terça-feira, 21 de maio de 2013

Conversando sobre Arte entrevistada Lúcia Avancini, RJ





Quem é Lúcia Avancini?  
Nasci e vivi até os 25 anos em Porto Alegre, RS (1/10/1951). Minha formação se deu lá até completar a faculdade de Psicologia. Em seguida vim para o Rio fazer pós-graduação.
Desde a infância sempre tive grande proximidade com a arte. Minha primeira paixão foi a música clássica. Fui estudar piano, mas meu desejo mesmo era ser cantora lírica - até hoje me emociono com as grandes divas. Desenhar, pintar, construir colagens e objetos sempre fizeram parte do meu mundo desde muito cedo. Depois veio a influência dos amigos, a maioria artista ligado ao teatro. Fiz algumas investidas como atriz, mas o apelo interno estava voltado para as artes visuais. No final da adolescência passei a conviver com a pintora Maria Lidia Magliani - foi minha primeira referência e amiga até sua morte ano passado.

 

 

Como a Arte entrou em sua vida?
Entrou muito cedo, como acabo de relatar, mas de forma diletante, paralela e conflitante. A vivência com os amigos artistas das mais diferentes linguagens me seduzia, mas a grande dificuldade deles para se sustentarem me amedrontava.
Pintava, quase compulsivamente, para satisfazer minhas necessidades internas, uma sobrevivência emocional, mas não rompia com minha profissão já estabelecida.  Até que no final dos anos 80, já vivendo no Rio de Janeiro, a situação de conflito, divisão e insatisfação cobrou uma atitude. Foi quando entrei para o Parque Lage - EAV e dei início ao processo de construção da minha "carreira profissional" em artes visuais.

 


Como foi sua formação artística?
Os estudos e a convivência na EAV com professores, artistas e alunos foram fundamentais. O meu olhar ficou mais inteligente, mais arrojado, mais destemido. Rompi barreiras internas, destruí muros, abri portas e iniciei um caminho de busca incessante. Um caminho sem volta, instigante, doloroso, mas único.

Como você descreve sua obra?
Não consigo e nem quero classificar a minha obra. O mundo contemporâneo permite e até exige uma multiplicidade de ações e conhecimentos. Vivemos em rede, conectados a tudo e a todos. Uso a fotografia e não sou fotógrafa, filmo sem ser cineasta, faço ações performáticas sem ser atriz, e assim por diante... Sou uma artista visual contemporânea. O processo é mental, é experimental, é de apropriações e é político no sentido amplo. A obra é reflexo de tudo isto. Concretiza-se na forma de uma instalação, de um objeto, de um vídeo e assim por diante dependendo do conceito estabelecido.

 

 

Que meios utiliza para construí-la?
Tudo pode ser utilizado na construção da obra. Um prego, um pincel, o corpo do artista etc. Já usei quase todo tipo de material. A obra fica pronta na cabeça que é o processo realmente complexo e doloroso.

 

 

Que artistas influenciam seu pensamento?
Paixão e admiração por muitos artistas. Entre tantas paixões, definitivamente Marcel Duchamp tocou o meu olhar e o meu pensamento.

 

 

Além do estudo de arte, que outras influências entram em sua obra?
Sou um empilhamento de vivências.Tudo que vivo, vejo, penso, sinto de alguma forma tem presença passiva ou não. O meu processo de criação se dá, basicamente, no meu pensamento, ou seja, posso eleger algo como foco, no plano privado ou público, e desenvolver intelectualmente. Este é o lado objetivo do processo intelectual, mas não posso negar a existência de um campo desconhecido sobre o qual não tenho domínio completo e que faz parte do meu todo.
 

 

É possível viver de Arte no Brasil?
Lamentavelmente não com a dignidade e o respeito que os artistas merecem. Poucos conseguem.

 
O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?
A galeria comercializa, ou seja, é negócio. Isto não é uma crítica nem a galeristas nem a artistas com vinculação a elas. Apenas uma posição pessoal. Prezo a independência e a autonomia acima de tudo. Fazer arte é um ato sagrado para mim. Lugar onde tudo posso. Não negocio nem faço concessões. As tendências, também, não me interessam, nem me influenciam. Esta zona de conforto aparente pode ser tedioso para mim. Já tive obras vendidas por galeristas e nada impede que volte a ter, o que não quero é esta espécie de "vínculo empregatício".   Quem se interessar pela minha produção tem acesso a ela no meu ateliê. Enfim, esta é uma grande e perigosa discussão.

 
Como você estuda, como se atualiza.
Estou atenta a toda e qualquer informação - livros, artigos, palestras, meios de comunicação em geral, internet. Visito exposições, viajo sempre que posso para ver o que está acontecendo em arte no Brasil e no exterior. E mais do qualquer coisa penso, analiso, questiono, discuto.
 
Você tem uma importante atuação como curador, você poderia falar sobre essa sua atividade?
O trabalho de curadoria veio como uma necessidade de dizer e construir algo específico numa abrangência maior que o universo da minha própria produção artística. Falar de questões que julgo importantes, experimentar, fazer pensar, visibilizar, educar, colocar ideias em ação, polemizar. Uma troca com artistas e visitantes. Enfim, sair de uma postura submissa e paralisante de quem espera e tomar as rédeas de projetos que acredito importantes. É um trabalho bastante árduo, com infinitas dificuldades, realizado quase como uma missão.

 

 

Quais são seus planos futuros?
Todo ano digo que não vou fazer mais curadorias, projetos que envolvam muitos artistas, que vou me dedicar apenas a minha obra, que dá muito trabalho etc etc etc.
Essa ladainha, pós exposição, é sufocada pela comichão das ideias, do prazer em desenvolver um novo projeto. Com certeza continuarei.  Muitas ideias..... muitas ações.....muito trabalho ...mas imenso prazer em realizar tudo isto, acreditando que estou fazendo algo importante, dando a minha parcela de contribuição para a arte  contemporânea.
 

 




Como Explicar a Arte.


Corpo de Prova.


Corpo Vermelho 1.


Corpo Vermelho 2.


Corpo Vermelho.


Damas.



Instrumento para Medir Arte.



nstrumento para Medir.


Suturas Urbanas.


Fotos: Chritina Amaral Fotógrafa.

                                                               Lúcia Avancin
                                   maio de 2013

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Maurizio Cattelan

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