terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conversando sobre Arte entrevistada Angella Shilling




 

Quem é Angella Schilling?
Nasci em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul no inverno de 1952 no dia 02 de julho.Tive uma infância maravilhosa brincando entre as plantas do jardim da minha mãe e árvores frutíferas e horta familiar das horas vagas do meu pai. Adorava plantar. Observava durante horas o trabalho e a carreira das formigas; corria atrás de borboletas, esperando sempre ansiosa pela próxima primavera, quando elas voltariam! Apesar de sentir horror dos insetos, sempre os observei  e admirei por sua beleza  e mistério das formas e cores. Minha origem é alemã por parte de pai e de mãe. Sou da 5ª geração dos primeiros alemães que vieram para o Brasil ( 1824 ) por parte de pai e 4ª  geração por parte materna. Meus avós maternos eram “ artistas”, meu avô escrevia e interpretava suas peças. Minha avó tocava cítara de mesa e era solista ( soprano ), além de fazer pirogravura. A colonização alemã mantinha forte suas tradições,o que  com certeza  contribuiu para minha formação, além do fato de ter falado apenas a língua alemã até os 7 anos de idade. Aprendi português  quando entrei para a escola: o que não foi fácil! Estudei o primário, ginásio e científico ( fiquei na turma da medicina, pois pretendia fazer faculdade de farmácia e bio-química ), em escola pública, que na época era excelente. Aprendia-se além das matérias normais, a bordar, fazer tricô, crochê, etiqueta... Bom, não passei no vestibular, tentei mais um ano, fazendo um curso pré – vestibular, mas ainda assim não passei. Pensei então que estava perdendo muito tempo, e como gostava muito de desenho e geometria, fiz vestibular para Belas Artes.

Como foi sua formação artística?
A faculdade FEEVALE, de Novo Hamburgo, neste período era espetacular, recebendo o  prêmio da UNESCO, como a melhor faculdade da América Latina! ( 1973/1974 ) Faculdade de Belas Artes, Curso de Licenciatura em Desenho e Plástica, abrangia todas as modalidades de arte que havia naquele período. Maria Beatriz Rhade foi uma professora brilhante de desenho, história em quadrinhos... e  Vera Chaves Barcellos  foi minha primeira professora de gravura e até hoje uma grande artista plástica. Estudei piano clássico, teoria, solfejo, história da música durante 11 anos; parei para aguardar um ano para poder fazer o vestibular; só  que isto nunca aconteceu.Morei em Novo Hamburgo até os 23 anos passando então a viver no Rio de Janeiro durante 34 anos.  Atualmente resido em Porto Velho.

Como a Arte entrou em sua vida?
A arte entrou na minha vida devagarzinho criando raízes enquanto cursava a faculdade de Artes.

Como foi sua formação artística?
Fiz curso de pintura em Porto Alegre, com Paulo Porcella no atelier livre da Prefeitura. No Rio de Janeiro fiz diversos cursos de gravura em metal como no MAM, oficina do INGÁ, na Pontífica Universidade Católica, no SESC da Tijuca e trabalhei ainda em diversos ateliês de gravura além do meu próprio. Tive aulas com Eduardo Sued, Anna Letycia, Carlos Martins,  Conceição de Souza, Gian Shimada, Osmar Fonseca, Henry Goetz, Lena Bernstein, Isis Braga, Henry Goetz, Osmar Fonseca ...

 
Como você descreve sua obra?
Minha inspiração veio da minha infância vivida nos jardins da casa dos meus pais. Vivia intensamente correndo atrás de insetos, salvando pássaros, subindo em árvores, comendo frutas tiradas na hora sentada nos galhos de uma pereira ou de um abacateiro; passava tardes inteiras estudando, lá no alto! A natureza sempre fez parte do meu trabalho; com uma visão contemporânea. Depois dos anos 80 resolvi ampliar partes de insetos, frutos... o que fez com que meus trabalhos parecessem abstratos. Gosto de usar cores contrastantes e vivas com certeza em decorrência da maneira como vejo a vida! Trabalho com gravura em metal, xilogravura, pintura, desenho a nanquim, desenho a lápis e instalações.
A gravura em metal é minha técnica preferida, a ponto de sonhar com oficinas de gravura e sentir os cheiros dos vernizes e tintas. Usei as técnicas de água – forte, relevo, água – tinta, nanquim com açúcar, guache, lápis litográfico, craquelê, rolete, buril, ponta seca, berceau...é como  sempre ouvi dizer: ou você ama a gravura e não pára nunca mais ou detesta e nunca mais quer saber desta técnica.
A gravura para mim é muito envolvente além de cativante, surpreendente, misteriosa e gratificante!!!

