sábado, 31 de março de 2012

Jean- Michel Basquiat O grafite nos museus




Jean-Michel Basquiat (1960-1988). Nasceu e cresceu no Brooklin, filho de mãe porto riquenha e pai haitiano. Aos seis anos, foi matriculado por sua mãe na Escola de Arte para jovens do Museu do Brooklin. Aos 17 anos, abandonou a escola e saiu de casa. Morou na rua e com amigos. Começou a fazer com o amigo, Al Diaz, grafite nas paredes de prédios abandonados de Manhattan com a assinatura SAMO ou SAMO shit (Same old shit). O denso conteúdo de suas mensagens chamou a atenção das pessoas e da imprensa. O projeto acabou em 1978 com a mensagem SAMO is dead. Vivia da venda de camisetas. Formou a banda Gray com Vicent Gallo. Em 1981, um artigo publicado na imprensa sbre seus trabalhos, abriu as portas para sua penetração no círculo comercial. Participou de coletivas com Keith Haring e Bárbara Kruger. Conviveu com Julian Shnabel, David Salle e Andy Wharol de quem se transformou em amigo e colaborador. Foi namorado da desconhecida Madona. Em 1985, foi capa da revista do New York Time inteiramente dedicada a ele.
Tornou-se conhecido internacionalmente no início dos anos 80. Ele representava um tipo de vida de Nova York. A sua morte prematura em 1988, de uma over dose de heroína, não ofuscou o seu excepcional talento. A importância de sua artística contribuição continua a expandir-se e o crescimento da compreensão de sua obra tornou a valorizada e muito disputada entre colecionadores e museus. Participou da Bienal de São Paulo.
Os trabalhos de Basquiat caracterizam se por uma densidade de imagens gráficas e palavras. Seus assuntos preferidos são: a cultura dos negros, os esportes, a política e a morte. Um dos seus símbolos mais importante e freqüente é a coroa de três pontas considerada por alguns críticos como uma referência a ele mesmo como rei de Nova York. Em 2010, foi realizada retrospectina no Museu de Arte Contemporânea de Paris para comemorar os 50 anos do artista.






Self portrait, 1984. Coleção particular.





Holiwood African, 1985. Whitney Museum of American Art, Nova York.





Mona Lisa, 1983.





Sem título ( Macho Camacho), 1982. Gagosian Gallery.






Sem título, 1981.





One million Yen.





Santo, 1985.





Hannibal.





Sem título Pecho oreja.




Basquiat e Andy Warhol






Basquiat: Traços de uma vida. Filme dirigido pelo artista Julien Schnabel


sexta-feira, 30 de março de 2012

Onda Exposição Individual de Leila Pugnaloni no Rio de Janeiro

Texto de Hilton Valeriano sobre a obra de Felipe Góes.


Felipe Góes vive e trabalha em São Paulo. Para conhecer mais sobre a arte do artista http://fgoesarte.blogsott.com Felipe foi entevistado aqui no blog em 12.11.2011.


Sem título, 2011.


Sem título, 2010.

Sem título, 2010.



Sem título, 2009.







A arte é o invólucro da verdade.”
Se a arte é a forma visível da representação, o universo temático de Felipe Góes mostra-nos a simbiose entre a abstração e a figuração. Paisagens marcadas por uma luminosidade integradora de cores que proporcionam a impressão de anulação do expectador ante as cenas, ou seja, o sentimento pleno de estar inserido em um espaço de vivência não apreendido reflexivamente. Se no âmbito da fenomenologia a consciência encontra-se sempre em um estado intencional, a pintura de Felipe Góes nos leva ao questionamento da possibilidade de apreensão do real como vivência intencional da subjetividade. O “eu” como oposição ao meio – representado pelas cenas e paisagens – dissolve-se por não se delimitar como consciência reflexiva e sim como sentimento integrado. Uma característica peculiar de sua pintura gerada pelo jogo de cores ou ofuscação parcial de suas diferenças em um processo de luminosidade e leveza. Se for comum a alguns artistas revelarem seu intento, a obra de Felipe Góes traz em si a ocultação pelo jogo expressivo das cores e suas possibilidades de apreensão. Apreensão como vivência não reflexiva. Poderíamos dizer que sua arte não se encerra em um plano conceitual. Outra característica importante de sua pintura é a relação que se estabelece entre a parte abstrata e figurativa de suas telas. A figuração estabelece-se em uma planificação abstrata. Esse plano abstrato é responsável por engendrar a carga significativa da obra. Em suas cenas ou paisagens não há ruptura entre abstração e figuração e sim complementação semântica. Destaquemos alguns paradigmas estéticos de reflexão proporcionados por essa obra autêntica.


1 – As cores não devem apenas prover os sentidos, mas engendrar o sentimento de toda criação.
A apreensão da obra em seu âmbito figurativo evidencia o plano criativo do artista, mas não como compreensão conceitual ou referência de estéticas que tenham influenciado o pintor em seu gesto criador. A apreensão se dá como participação intersubjetiva, como fruição estética decorrente da conjunção de cores e sua planificação.
2 – O plano figurativo de uma obra pode estruturar-se a partir de uma dimensão abstrata provedora de significação.

As paisagens ou figuras estruturam-se a partir da relação conjuntiva das cores e sua planificação abstrata. A dimensão abstrata apresenta-se como provedora da figuração e significação da obra.


3 – A apreensão de um universo temático como vivência não reflexiva.

O expectador é tomado pelo conjunto figurativo. O contato com a obra dá-se pela imersão vivencial. Vive-se a obra como figuração de uma realidade onde a consciência está imersa como parte integrada e não reflexiva.

4 – A obra como ocultação do intento do artista.

A conjunção entre dimensão abstrata e figurativa gera a multiplicidade de significação. Consequentemente o intento criativo do artista torna-se oculto ou obliterado pela vivência subjetiva do expectador.


5 – A obra como jogo de apreensão de vivências mediante a anulação do “eu” expectador.

Na pintura de Felipe Góes traça-se a anulação da consciência reflexiva em prol de uma vivência apreensiva da obra. A pintura de Felipe Góes não pode ser pensada antes de ser vivida em sua significação.



Blog de Felipe Góes: http://fgoesarte.blogspot.com.br



* * *

Hilton Valeriano é professor de filosofia na Rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo. Editor do blog Poesia Diversa (www.poesiadiversidade.blogspot.com), com poemas publicados em revistas como Zunái, Germina, Sibila, Jornal de Poesia, Diversos-afins.
E-mail:
hilton.dv@hotmail.com

quinta-feira, 29 de março de 2012

Exposição individual de Nelson Leirner. Gabrielle Maubrie, Paris


Nelson Leirner.





CURRENT EXHIBIT: FIGURATIVISMO ABSTRATO & CONSTRUCTIVISMO RURAL - [ Traduire cette page en français ]

NELSON LEIRNER
Exhibit from march 31 to may 5, 2012

Figurativismo abstrato & Constructivismo rural


Born in 1932 in Sao Paulo, Brazil

Nelson Leirner began his career among a dynamic group of Brazilian Conceptualists in the early 1960’s with art that was politically pointed and visually sparse. As this show demonstrates, the political edge has stayed sharp even as the work has gained in material density.

Constructivismo rural (rural Constructivism) series, made with those cowskin rugs used by the middle economic or spiritual class to decorate their country houses or their residences in the upscale suburbs. Some of the pieces are cruder ; others, more refined, are prettier : the apparent irony in the former is barely perceptible in the latter, though it is perhaps in the latter that the result is more derisive. Whatever it is, it is a kick in the shin of the middle culture, of the art system and of construtivism (or concretismo), that at least for an instant, tumbles to the ground. I don’t believe that Leirner wanted to awaken the masses and the elite to the aesthetic resources of cowskin and the matérica side of natural art : rather, he was suggesting, once again, that we take a fresh look at sophisticated art (and here it is fitting to remember that in Greek sophisticated means falsified…). More that proposing skin, this is about taking off the skin
After the 80’s, his artistic production was concentrated in the arrangements of manufactured objects. Beyond the “Pop”, this assembly shows faithfully and with irony our global industrial and cultural environment, as “commercial tourism” as “mass commercial tourism”: “even though today my work are not just limited to Brazil, the political problems are still present, this time to the scale of globalization. The commitments are the same. I fight in particular the imperialism of Americans; they take much more than they give, even culturally. (…)
In the “Big Parades” that Nelson composes, are little sculptures from all origins: religious, ritual, media, political, artistic, sports all that can start popular devotees can take place, from “David” of Michelangelo to the seven dwarfs of Disney.

