domingo, 21 de abril de 2013

Homenagem à professora Eponina Lemme



Abre-se um parenteses na arte para homenagear a professora e médica Eponina Maria Lemme por ocasião de sua aposentadoria por implemento de idade da Faculdade de Medicina, UFRJ. Eponina da turma de 1963 da Faculdade Nacional de Medicina, UFRJ. Foi aluna brilhante, graduando-se em 1968. Por concurso, foi médica do INSS e do CTI do Hospital Getúlio Vargas. Simultaneamente foi professora e pesquisadora lotada no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, UFRJ, onde chefiava o setor de esôfago do Serviço de Gastroenterologia. Em todas atividades teve atuação destacada, orientou inúmeros alunos no Mestrado e no Doutorado. Das suas pesquisas resultaram inúmeras publicações  em revistas nacionais e internacionais e em congressos brasileiros e no exterior. Exerce a clínica particular com o mesmo desempenho. Exemplo de dedicação, generosidade, competência e comportamento ético deixa um legado excepcional. Na despedida, realizada no HU Clementino Fraga Filho pronunciou o discurso:
 
 RIO DE JANEIRO 8 DE ABRIL DE  2013
Exmo Sr. Diretor do HUCFF Prof. José Marcos Eulálio
Exmo Sr.. Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ Prof. Afranio Kritski
Exmo Sr. Representante do Chefe do Depto de Clinica Médica da FM da UFRJ Prof. José Roberto Lapa
Exma Sra. Prof. Celeste de C.Siqueira Elia, Professora Titular em Gastroenterologia
Exmo Sr. Prof. Homero Fogaça, chefe do Serviço de Gastroenterologia do HUCFF
Meus colegas do Serviço de Gastroenterologia
Alunos, sras e srs
 
Não é fácil falar perante uma platéia tão seleta, numa comemoração  que tanto me emociona, após 43 anos de carreira dedicada ao ensino, assistência e pesquisa. Completo esta longa jornada, com sensação de dever cumprido, mas também com a sensação de que posso continuar a contribuir. Durantes estes longos anos de exercício profissional aqui nesta faculdade, tive muitas alegrias, conquistei muitas vitórias, muitas amizades, persegui muitos objetivos e hoje sinto-me perfeitamente recompensada por todo o esforço, feito com prazer, diga-se de passagem, que tudo isto demandou.
Formei-me em 1968, na maior turma da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil  até então, ainda no belo prédio da Praia Vermelha. Foram anos difíceis (corria o período negro da história recente de nosso país), anos de muitos estudos , mas  também de muita satisfação com os novos conhecimentos e novas amizades. Eu queria ser cirurgiã, porém ao chegar ao 3º ano, na 4ª. cadeira de Clínica Médica, Serviço do Professor Lopes Pontes no Hospital São Francisco de Assis,   me apaixonei pela clínica médica. Aprendi muita medicina no Hospital São Francisco, com os Profs. Rodolpho Rocco, Amaury Queiroz, Genaro Ciotola, Max Amaral, Sérgio Ramos  e outros. Fiz excelentes amizades que cultivo até hoje. Lá conheci quem viria a ser meu futuro marido, Antonio Cesar Lemme, que foi meu professor inicialmente e nos casamos em abril de 1969.
 A partir do contato com a clínica médica, meus sonhos de ser cirurgiã foram se evaporando: eu era uma clínica nata, gostava de ouvir, fazer diagnóstico e em pouco tempo me interessei pela Gastroenterologia, que era a disciplina  forte da 4ª cadeira.