 
Que artistas influenciam seu pensamento?
Não houve “ artistas” que me inspiraram, tive sim, admiração por vários como Escher, Marcelo Grassmann, Salvador Dalí, Frida Khalo, Anna Letycia, Fauga Ostrower, Vera Chaves Barcellos, Dionísio Del Santo, Adir Botelho e muitos outros.

 Qual foi sua exposição mais importante?
Todas exposições foram importantes para mim. Cada uma delas era como se fosse a primeira e única. Mas logicamente algumas marcaram mais. Minha primeira individual no Rio de Janeiro; que foi na Galeria de Arte Macunaíma, no Museu Nacional de Belas Artes em 1979. Foi fantástica, naqueles dias vendi 60 gravuras!!!! Foi Record de venda na Galeria, comprei toda minha oficina de gravura, tintas, prensa....pensei que continuaria sempre assim: vendendo minhas gravuras, mas não foi desta forma. Com o passar dos anos a venda foi diminuindo gradativamente, conseqüência generalizada devido as políticas financeiras e culturais do país, a ponto de inúmeras Galerias de Arte que costumavam trabalhar com papel, fecharem!
Por mais democrática que seja a técnica da gravura; popular, com bom preço, além de refinada, a arte passou para planos dispensáveis. O que não ocorria antes, quando qualquer pessoa comprava gravuras e outras modalidades de arte.
Lembro bem das exposições que fiz na Villa Riso, em São Conrado, as individuais na Alemanha, na Galeria de Arte da Cândido Mendes em Ipanema, aqui em Porto Velho.... e no ano passado quando tive a honra de ser convidada para representar o Estado de Rondônia no projeto fantástico: AMAZÔNIA DAS ARTES do Sesc  da região norte ( Amazônia Legal ), onde levei minhas gravuras para Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Rio Branco, Manaus, Porto Velho, Belém. Além das exposições, aconteceram oficinas e palestras sobre gravura em metal que não é  conhecida no norte. Apenas em Manaus e Belém alguns poucos artistas conhecem e praticam a técnica.
Foram mais de 26 exposições individuais, pelo Brasil e exterior. Nas exposições individuais mostrei gravuras em metal, desenhos à nanquim, desenhos a lápis e pintura.
Participei de mais de 60 exposições coletivas no Brasil, 28 Salões de arte pelo país com gravuras em metal, em alguns fui premiada com 1° lugar, menção Especial, aquisição...
Ainda 24 Bienais Internacionais de Gravura pelo mundo. Estas bienais me deixaram e ainda deixam bastante empolgada; o júri examina a técnica, a impressão , o tema....e não conhecem o artista, já que são profissionais de diversos países da Europa e Ásia. O mérito é da gravura!
Locais fora do Brasil nos quais minhas gravuras estiveram: Los Angeles, Maryland, New York, New Jersey nos EUA; Yokohama e  Okinawa no Japão;  Seul  - Coréa; Taiwan – República da China; Donaueschingen e – Öflingen E.V. na Alemanha;  Barcelona – Espanha; La Habana – Cuba;  Cidade do México – México; Caracas – Venezuela;  Acqui Terme – Italia;  Maramures – România; Belfast - Irlanda do Norte.

 O homen e as mulheres já estão em igualdade no mercado de arte?
A questão do mercado de arte no Brasil tanto para homens como para mulheres é complicado. A falta de cultura e  informação  no setor das artes visuais, leva à falta de compradores o que por sua vez leva o artista a não poder, quase que na sua totalidade, se dedicar à sua arte como gostaria, resultando muitas vezes numa arte de menor qualidade ... ficando desvalorizada.
 