Conversando sobre Arte Entrevistada Polyanna Morgana


Polyanna Morgana, vive e trabalha em Brasília. Jovem artista utilizando-se de instalações, intervenções, desenhos e performances. Seu nome já aparece no cenário nacional. Obrigado Polyanna.

Fale algo sobre sua vida pessoal
Nasci em uma cidade satélite do Distrito Federal, o Gama, no dia 22 de Novembro de 1979. Moro faz muitos anos em uma outra cidade satélite, Taguatinga. Gosto de transitar por todo o Distrito Federal e acho Brasília uma cidade linda.
Sou filha de baianos do interior da Bahia, de uma cidade chamada Barreiras. Minha mãe, Idenice, é pedagoga e foi minha professora da primeira à quarta séries. Ontem ela se formou em Psicologia. Meu pai, Rubem, é representante comercial da industria automobilística e viaja bastante à trabalho.Ele tem um escritório comercial chamado PolyTati representações LTDA. Foi uma homenagem que ele fez a mim e minha irmã. Acho o nome muito engraçado e já fiz um trabalho a partir desse nome. Os meus pais, são separados faz alguns anos.
Tenho uma irmã mais velha, Tatiana, que é professora de literatura e somos muitíssimo amigas.
Desde 2004, tenho uma irmãzinha mais nova chamada Carla, que é bem fofa.



Como foi sua formação artística?
Foi bastante acadêmica. Fiz Bacharelado, Mestrado e agora curso o Doutorado em Artes Visuais. Fiz alguns cursos fora da academia também e já realizei vários trabalhos relacionados às artes e que considero que fazem parte da minha formação, dentre eles, lecionar. Além de aulas, já produzi eventos de artes visuais e de cinema, ministrei pequenos cursos, trabalhei como montadora e produtora de exposições de artes visuais, realizei programas educativos de exposições de artes visuais e de cinema... entre outras coisas. Acho que essa experiência de vida é a base da minha formação artística, além da minha capacidade de observação, que é grande e que me auxilia muito na vida.


Que artistas influenciam seu pensamento?
Vou tentar escolher alguns que são mais constantes como influência e que sejam mais centrados nas artes plásticas, embora seja influenciada de forma intensa pelo cinema, pela música e pela literatura também. Marcel Duchamp, René Magritte, Helio Oiticica, Lygia Clark, Cildo Meireles, Allan Kaprow, Flávio de Carvalho, Andrea Zittel e Grupo Fluxus.

Como você descreve sua obra? Pinturas, instalações, objetos como elas se complementam? Alguma preferência?
Não tenho grandes habilidades em descrever o que eu faço, mas sei que tenho que me habituar a fazer isso ou algo parecido. O que eu realmente gostaria era de conseguir comentar minha produção com uma frase que fosse um cruzemento de Chacrinha (Eu vim para confundir, não para explicar) com João Donato (Bananeira não sei/ Bananeira sei lá/ Bananeira sei não/ A maneira de ver)....rs.Minha produção vem da minha relação com o cotidiano, do encontro do corpo com a paisagem e dos devaneios. Essa é a base.
Faço instalações, intervenções, desenhos, performancs e construções que não sei bem a qual categoria pertecem, por ficarem entre várias. Inclusive, as construções que estão no espaço 'entre' são as minhas preferidas.


Que exposição sua, você considera a mais importante?Até agora, consideraria 3 exposições, não uma só:
- A abre alas, realizada na galeria A Gentil Carioca. Rio de Janeiro.
- Brasília: Sintese das Arte, ocorrida no Centro Cultural Banco do Brasil.
-Brasília- Projeto Moradas do Intimo. Realizado no Espaço Cultural MarcatAntônio Vilaça e em residências particulares. Brasília.


Você tem o Mestrado em Arte e cursa o Doutorado, de que maneira isso tem utilidade para seu trabalho?
Acho que algo próximo a essa pergunta já foi respondido lá no alto, quando falo da minha formação. Vou saltar.


Como você descreve o mercado de arte em Brasília?
Inncipiente. Poucos compradores têm interesse em adquirir obras que não tenham um foco predominantemente decorativo. Além disso, as poucas galerias que atuam em Brasília e apresentam algum interesse pela arte contemporânea produzida na cidade, não possuem impacto algum no cenário nacional. Já trabalhei com uma dessas Galerias em Brasília e atualmente tenho alguns desenhos a venda em uma Galeria de Goiânia, a Beco da Artes, que não me representa exatamente mas com quem tenho esse vínculo. É muito raro conseguir vender algo. Eventualmente vendo algum desenho de forma mais autônoma.

O que é necessário para um jovem artista ser representado por uma galeria?
Sorte.

Além dos estudos sobre arte que outros estímulos influenciam em seu trabalho?
Gosto de ler sobre vários assuntos e realizar algumas práticas corporais, como a meditação. Tenho também uma forte relação com a espirtualidade, embora não participe de nenhuma religião em especial. Tenho simpatia pelo budismo e por religiões afro-brasileiras, mas não me identifico radicalmente com nenhuma delas. Outros estímulo importante é praticar o devaneio. Gosto também de viajar.


É possível viver de arte no Brasil?
Eu vivo da Arte. Não propriamente da venda dos meus trabalhos, mas de várias práticas que fazem parte da estrutura do campo das Artes. Viver de arte não é só vender obra, embora isso também faça parte.

Você tem uma rotina de trabalho?
Tenho sérias dificuldades em manter uma rotina. Tento, mas dura pouco. O que permanece como rotina é pensar em Arte todo dia. Vejo tudo a partir daí, não dá para escapar. Isso para mim é que é viver da Arte. Penso muito e construo as coisas sobre as quais eu penso. É um método Duchampiano. Não tenho um atelier propriamente, se tivesse seria mais fácil manter uma rotina de atelier... Meu atelier é minha cabeça e, atualmente, só ela.


A mulher e o homem estão em pé de igualdade no mercado de arte?
O mercado das artes, assim como várias outros segmentos do campo da artes, reproduz alguns preconceitos de gênero que estão no mundo. Tem que ter atenção e disposição para encarar esses problemas. As mulheres que são bem sucedidas nas artes tiveram que desenvolver essa consciência e uma maneira de se posicionar diante disso.


O que você pensa sobre os Salões de Arte?
No Brasil, os Salões tentam desempenhar um papel de circulação da produção nacional. Alguns conseguem. Participei apenas de dois Salões. Acredito que o maior problema com os Salões é que poucos conseguem se manter a longo prazo por problemas de financiamento cultural e, com isso, o papel de difusão, financiamento e fortalecimento da produção nacional é descontinuado.


O que significa ser indicada para concorrer ao Prêmio Pipa 2011?
Fiquei bem feliz com a indicação e ainda colho os frutos. A indicação surgiu de uma série de trabalhos bem sucedidos que realizei em BsB nos últimos anos e ela funcionou como uma boa divulgação, em âmbito nacional, da minha produção. Espero que ainda abra muitas portas.

Quais são seus planos para o futuro?
Seguir trabalhando com arte e sendo me tornando uma artista cada vez melhor.

O que você faz nas horas vagas?
Durmo, leio, escuto música e danço, fico pensando em coisas sem sentido algum e por aí vai.






Polyarte Representações LTDA: Life in concert-Vol II. Instalação em dois painéis pintadas com os mapas das cidades de Taguatinga e Brasília, representa o percurso entre a Polyarte Representações ltda, escritório do seu pai até o plano piloto em Brasília. As caixas de som mostram os sons de cada cidade e as cores são variações do caminho. Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília.







