quarta-feira, 29 de maio de 2013

Conversando sobre Arte entrevistado Pedro Henrique Gandra




Quem é Pedro Henrique Gandra? 
Tenho 19 anos, nasci no Rio de Janeiro, e logo bem cedo me mudei para Brasília, onde passei a minha infância e moro atualmente. Aos 12 anos, voltei para Rio onde fiquei por três anos. Como todas as crianças e adolescentes frequentei escolas, fiz curso de inglês e outras atividades, mas confesso que nunca aceitei a forma pouco humanística como o ensino formal é tratado. Acredito que a maioria das escolas não se preocupa em formar pessoas com uma visão mais ampla do mundo e sim pessoas preocupadas apenas com a concorrência dos vestibulares, concursos públicos, mercado de trabalho e títulos, fato que considero desestimulador. Por outro lado, guardo em minha memória afetiva um fato que considero importante que foi ter crescido, praticamente, dentro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e dentro do Museu Villa-Lobos, locais de trabalho da minha mãe. Acho que a partir dessa convivência, o gosto pelas manifestações artísticas de modo geral foram se despertando aos poucos e, naturalmente, dentro de mim.

 

Como a Arte entrou em sua vida?
Como disse na resposta anterior, as manifestações artísticas foram chegando naturalmente em minha vida. Sempre gostei de desenhar, como toda criança, mas não acho que esses primeiros desenhos tenham se desdobrado no trabalho que faço hoje. Quando voltei a morar no Rio, até pelas oportunidades que a cidade oferece, passei a frequentar museus, galerias de arte e espaços expositivos... Nessa época, uma grande amiga sugeriu que eu procurasse algum curso na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Segui seu conselho, entrei primeiro em um curso de desenho, mas logo depois mudei para o curso de pintura do Luiz Ernesto. Naquele período, acho até que, por ser ainda muito criança (tinha 12 anos), não aproveitei bem as oportunidades que os cursos me ofereciam. Mesmo assim, tenho certeza que conviver com os outros alunos e professores num lugar tão especial, deixou em mim sentimentos e informações importantes que só hoje consigo identificar.


Como foi sua formação artística?
A minha formação ainda está em processo. Com a ausência de cursos livres em Brasília, tenho suprido a necessidade de informação de forma autodidata, por meio de pesquisas, muita leitura e procurando conhecer novos artistas, pois acho que isto alimenta meu pensamento. Acho que um processo de formação artística se dá de forma permanente. Por isso, pretendo continuar minha caminhada buscando sempre me aprofundar nos temas que se relacionam com a minha poética, além de agregar novos sentidos.

 

 Como você descreve sua obra?
Em meus últimos trabalhos, alguns aspectos são recorrentes como a criação de um ambiente de tensão plástica, pela alusão à arquitetura e à geometria reforçadas pelo uso da cor, sem qualquer pretensão de hiper-realidade. A violência de um discurso que não teme a profanação, também está presente. Da mesma forma, o uso da palavra tem sido uma característica constante em minha produção mais recente. Além disso, muitas vezes, escolho títulos que agregam poesia visual ao meu trabalho. E assim, de forma meio caótica tudo vai ganhando corpo...

 

Que meios utiliza para construí-la?
Meu processo de criação é um pouco lento e doloroso, às vezes passo muito tempo em uma obra; faço e refaço, e parece que nunca fico satisfeito. Mas também, me interessam essas camadas de ‘’insatisfação’’ que o trabalho ganha com tempo, gerando camadas de memória na tela, suporte utilizado por mim, na maioria das vezes. As cores que escorrem e se infiltram em diferentes planos é um elemento importante na composição do meu trabalho.

 

Que artistas influenciam seu pensamento?
Muitos artistas povoam meu pensamento... Artur Barrio, Cy Twombly, David Salle, Nicky Nodjoumi, Corinne Wasmuht, Michaël Borremans, Julião Sarmento, Kiki Smith, Elke Krystufek, Matthew Barney, Nathalie Djurberg, Leon Golub, Cildo Meireles,­­­­­­­­ Stephen Bush, Sean Scully, Martin Kippenberger, Louise Bourgeois, Justin Mortimer, Helio Oiticica, Diane Arbus, Joseph Beuys, Tunga, Francis Alÿs, Eric Fischl, Richard Diebenkorn, Marcel Dzama, Jonas Burgert, Francis Bacon, Jonathan Meese, Georg Baselitz, Trenton Doyle Hancock...

