terça-feira, 29 de outubro de 2013

Conversando sobre Arte Entrevistado Lucas C Simões





O artista vive e trabalha em São Paulo. É representado pela Galeria Emma Thomas.

Quem é Lucas C Simões?
Nasci no interior do estado, A minha formação acadêmica é arquitetura e urbanismo. Estudei na Puc-Campinas e no Politecnico di Milano, na Itália.
Não acho que o fazer artístico me situe em uma área fora da arquitetura. As duas práticas se atravessam e borram seus contornos. A minha formação acadêmica é em arquitetura, trabalhei em projetos residenciais, comerciais, escolares etc. e ainda faço alguns projetos para amigos. Na arquitetura, que é parte técnica e parte humana, o desenho é mais do que um desenho, é uma intenção de que algo concreto se realize através de um processo de construção.
Mas muito antes desse tipo de desenho, ainda criança, desenhava e pintava, já com a intenção que fosse uma prática, um ofício. Talvez essa vontade do desenho como ofício tenha me levado à arquitetura. E talvez a formação como arquiteto tenha resignificado o fazer artístico para mim e tenha aberto novos caminhos de pesquisa

Como a arte entrou em sua vida?
Acho que sempre fez parte...

Que artistas influenciam seu pensamento?
Eu gosto do trabalho de vários artistas, mas talvez isso não queria dizer que eles me influenciam diretamente, gosto dos trabalhos que são coerentes, corajosos, espertos, mas não absorvo isto para o meu trabalho, o que me inspira nestes artistas talvez seja mesmo a coerência. Como Antonin Artaud, Nuno Ramos, Arto Lindsay, Andrey Tarkovsky, Fernando Pessoa, James Turrel, Dona Onete, Waltercio Caldas, Alain Resnais, Virginia Wolf, Clarice Lispector, Felix Gonzales Torres, James Turrel, Michelangelo Antonioni, Gilles Deleuze etc




Como você descreve sua obra?
Não me ocupo de um único suporte, para mim o suporte também é linguagem então cada série diferente de trabalho que faço usa um suporte e técnica diferente. Mas algumas coisas se repetem como o uso de papel, intervenções com cortes e sobreposições.
Acho que neste sentido se assemelha muito a um raciocínio arquitetônico que eu acho interessante, que cada situação é a geradora de uma resposta que pode ser completamente diferente formalmente, e o que define isto é, no caso do trabalho de arte, é a mensagem.




Como você estuda e como se atualiza?
Participando de discussões, vendo filmes, indo à palestras, etc. e como cada trabalho é um novo isto me força sempre a fazer novas pesquisas.

É possível viver de arte no Brasil?
Sim, acho que agora existem mais possibilidades por causa do crescimento do mercado de arte.

Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Acho interessante no sentido que toda vez que vou me inscrever em um salão/edital eu tenho que parar, refletir sobre meu trabalho até ali, propor algo novo, é um processo importante para o artista. O resultado é consequência.

Como é possível um artista ser conhecido além dos limites do seu estado?
No meu caso, o jeito mais fácil de divulgar meu trabalho tem sido virtualmente. Isso já me rendeu dezenas de publicações no exterior. Isto mostra que existem muitos meios de fazê-lo além dos modelos tradicionais, acho que cada um pode descobrir o seu.
Você foi um dos vencedores do prêmio Bradesco da ArtRio, 2013. O que você comentaria sobre o fato?
Fiquei feliz com o resultado, por me possibilitar mostrar meu trabalho onde ele é pouco conhecido, e principalmente pelo prêmio estar conectado com uma residência artística.
Eu vou fazer a residência no Espaço Fonte, em Recife. Eu acredito muito que é a partir destas experiências de contatos e deslocamentos que o trabalho vai caminhando para pesquisas mais interessantes.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Ser representado por uma galeria é consequência do seu trabalho, e não a intenção pela qual você trabalha. A galeria é a parte mercadológica da arte, e nem todo tipo de trabalho vai se encaixar neste perfil.
Se você consegue expor em instituições, divulgar seu trabalho fora do mercado, participar de discussões e entrar em contato com outros artistas, assim você pode fazer seu trabalho ser visto e assim despertar o interesse em algum galerista.

Quais são seus planos para um futuro próximo e longícuo?
A curto prazo gostaria de tirar férias logo, este foi um ano muito cheio de trabalho e exposições, foram mais de 10... Depois realmente não sei, só minha residência em Recife, que será a partir de abril.


Desmemória.


Desmemória.

Nesta série de trabalhos fotografei, durante uma conversa, velhos amigos com quem já não tenho mais contato e também pessoas que eu acabei de conhecer.
Deste encontro, separei 10 fotos de cada um e na maioria dos retratos não tratei as fotos com cor alguma, deixei a cor e a luz como no momento em que as fotografias foram feitas, sem tratamento. Em alguns poucos casos achei necessário o uso da cor .
Os padrões destas fotos são mais geométricos, parecem ser um padrão contínuo, mas que na verdade não se repetem, não se encaixam.

Desretratos  Mora na Filosofia.

Nesta série de trabalhos convidei amigos íntimos para me contarem um segredo enquanto eu fotografava seus retratos. Mas a minha intenção não era escutar seus segredos, mas sim capturar as expressões de cada um na hora de revelar este segredo. Então pedi para que cada um escolhesse uma música para eu ouvir no meu fone de ouvido enquanto eu os fotografava. E depois desta sessão de fotos eu perguntei a cada um deles se o segredo tinha alguma cor, e são essas cores que os retratos carregam. Desta sessão de fotos eu escolhi 10 retratos diferentes, recortei e sobrepus.

Brinquedo e Fantasia.
 
 
 
Brinquedo e Fantasia.


Educação Moral e Cívica.


 Verdade É uma Colagem Continua
 
Verdade É uma Colagem Continua.

fotografias costuradas em madeira e tecido

 Nesta série me aproprio de imagens de edifícios cuja monumentalidade é reflexo de uma ideologia por trás de seu comissionamento. Com essas imagens crio uma paisagem onde coloco lado a lado edifícios feitos com intenções e conceitos muito díspares, alguns deles já em ruínas. Por exemplo, edifícios nacionalistas da Ex-Yugoslávia ao lado de pavilhões da Serpentine Gallery, ao lado de construções comunistas, ao lado de projetos ícones da arquitetura moderna como os de Le Corbusier e Frank Lloyd Wright, ao lado também de arquiteturas anônimas, criando uma paisagem construída de utopias.
Isso resultou quase-cinemas muito longos, alguns com 4 metros de comprimento, onde o observador precisa caminhar ao longo da obra para poder observar todas as imagens que ela contém, tornando esse movimento o potencializador do trabalho.


Ser e Estar.

o íntimo é infinito
o meu e o seu
não tem começo nem fim
mas acaba em você



Quem Brinca com Fogo.


Quem Brinca com Fogo.
 

Queimadura sobre fotografia, maneira de apagar fisicamente uma memória, com o tempo o que falta na imagem some da memória.
As imagens que me apropriei nesta série vieram de várias mídias diferentes; a tarja colorida abaixo das imagens é o meu jeito de mostrar que as fotografias não foram feitas por mim, e que as vejo como “tinta sobre papel”

Nenhum comentário:

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
Now