Foto 2





Detalhe.





Edifício Morada






Edifício Morada





Edifício Morada






Edifício Morada






Edifício Morada.






Mapas de Caminhada






Mapa de caminhada detalhe.

Polianna Morgana na exposição Abre Alas da Gentil Carioca, RJ.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado André de Miranda



André de Miranda Palestra em Anápolis, 2011.


André, obrigado pela sua entusiasmada participação e pelos ensinamentos sobre a gravura. Parabéns pela bela trajetória.




Como a Arte entrou em sua vida?
Creio que isto já veio comigo. Nasci no bairro do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, onde hoje voltei a residir, bem pertinho da Quinta da Boa Vista, um imenso parque, antiga moradia do império brasileiro, onde também está localizado o zoológico carioca. Quase sempre era nosso passeio dominical. Devia ter uns oito anos mais ou menos, mas recordo que funcionava uma escola de pintura ao ar livre, chamada “Colméia”. Ficava admirado vendo aqueles artistas pintando enquanto meu irmão brincava. Disto nunca esqueci, e sempre estimulado pelo meu pai, talvez por perceber meu interesse nas artes plásticas desde sempre.  

Como foi sua formação artística?
Considero-me autodidata embora tenha frequentado diversos ateliês de pintura, desenho e gravura. Iniciei minha atividade artística em 1975, na Academia de Arte e Cultura Elzira Amábile, Rio de Janeiro, sendo discípulo de Genia Walisberg. Em 1976 estudei desenho e pintura com Jemile Diban e em seguida com Maria Cecília de Castro Pinto. Comecei meus estudos de xilogravura em 1980 com o gravador Ciro Fernandes e convivi com Augusto Rodrigues, Frank Schaeffer, Teixeira Mendes, Tilde Canti, Marcelo Soares, J. Borges, entre outros. Também estudei  xilogravura com Anna Carolina e gravura em metal com Marcelo Frazão e Heloísa Pires Ferreira. Fiz Desenho de Artes Gráficas e Desenho de Propaganda no SENAI/RJ. Morei de 1993 a 1997 na cidade de Três Lagoas, MS, onde ministrei oficinas de Xilogravura em diversas cidades e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Fui professor de desenho no SENAI Construção Civil Rio de Janeiro em 1999. Faço sempre palestras sobre gravura por todo este país, como Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, Goiás, Recife, João Pessoa, Rio Branco, etc. Fui membro do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul. Morei na cidade de Curitiba – PR, de 2004 a abril de 2008.

Como você descreve sua obra? E qual seu tema predileto?
Meu tema predileto é sempre o atual. Desde 2003 venho desenvolvendo em minhas xilogravuras o tema cidade, nomeando-as “Xilocidade – memória urbana gravada”. Através desta série, continuo me apropriando sobre o descaso com a memória da arquitetura em muitas cidades brasileiras. São xilogravuras impressas sobre folhas de jornal (offset) retiradas dos cadernos dos classificados. Em anúncios de novos prédios, imprimo elementos da arquitetura antiga antes presente nesses mesmos terrenos em que agora prevalece o novo em sacrifício do antigo. Sem nenhum critério e já há muito tempo, estes antigos casarões – alguns tombados - estão sendo vendidos e cedendo lugar a modernos e esqueléticos prédios. Bairros do Rio de Janeiro, como Santa Teresa, Catete, Tijuca e Centro, ainda tentam manter seus antigos casarões do início do século XIX. Muitas destas maravilhosas construções foram transformadas em pensões na década de 30, quando em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro ainda não havia a especulação imobiliária. Neles residiam jovens estudantes e famílias inteiras que alugavam seus quartos. Muitos imigrantes que aqui chegavam, subiam suas escadarias e encontravam abrigo nestes sobrados onde estava registrada sua história. Encontrei nesta forma de impressão a maneira mais poética de chamar a atenção para este problema urbano. Fica aqui estampada minha reflexão.

Para alguns, o papel como suporte não serve para o clima do Rio de Janeiro, o que você pensa sobre o assunto?
Puro preconceito e falta de conhecimento. Nosso clima não é desfavorável ao papel como muitas cidades do sul do país.


É possível viver de arte no Brasil?
Não é fácil e trabalhar com obra tendo como suporte o papel, pior ainda, (risos). Muitos fatores envolvem esta questão. Persistência e disciplina. Acreditar no que faz e jamais desistir. Foi assim comigo, e vivo da arte e para Arte, especificamente da xilo.

Que exposição você considera a mais significativa?
Sempre a última, entretanto, em 2011 fiz uma grande mostra intitulada “Viva a Gravura”, comemorativa pelos meus 30 anos de trajetória na gravura, com mais de 120 obras, datadas de 1981 a 2011, no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, na cidade de Campo Grande, para onde doei todas as obras.

Você tem uma enorme coleção de gravuras de vários artistas, há projeto para mostrá-las ou produzir um livro?
Nunca pensei em livro ou exposição desse acervo que venho colecionando há mais de 30 anos. São gravuras e desenhos que fui ganhando ao longo de minha vida, trocando minhas obras com colegas e amigos. Não é uma coleção de colecionador profissional, digamos assim, não é tão importante hoje para merecer um livro, mas uma mostra até que não é má idéia. Não a quero reter este acervo, e penso em doá-lo para algum museu que preserve esta memória. Hoje somam mais de 500 obras, entre desenhos e gravuras de importantes artistas nacionais e até alguns estrangeiros.

O que é necessário para ser um ícone nas artes plásticas?
Ser você mesmo no que faça, não importando modismos ou regras de marchands. O tempo irá se encarregar do restante.

Quais são seus planos e sonhos para o futuro?
Continuar trabalhando e levando minha obra por este mundo afora – a Xilogravura, como sementes ao vento que breve estarão sendo germinadas pelos que por mim passaram.

 André, querendo acrescente o que considerar importante. O espaço é livre.

 Por que gravura?
Penso que a gravura seja a arte mais democrática de todas das artes visuais, entretanto não foi este o motivo pelo qual escolhi a gravura como meu fazer artístico. Foi paixão a primeira vista, foi amor, e amor não se explica. Amo a xilogravura há pelo menos 32 anos.
Conheci em 1981, no Rio de Janeiro, o gravador Ciro Fernandes. Ele ocupava uma das salas do ateliê de Maria Cecília de Castro Pinto, no secular sobrado da baronesa de Mauá, transformado em ateliê, na Rua Santa Alexandrina  nº 445, no bairro do Rio Comprido. Era eu aluno de pintura e desenho de Maria Cecília. Ciro, na época, imprimia de maneira artesanal, com tipos móveis, um álbum ilustrado em xilogravura para o poeta amazonense Thiago de Mello: “Horóscopos para os que estão vivos”. Ciro tinha prazo para entrega e assim como Thiago, observando meu interesse e entusiasmo pelo trabalho, convidou-me para participar da produção. Deu-me um pedaço de cedro rosa, uma goiva de vareta de guarda-chuva, por ele fabricada, e me disse: “Corta aí!” Esta goiva, de excelente aço, ainda é por mim utilizada. De lá prá cá nunca mais parei.
Através da xilogravura conheci cidades, pessoas, fiz amigos e até amores. A xilo, proporcionou-me o primeiro prêmio internacional.  Vivendo com sacrifício, muitas vezes necessitando fazer escolhas difíceis, a gravura é “a única que vale a pena”, prefaciando Goeldi. A xilogravura é meu alimento espiritual diário. É com a xilogravura que me equilibro. Xilogravar pra mim é rasgar, cortar, desarraigar uma superfície que resiste. E quanto mais resiste, mais decisivo será a marca deixada.
Quando ministro oficinas de gravura no interior do país, e mesmo em capitais, fico feliz ao observar o interesse dos alunos e a continuidade que dão ao trabalho. Este despertar do aluno, minha paixão pelo trabalho atestam meu compromisso em não deixar morrer a xilogravura.Entre outros Estados, dei oficinas em Rio Branco, no Acre, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, etc, e constatei sem exceção, a alegria das pessoas ao verem sua primeira xilogravura impressa. É um momento único, inesquecível, jamais abandonam esta técnica milenar e cada um com sua própria poética.
Vários instrumentos agridem a madeira: o prego, o buril, a goiva. Minha experiência pessoal dá preferência a toda sorte de goivas e madeiras. Cada corte, cada golpe da goiva estabelece um equilíbrio. Cada corte e definitivo. Um pedaço arrancado depende de outro pedaço arrancado. Houve época que experimentei outras técnicas de gravação, mas foi com a xilo que minha poética se construiu, e é com ela que me identifico.
Estou convencido de que todo meu tempo é curto para desenvolver outros meios. Gravo, praticamente, todos os dias a 30 anos e acho pouco tempo.  A obra não tem fim e a cada dia desenvolvo uma maneira de ver e sentir diferente. Acho isto maravilhoso, a xilogravura dá um enorme prazer, uma imensa alegria de viver.

