Quem é Claudia Dowek?
Sou artista visual, carioca, uma ariana de
38 anos. Sou formada em Design Gráfico, estudei também moda no Senac e fiz pós
em “Arte e Filosofia” na PUC-RJ, além disso possuo uma ampla formação em artes
visuais, embasada por diversos cursos práticos e teóricos. Arte sempre foi o
principal interesse da minha vida e para onde a minha energia me levou. Em busca
de uma maior compreensão desse universo, trabalhei numa galeria e posteriormente
no Museu Nacional de Belas Artes, onde aprendi muito como assistente do então
atual Curador Xico Chaves. Atualmente trabalho no meu atelier, no Horto (RJ),
onde embasada em muitas pesquisas e colocando a mão na massa, desenvolvo meu
trabalho.
Quando você começou a se interessar pela
arte?
Na minha mais antiga lembrança de infância,
estou empunhando um pincel e pintando naqueles caderninhos de colorir. É como se
o ato de pintar fizesse parte da minha vida e da minha alma. Apesar de hoje meu
trabalho estar se misturando ao 3D e a multimídia, sempre me auto-intitulei
pintora. O interesse pela arte em si, fluiu paralelamente ao interesse em fazer
arte.
Qual foi sua formação
artistica?
Estudei teoria e prática artísticas com
diversos professores. Considero uma ampla formação, tanto no conhecimento da
história, filosofia e conceito quanto na manufatura, fundamentais. Isso me
permitiu, a partir de diversas experimentações, ir de encontro a minha
linguagem!
Que artista influenciaram seu
pensamento?
Na minha compreensão, todo o referencial de
uma vida, estudando e admirando a obra de diversos artistas influenciaram meu
pensamento. Posso somente citar alguns que têm me interessado nos últimos anos,
como a linguagem matérica, presente em Anselm Kiefer e Nuno Ramos e a ausência
dela em Armando Reverón, desconstruindo a imagem.
A Anarquia de Arman e a poesia nas sombras
ampliadas, projetadas por velas, de Christian Boltanski, sem esquecer
logicamente seu intuito político. A crueza de Artur Zmijewski nas suas
denuncias. Um incrível pintor chinês chamado Liu Ya Ming e as esculturas
esboçadas de Thomas Houseago, entre tantos outros.
Além disso, sou tremendamente influenciada
pela riqueza estética da cultura popular. Suas danças e músicas, artesania e
rendas completam a minha pesquisa.
Como você descreve seu
trabalho?
Comecei a desenvolver minha atual linguagem
a partir de minérios garimpados na região de Itabirito, material que havia
recolhido em uma viagem feita muitos anos antes. Outros materiais foram se
juntando a pesquisa, alguns encontrados em andanças, alguns sugeridos e outros
que chegavam a mim em forma de presentes. Tudo isso mesclado a um crescente
interesse em antropologia e regionalismo.
Os trabalhos são construídos como uma
assemblage de matérias e superfícies. Rendas, conchas e fibras tem o intuito de
traçar a estética de comunidades tradicionais, além de suas manifestações
culturais. Resultando em telas de forte caráter arquetípico e impregnadas pela
estética do conflito. Nelas o universo rural se mescla ao urbano e a delicadeza
da renda confronta a aspereza da terra. Dentre suas múltiplas dimensões, a mais
intrigante é a do tempo, que confunde a percepção do espectador
Com o desenvolvimento da linguagem, a
preocupação narrativa foi diminuindo e a política, que já existia, florescendo,
a partir de considerações sobre o pouco valor dado as nossas origens culturais
e, sobretudo aos que a perpetuam.
Atualmente o trabalho está ganhando cada vez
mais tridimensionalidade e a entrada de outras mídias.
Tenho três individuais marcadas para 2013.
Em outubro, no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro, pretendo
apresentar uma instalação composta por uma série de objetos e um vídeo, além de
algumas telas.
É possível viver só de arte no
Brasil?