 Depois de formada, candidatei-me a uma bolsa da CAPES, fui trabalhar no Serviço do Prof. Clementino Fraga Filho onde imediatamente me integrei nas enfermarias 4ª. e 20ª. Meus companheiros de trabalho eram Silvia Vargas, Alice Moll, Iaci M. da Silva,  Marcus Tulio Haddad, todos da minha turma de faculdade, para citar apenas alguns. Havia as queridas secretárias, entre as quais destaco a D.Icléia Giordano, sempre pronta para nos ajudar . A 1ª. Cadeira era um celeiro de bons professores e de cabeças pensantes , como Mario Marrano, Adolpho Milech, José Angelo Papi, Alice Rosa, Fernando Portela, José Hallake, José Ananias, Milton Arantes,  Felix Zyngier  e no topo, os Profs. Faustino Porto, Boavista Nery, Jorge Toledo, além da pessoa incrível que era o Prof. Clementino Fraga Filho. O trabalho de assistência e ensino era grande, com alunos de 4º. ano e internos e terminando à tarde com a excelente sessão do “pessoal em tempo integral” . Havia um chefe de enfermaria e uma ou duas vezes por semana, o prof. Fraga vinha passar visita e era o ponto alto (o mestre virá fazer visita...). Não nos sentíamos intimidados, pois o Prof. Fraga por suas características, era gentil e afável procurando nos deixar à vontade e nos ensinou muito com sua imensa bagagem médica e didática. Entretanto,  como bolsista da CAPES, eu necessitava ter um projeto de pesquisa. Corria o ano de 1970 e então conheci o Prof. Sérgio Roberto Viegas de Andrade, que foi meu mentor e provavelmente  quem moldou algumas das características que certamente levei para o restante de minha vida acadêmica e profissional. O prof. Sérgio Andrade, chegara dos Estados Unidos, onde estivera por 4 anos. Além de excelente base clínica,  realizava como poucos, todos os métodos complementares disponíveis na época ou seja, endoscopia digestiva alta, retossigmoidoscopia, os primórdios da colonoscopia e da laparoscopia.  Trazia consigo dos USA, um equipamento de  esofagomanometria (EMN), destinado a avaliar a motilidade do esôfago, o que ele havia estudado profundamente em centros especializados. Até àquela época, os estudos de motilidade esofagiana eram rudimentares e quase que exclusivamente destinados à pesquisa, na qual o Brasil já se destacava em  D. de Chagas, realizados pelos grupos Universitários de Goiânia, SP e Ribeirão Preto. Logo Sérgio Andrade, me apresentou à EMN, recebi inúmeros artigos para ler, inclusive publicados por ele mesmo nos USA. No início fiquei assustada, pensei que jamais iria alcançar aquilo tudo.Aos poucos, com muito esforço e persistência comecei a entender e durante os 8 anos que trabalhamos juntos na Santa Casa, beneficiamos muitos pacientes com novos diagnósticos e trabalhamos em vários planos de pesquisa (acalásia, doenças do colágeno,doença do refluxo, tireopatias,etc). Foram estudados indivíduos saudáveis, o que resultou no artigo “Padrão manométrico brasileiro em voluntários saudáveis”,  publicado em 1974 . Sempre perseguindo o padrão de normalidade de testes diagnósticos entre nós, Sérgio propôs que fizéssemos o padrão normal do teste da secretina e pancreozimina empregando os hormônios puros. Conseguimos importar os produtos diretamente da Suécia e realizar o teste, que era terrivelmente invasivo em  20 voluntários (eu fui uma) e deste trabalho de pesquisa surgiu minha tese de Mestrado em Gastroenterologia, defendida em final de 1977.