Quais são suas principais afinidades com o material para se desenvolver um trabalho artístico?
Sou um apaixonado pelo que faço. Adoro a madeira, qualquer madeira me interessa. Algumas, de tão bonitas, fico sem coragem de gravá-las, como dois discos de guatambu, madeira raríssima utilizada no passado para xilogravura de topo, e que me foi presenteada pelo gravador Marcio Panunzzio, que produz suas obras somente em xilo de topo. Também uso, vez por outra, o linóleo, coisa rara nos dias de hoje, e encontro somente um similar, o neolite, fabricado para solados de sapatos e que produz o mesmo efeito plástico. Procuro não brigar com o material. O importante é ter boa ferramenta, sempre afiada, e o trabalho se desenvolve sem problema.Também penso que o suporte influencia sua poética, sua criação. Posso usar um material medieval e estar criando. O fundamental é a obra, não a variedade ou novidade dos materais.

Fale sobre a imposição da técnica no processo de criação da gravura.
Dependendo da técnica que você faça uso, acaba entrando numa verdadeira cozinha. Acho importante conhecer a técnica: saber afiar uma ferramenta, tratar o material com carinho. O Iberê Camargo, por exemplo, só permitia que o aluno iniciasse um cobre quando a placa estivesse como um espelho. Na xilo mais tradicional, a madeira precisa estar como “bunda “ de neném e as goivas super afiadas. Já vi muitos artistas desistirem da xilogravura por estarem com as goivas cegas , não sabendo amolar, brigava com os instrumentos criando calos na mão e ferindo-se. O processo de criação apesar disso tudo, independe da técnica utilizada.

Há regras a serem seguidas sem prejuízos ao ato criativo?
A única regra que deve ser seguida é a disciplina. A gravura é assim, sem disciplina não se tem bom trabalho. O ato criativo é uma experiência direta na sensibilidade individual, única e insubstituível na obra de arte. Falo na disciplina em termos de organização e limpeza da obra e na obra. A gravura exige também uma parte burocrática maçante, mas importante, que é o registro das cópias, a ficha técnica, as provas de estado. Como toda gravura, já que diferente da pintura, se errar nem sempre consegue correções. Na gravura não se pode ter pressa, o trabalho transcorre aos poucos, mesmo tendo estudos preliminares, croquis diversos e anotações variadas. Na gravura em metal, tem o fator tempo, importantíssimo, se está frio, se está quente, etc. Cada técnica na gravura tem seu mundo particular e sua vida própria.

O que pensa sobre o olhar do público em relação a sua gravura?
Todo espectador participa de uma obra na medida em que esta mobiliza a sua sensibilidade. Vejo com meus olhos e não com o olhar do público.

Qual tiragem ideal para que a gravura mantenha seu valor artístico?
Este assunto de tiragem é argumento de mercado. Evidente que a gravura por ter múltiplos e quase sempre foi sua função, o preço cai. Ganha quem especula! Já fiz edições de 100 como de apenas 10 cópias, mas nunca por questões mercadológicas. Uma xilo, dependendo do objetivo, que deu imenso trabalho na impressão pode ter menos cópias, já que não faço uso de prensa, todas são impressas pela tradicional colher de pau. Toda tiragem é relativa. Possuo xilogravuras com tiragens de 30, 20 ou 10 cópias e deram o mesmo trabalho.
Atualmente, numa série iniciada em 2003 a qual nomeei “Xilocidade – memória urbana gravada”, imprimo em anúncios coloridos retirados dos classificados de jornais. A matriz é única, entretanto, mudando o fundo escolhido minuciosamente, torna-se uma cópia única; fica uma diferente da outra, mesmo sendo impressa a mesma matriz geradora daquela imagem. Possuo um fichário onde registro todas as gravuras, desde a primeira em 1980. É uma ficha técnica com todos os dados, com a vida e a história de cada gravura; a que acervo pertence, dimensões, tipo de papel usado, exposições em que participou, etc. Caso contrário, perde-se a credibilidade da cópia numerada. Acho isso de suma importância para quem faz gravura, independente da técnica em pregada, desde que tenham múltiplos. É a história daquela gravura, daquela imagem.
Sei que a maioria dos artistas gravadores, são poucos organizados nestas questões; na gravura, é fundamental anotar quantas cópias foi tirada na edição, numerá-las para não correr o risco de repetir tal numeração.
Há quantificação ideal para cada técnica empregada? Sem levar em conta o valor de mercado do artista, por exemplo: uma fotografia vale menos que uma água-forte?
A quantidade em nada tem haver com a qualidade. Por mais que se queira, uma cópia nunca fica exatamente igual a outra, somente através de outros processos gráficos. A arte cria, a técnica fabrica. Não importa a técnica e sim a qualidade. É desde o papel que você usa, a tinta, o corte, a composição e uma infinidade de fatores.
Acho a xilogravura a técnica mais difícil de se conseguir uma boa expressão”, palavras da gravadora Anna Letycia, e concordo com ela. A xilo parece simples, fácil de executar, mas não tem acasos, cortou “já era...” A xilo é direta. Aprende-se a fazer xilogravura em uma semana e leva-se um ano para fazer uma xilogravura. Não existe esta ou aquela técnica que vale mais. Entretanto, uma boa gravura vale muito mais que uma pintura medíocre. Algumas técnicas de gravura não lhe permitem uma grande edição, como o caso da ponta seca, mas isto, não faz com que seja mais importante que outra.

Como chegou a gravura e o que essa técnica significa para sua expressão artística?
Sou um apaixonado pelo eu faço e amo a xilogravura, ela me é vital. Frequentei muitos ateliês de gravadores, aprendi com colegas, com os mestres, vendo, observando como trabalhavam. Quando morava no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, procurei Newton Cavalcanti; residente no mesmo bairro, grande mestre da xilo, foi aluno de Goeldi, para umas orientações. Levei algumas gravuras. Após examinar os trabalhos cuidadosamente, um por um, disse-me: Não tenho nada para te ensinar, vá produzir!” Devo muito a Anna Carolina de quem fui aluno: o amor pela xilo, dedicação ao trabalho e principalmente a concepção que fazer Arte é amor.

Qual das técnicas em gravura você prefere?
Sem dúvida a xilogravura. Passei pela gravura em metal, aluno de Heloisa Pires Ferreira na oficina de gravura do Sesc Tijuca - Rio, e com Marcelo Frazão na Escolinha de Arte do Brasil, onde Goeldi lecionou, no Rio de Janeiro.  Gostava daquela cozinha, dos vernizes, etc. Mas a xilo sempre me despertou mais interesse. A xilo você pode fazer em qualquer cantinho de sua casa, até mesmo na mesa do boteco, no colo, em qualquer espaço. Outras técnicas você necessita de espaço, prensa, lugar ventilado para os ácidos e uma infinidade de materiais. Foi e continua sendo até hoje; na xilogravura consigo um bom resultado para minha criação, minha força de expressão, minha poética.