Se estivermos falando de viver de arte a
partir da venda de trabalhos e encomenda de projetos, sem dar aulas ou realizar
outro ofício paralelo, isso é para poucos! O que facilita um pouco é o mercado
internacional. Mas tudo isso vem mudando muito nos últimos anos, talvez por ser
o Brasil a “bola da vez”, a nossa cultura está sendo olhada de outra forma,
inclusive pelos próprios brasileiros. Vamos ver...
O que você estuda? Como você se
atualiza?
Estudo assuntos diversos, que permitam
acrescentar ao meu trabalho e ao meu crescimento pessoal. Afinal compreendo que
a maturidade da expressão depende da minha integridade como um todo.
Além disso, realizo viagens em busca do
conteúdo que irão preencher as lacunas da minha obra, como alguns materiais e
pesquisas das manifestações culturais e do cotidiano dentro das comunidades
tradicionais.
Qual sua opinião sobre os salões de arte?
Alguma sugestão para aprimorá-los?
Considero a avaliação de um “Salão” ou
“Edital” um pouco confusa. Afinal, como realmente avaliar o trabalho de um
artista sem conhecer seu histórico? Além disso, mais do que seguir uma linha,
alguns são tremendamente tendenciosos.
O que é necessário para se tornar um ícone
em artes plásticas?
Estou tentando descobrir rsrsrs... O
caminho que busco seguir é o de galgar cada degrau, sem atropelar nenhuma etapa
do processo.
Que dificuldades encontra um jovem artista
para ser representado por uma galeria?
O artista precisa despertar o interesse,
além de merecer a confiança de um galerista que decida investir no seu trabalho.
Existe muita concorrência e muitas vezes é necessária uma indicação, para que
seu trabalho ao menos seja olhado.
Quais são seus planos para o futuro
próximo e distante?
Acho que gostaria de expor na China, em
Berlim. De imediato, gostaria de entrar no mercado de São Paulo. Fui selecionada
em diversos editais de exposição pelo país, mas não lá!
Além disso, espero vir a trabalhar com um
galerista Londrino que vem me acompanhando. Ele me traçou muitos elogios, mas só
trabalha com artistas com currículos bem maiores que o meu, então estou me
esforçando para chegar lá!
Como você aproveita o seu tempo
livre?
Adoro atividades ao ar livre como caminhar,
ir a praia, cachoeiras. Outra coisa que me deixa muito feliz é viajar. Entrar no
carro, pegar a estrada e ver a paisagem e as pessoas mudando é
mágico!
Como não poderia deixar de ser, também gosto
muito das atividades culturais, exposições, um bom filme, boa
música...
Mas, no momento tenho dedicado muito do meu
tempo livre ao Gustav Klimt que ganhei de Natal. Um lindo filhotinho de Border
Collie. Em vez de “O Beijo”, ganhei muitas lambidas!
Interview given to the art website
Who is
Claudia Dowek?
I’m a visual artist, born and raised in Rio
de Janeiro, 38 years old (born in 1974 under the sign of Aries). I have a BA in
Graphic Design, I also studied fashion at Senac and did a graduate degree in “Art
and Philosophy” at PUC-RJ, I’ve also done a lot of other visual-arts courses, with
emphasis on practice and theory. Art has always been the main interest in my
life and the place where my energy has taken me. In trying to get a greater
understanding of this universe, I worked for a gallery and afterwards for the Museu
Nacional de Belas Artes, where I was able to gain knowledge from having worked as
an assistant to the current curator, Xico Chaves. Nowadays I have my own atelier,
in the Horto neighborhood (RJ), where by doing lots of research and with my
sleeves always rolled up, I carry out my work.
When did
you start getting interest in doing art?
In
my earliest childhood memories, I was brandishing a paintbrush and painting one
of those coloring books. It was as if painting had become part of my life and
soul. Even though nowadays my work is incorporating 3D and multimedia resources,
I’ve always called myself a painter. My interest in art itself has always
flowed parallel to my interest in producing art.
What kind
of fine-arts education did you get?
I
studied art and art theory with a variety of teachers. For me a general
education, whether in History, Philosophy and concept or manufacturing is
fundamental. This is what has made it possible for me, after a number of
experimentations, to find my own language!