            Início de 1978 – inauguração do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundão, o tão sonhado hospital que integraria todas as clínicas, levando o nome de seu mais importante mentor. Não haveria mais clínicas na Santa Casa, Moncorvo Filho, Hospital São Francisco. Todos iriam para o recém inaugurado hospital de 13 andares, a maioria ainda não funcionando. Eu já era professora auxiliar de ensino e nos primeiros anos, trabalhei no Posto 10D, como  chefe de 8 leitos de Clínica Médica, com alunos de 4º. ano, internos e residentes, pois a residência médica  já havia sido instituída. Além disto passei a fazer parte do Serviço de Gastroenterologia, sob a chefia do querido Prof. Jorge de Alkmim Toledo e com a criação posterior das enfermarias de especialidade, surgiu a chefia de leitos de Gastroenterologia , além do ambulatório especializado. Trabalhava em regime de 20 horas e como concursada do INAMPS, fazia ambulatório de Gastroenterologia no PAM São Francisco Xavier, onde ganhei uma experiência maravilhosa, que certamente me acompanhou pelo resto de minha vida profissional. Em 1980 fiz concurso para Professor Assistente. Naquela época, as progressões funcionais não eram baseadas em produção científica. Junto com o concurso, no qual fui aprovada,  para a Gastroenterologia, uma tragédia aconteceu: o falecimento em pouco espaço de tempo, do Prof. Sérgio Andrade, vítima de neoplasia, aos 45 anos de idade, deixando esposa e duas filhas pequenas. Foi a pessoa de quem mais senti a morte até então, todos os que o conheciam lamentaram. Com o legado de Sérgio e com tudo o que eu havia aprendido e estudado, minha experiência em esôfago foi se consolidando. Ao mesmo tempo,  por trabalhar em ambulatório, adquirira uma enorme experiência com doença inflamatória intestinal, notadamente em RCUCI, graças também ao contato com o Prof. Faustino Porto, na época um expert em DII. 
Entretanto, um fato interessante, ocorrido pouco depois do falecimento de Sérgio Andrade, acabou me levando definitivamente para a dedicação ao estudo da motilidade esofagiana. A coordenadora do Mestrado de Gastroenterologia, Prof. Vera Vinhaes, me perguntou quem poderia fazer os Seminários sobre “Fisiologia e fisiopatologia do esôfago” inclusive dar a aula de “Distúrbios Motores do Esôfago”, que era ministrada sempre pelo Prof. Sérgio Andrade, como parte dos créditos do Mestrado. Eu respondi que o faria. Com muito esforço e de maneira artesanal (não havia computadores e muito menos internet),  preparei uma aula que pudesse ser compreendida pelos não afeitos ao assunto. A partir daí, passei a ser convidada a dar esta aula em vários Serviços, uma vez que no Rio de Janeiro não havia ninguém mais trabalhando com Motilidade. Consegui aproveitar muito do material deixado por Sérgio Andrade, na Santa Casa. Os inúmeros traçados de acalásia, que eram realizados em kms de papel, foram por mim utilizados como material de uma publicação, em 1985, descrevendo  um grande número de casos da forma idiopática da doença pela primeira vez no Brasil, pois os grandes centros brasileiros de pesquisa são estudiosos da acalásia chagásica e não da forma idiopática.
A partir de 1984, foi criada a linha de pesquisa “Distúrbios Motores do Esôfago”   que seria importante no aprimoramento do Mestrado e fundamental para a realização das teses.  A Prof. Celeste Elia, então coordenadora do Mestrado de Gastroenterologia,  cargo que exerceu por 10 anos, assumiu a coordenação da Pós-Graduação do Centro de Ciências  da  Saúde em 1990 e a da Pós-Graduação da Faculdade de Medicina em 1994, na gestão das Profs.  Vera Halfoun  e Sylvia Vargas, como Diretoras da Faculdade. Todos os professores envolvidos com a pós-graduação foram incentivados a implementar suas linhas de pesquisa e obter o  doutorado, que se tornara uma exigência do MEC para com os orientadores de tese.  
Não havia esofagomanometria (EMN) no HU. Ainda na década de 80, estimulada pela necessidade dos trabalhos de pesquisa, procurei desenvolver outros métodos de estudo da motilidade esofagiana. Assim, com a colaboração dos Serviços de Radiodiagnóstico e de Medicina Nuclear,  foram desenvolvidos   o estudo radiológico do esôfago com pão baritado e a cintilografia dinâmica do esôfago, além da cintilografia de refluxo. Neste particular agradeço ao Prof. Abércio Arantes Pereira (in memoriam) , Chefe do Serviço de Radiodiagnóstico àquela época, por seus ensinamentos e disponibilidade  e às Professoras Léa Miriam B. da Fonseca, Maria Exposito Pena e Maria das Graças Cruz, do Serviço de Medicina Nuclear por sua imensa parceria.