Qual desenvolve hoje com mais precisão?
A xilo, sempre a xilogravura. O desenho também me é sempre necessário como um ato religioso, como uma oração, um elo de ligação como qualquer meio. Sem desenho nada existe, mesmo mentalmente você desenha sempre. É a linha construindo e fazendo materializar o que você pensa, o eu você vive.
O que pensa da arte como forma de expressão?
A obra de arte enriquece o mundo do homem. Acredito na Arte. Nas sociedades ditas primitivas, a arte e homem era uma coisa só. A arte deveria ser usada por todos no cotidiano; alimento indispensável, sem ser, porém, uma consumação telecomandada. O artista é parte do processo de seu tempo.

O que pensa da arte como forma de sobrevivência?
Como disse anteriormente, gravo por uma questão de necessidade vital. Sobrevivo e vivo da Arte e com a Arte. Não sei fazer outra coisa. Amo o que faço!

O que pensa da arte como valor de moeda?
A arte é minha profissão, portanto, é um trabalho como outro qualquer e tem seu preço.

Sua arte preocupa-se com questões políticas?
A arte pode ter uma função política, embora não precise me preocupar muito com isso. Minha expressão parte de uma visão da vida. Absorve todos os conteúdos de vida do homem. O artista pode usar qualquer assunto como motivo e transformá-lo em arte. O que vale é a realização. O artista é a expressão de seu tempo, dá testemunho de seu tempo, de sua época. Gauguin quando mudou para Noa-Noa teve uma atitude política.

A arte inserida em um contexto sociológico é arte engajada?
Pode ser, o artista é produto de sua época.

Quais principais influências em sua produção artística?
Toda influência parte de uma seletividade natural do indivíduo, e cada indivíduo é único. É preciso distinguir, ou seja, saber distinguir entre imitação e influência. Tive influência direta de certos artistas com os quais me identifiquei e continuam me influenciando, sem contudo copiá-los. Quando percebo isto, fico em pânico, e retomo o trabalho. Acho válido fazer “releituras” das obras dos grandes mestres ou de quem mais você se identifica. Em todas as épocas foi assim. Muitos artistas ficavam nos museus copiando as obras para estudar e entender como fizeram isso ou aquilo. Influenciaram-me Gauguin, Cézanne, Picasso, Matisse, Käthe Kolwitz, Goeldi, Livio Abramo e muitos outros. Bebo e todos beberam desta fonte inesgotável! Em 2003 fiz uma xilogravura em homenagem aos 100 anos de nascimento de Livio Abramo. Utilizei alguns buris que haviam sido dele e fiz uma composição baseada em sua obra. Mandei para um salão de gravura na Espanha e sem esperar, fui premiado. A energia do Livio estava ali, acredito nisso. A influência é inevitável. Nenhum artista vive no vazio. Matisse dizia que “enquanto os artistas se interessarem por minhas idéias e pelo meu trabalho, não estaremos mortos”. Cada artista é nutrido pelo fazer dos seus antecessores.

Como é seu processo de trabalho para transferir a criação para a gravura?
Poucas vezes faço um croqui antes de iniciar uma xilo. Costumo e já acostumado estou, com o procedimento inverso do desenho na matriz, fazendo diretamente na placa. Penso como xilo e esta, tem uma linguagem própria, diferente do desenho, caso contrário seria um desenho gravado. Vejo o mundo como xilo. A vida é um entrelaçamento de muitos fios.

Como se dá o seu processo artístico?
Trabalho diariamente, logo pela manhã. Tenho o hábito de acordar muito cedo. Faço café e vou trabalhar. Quando tenho um trabalho em aberto, quase sempre, e necessito que ele “descanse” um pouco, faço outro e outro, retornando posteriormente àquele que não encontrava solução. Tenho enorme curiosidade em vê-lo pronto, fico satisfeito na maioria das vezes ou me assalta um doloroso sentimento de frustração, pelo resultado insatisfatório. Sinto como se estivesse criando pela primeira vez. Quando trabalho, esqueço o mundo.

A seu ver como está a gravura hoje, dentro dos aspectos mercadológicos, técnicos e criativos?
A gravura sempre teve seu espaço. Aliás, a xilogravura deveria ser a mais conhecida das técnicas. Ela foi criada para reproduzir e multiplicar imagens. No estrangeiro, muitas galerias comercializam gravura; no Brasil poucas trabalham, inclusive com arte sobre papel e raras são as especializadas. Antigamente as grandes empresas encomendavam aos artistas gravadores uma tiragem para presentear com uma gravura, como brinde de final de ano aos seus melhores clientes. Hoje, a maioria prefere oferecer uma garrafa de vinho ou panetone. Os hotéis compravam muito para decorar seus quartos.
Vendo bem para os EUA. Principalmente, através da internet por um marchand. Aqui a gravura se elitizou talvez. Muitos fazem confusão da gravura com estampa. A variação dos processos gráficos, também faz confusão no público. Muitos artistas chamam de gravura tudo que gera cópia, até Xerox virou gravura, assim como monotipias.  Isto a meu ver está errado. Vamos dar nomes aos bois. Uma coisa é processo gráfico, outra é gravura. Como falava o mestre Osvaldo Goeldi, gravura é aquilo que é gravado. O próprio inventor da litografia, Salois Senenfelder (1771 – 1834), dizia que litografia não era gravura. Mas isto não invalida nem torna menor uma ou outra. Já vi belíssimas monotipias, melhores que muitas xilogravuras, mas não é gravura. Também visitei exposições intituladas de gravura, estando expostas plotagens. Como pode? Cada técnica tem seu nome. Fora do país a gravura tem mercado, tem respeito. Aqui existe o preconceito da obra sobre papel como suporte, preconceito ao múltiplo, etc. No exterior, a gravura brasileira tem muito prestígio, é muito respeitada. Participo sempre de bienais de gravura, recebendo prêmios em euros. Os museus se interessam pela compra da edição completa e da matriz finalmente cancelada. Só na Espanha existem mais de trinta salões e bienais de gravura. Japão e Polônia idem. Muitas galerias comercializam gravura, e aqui no Brasil, poucas trabalham com arte tendo como suporte o papel, e raras são as especializadas. Temos em São Paulo apenas a Graphias e a Galeria Gravura Brasileira. Até as oficinas andam escassas, desestimulando artistas por não terem como sobreviver da venda de suas obras, partindo para outras técnicas de arte. Em nosso país, são pouquíssimos e raramente tem salões somente para gravura. Nos principais salões oficiais de artes visuais, a gravura fica de fora, apesar de poder participar enviando gravura, sendo em sua maioria, inclusive os premiados, vídeos, instalações, objetos e como diria Danúbio Gonçalves, toda parafernália das viúvas de Duchamp.
Ministro muitas oficinas de xilogravura e tenho tido muitos alunos saídos das universidades federais que não sabem afiar uma goiva, desenham pouco, desconhecem papel, e na gravura em metal, não sabem preparar uma chapa.  Num dos cursos que dei, uma professora de gravura com mestrado e doutorado me disse que não usava buril raiado e não fazia xilo porque não sabia amolar as ferramentas. Em pequenos minutos de papo, ensinei, e ela voltou a fazer xilogravura. Só se vê teoria, e muito blá blá blá, mas pouca prática.

Os processos técnicos da gravura só evoluem quando o artista os transgride, e só seus futuros estudantes passam a considerá-la inserida. O que você diz sobre isso?
Acho válida toda forma de expressão plástica. Experimentar sempre. De tempo em tempo uma nova maneira de fazer esta ou aquela técnica vai aparecendo. A xilogravura continua sendo feita da mesma maneira há mais de mil anos, entretanto com a vinda de novos procedimentos gráficos, vai sendo ampliada, mas o fazer, este continua o mesmo. O uso do material não tóxico para a gravura em metal tem sido bem desenvolvido no Brasil, e somente o tempo dirá algo.

Você considera o temário de seu trabalho interiorizações ou exteriorizações da arte?
Como disse, não é o tema que impulsiona o fazer artístico. Ele é o retrato de sua época, de sua vivência com o mundo.