É possível viver de Arte no Brasil?

É difícil viver apenas de arte no Brasil. A grande maioria dos artistas necessita procurar outros meios para sua sobrevivência. Temos grandes artistas para poucos compradores. Para o artista o estímulo da venda é essencial pois propulsiona sua arte para frente, a criatividade fervilha, além da vocação e amor pela arte que o artista já possui.
 
As obras em papel são menos procuradas pelo público?
As obras em papel são menos procuradas por total desinformação. As técnicas realmente conhecidas são a pintura e a escultura o restante não tem a devida atenção e a divulgação necessária. Apesar da gravura existir há uns 600 anos no ocidente ainda  é pouco difundida, correndo o risco de ser esquecida se não for ensinada, principalmente com o surgimento do computador e toda a tecnologia virtual; o que não substitui de forma alguma os resultados obtidos pelos métodos tradicionais. Além do prazer em estar executando as diversas técnicas da gravura e a revelação dos resultados obtidos.
Você atualmente mora em Porto Velho, o que você poderia falar sobre a arte contemporânea por aí?
Estou morando em Rondônia há quase 5 anos, logo que cheguei tentei me inteirar das galerias de arte, oficinas dos artistas, mas como Porto Velho é uma cidade relativamente nova ( 99 anos ), encontrei pouquíssimas galerias de arte.
O que dificulta muito para a região norte é a enorme distância dos grandes centros culturais e o período de meses com fortes chuvas, que chamam aqui de inverno, apesar da temperatura continuar bastante quente. O norte do Brasil fica muito  isolado.
Qualquer tipo de material que falte leva torno de 30 dias para chegar, às vezes mais. Material de arte encontra-se pouco, temos que trazer tudo de fora quando viajamos ou via internet.

Como é sua atividade de ensino da gravura?
A gravura em Porto Velho não era conhecida. Não há nenhuma oficina de gravura; assim comecei a ensinar a xilogravura, que era a única técnica possível de ser ensinada. O primeiro curso que dei foi bastante cansativo e complicado, pois não tinha trazido ainda nenhum material do Rio de Janeiro. Levei 6 meses para encontrar o material necessário, os rolos foram feitos artesanalmente com uma borracha que encontrei numa loja de peças para carros e caminhões...era tudo bastante abstrato: como ensinar sem livro, sem material e nenhuma gravura ou livros para mostrar...mas consegui bons resultados. Alguns eram artistas outros não. Quem gostou voltou para o segundo, terceiro curso e continua a fazer xilo. Descobri assim excelentes gravadores. Continuo ensinando xilogravura na minha oficina com ótimas perspectivas; aqui tudo que chega é bem vindo.
Alguns dos meus alunos participaram da X Bienal de Gravura Internacional Prêmio Acqui, na Itália e uma aluna na 5ª Bienal de Gravura Nacional em Atibaia, São Paulo. O que foi fantástico!!! Isto em 2 anos ( apenas poucos meses) . Fomos convidados para expor xilogravuras em praticamente todas as cidades do estado de Rondônia! Foi extremamente gratificante e compensador. Meus trabalhos também foram selecionados e em São Paulo recebi o Prêmio OLHOLATINO de Aquisição! Há um grande número de artistas, jovens, adultos querendo aprender a técnica, pretendo me organizar para poder realizar mais oficinas com aulas contínuas.

Quais são seus planos futuros?
A arte não pode parar, o fazer diário é importante para a conquista de resultados cada vez melhores, a inspiração e o domínio da técnica surgem com a constância, perseverança e paixão pela arte.
 







Predador Dois - detalhe, 1978. Gravura em metal: água – forte, cera mole, relevo, nanquim e açúcar e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 45 X 38,5 cm. Tiragem: 10


 

Maçã, 1978 Gravura em metal: água – forte, relevo e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 35 x 48 cm. Tiragem: 15


        
Células/Folha - detalhe, 1980.  Gravura em metal: água – forte, relevo e água – tinta, tirada à palmo.
Matriz: 32 X 45 cm. Tiragem: 15.


