quarta-feira, 22 de maio de 2013

Conversando sobre Arte entrevistado Marcos Cardoso.


 Marcos Cardoso está atualmente com a exposição individual Arquitetura de Vidro no MAM, Rio de Janeiro. Em 2012, Aí Vai Muito da Pessoa exposição individual na Luciana Caravello Arte Contemporânea, RJ. Marcos muito obrigado por sua participação e parabéns pela belíssima trajetória.

 
Quem é Marcos Cardoso?
Nasci em 07-03-1960. Maricá no Rio de Janeiro. Estudei na Faculdade de Educação e na Escola de Belas Artes, UFRJ.-1960.

Como foi sua formação artística?
Tive formação clássica: Escola de Belas Artes, UFRJ. Depois, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Encontros com Ligia Pape, bebendo nos botequins certos, fazendo crochê ou rede de pesca.

Que artistas influenciam seu pensamento?
Todos os artistas estão em nosso DNA.

Quais são a mídias utilizadas para seus trabalhos?
Eu sempre me dei bem com as mídias.

É possível viver de arte no Brasil?
Essa pergunta é boa.  Não é fácil viver de arte. Mas acredito que não seja fácil em lugar nenhum.

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
É sempre um encontro, de um lado e de outro.

Qual a importância para sua carreira de sua atual exposição no MAM, Rj
Total. É um  upgrade.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
A vida o maior deles

Você tem uma rotina de trabalho?
Sim

O que você pensa sobre os salões de arte, alguma sugestão para aprimorá-los?
Salões e editais, são sempre uma saída.

Quais são seus planos para o futuro?
continuar trabalhando.




Jackson Pollock do Pandeiro


Jackson Pollock do Pandeiro



Maquete Visual 1, 2013.
 
 
 
Maquete Visual 1 Ampliada, 2013
 
 
 
 
Maquete Visual 2, 2013.
 
 
 





Maquete Visual 3. 2013


Maquete Visual 4, 2013.



Maquete Visual 4 Ampliada, 2013


Maquete Visual 5, 2013.


Maquete Visual 6, 2013


Maquete Visual 7, 2013.


Maquete Visual 8, 2013.


Maquete Visual 9, 2013.


Maquete Visual 9,  2013. Ampliada.


Maquete Visual 10, 2013.


Maquete Visual detalhe, 2013.


As fotos das Maquetes Visuais são de autoria de Eduardo Camara.



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Arquitetura de Vidro – Marcos Cardoso

04 de Maio a 14 de Julho de 2013
Esta exposição de Marcos Cardoso faz justiça a uma trajetória independente e que manteve desde meados dos anos 1990 enorme coerência poética e força estética. Seu diálogo com a cultura popular é feito de dentro do processo criativo, jamais como citação ou referência visual. Tendo tido parte de sua formação nos “barracões” das escolas de samba, seus trabalhos incorporaram uma artesania inventiva que transforma materiais desprezados e precários em curiosas “alegorias plásticas”.
A paciência construtiva é um traço poético, quase uma marca espiritual. Seus procedimentos meticulosos dão ao descartável uma forma austera e que seduz o olhar. Esta capacidade de recriação plástica a partir do banal é fruto de uma inteligência popular tipicamente carioca. Há também um humor que é muito próprio ao seu trabalho, que combina leveza e fragilidade.
O que move a sua obsessão com os materiais – guimbas, palitos de fósforo, tiras de sandália – não é uma decisão arbitrária do tipo sobrou-me isso para trabalhar, mas uma libido inventiva que é bem mais contundente e radical. A construção de sua obra é uma maneira de rir da adversidade e propor a reinvenção contínua do real. Uma lição ética em uma época de obsolescência e consumo exagerados.
Luiz Camillo Osorio
Curador
Desde a década de 90 venho desenvolvendo algumas pesquisas junto a indústria (não preocupado com a logística de produção mas fazendo uso do seu produto final). No início era ponta de cigarro, depois plásticos de todas as formas, tanto os rótulos quanto as embalagens. Agora me debruço mais diretamente aos tradicionais meios de expressão plástica: a gravura, a escultura e a pintura.
Na pintura exploro de novo o dinamismo da indústria em sua multiplicação, utilizando 15 mil pares de chinelos de borracha, fazendo das tiras, com suas maravilhosas cores, a matéria-tinta, em uma série chamada “Jackson Pollock do Pandeiro”, na vontade de misturar chiclete com banana.
Na gravura, técnica que já trabalho há um bom tempo (é minha pesquisa mais antiga e nunca mostrada) é voltada para a pré-industria, na sua construção física, espaço arquitetônico, onde uso como matriz ordinárias madeiras usadas na construção civil, chamadas tábua de trinta utilizando a técnica de xilogravura.
Na escultura, de onde surgiu a inspiração para o nome da exposição, depois de longa trajetória de expor em paredes, fui surpreendido pelo curador que uma das salas não havia parede e sim um imenso vidro de 40mx3,5m, separando a área externa da área interna da arquitetura. Estes trabalhos foram pensados para este espaço, um espaço de transparências e luminosidades. São tramas tridimensionais onde palitos de fósforo encaixados uns aos outros criam uma espécie de arquitetura ou alegorias do espaço urbano, como um parque de diversão.
Toda feitura da exposição tem a mão como protagonista, com novos e velhos movimentos, algumas vezes o velho crochê e às vezes invenção de um novo crochê, ou mesmo nas gravuras através do vai e vem das mãos com toda a delicadeza sobre o papel que está repousado sobre a matriz, para não rasgá-lo.
A mostra terá 600 metros quadrados de pura artesania no controle das mãos num universo de um cotidiano veloz. Isso só foi possível porque ao invés de trabalhar 8 horas por dia trabalhei 16 horas de segunda a segunda. Farão parte da mostra 26 esculturas de 1.50m de altura, 0.85m de largura por 0.45m de comprimento, da série “Maquete Visual”, com mais ou menos 450 mil palitos de fósforo. Serão mostrados também 6 pinturas em grandes dimensões, feitas com tiras de chinelo de borracha e 5 xilogravuras também em grandes dimensões.
Marcos Cardoso






Uma vez mais cabe agradecer à artista e curadora Marcia Zoé Ramos seu auxílio na realização dessa entrevista.

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Maurizio Cattelan

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