Which artists influenced
your way of thinking?
As
I see it, my references in life, the work of a number of artists whom I’ve
studied and admire, have influenced my way of thinking. I will only quote a few
who have interested me in the last few years, as a material language, present
in the work of Anselm Kiefer and Nuno Ramos and the absence
of such a language in Armando Reverón, deconstructing image.
Also important are Arman’s Anarchy and the
poetry in expanded shadows, as projected by candles, by Christian Boltanski, naturally,
without forgetting his political designs in this work. There’s also the rawness
of Artur Zmijewski in his denouncements. And finally an incredible Chinese
painter called Liu Ya Ming and the sculptures sketched by Thomas Houseago, among
so many others.
Besides
these artists, I have been enormously influenced by the aesthetic wealth
present in traditional folk cultures. Folk dance and music, arts and crafts and
embroidery have completed my research.
How would
you describe your work?
I started developing my current language from
mineworkers mining in the Itabirito region, using material that I had collected
in a trip many years before. Other materials were incorporated into the
research, some of which were found during wanderings, some suggested and others
that fell into my hands as presents. All of this blended with a growing
interest in Anthropology and regionalism.
This work may be considered as an assemblage of
materials and surfaces. Embroidery, shells and fibers aim at sketching an
aesthetics of traditional communities, besides their diverse cultural
manifestations, the result of which are canvasses with a strong archetypical character
and impregnated with the aesthetics of conflict. On these screens, the rural
universe mixes into the urban universe and the delicacy of the embroidery
confronts the roughness of the earth. Within its multiple dimensions, the most
intriguing is time, which confuses the viewer’s perception.
As this language developed, concerns about
narrative decreased and a politics, that already existed, flourished from
considerations about how little value is given to our cultural origins and
especially to perpetuating them.
This work is currently becoming more and more
three-dimensional and also taking on other media.
I have three individual shows scheduled in 2013.
In October, in the Centro Cultural da Justiça Federal in Rio de Janeiro, I would
like to present an installation made up of a series of objects and a video,
besides canvasses.
Is it
possible to make a living off of art in Brazil?
If
this means making a living off of art by selling work and getting proposals for
projects, without giving classes or doing something else, few can make it! The
international market can make things a little bit easier. Yet all of this has
been changing in the last few years, perhaps because Brazil has become the
up-and-coming art market of the moment; our cultural scenario is being seen in
a new light, including by Brazilians themselves. Let’s see what happens...
What are
you studying now? How do you keep updated?
I study a lot of different subjects which
helps me add my own personal growth to my artwork. Basically for me, maturity
means understanding that expression depends on my own personal integrity as a
whole.
Besides this, I travel in search of contents
that will fill the blanks in my work, such as materials and research on
cultural manifestations and daily life within traditional communities.
How do
you feel about private funding? How would you suggest improving it?
I feel that “gallery fund” and “public grant”
evaluations are kind of confusing. After all, how can you evaluate an artist’s
work without having any sort of familiarity with his or her career? In any
case, more than merely following one single trend, they are just very biased.
What does
it take to become an icon in the art world?
That’s what I’m trying to figure out
(laughter)... I trying to take it step by step without skipping any of the
phases of the process.
What are
a young artist’s difficulties in getting private representation?
An artist needs to raise interest, besides
merely deserving a gallery owner’s confidence since this person has decided to
invest in the artist’s work. There’s a lot of competition and often getting a recommendation
from someone is necessary just so artists can get their work evaluated.
What are
your short and long-term plans? Tell us more about your plans for the
Biannual, the international market, etc...
I would like to do a show in China, in Berlin.
Right now I would like to enter the Sao Paulo market. I was selected for a
number of public grants throughout the country, but not there!
Besides these dreams I also hope to produce
work for a London gallery owner who has been following my career. He has greatly
praised my work, but he only takes on artists whose resumes are much bulkier
than mine, so I’m making quite an effort to beef up my resume!
What do
you do with your free time?