Em 1989, após validações e publicações das técnicas recém criadas, foi defendida a  primeira tese da Linha de Pesquisa “Distúrbios Motores do Esôfago"  com o estudo prospectivo “Avaliação do esôfago em dor torácica não cardíaca”, do Dr. Francisco Dutra Souto, hoje professor titular e eminente pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso, que como se verá adiante se constituiu e até o momento representa um braço forte da pesquisa da linha “Distúrbios Motores do Esôfago” .
Entretanto, sem a EMN era difícil avançar, pois este método complementar e seus aperfeiçoamentos que se seguiram, era e continua sendo o padrão ouro no estudo da motilidade esofagiana. A partir de 1974, havia sido popularizada no mundo, a pHmetria esofagiana prolongada, como o método mais sensível e específico para o diagnóstico da doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE), uma doença altamente prevalente. Em 1991, finalmente conseguimos, via Fundação José Bonifácio, com a Prof. Celeste Elia me ensinando o “caminho das pedras” e  o apoio inestimável da então diretora da FM, Prof. Vera Halfoun , um aparelho de EMN de versão computadorizada, sendo o primeiro do Brasil em serviço universitário com tais características, representando um enorme avanço em relação à primeira máquina de manometria de papel trazida pelo Prof. Sergio Andrade dos USA nos anos 70. A inovação tecnológica era impressionante ,  demandou um grande esforço de aprendizado, mas a utilização em clinica privada no LABS de Botafogo, de equipamento semelhante , nos permitiu rapidamente acumular uma enorme experiência.
  E  assim, em fevereiro de 1992,  surgiu o moderno Laboratório de Motilidade do HUCFF-UFRJ, instalado nas dependências do Serviço de Radiodiagnóstico, com o aval indispensável do Prof. Abércio Arantes Pereira,  dispondo de EMN, pHmetria prolongada, além de estudos radiológicos e de Medicina Nuclear. A partir daí, só nos restava arregaçar as mangas, trabalhar muito, publicar, crescer e crescer. Nesta época, no Serviço de Radiodiagnóstico havia as famosas sessões das 6as. Feiras às 7:30 h, a que o Prof. Abércio comparecia com entusiasmo, juntamente com os  professores da Gastroenterologia, entre eles, os Profs. Marcio Cunha que nunca faltava, Oswaldo Gouveia, Sérgio Ramos,  Gilberto Nagle, Milton Arantes, Marcio Fonseca, Glaciomar Machado   . Aprendi muita radiologia, eu gostava  da especialidade e para o esôfago, a radiologia convencional e depois seus aperfeiçoamentos, como a videofluoroscopia da deglutição e videoesofagografia, vieram para ficar. O laboratório de Motilidade foi crescendo com a insersão de mais equipamentos, mestrandos, estagiários e residentes. Tivemos o prazer de conhecer o Prof. Milton Costa, Prof. Titular do Depto de Anatomia, um apaixonado pelos distúrbios da deglutição. Em seu laboratório do Instituto de Ciências Básicas da UFRJ e em parceria com o Serviço de Radiodiagnóstico,  inclusive já à época do Prof. Hilton Koch como chefe de Serviço,   desenvolveu a videofluoroscopia da deglutição, que hoje se constitui em padrão ouro para o estudo das disfagias orofaríngeas e nos ensinou a tecnologia, que foi posteriormente  incorporada ao nosso serviço. O prof. Milton, logo se tornou um parceiro, um colaborador e sobretudo, um grande amigo. Aprendi e continuo aprendendo muito com ele e temos uma convivência muito profícua. Vem de nosso relacionamento, a abertura para outras parcerias, como é o caso do Serviço de Fonoaudiologia do HUCFF, com o qual atualmente,  desenvolvemos outra importante linha de pesquisa.
 Em 1997, defendi minha tese de doutorado, sob a orientação do Prof. Dr. Joaquim Prado , Prof. Associado da USP, de SP, continuando a linha de Dor torácica não cardíaca (DTNC) , já com o uso de manometria e pHmetria -  “Contribuição ao estudo da dor torácica de origem esofagiana” em que foram estudados 240 pacientes, publicada em parte em 2001. A linha de Pesquisa DTNC foi implementada com a introdução dos testes provocativos de dor esofagiana, resultando em nova tese,  em caráter prospectivo, pelo Dr. Luiz Abrahão Junior, anexando estes testes definitivamente ao arsenal de investigação da DTNC, todos disponíveis em nosso serviço e empregados na assistência aos pacientes.  