 

Além do estudo de arte, que outras influências entram em sua obra?
Acredito que outra forte influência em meu raciocínio é o cinema, uma paixão pessoal, e por ser uma paixão, acho que acaba refletindo nas decisões do meu trabalho de pintura. Amo Godard, Kubrick, Peter Greenaway, David Lynch, Ettore Scola, Tarkovsky, Antonioni, Tarantino... enfim, admiro esses artistas não só por suas obras, mas também pela forma como eles se posicionaram e alguns, ainda se posicionam no mundo.

                                                                                             

É possível viver de Arte no Brasil?
Acredito que sim. Não consigo fazer distinção da profissão ‘’artista’’ de qualquer outra. É preciso levar em conta que pode existir instabilidade, mas outras carreiras também têm suas dificuldades. Às vezes, noto que pessoas que não ‘’convivem’’ com a arte e seus desdobramentos mitificam o artista e não encaram a produção artística como uma profissão.

 

 

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
Não tenho experiência para afirmar com certeza o que é necessário para ser representado, mas acho que ter dedicação e seriedade com seu trabalho, conta muito. Também acho que hoje em dia, o artista tem de fazer a sua parte; conviver com o meio e conhecer pessoas é importante para que sua produção se torne conhecida. No meu caso, me considero feliz por estar sendo representado pela Martha Pagy - Múltiplos Escritório de Arte, que tem me dado grande apoio.

 

Como você estuda e como se atualiza?
Vejo na internet um recurso eficiente como meio de pesquisa e atualização. Também assisto a muitas entrevistas e documentários de outros artistas, não só de artes plásticas, mas de músicos, diretores de cinema e de escritores. Apesar de a internet ser um recurso rápido, ainda recorro muito aos livros...Tenho um enorme prazer em folhear um livro de arte e conviver com os livros de um modo geral. Para mim, um grande passeio é passar horas numa livraria descobrindo as novidades. Viajando, vendo exposições, vivendo...

 

Qual sua avaliação sobre o mercado de arte em Brasília?
Acho triste que a capital do país tenha um mercado ainda tão incipiente na área de arte contemporânea. Em Brasília, existem muitos bons artistas e por causa disso, tenho certeza que a cidade, ainda tão jovem, terá tempo para se estabelecer em muitos setores, inclusive na questão do mercado de arte.

 

Quais são seus planos futuros?
Apesar dos meus 19 anos, não tenho dúvida que a arte chegou de forma definitiva em minha vida. Quero continuar estudando, pintando e convivendo com os novos e velhos amigos...

 

 

Pedro Henrique Gandra é representado por Martha Pagy - Múltiplos Escritório de Arte, Rio de Janeiro.

 





 

You guys have to be careful, because they are a huge threat, they think too much, they can destroy our plan and send our group back to hell! With their thoughts and their words. We were not able to heal them, so the wisest decision is to rip their heads off and let them bleed to death!
2012 | acrílica sobre tela | 140 x 140cm


Stalker, A Clockwork Orange ou Blow-up
2012/2013 | acrílica sobre tela | 150 x 140 cm


Cynical, starving and intellectual rebels fall within the same shallow puddle of reality


Bíblia Sagrada Intellectual Death
2012/2013 | acrílica sobre tela | 150 x 115cm
 
 
Faço dessa trangressão um palco para questionar os sentidos
2013 | acrílica sobre tela | 150 x 140cm


Seria interessante subverter a verdade absoluta
2013 | acrílica sobre tela | 150 x 150cm

5 comentários:

Sonia Rabello disse...

Pedro Henrique: parabéns pelo trabalho, e pela excelente entrevista. Bjs. Sonia Rabello

Lourdinha Horta disse...

Muito boa a entrevista! super informativa, clara, bem escrita, e mostra bem a caminhada do artista! que ele continue com entusiasmo! bjs Lourdinha Horta

Paloma disse...

Adorei conhecer Pedro Henrique. Márcio, é um prazer ler seu blog. Obrigada!

Marcelo Rodolfo disse...

Don Pedrito

Muito lúcido, coerente e pertinente o seu discurso!

Bravo por sua arte e por sua luta por um espaço nesta vida!!!

Anônimo disse...

Que alegria acompanhar este caminhar! Adorei a entrevista e sobretudo as palavras escritas e pintadas do artista.

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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