I
love outdoor activities such as taking walks, going to the beach, waterfalls. Travelling
also makes me very happy. Hopping into the car, getting onto the highway, and
looking at people and scenery changing as I pass by is magical!
Obviously,
I also really enjoy cultural activities, art shows; cinema, good music...
Nowadays,
however, I’ve been spending a lot of my free time with Gustav Klimt, a lovely
little Border collie pup; my Christmas present. Instead of “The Kiss” I got a
lot of licks!
Fotógrafos:
Ciclos - Marco Rodrigues
Todas as outras - Leonardo Viana
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Claudia Dowek
claudiadowek.com
Adobe . técnica mista (pigmento bruto, resina e taboa) . 100x170cm . 2009
Airequecê . técnica mista (pigmento bruto, especularita, renda frivolitê e resina) . 94x180cm . 2012
Pituna . técnica mista (pigmento bruto, rendas variadas, fio de cobre e resina) . 80x120cm . 2012
Prelúdio . técnica mista (pigmento bruto, renda frivolitê e resina) . 80x160cm (díptico) . 2009
Ciclos . Instalação . técnica mista (pigmento bruto, especularita, brita, resina e acrílico) . 160x160cm . 2010
Obs.: Instalação feita na Chacara do Céu em 2010.
Elemento Trágico II . Objeto . técnica mista (pigmento bruto, água oxigenada, vidro e resina) . 53x38cm . 2012
Elemento Trágico . Objeto . técnica mista (santo de gesso, base em madeira, tinta dourada, pigmento bruto e resina) . 2012
Claudia Dowek . Currículo
Claudia Dowek, carioca, 1974; Pós-Graduada
em Arte e Filosofia pela PUC-RJ e Graduada em Design Gráfico pela Faculdade da
Cidade. Seu interesse em artes a levou ainda jovem a trabalhar numa Galeria de
Arte e posteriormente no Museu Nacional de Belas Artes, RJ, como assistente do
então atual Curador Xico Chaves, onde se envolveu principalmente com pesquisas
referentes à cultura indígena.
Ingressou na Escola de Artes Visuais do
Parque Lage em 1987, estudando pintura com o professor Fernando Lopes e seguindo
a trajetória com a orientação de Carli Portela. Entre diversos cursos práticos e
teóricos ao longo dos anos, estudou “Modelo Vivo” com Gianguido Bonfanti,
“Pintura” com Luiz Ernesto, “Da Observação a Expressão” com Orlando Mollica
(1998/2001), “Materiais” com Katie van Scherpenberg (2000), “Conceito” com
Ricardo Basbaum e “Ateliê” com Franz Manata. Frequentou também cursos em
ateliers particulares de diferentes artistas, como o de desenho com Bandeira de
Melo e workshops com os professores Richard Wilde e Jack Endewelt da New York
School of Visual Arts.
Trabalha em seu atelier, no bairro do Horto,
zona sul do Rio de Janeiro, onde divide seu dia a dia entre a experimentação dos
materiais utilizados em suas obras, e pesquisas teóricas e visuais. Em seu
trabalho atual, vem se utilizando de pigmentos naturais extraídos dos barrancos
de Minas Gerais, misturados a resinas, palhas e rendas garimpadas, dando às suas
pinturas, texturas, cores e tridimensionalidade. Inspiradas numa profunda
pesquisa das raízes culturais, as telas espelham manifestações originarias nas
comunidades quilombolas, caiçaras e ribeirinhas, estudadas e visitadas pela
artista.
Próximas exposições individuais, em 2013:
Maio - Espaço Cultural 508 Sul (Brasília). Junho – MAG (Goiânia).
Outubro – CCJF (Rio de Janeiro).