Crescia o interesse pela motilidade no mundo. No Brasil, não foi diferente, seu estudo deixando  de ser restrito às áreas tradicionais  , como Goiânia, São Paulo, Ribeirão Preto. Este interesse, permitiu que a Motilidade saísse da área da pesquisa para integrar a prática clínica do Gastroenterologista. Foi criada em 1995, a Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva (SBMD) com sede em SP, por iniciativa do Dr. Nelson Michelsohn, carioca, formado pela UFRJ, sendo ele o primeiro presidente da SBMD . Sempre pertenci à diretoria da SBMD, participando ativamente de todos os congressos e encontros. Fui eleita Presidente da  SBMD para o biênio 2010 e 2011. Foi uma experiência muito interessante, em que tive como membros da diretoria próximos a mim, o Prof. Milton Costa e os Drs. Luiz Abrahão Junior e Rosana Schechter . O maior legado desta diretoria foi no meu modo de ver, o mapeamento da motilidade  no Brasil, visando localizar as áreas fortes e as mais carentes, para atuar nas últimas. Com a parceria indispensável da estrutura da FBG, ampliamos o número de sócios, vários eventos foram realizados, trouxemos convidados estrangeiros para os congressos brasileiros e de motilidade, que representaram um excelente contato para inserção no exterior, enfim, acredito que tenha sido uma gestão profícua. Assinalo também minha participação ativa há muitos anos em diferentes diretorias da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro e agradeço a oportunidade aos diferentes presidentes daquela entidade. Mais recentemente, juntamente com os Professores Laércio Tenório da UF Alagoas e Maria do Carmo Friche Passos, da UFMG fui membro do FAPEGE, (Fundo de Amparo a Pesquisa em GE), o braço científico  da FBG , sob a presidência do Prof. José Galvão Alves, também uma excelente experiência que muito me enriqueceu.
Voltando à Universidade,  em 2004, graças ao dinamismo, espírito de luta e competência da Prof. Celeste Elia, Professora  Titular de Gastroenterologia e Chefe de      Serviço, foram inauguradas as instalações físicas do novo e moderno Serviço de Gastroenterologia, o que representou  ainda maior motivação para trabalhar e crescer cada vez mais. O Esôfago ganhou uma Unidade, incentivando as pesquisas e publicações, prestando ainda mais, assistência de qualidade a nossa população. Juntamente com nosso ambulatório de Doenças do Esôfago, onde dispomos de 4 salas de atendimento, somos referência para o estado e para o país, nas doenças da motilidade, onde os pacientes, encaminhados pelo SUS em sua grande maioria,  são avaliados , atendidos e absorvidos sem entraves burocráticos. Mantivemos e implementamos a inserção internacional, com a possibilidade de enviar nossos pós graduandos para excelentes laboratórios do mundo, onde é possível um aprendizado de novas  tecnologias, que podem retornar para a instituição. Graças a  projetos de pesquisa e publicações, foi possível obter tecnologia de ponta, como a Manometria de alta resolução, a Impedancio-pHmetria prolongada e a Ultrassonografia intraluminal de alta frequência, que nos colocam sem sombra de dúvida em nível de competitividade internacional. Somos a Unidade Universitária  mais bem equipada do país em nossa área de atuação,  com uma excelente produção científica, da qual muito me orgulho. É importante assinalar que ,  além da pós-graduação,  alunos de graduação são altamente benvindos em nossa Unidade, assim como em todo o Serviço de Gastroenterologia, seja durante o curso de Semiologia,  como parte do Programa de Iniciação Científica ou simplesmente para tomada de conhecimento.