         



Estrutura Seis - detalhe, 1981. Gravura em metal: água – forte,água – tinta e ponta seca, tirada à ponta seca. Matriz: 34 X 41 cm. Tiragem: 20.


 Fruto Um, 1981. Gravura em metal: água – forte, relevo e água – tinta, tirada à palmo. Tiragem: 20.

         


Fruto dois, 1981.  Gravura em metal: água – forte, relevo, cera mole e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 40 X33 cm.
           






Bambual três, 1984. Gravura em metal:água – forte, água – tinta e nanquim com açúcar, tirada à palmo. Matriz: 29 X 32 cm. Tiragem: 20
 
Inseto um, 1987. Gravura em metal: água – forte e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 9 X 10 cm. Titagem: 13.

 


Gramíneas vermelhas, 1988. Gravura em metal: água – forte, nanquim com açúcar, craquelê e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 28 X 22 cm. Tiragem: 15



Detalhe, 1988   Gravura em metal; água – forte, cera mole e água – tinta, tirada à palmo. Matriz: 31 X 28,5 cm.

    


Asas Um, 1997. Gravura em metal: água – forte, nanquim com açúcar, água – tinta e ponta seca, tirada à palmo e Matriz: 36 X 29,5 cm





Asas à Imaginação 2, 2004. Gravura em metal: relevo, água – tinta e ponta seca, tirada a palmo.      Matriz:34 X 24,5 cm.  Tiragem: 10.


 
 

Outono em Donaueschingen1, 2007 Gravura em metal: água – forte, água – tinta e ponta seca, tirada a palmo.  Matriz: 30 X 29,5 cm. Tiragem: 13
           


Outono em Donaueschingen2, 2007.  Gravura em metal: água – forte, água – tinta e ponta seca, tirada a  Matriz: 30 X 29,5 cm. Tiragem: 13


         


 Hibiscos, 2008.  Gravura em metal: água – forte, relevo, água – tinta e ponta seca, tirada a  Matriz: 29 X 28,5 cm. Tiragem: 13



           

Dança dos Hibiscos, 2011. Xilogravura Matriz: 42 X 21 cm. Tiragem: 10


          
Textos sobre a obra de Angela Schilling
 
Angella Schilling, gaúcha, da colônia alemã de Novo Hamburgo, do Sul do Brasil, foi influenciada desde a infância pelo ambiente musical e artístico da colonização européia. Atraída para a possibilidade dos múltiplos, começou pela xilogravura, ainda na Faculdade de Belas Artes, no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro,onde viveu por 34 anos,passou para a gravura em metal e mais tarde para o desenho e pintura.
Há mais de três anos reside em Porto Velho, Rondônia, onde ensina e faz gravura além de palestras, oficinas e curadorias.
 
 
 
 
 É com a repetição de temas que Angella procura demonstrar toda a sua procura numa concepção labiríntica, onde linhas e formas se entrelaçam e se conjugam num todo.
Acredito que através de um exercício contínuo de pesquisa e trabalho, possa crescer cada vez mais, enaltecendo e elevando valores na difícil trilha das Artes Plásticas.”
 
                                               Maria BeatrizRahde Marques da Silva
                                               Diretora da Faculdade de Belas Artes,
                                                           Abril/1975.
 
 
 
 É interessante notar a preocupação de AngellaSchilling com frutas, plantas e insetos,    
Elementos que hoje – infelizmente com enorme atraso – formam parte do vocabulário do artista com preocupação ecológica. A contribuição de artistas sérios, engajados – mas no sentido de produzir arte que  convence pela qualidade e não “ slogans” e panfletos – pode ser muito valiosa.
Acredito que AngellaSchilling tenha escolhido o caminho certo.”
 
                                                                       Marc Berkowitz
                                                                       Crítico de Arte – 1979.
 