Por que produzir? No que isso melhora sua existência?
Não sei fazer outra coisa. Já nem tenho mais onde colocar tantas gravuras, desenhos e até pinturas. A mapoteca e pastas estão sempre repletas, produzo praticamente todos os dias, é uma compulsão. Já destruí muita coisa como se estivesse limpando minh’alma. Hoje já não jogo nada fora, aproveito tudo. Meu tempo é curto para produzir tudo que gostaria. Deixo muitas vezes de passear, ir a festas, para estar no ateliê produzindo. Mesmo não desenhando, gravando ou pintando, preciso estar no ateliê arrumando, organizando material, revendo desenhos e xilos. Meu objetivo é criar e produzo na tentativa de ser meu objetivo.

Fale de suas formas de expressão.
Minha expressão maior, minha verdadeira linguagem é a xilogravura. É com a xilo que construo, falo, grito e me equilibro. É nesta técnica milenar que encontro soluções para meu espírito inquieto. O desenho é muito importante, está sempre lado a lado de qualquer técnica que uso. Desenho é a espinha dorsal de qualquer obra de arte. Uma obra cujo desenho não foi elaborado, pensando em composição; claro e escuro, forte e fraco; torna-se desestruturado e desequilibrado. Desenho é linha, e me dá enorme prazer desenhar.

Fale de sua linguagem simbólica.
Faço do símbolo um signo (sinal) e do signo um símbolo. Represento graficamente a época em que vivo.

Fale de sua plasticidade.
Continuo e espero continuar estudando para melhor desenvolvê-la.

Qual foi seu principal percurso como artista?
Tive a sorte e diria mesmo, o privilegio em ter conhecido e convivido com alguns grandes mestres da gravura e das artes visuais no início de minha trajetória, como Iberê Camargo, Carlos Scliar,Augusto Rodrigues, Quirino Campofiorito, Newton Cavalcanti, Danúbio Gonçalves, Samico, Livio Abramo, Anna Carolina e muitos outros. Alguns se tornaram amigos pessoais. Lamento não ter conhecido Oswaldo Goeldi, já que faleceu quando eu apenas tinha apenas 4 anos de idade. Fui aluno também do gravador Marcelo Soares e J.Borges. Considero-me autodidata, embora tenha passado por muitos ateliês de gravura, desenho e pintura.

A técnica está a serviço do que você pretende como criador ou apenas é um suporte de menor valor?
O artista não pode condicionar sua criação aos materiais, só pelo fato de serem modernos ou antigos, maiores ou menores. Minha expressão principal é através da xilogravura e trabalho nesta técnica como foi criada há mais de mil anos. Sou fiel à xilo. Pouco uso a prensa para imprimir minhas gravuras, gosto da textura da madeira aparecendo na obra, participando da composição. Gosto da suavidade em que a velha colher de madeira ou osso desliza sobre o papel japonês. Tenho uma pequena coleção destas colheres, de todo tamanho e tipo. Conheço alguns gravadores que imprimem suas xilos na prensa, e a gravura fica toda chapada, sem a leveza e transparência que a xilogravura proporciona.
Faço também uso do buril raiado, por exemplo, dependendo da madeira utilizada - se for cedro ou até mesmo o mogno vermelho, a prensa poderá danificar as finas linhas gravadas. A xilo é única, cada matriz é única, não existe uma árvore igual à outra, mesmo sendo da mesma espécie, tem sua impressão particular gravada em seus veios. A colocação da tinta na matriz também é importantíssima. Só o tempo e a prática que irá descobrir pelo barulho do rolinho de borracha à tinta que saberá a quantidade correta de passá-lo na matriz. Muita tinta entope as linhas, as cicatrizes naturais da madeira. Já vi gravuras impressas com tanta tinta que mais parecia glacê de bolo de padaria. Procuro não brigar com a matriz, respeitar cada detalhe que a natureza oferece.

Conte-nos sobre seus processos de trabalho.
Assim que acordo, muitas vezes antes do sol nascer, vou direto para o ateliê. Começo revendo o trabalho do dia anterior, leio, mexo e remexo nos muitos livros e catálogos de arte, desenho, e ligo o computador para ler e responder os e-mails. Mas não tenho uma rotina específica. Quando não estou com nenhum trabalho em mente, revejo as pastas, mapoteca e cadernos de desenho para surgir algo a partir daquilo, mas não existe uma regra. As madeiras estão sempre lixadas, preparadas para uma nova xilo.

Como escolhe suas temáticas?
Minhas temáticas sempre foram desenvolvidas pelo meu fazer artístico diário. Um trabalho chama outro e outro. Após esgotar um tema, através dele surge outro. Acho que é um complemento do outro, um fio de ligação. Nunca digo: “Ah.... vou desenvolver este tema tal, etc...”, acontece. Não busco o tema, ele que me acha e o desenvolvo. Numa obra de arte, o tema é secundário, mas qualquer tema pode ser aproveitado. Minha temática é variada, não fico preso a um tema específico, salvo quando tenho uma encomenda de ilustração ou para uma exposição coletiva temática. Normalmente trabalho até que aquela temática se esgote.  O artista dá testemunho de seu tempo e o tema surge. Meus modelos, minha temática é o mundo que me rodeia, a minha vivência.

Considera sua produção satisfatória, ou poderia estar produzindo mais, caso as questões de mercado fossem diferentes?
Não produzo por dinheiro, mas é evidente que ter um retorno financeiro é importante. Fazer gravura, ou qualquer outra atividade artística nesse país é complicado e só faço isso porque amo a xilo.  Não me preocupo em produzir para vender o que faço, entretanto, é minha profissão e preciso sim, vender para viver, pagar minhas contas, comer e até mesmo comprar materiais. A venda é uma conseqüência, sem obra, sem produção, a venda não existe. Tenho preferido ver meus trabalhos em acervos de museus do mundo inteiro do que apenas fazer exposições para acrescentar linha em currículo. Alguns importantes museus deste país possuem minhas gravuras em seu acervo, onde a obra será preservada e nossa história registrada. Viver da gravura, qualquer gravador sabe como é complicado vender. As galerias preferem vender telas, e no Brasil existe muito preconceito pela falta de informação do público e até mesmo de artistas, sobre a arte tendo como suporte o papel. Trabalho diariamente e a produção cresce. Na vida, você nunca sabe quando está fazendo seu último trabalho.

Considera-se artista pelo volume e conteúdo do que já produziu?
Creio muito no conteúdo da obra. Ouvi dizer certa vez, não me lembro quem falou e aonde, que toda sua vida você só faz um trabalho, o resto e continuação do primeiro, será? O mais importante é trabalhar, e farei sempre!





Era uma vez a minha rua.





Forró, 1981.





Igrejinha de Santo Antônio.




Pichula, 2003. Prêmio internacional da gravura.






Xilocidade.




Jacarepaguá






Curitiba.







Cidade.





Maranhão.


São Paulo.




André de Miranda












Formação




Iniciou sua atividade artística em 1975, na Academia de Arte e Cultura Elzira Amábile, Rio de Janeiro, sendo discípulo de Genia Walisberg.

Em 1976 estudou desenho e pintura com Jemile Diban.

Estudou desenho e pintura com Maria Cecília de Castro Pinto.

Iniciou seus trabalhos em xilogravura em 1978 no ateliê do gravador Ciro Fernandes onde conviveu com diversos artistas, entre eles Augusto Rodrigues, Frank Schaeffer, Teixeira Mendes, Tilde Canti, Marcelo Soares, J. Borges, iniciando assim, a xilogravura.

Também estudou xilogravura com Marcelo Soares, J. Borges e Anna Carolina e gravura em metal com Marcelo Frazão e Heloísa Pires Ferreira.

Estudou Desenho de Artes Gráficas e Desenho de Propaganda no Senai/RJ.



Morou de 1993 a 1997 na cidade de Três Lagoas, MS, onde ministrou oficinas de Xilogravura em diversas cidades e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.



Foi professor de desenho no Senai da Construção Civil Rio de Janeiro em 1999.



Fez diversas palestras sobre gravura em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro, Goiás e Acre.



Foi membro do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul.



Residiu na cidade de Curitiba – PR, de 2004 a abril de 2008.



Mora e trabalha na cidade do Rio de Janeiro.