 Claro que sozinha eu não faria tudo. Muitos excelentes profissionais já passaram por nossa unidade, excelentes trabalhos de pesquisa foram e continuam a ser realizados, inclusive em caráter multidisciplinar, envolvendo Serviços de ORL, Pneumologia, Cardiologia, Cirurgia Geral e Laparoscópica. Cada um dos que por aqui passaram muito aprenderam e também deram excelente contribuição . Seria impossível nomear todos eles, mas importantes frutos  vieram, com a criação de Serviços de Motilidade em outros centros universitários em nosso estado, como na UERJ pelo Dr. Gerson Domingues e na UFF pela Dra. Beatriz Biccas, ambos pós-graduados em nossa linha de pesquisa.
  Nos dias atuais, tenho a felicidade de contar com uma equipe de médicos com a qual me sinto privilegiada, pela imensa disponibilidade  e qualidade de seu trabalho, à qual agradeço do fundo do coração: o Dr. Luiz Abrahão Junior, Mestre, Doutor, pesquisador, com inserção internacional , um colaborador incansável, sempre pronto para mais uma atividade. A Dra. Laura Helman, Doutora em Medicina, também com experiência no exterior, conosco há 7 anos, com múltiplas habilidades, competente em todas elas  - cirurgiã infantil, endoscopista e motilista, além de sua imensa generosidade e espírito de colaboração. O Dr. Octavio Barroso, recém chegado, ainda neófito na motilidade, mas com desejo de aprender. As queridas colaboradoras, doutorandas Angela Alvariz e Rosana Schechter, sempre prontas para qualquer tarefa e a Dra. Beatriz  Biccas, que teve que nos deixar recentemente, depois de anos de profícua convivência.
Aos chefes de Serviço anteriores à atual gestão, Profs. Marcio Cunha, Milton Arantes, Marcio Fonseca e Henrique Sergio Moraes Coelho,  o meu reconhecimento.
Minha enorme gratidão  à Prof. Sylvia Vargas, ex-diretora da Fac. de Medicina, ex-vice Reitora da UFRJ, presidente atual da FUJB, minha amiga de muitos anos, que sempre nos apoiou em tudo o que esteve em seu alcance.
Aos meus colegas de trabalho, Professores  Antonio José V. Carneiro, Cyrla Zaltman, Heitor Siffert de Souza, nosso querido chefe  Homero Fogaça,  Prof. Cleber Vargas, já aposentado e aos médicos do Serviço de Gastroenterologia,  incluindo os jovens promissores, formados por esta excelente equipe que constitui o Serviço, meus agradecimentos por estes anos de convivência e de  colaboração irrestrita. Sou muito grata a todo o Serviço de Enfermagem, às auxiliares da Unidade de Esôfago, Maria Isabel e Elizabeth e às queridas secretárias do Serviço, Lilian e Carla e ao Diego pela sua prestimosidade.
 Meu profundo reconhecimento à Prof. Celeste Elia, um exemplo de dedicação ao Serviço Público, de empreendedorismo, de saber reconhecer o valor das pessoas e a elas oferecer oportunidades.
Acredito que meus pais e tias, a quem eu devo muito do que sou, se aqui estivessem, estariam felizes em compartilhar comigo este momento e estão representados por meus irmãos,  cunhada e sobrinha.
E finalmente, porém com a maior importância, uma homenagem especial a meu marido Antonio Cesar Lemme, meu companheiro e parceiro de todas as horas , a meus filhos, Fernanda (com meu genro Fred) e Fabio, que está no exterior, aqui representado por minha nora Isabela e a meus queridos netos Ana Luisa, Daniel e Isabela,  que representam nossa continuidade, razão maior de nossa existência. Obrigado a todos por esta homenagem.   
 
Eponina é casada com o médico Antônio Cesar Lemme tem dois filhos e três netos. É ainda exímia pianista especializada em música brasileira.
 
 
Parabéns querida colega e amiga.  
 

Um comentário:

Unknown disse...

Srs.
gostaria de dizer que foi um enorme prazer e uma enorme honra ter conhecido e trabalhado sob a prestimosa orientação da sempre dedicada Profª Eponina.
Parabéns pela sua exemplar jornada.
Com especial carinho,
Ronaldo Nascentes

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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