 
 
  Angela aborda uma temática figurativa bem mais direta e contundente: são os insetos      ( quase sempre presentes) e chamados pela artista de predadores ( uma lembrança, quem sabe, de “ Hellstrom'sChronicle”).
Aliás, Angella atinge na gravura “ Inseti um” um nível de primeiríssima qualidade, tanto em técnica quanto em beleza e precisão de tema”.
 
                                                                       Ricardo Cravo Albim
                                                                       crítico de arte e música
                                                                       Rio de Janeiro, 5 de julho de 1979.
 
 
 
 
“ O mundo orgânico tem presença forte na gravura da gaúcha AngelaSchilling, que já se apresentara numa primeira individual carioca na Galeria Macunaíma, no início deste ano.
Seu mundo é dos pequenos animais em trabalho, afazeres silenciosos de abelhas, formigas, gafanhotos, lagartas ou libélulas, ou vegetais com suas nervuras e interiores à vista. Embora ela rompa bem a rigidez das formas e incorpore com inteligência o branco do papel, tem o desenho ainda duro...
 
Roberto Pontual
Crítico de Arte
Jornal do Brasil, 13 de julho de 1979.
 
 
 
 
 
“ Nova Gravadora
...Saudamos nela uma valiosa gravadora em metal, obediente e segura na técnica escolhida...
Na série de frutos e insetos ...encontramos o melhor momento de AngellaSchilling, pela precisão quase científica com que encaminha o tema ,e a estrutura técnica da qual extrai efeitos de fascinante textura e timbre cromático. O enquadramento da figura, nesses casos, o despojamento e a solidão que o artista revela com sua obra, a tensa felicidade com que estas cenas da história natural são gravadas, nos reportam à idéia de uma nova história de criação, depois do dilúvio...”
                                                                                  Walmir Ayala
                                                                                                                                                                                                                               Crítico de Arte
                                                                                  Jornal do Comércio – RJ – 1979.
 
 
 
 
 
“...Suas águas – tintas se apresentam agora carregadas de cores que já lutavam por ganhar corpo na sua última exposição individual...
Angella amplia mais ainda os detalhes das nervuras, sempre captadas com precisão científica.
O resultado é a invasão das cores que passa ao espectador uma sensação de universo tropical contido, de floresta represada, a um passo da abstração, mas sem abandonar sua fidelidade às estruturas celulares vegetais. A busca dos detalhes está levando Angella a um verdadeiro minimalismo, no sentido que lhe dava Mies Van der Rohe, the less is more.”
 
                                                                       Léo Schlafman
                                                                       Jornalista, escritor, poeta - 1981
 
 
 
 
“ Angella sempre fez em gravura um trabalho de grande precisão técnica, elaborado em águas-tintas de tonalidades suaves que muito lembram as aguadas em nanquim.
Seus trabalhos correspondem ao seu temperamento. Seu mundo, sua medida.
Um olhar atento ao que não está à vista. Os insetos da vegetação se ampliam, mas seu olhar se atém às partes deles, formas abstratas que assumem a ordenação da composição, se expandem e devem agora dominar.”
                                                                       Anna Letycia
                                                                       Artista Plástica.
                                                                       Rio de Janeiro, junho de 1987.         
 
 
 
 
 
“Depois de mais de duas décadas dedicadas à gravura e ao desenho, com as quais impôs seu nome entre os bons artistas atuantes no Rio de Janeiro, Angella somou e soube acrescentar sua personalidade a esse importante setor gráfico ela chega agora à pintura. AngellaSchilling sabe aproveitar as nuançes do branco da tela com o branco pintado e do seu encontro com as cores quentes da composição, ao mesmo tempo que acrescenta sutis relevos...
A gravura exige muito do artista quanto à técnica. Não é fácil, repetimos, mas sem esse conhecimento técnico seria impossível para qualquer gravadora chegar à perfeição de sua criação gráfica. Com AngellaSchilling aconteceu o mesmo. Ela não nasceu gravadora; ela fez-se gravadora. Angella somou e soube acrescentar sua personalidade a esse importante setor gráfico...”
                                                                       Geraldo Édson de Andrade
                                                                       DaAssociação Brasileira de Críticos de Arte.
                                                                       Rio de Janeiro, junho de 1998.
 