Obras nos site:  


                                     http://www.oswaldogoeldi.com.br/galeriaandremiranda.htm









        

Exposições Individuais






2011

  • Xilocidade – memória urbana gravada – Galeria Antonio Sibassoly – Anápolis – Goiás.
  • “Viva a Gravura” – exposição comemorativa aos meus 30 anos à Xilogravura MARCO – Museu de Arte Contemporânea de MS – Campo Grande – MS.
  • “Xilocidade – memória urbana gravada” - Imaculada Bar e Galeria – Rio – RJ



2009

  • Gravuras de André de Miranda – Galeria da UNIFIEO – Osasco – São Paulo.
  • Xilocidade – memória urbana gravada – Museu de Arte Contemporânea de Jataí – GO.
  • Xilocidade – memória urbana gravada – Museu de Arte de Cascavel – PR
  • Xilocidade – colagens de minha xilos – Galeria Heitor de Alencar – Centro Cultural Bernardo Mascarenhas – Juiz de Fora – MG



2008

·         Viva a Gravura – Exposição comemorativa de 30 anos de gravura –

Museu de Artes Visuais Ruth Schneider – Passo Fundo – RS

·         Viva a Gravura – Exposição comemorativa de 30 anos de gravura –

Fundação Cultural de Foz do Iguaçu



2007

  • MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul, Campo Grande.



2006

  • Centro Cultural de São Francisco – João Pessoa, PB
  • Galeria da Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis, SC.
  • Palacete dos Leões – Espaço Cultural do BRDE – Curitiba, PR.



2002

  • Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, RS.



2001

  • Galeria Villa Riso – Rio de Janeiro, RJ.   
  • Espaço Cultural Via Parque – Rio de Janeiro, RJ.



1999

  • Galeria de Arte SESC Niterói, RJ.



1998

  • Galeria de Arte SESC Tijuca – Rio de Janeiro, RJ.



1995

  • Centro Universitário de Três Lagoas, MS.



1995

  • Prefeitura Municipal de Brasilândia, MS.
  • Espaço Cultural Banco do Brasil –Três Lagoas, MS.
  • Galeria de Arte SESC Tijuca – Rio de Janeiro, RJ.



1988

  • Espaço Cultural Petrobrás – Rio de Janeiro, RJ.



1986

  • Galeria de Arte SESC Tijuca – Rio de Janeiro, RJ.



1982

  • Galeria da Biblioteca do Leblon – Rio de Janeiro, RJ.







Exposições Coletivas - Nacional



2011

·         Diálogos: um olhar sobre a Escola de xilografia do Horto – São Paulo – SP.



2008

·         8º Salão de Artes Visuais de Guarulhos – SP.

2007

·         Gravuras do Acervo do Museu Oscar Niemeyer – Maringá, PR

·         Gravuras do Acervo do Museu Oscar Niemeyer – Londrina, PR

·         Gravuras do Acervo do Museu Oscar Niemeyer – Foz do Iguaçu, PR

·         Acervo Aquisições – Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, PR

·         Gravuras do Acervo – Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, PR.

·         V Território de Artes Araraquara – São Paulo – artista convidado.

·         3ª Bienal de Gravura Olho Latino – Atibaia – São Paulo. (menção honrosa)



2006

·         XIV Encontro de Artes Plásticas de Atibaia – SP.



2005

·         Gravadores da UFPR – Espaço Cultural BRDE – Solar dos Leões – Curitiba – PR

·         Casa Andrade Muricy – Ex Libris - Curitiba – Paraná.

·         Grupo Gravura na Graphias – Galeria Graphias Casa da Gravura, SP.

·         Casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima – “Projeto Múltiplos” – Núcleo de Gravura do RS - Caxias do Sul, RS. 

·         1ª Mostra Nacional de Mini Gravura da Paraíba – João Pessoa - PB.



2004

  • 1ª Bienal Internacional Ceará de Gravura
  • Museu da Gravura Brasileira – Bagé – RS. “Múltiplos”, 

exposição comemorativa dos 20 anos do NGRS

  • Museu de Arte José Bicca de Medeiros – Alegrete – Rio Grande do Sul.
  • Museu de Arte Contemporânea, Galeria Sotero Cosme - Casa de Cultura Mario Quintana – Porto Alegre - RS.
  • Centro Cultural Dr. Pedro Marini – Uruguaiana – RS - “Projeto Múltiplos” - 20 anos do NGRS
  • Museu Artes Visuais Ruth Schenider – Passo Fundo – RS - “Projeto Múltiplos”  - 20 anos do NGRS.
  • Pinacoteca FEEVALE – Novo Hamburgo – RS. “Projeto Múltiplos” – comemorativa dos 20 anos do NGRS
  • Casa do Cliente Gazeta do Sul – Santa Cruz – RS. “Projeto Múltiplos” - comemorativa dos 20 anos do NGRS.
  • Galeria do Instituto de Letras e Artes – Pelotas – RS. “Projeto Múltiplos” comemorativa dos 20 anos do NGRS
  • Mostra de Gravura Galeria Henrique Pacheco - Jaú – São Paulo.
  • Exposição inaugural da Sala de Exposições da Sede do NGRS. – Porto Alegre – Rio Grande do Sul. 
  • Galeria Rubem Valentim – Espaço Cultural 508 – Brasília – DF – Exposição do Grupo Gravura
  • Arte Postal “Portugal - 25 de Abril de 1974 – 30 anos” – Constança Lucas, SP.
  • Mostra coletiva do Grupo Gravura em Sala Especial no 2º Território de Artes de Araraquara – SP.



2003

  • Museu de Arte Contemporânea de Santa Catarina – Florianópolis, SC.
  • II Bienal Nacional de Gravura - Olho Latino - Pinacoteca Municipal de Franca – São Paulo.

·         Atelier Livre de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Mostra dos gravadores do Núcleo.

·         35o Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, SP.

  • Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa – Coletiva do NGRS - Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
  • 2a Bienal Nacional de Gravura – Olho Latino – SESC Campinas, SP.

2002

  • 11ª Mostra Internacional “Homem na Terra”, Museu de Arqueologia e Artes – Alegrete, Rio Grande do Sul.
  • Galeria Gravura Brasileira – São Paulo, SP - Coletiva do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul.
  • Museu do Trabalho - Porto Alegre, Rio Grande do Sul. - Coletiva do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul



2001

  • X Salão Artes Plásticas Fundação Cultural de João Pessoa, Paraíba.
  • 33o Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, São Paulo.
  • 49o Salão de Artes de Piracicaba, São Paulo. (menção honrosa)



1997

  • Salão Fundação Cultural de Maricá, RJ. (Referência Especial do Júri).
  • 30 Universid’Arte - Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, RJ.



1996

  • Galeria SESC Copacabana – Rio de Janeiro, RJ.
  • 1o Salão SESC de Gravura – Rio de Janeiro, RJ.



1995

  • Fundação Memorial da América Latina, Galeria do Memorial – São Paulo, SP.

1994

  • 1a Bienal de Gravura de São José dos Campos, São Paulo.
  • Centro Cultural Octávio Guizzo – Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

·         Casa da Cultura de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.

  • Homenagem a Marc Berkowitz – Parque Lage, EAV, Rio de Janeiro, RJ.



1985

  • 1o Salão de Artes CIAGA – RJ (Ordem do Mérito das Belas Artes, conferida por Augusto Rodrigues).



1981

  • Salão Santa Teresa, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, RJ.
  • IX FENART – Miguel Pereira, RJ.
  • Mostra Pró-Cambaúba – Rio de Janeiro, RJ.



1980

  • II Salão Arte da Fundação Messiânica do Brasil – São Paulo, SP.
  • Salão Brasil Japão – São Paulo, SP.





1979

  • Salão do Museu da Cidade do Rio, RJ (Referência Especial do Júri).
  • Salão de Pintura Djanira – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, RJ.



1977

  • Associação Brasileira de Imprensa – Rio de Janeiro, RJ.











Participações Internacionais - Bienais e Trienais




2007

  • 12º Concurso Internacional de Gravura El Caliu – Girona – Espanha.
  • 8ª Biennale Europea dell’Incisione Acqui Terme – Ovada, Itália.



