quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Conversando sobre Arte entrevistada Angela Rolin





Quem é Angela Rolin?
Angela Beatriz Salgado Rolim. Carioca desde 06 de dezembro de 1948.Filha de Germano de Moura Rolim e Zeny Salgado de Moura Rolim. Viúva de um gaúcho e companheiro querido, Luís Alberto.Estudos feitos no Instituto de Educação, Colégio Jacobina e o jurídico na PUC  e  mestrado na FGV, tudo no Rio.E Colégio N.S.do Rosário e CIEM – Centro Integrado de Ensino Médio em Brasília de 1960 a 1972
Como a Arte entrou em sua vida, e como foi sua formação artística?
Longo foi o período entre os curtidos desenhos em grandes folhas de papel jornal feitos no jardim de infância e a entrada no Parque Lage.  Estudei Direito e por mais de 25 anos exerci a advocacia. Ainda trabalhava como advogada e tentava gerenciar os trabalhos de meu irmão, artista desde que nasceu. Aos poucos, fui alternando meu tempo entre escritório e o ateliê de gravura do MAM, RJ. No Parque Lage, estudei com José Maria Dias da Cruz, que me fez ver e pensar a Cor, Gianguido Bonfanti,que tentou muito ensinar-me a desenhar, Reynaldo Roels, Fernando Cocchiarale, que me fizeram ver a estrutura da arte,  Katie van Scherpenberg que ensinou-me tudo sobre materiais dando desenvoltura e autonomia para meus trabalhos, Anna Bella Geiger que identificou meu pensamento gráfico e mostrou-me o caminho da gravura, Nelson Leirner  o grande mestre, que mudou a forma de entender a arte e minha querida mestra gravadora Maria Eugênia Sampaio.
Freqüentei por indicação do meu amigo fotógrafo Marco Antônio Portela o Ateliê da Imagem estudando com a Simone Rodrigues e com o próprio Marco.
Quando pequena, na maioria das vezes, participava das arrumações de um laboratório fotográfico , super doméstico que meu pai montava em uns poucos finais de semana num espaço em casa . Ali, sem saber, aprendi com ele a olhar. Fui crescendo à sombra de sensores, inventado e recriando pensamentos em torno de meus 10 anos.
Árvores, prédios altos e horizontes amplos fizeram meu panorama cotidiano. Tanto no Rio quanto em Brasília onde morei por mais de 12 anos. Lá, fiz amigos que continuam, conheci meu marido e aprendi sobre espaços amplos e a jogar tênis, que eu amo.  De volta ao Rio e sem deixar de ir à praia dar meu mergulho, fujo do calor em minha casa em Mury.
Que artistas influenciam seu pensamento?
Johannes Vermeer, que não me canso de olhar, ler e estudar, com sua pintura de tirar o fôlego mostra quase que fotograficamente os costumes e o urbano de seu tempo. O estudo da luz em seu ambiente natural, o silêncio, os afazeres domésticos.  Digamos um repórter do século XVII. Mark Rothko, Anselm Kiefer, Antoni Tàpies, os brancos de Renoir e as abstrações de William Turner. Paisagens do romântico David Friedrich.  Muita gente fez minha formação e hoje ainda me ajuda a desenvolver meu trabalho.
Tudo é ver, ver e também ver.
Tudo é ler, ler e também ler.
Na fotografia, sem separar das outras formas de apresentar meu pensamento, li muito o Alfred Stieglitz. Ele, além de comandar o magnífico Studio Camera Work onde também desenvolveu a fotogravura, apresentou todo um novo olhar em sua série Equivalents dando cortes fotográficos nas nuvens e alterando a abrangência de nosso olhar e as paisagens que nossa memória retém.
Acompanho o diretor Walter de Carvalho o mestre da luz. Com os ensinamentos dele faço estudos para a base de meus pinholes. Técnica que a cada dia me dedico mais.

 
Como você descreve seu trabalho?
Assim, vai aparecendo meu trabalho. Menos de pintura e mais de gravura e o fotográfico. Refletido, com paisagens internas e por vezes inventadas. Gosto do fazer. As apropriações estão um pouco longe do meu pensamento.
Épossível viver de arte no Brasil?
Viver de arte no Brasil ou em qualquer outra parte não é tarefa das mais fáceis. Mas, como qualquer profissão autônoma tem que contar com a competência, o estudo e o trabalho. Os incentivos por aqui são bastante escassos. A cultura, como um todo, em nosso país sofre uma tradição de abandono. Aparecem alguns projetos com pequena durabilidade e outros nem saem do papel.
O que é o Projeto Impresso?
O Projeto Impresso foi surgindo aos poucos. Um dia não estava mais sozinha no ateliê. Uma amiga gravadora, Eliane Avelar, veio se juntar. Trabalhávamos e fazíamos projetos.
Aos poucos outros artistas foram chegando. Os mesmos interesses e as mesmas dificuldades. A gravura é uma expressão de arte bastante complexa e trabalhosa no seu fazer. Precisamos de equipamentos como a prensa, a caixa de breu para fazer uma boa água-tinta, um bom espaço arejado para os ácidos, enfim muita disposição também. Nada é portátil. Poucos artistas disponibilizam tempo ou mesmo gostam de todo o envolvimento técnico para se chegar ao objetivo. Com a experiência que trouxe do monitoramento e das aulas que dava no Parque Lage fui ajudando a formar mais gravadores. O grupo cresceu e fortaleceu. Vamos, agora em 2013, para a nossa 11ª Mostra anual.

 

Algumas Gravuras

 

 

 

Exposição de fotografia na Caixa Cultural, 2012

 

Pinholes


 


 



                                   

 

 

 

 

Um comentário:

Dalila Teles Veras disse...

Grande artista, a Angela... Esta entrevista demonstra sobretudo a sua consciência do fazer artístico e muito diz de seu pensamento sobre arte, ofício que leva a sério. Parabéns,
dalila teles veras

Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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