) Sorte;
6) Sorte;
7) Um pouco mais de sorte.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Acredito que existe um caminho que é mais ou menos "o ovo ou a galinha".
Uma galeria se interessa por artistas que são "vendáveis", pois a galeria vive da venda das obras. Porém, é sabido que no mercado da arte no geral, importa menos o conteúdo da obra (se é feia ou bonita) do que o peso do nome do autor.
Um comprador busca uma obra que se encaixe dentro de seus critérios estáticos particulares, mas que tenha junto, algum valor agregado que possa fazer com que aquela obra aumente de preço em determinado tempo. O que faz ela aumentar de preço é a relevância que o artista vai tomando com o passar do tempo. Porém, o que dá peso ao nome do autor é exatamente o trabalho de imagem do trabalho do artista que a galeria ajuda a fazer.
Ou seja: é "o ovo ou a galinha" porque as galerias estão interessadas em artistas que já sejam relevantes e que atraiam público para suas mostras, o que diminui o espaço dedicado aos jovens artistas.
Para furar esse bloqueio, acredito que um jovem artista precise juntar algum currículo: fazer diversas exposições individuais e coletivas, participar de vários editais e concursos de credibilidade que ajudem a circular seu nome pelo mercado, buscar participar de feiras, congressos, festivais e workshops ligados à sua arte (para conhecer pessoas). Assim, mais cedo ou mais tarde ele consegue entrar no mercado.

Quais são seus planos para o futuro próximo e distante?
Num futuro próximo pretendo fazer pequenas exposições para mostrar excertos de cada uma das minhas três linhas de pesquisa, para que, no final dos dois anos que eu estabeleci para trabalhar com esses temas, eu faça uma mostra maior com uma edição de todo esse trabalho.
Também quero começar um trabalho de performance ao vivo, mas isso requer muita preparação e cautela, então vou planejar cada etapa com muito carinho.
Para o futuro de médio e longo prazo, pretendo consolidar meu nome seguindo mais ou menos o que eu disse nas duas últimas respostas. Quero expor em outros países, estar em Bienais aqui e no exterior, quero conseguir com que minha arte seja minha expressão e meu meio de vida.
Meu maior sonho e desafio é conseguir fazer com que "artista" seja minha profissão.

Água, 2012.


Caveira, 2013.



Dente, 2013.


 
Equilíbrio, 2013.
 
 
Metonilmias, 2012.
 
 
 
Multiversos, 2013.





Partes Essenciais, 2012.


Para ver os vídeos da artista, acessar os endereços abaixo.
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Suelen Pessoa
new media artist | photo, video, performance
+ 55 31 9642-1991
+ 55 11 95638-4865

www.suelenpessoa.com
vimeo.com/suelenpessoaarts
facebook.com/SuelenPessoaArts

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Leda Catunda na Celma Albuquerque. Belo Horizonte.


Conversando sobre Arte entrevistado André Andrade


 


 

 Quem é André Andrade?
Nasci em Nova Iguaçu, em 11  de junho de 1969, aos 4 anos mudei para o Rio de Janeiro, estudei em escola técnica federal , a Cefet e depois me formei em engenharia pela UERJ. Só fui estudar arte bem mais tarde no Parque Lage, onde estudei com Joao Magalhães, Frans Manata, Charles Watson, Gloria Ferreira e Luiz Ernesto, todos com participação na minha formação.

Como a Arte entrou em sua vida?
A arte entrou desde cedo, sempre me interessei por dança, musica, cinema, artes plásticas, etc, a coisa começou a ficar séria quando comecei a pintar, foi paixão a primeira vista. Isso foi a uns 13 anos atrás, desde então não parei mais.
 Como foi sua formação artística?
    Até um certo momento fui autodidata, depois comecei a perceber  que sozinho não iria muito longe, foi ai que procurei o Parque, fiz alguns cursos e depois de um ano me mudei para a Noruega, Lá tive um atelier em uma instituição multidisciplinar chamada USF VERFTET ( www.usf.no ), foi uma experiência incrível, ali percebi que era isso que eu queria para minha vida.
De volta ao Rio, voltei ao Parque e fiz diversos cursos, o ultimo foi o projeto de pesquisa A imagem em questão, que fui selecionado no inicio de 2012 o curso foi ministrado por Gloria Ferreira e Luiz Ernesto. Maravilhoso !!!


Que artista infuenciam seu pensamento?
Olho um pouco de tudo, Anish Kapoor , Gerhard Richter,  Eric Fischl , mas hoje tenho olhado muito para as pinturas de Jenny  Saville e Cacily Bronw.

 
Como você descreve seu trabalho?
Tenho usado processos randômicos para gerar minhas pinturas, uma interferência sofrida pela imagem na sua origem, seja ela uma interferência eletrônica ou natural, podendo ser causada ora por falhas na transferência de sinais de tv , ora por interferências causadas por um corpo hídrico por exemplo.
Me interessa ser deslocado por esses processos, habitar um mundo que eu não habitaria, ser jogado nesse abismo.

Qual é a sua opinião sobre o uso do fotoshop em arte?
  Não vejo problema com o uso de qualquer tecnologia na arte, seja ela qual for.  O problema é quando a tecnologia fala mais alto que o trabalho. Ai nós temos um problema.

 A fotografia já é valorizada como arte em nosso meio?
 Sim, Hoje temos um cenário aberto a qualquer mídia.

 
É possível viver de arte no Brasil?
Há artistas que vivem muito bem e a outros que passam muita dificuldade. Acho que o mercado como um todo está melhorando e a cada dia permitindo que um artista possa se sustentar como em qualquer outra profissão. Mas ainda temos que avançar muito.
 
 
O que você pensa sobre os salões de arte? Alguma sugestão para aprimorá-los?
Não tenho grande conhecimento sobre esse tema, mas acho importante para a carreira dos artistas, pois dá uma visibilidade e atestado.  Que grandes instituições se interessem cada vez mais por esse modelo. Uma pequena sugestão seria em relação ao envio do portifólio, acho muito mais prático e ecológico o envio digital e não impresso.

 O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Não pensar nela e sim no trabalho que está desenvolvendo. Isso é fundamental. Uma coisa não acontece antes da outra.

 O que representou para você a exposição na Athena Galeria com curadoria de Wanda Klabin?
Foi muito bom para mim. Pude mostrar uma pesquisa que estava fazendo há dois anos, e ter ali um lugar para dividir isso com o publico.
Sem falar na parceria com a Vanda que foi fantástica. É um grande prazer trabalhar com ela.

 
Quais são seus planos para o futuro?
Novos projetos estão em andamento, além das exposições já agendadas este ano, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, SP arte, MUV, Artrio.


Autoretrato.


 
 

 
 

 
 

 
 
 
 

 
 


 
 

 
 

 
Revista Dasartes de Aline Leal. 


 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Liu Xia A Obra Proíbida.





Liu Xia (1965-) Pintora, fotógrafa e poeta. Casada com o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Liu Xiabo. Ambos estão confinados em casa por suas posições a favor da democracia. Os trabalhos de Liu Xia estão banidos da arte chinesa desde 1989. Em 1912, foi realizada uma exposição de suas fotografias na Italian Academy e depois na Columbia University. São 25 fotos em preto e branco, a maioria usa bonecas como metáforas. O próprio marido serviu como modelo. Sobre seu trabalho a artista disse: "São um grito silencioso frente à obscura estupidez e teimosia das ditaduras".
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 
 
 
 

 
 
 

 
 
 


Fonte Força silenciosa de Claudia Sarmento. Caderno Prosa, O Globo. 23.02.2012.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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