 
 
 


Angela, gostei muito.
Um primor. 
A tua gravura está ótima e você tem o raro mérito de ter um amigo de sensibilidade refinada.
A tua gravura pede um lugar de alto padrão. 
Um abraço, JacobKlintowitz
 01/07/2009
AngellaSchilling é artista plástica, com formação acadêmica em Belas Artes. Sua carreira artística começou em 1972, já tendo feito vários cursos com professores renomados, participou e foi premiada em salões de arte, realizou várias exposições pelo Brasil e em vários países da América latina e Europa, já teve publicações de suas obras em catálogos e revistas.
Tive o prazer de conhecer suas obras de arte, na Casa de Cultura Ivan Marrocos, e logo acompanhei a Oficina de Xilogravura, que ela administrou, no mesmo local. O termo xilo vem do grego xylon e significa madeira; a xilogravura é, portanto, uma técnica de impressão em relevo, a partir de uma matriz de madeira. As obras da artista são produzidas em metal emtécnicas diversificadas.
 
É gratificante encontrar um artista que transmita o prazer de criar, além da certeza de exercer um ofício que domina muito bem, e é inovador. O trabalho de AngellaSchilling é matematicamente estudado e pesquisado, mas a emoção está em primeiro lugar. Não falo apenas como crítica de arte, mas também como colega de profissão, a técnica que ela ensina é a de uma grande mestra. Aquela que ensina tudo o que sabe e não tem medo de se doar, pois ela sabe que cada pessoa é um universo diferente. Nós precisamos de oficinas deste nível, aqui em nossa região, para que esses especiais saberes sejam repassados para as novas gerações.
 
 
Porto Velho(RO), 21 de julho de 2011
RITA QUEIROZ
Artista Plástica
 
 
 
 
A vida em ácido e metal
Nesses tempos de alertas que evidenciam o esforço do artista de gravar seu grito pelo que o aflige, Angella traz consigo o ciclo vital: terra que brota de metal corroído por ácidos, gerando caules que transportam seivas, folhas que respiram livres, flores que encantam os olhos através de formas e cores, o tato (do áspero ao macio), o olfato em aromas que traçam invisíveis caminhos, o paladar nessa estranha alquimia ora tempero, ora licores afrodisíacos, geleias, sabores como sussurros que as almas derramam em nós, nos conscientizando da urgência de preservar a vida. Logo, seus frutos, não estéreis, pois trazem sementes que renovam e perpetuam com a força criativa dos deuses, dos artistas, dos poetas que se arriscam nesse voo mais além.
Essa é a essência da arte.
E Angella é o suor do homem, do bicho do arado, o lado mais humano do misterioso processo da transcendência.
Ronaldo Nascimento
Crítico de música, poeta e artista plástico.
Rosário – Argentina / 2011
 
 
 
 
SCHILLING ANGELLA
 
Há um certo tom lírico em suas obras, produzidas com precisão e rigor técnico. A combinação feliz da dialética presente em todo o tempo no mundo: O peso da prensa, a dureza do metal ( ferramentas do gravador ), a marca doída no suporte e a delicadeza do traço, a leveza do papel, a matização da representação do organicamente vivo.
Esta compilação de alguns de seus trabalhos, apresenta por meio de uma composição cenográfica de portifólio, pontua-se num estilo figurativo de visores recortados, dividindo sua percepção com os observadores, potencializando assim uma perspectiva privilegiada do detalhe.
Os elementos temáticos são familiares, tanto mais para os da região amazônica, em que temos o privilégio do contato com parte do mundo não artificializado. No entanto, olhamos nosso entorno, mas, será que vemos? Formas veladas, suaves, sinuosas, texturas sutís que compõe uma trama imagética delicada, cheia de dinamismo.
 
                                                           TizianaCocchieri
                                                           Esteta
Porto Velho, junho de 2012,
 
 
 




 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Angella Schilling.


( 69 ) 9265 - 6560

 

Porto Velho, 16 de dezembro de 2013.

 

 

 

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