Entre suas principais exposições:
Individuais - 2011 - Galeria
Colorida (Lisboa), 1999 - Solar Grandjean de Montigny (RJ), 1998 - Casa de
Cultura Estácio de Sá (RJ)
Coletivas: 2012 – ELEMENTA 5 (Centro
Cultural Correios), Trânsito Caótico (Maria Teresa Vieira), Lá Vai a Noiva
(CEDIM E SESC Nova Iguaçu), 2011 - Salve São Jorge - CAZA (RJ), 2011 - Cor de
Rosa Choque (Zona Oculta) - CEDIM (RJ), 2010 - Participou como artista convidada
da exposição da fotografa Cristina Oldemburg - Chácara do Céu (RJ), 2010 -
Imaginário Periférico – Projeto Mola (Circo Voador) (RJ), 2008 - Museu do
Retrato (Recife, PE), 2004 - Poematrix - Dama de Ferro (RJ), 2004 - Vestível -
Imaginário Periférico (Friburgo, RJ), 2003 - Banheiro de Portas Abertas - Dama
de Ferro (RJ), 2001 - Xavenas (Lisboa, Portugal), 2001 - Linguagem - Espaço
Cultural Antônio Bernardo (RJ), 2001 - Salão da Primavera (Resende, RJ),
2000/2001 - Jardinvenção I, II e III - Evento no Jardim de Alah (RJ), 1998/2001
- Univercidarte - Estácio de Sá (RJ).
Claudia Dowek tem
quadros em coleções particulares no Brasil e no exterior.
. Nome
Completo: Claudia Chonchol Dowek
. Nome
Artístico: Claudia Dowek
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Textos:
Sobre a série
“Nação Jongo”
Mesclando o
universo rural ao urbano e a delicadeza da renda à aspereza da terra, tramo
telas banhadas pela poética do conflito. Dentre suas múltiplas dimensões, a mais
intrigante é a do tempo, que confunde a percepção do espectador. Paralelamente,
seu forte caráter arquetípico nos projeta a uma dimensão quente e acolhedora,
confrontando-nos com experiências pessoais. Plasticamente, a terra expõe a
superfície mais fina e suscetível da pele. “Flores de Pedra” transbordam entre
rachaduras, expondo a essência oxidada. Em outro plano, uma camada onírica
projeta nas sombras memórias felizes. A tela como caixa, vela e desvela entre
fendas nosso Ente original.
Explorada em
múltiplos sentidos, a tela deixa de ser plana. A manufatura é executada em
técnica mista, onde minérios e resinas oscilam entre tinta e matéria escultórea.
A partir de uma profunda pesquisa de antropologia cultural, fitas são tramadas,
escamas bordadas e rendas tecidas, revelando as cores e as texturas do motivo
narrado.
Reverenciando a
linguagem matérica presente em Anselm Kiefer e Nuno Ramos e a ausência dela em
Armando Reverón, pesquiso a força da percepção, presente na interatividade de
Lygia Clark. Dessa confluência, o que resulta são trabalhos recheados de
histórias e conteúdo estético.
Claudia Dowek
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“Traçando a Linha das
Almas”
Claudia Dowek esculpe telas que remetem a
uma memória identitária compartilhada.
Tramando arquétipos a partir de elementos
retirados da natureza,
pedras e terras viram pigmentos, escamas são
bordadas, palhas tramadas, redes e rendas tecidas.
Os quadros narram histórias que parecem ter
passado e deixado somente seu rastro.
Então é hora de acender a fogueira, afinar
os tambores e dançar até "saravá a barra do dia".
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“Claudia Dowek experimenta as possibilidades da superfície de vários modos
diferentes,
desde de rendilhados, asperezas e vazados para sugerir outras superfícies
imaginárias e
misteriosas que estão aí postas para cada um de nós investigar, e talvez
decifrar.”
Luiz Aquila
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Com obras que fixam o olhar e aguçam a curiosidade do observador, Claudia
Dowek apresenta em sua nova série pinturas confeccionadas com pigmentos naturais
(terras e pedras moídas), onde a rusticidade confronta a delicadeza de rendas,
palhas e outros objetos garimpados em comunidades ribeirinhas, caiçaras e
quilombolas.
Suas obras tem cor de terra, numa variada pigmentação. Com maestria a
artista manipula o material, compondo suas pinturas cheias de relevos e veios,
em sutil tridimensionalidade carregada de histórias.
Paulo Branquinho - Produtor de Arte
--
Claudia Dowek
claudiadowek.com