2006

  • 11º Concurso Internacional de Gravura El Caliu – Girona – Espanha.



2005

  • 6ª International Contemporary Engraving Biennial Exhibition “Iosif Iser” – Romênia
  • 10º Concurso Internacional de Gravura El Caliu – Girona – Espanha
  • 7a Biennale Europea dell’Incisione Acqui Terme – Ovada, Itália
  • International Mini Print de Sarajevo – Suécia
  • Originales Solidarios – Col.legi D’Enginyers Tècnies Industrials de Barcelona – Espanha
  • Originales Solidarios – Feira International D’art de Catalunya – Girona – Espanha



2004

  • Concurso Internacional de Gravura El Caliu – Girona – Espanha – (referência especial do júri)
  • 4ª Festival Internacional - Bienal de Gravura de Évora - Portugal.
  • Museo Cláudio L. Sempere – Burzaco – Buenos Aires - Argentina.
  • VII International Art Triennale Majdanek – Lublin – Polônia.
  • Iowa Biennial Exhibition of Contemporary Miniature Prints – IowaUSA.
  • Originales Solidarios – Galeria Anagma – Madrid – Espanha.
  • Originales Solidarios – Casa Amatler – Sede de l’Institut D’art Hispanic – Barcelona – Espanha.



2003

·         Premi Internacional de Grabado - Premi el Caliu 2003 - Olot, Espanha (premio aquisitivo).

  • Hälsinglands Museum – Suécia.

·         Maison des Allees – Toulouse – França.

·         4th International Graphic Triennial – Bitola – Macedônia.

·         Asia Print Adventure 2003 – Sapporo – Japão.

·         International Small Engraving Salon Carbunari – Maramures – Romênia.   

  • 2a Bienal de Gravura de Alijó – Douro, Portugal.
  • 6a Biennale Europea dell’Incisione Acqui Terme – Ovada, Itália.
  • “Histoire de Masques” – Musée de la Préhistoire – Ville de Menton, França. 
  • 1ª Biennale de L’Estampe de Saint-Maur  - Musée de Saint-Maur, França.
  • 4a Egyptian International Print Triennale – Cairo, Egito.
  • 11a Glielniak Print Competition Jelenia Góra, Polônia.
  • 12a International Print Biennial – Varna, Bulgária.  



2002

  • Mini Print - Casa Amatller de Barcelona, Espanha.
  • Pequeno Formato Galeria Anagma – Valença, Espanha.
  • Concurso Internacional de Grabado Premi el Caliu 2002 – Olot, Espanha.
  • Escuela de Bellas Artes Carlos Morel – Quilmes, Argentina.
  • Galeria Stylusart -  “Originales Solidários” – Barcelona, Espanha.





2001

  • 5a Triennial of Prints – Ino-Cho Paper Museum – Kochi-Ken, Japão
  • 11a International Print Biennial – Varna - Bulgária.







Obras em acervo NACIONAL




  • FIEO – Osasco – São Paulo.
  • Fundação Cultural de Foz do Iguaçu – Paraná.
  • MON – Museu Oscar Niemeyer – Curitiba – Paraná.
  • Casa da Xilogravura – Campos do Jordão – SP.

·         Museu Olho Latino – Atibaia, SP.


  • Pinacoteca Municipal de Araraquara – São Paulo.
  • Casa da Gravura Solar do Barão – Curitiba, Paraná.
  • Prefeitura Municipal de Brasilândia, Mato Grosso do Sul.
  • Galeria SESC Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

·         Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul – Porto Alegre, RS.


·         Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre – Rio Grande do Sul.


·         Grupo Gravura – Unicamp – Campinas – São Paulo.


·         Galeria Graphias Casa da Gravura – São Paulo – SP.


·         MAVRS - Museu de Artes Visuais Ruth Schneider – Passo Fundo - RS.


·         MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul – Campo Grande – MS.








Obras em acervo INTERNACIONAL




  • Museo Del Grabado Castillo de los Paleólogos de Acqui Terme – Itália
  • Hälsinglands Museum – Suécia.

·         Museum and Gallery Bitola, Macedônia.

·         Hokkaido Museum of Modern Art – Sapporo – Japão.

·         Florean Museum – Marmures – Romênia.

·         Taiwan Museum of Art, China.

·         Rotary Club Acqui Terme – Ovada, Itália. 

·         Musée de Saint-Maur – La Varene Saint-Hilaire, França.

·         Museo Comarcal de la Garrotxa – Olot, Espanha.

·         Museo Escuela de Bellas Artes Carlos Morel – Quilmes , Argentina.

·         Galeria Stylusart – Barcelona, Espanha.

·         Xilon ArgentinaBuenos Aires, Argentina.

·         Galerie Gravicel – Lille, França.

  • Gallery Art Grafic – Varna, Bulgaria.
  • Ino-Cho Paper Museum – Kochi-Ken, Japão.

·         Museu da Gravura de Alijó – Douro – Portugal.


·         Museo Cláudio L. Sempere – Burzaco – Buenos Aires – Argentina.


·         Museu de Arte Contemporânea de Évora – Portugal.


·         Centro Português de Serigrafia – Lisboa – Portugal.

·         Coleções particulares no Brasil e no exterior.














Atividades didáticas






2011

  • Ministrou oficina de xilogravura na Usina de Arte João Donato – Rio Branco – Acre.
  • Ministrou oficina de xilogravura na cidade de Anápolis – GO
  • Ministrou oficina de xilogravura no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul.



2010

  • Ministrou o IV  Xilogravando no Vale – Taubaté – SP



2009

  • Ministrou oficina de xilogravura no Museu de Arte Contemporânea de Jataí – GO
  • Ministrou oficina de xilogravura na Usina de Arte João Donato – Rio Branco – Acre.



2008

  • Ministrou oficina de xilogravura técnica Picasso – matriz perdida – Oficina de Gravura SESC Tijuca – Rio de Janeiro – RJ.
  • Ministrou o III Xilogravando no Vale – Taubaté – SP
  • Ministrou curso de Xilogravura na Fundação Cultural de Foz do Iguaçu – PR
  • Ministrou oficina de xilogravura no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Campo Grande) – MARCO.



2007

  • Ministrou curso de Xilogravura na CAC – Centro de Artes de Maringá – PR
  • Ministrou curso de xilogravura para o Grupo Cavuca – FESO – Teresópolis – RJ
  • Ministrou curso de Xilogravura na Fundação Cultural de Foz do Iguaçu – PR
  • Ministrou curso de Linoleogravura “2º Xilogravando no Vale” – Taubaté, SP



2006

  • Ministrou Oficina de Xilogravura no MON – Museu Oscar Niemeyer – Curitiba - Paraná



2005

  • Ministrou curso de xilogravura no SESC Centro – Curitiba - Paraná
  • Ministrou curso de xilogravura “Xilogravando no Vale” – Taubaté – São Paulo
  • Ministrou Oficina de Xilogravura na Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Curitiba – Paraná



2004

  • Ministrou Oficina de Xilogravura no Museu Oscar Niemeyer – Curitiba - Paraná



2002

  • Ministrou o Curso “Princípios Básicos da Restauração e Conservação do Papel e Introdução à Xilogravura” no Centro Municipal de Cultura – Atelier Livre de Porto Alegre – RS.



2001/2003

  • Professor de desenho, pintura e gravura do Corredor das Artes, Rio de Janeiro.



1999/2001

  • Professor de desenho do SENAI Construção Civil, Rio de Janeiro.

1996

  • Workshop de Xilogravura na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.



1995

  • Workshop de Xilogravura na Galeria SESC Tijuca, Rio de Janeiro.
  • Workshop de Xilogravura Prefeitura Municipal de Brasilândia, MS.





Outras atividades em artes plásticas - Palestras




2009

  • Ministrou a palestra “Gravura, por que gravura?” – Museu de Arte Contemporânea de Jataí – GO.
  • Ministrou a palestra “Gravura, por que gravura?” – Usina de Arte João Donato – Rio Branco – Acre.



2008

  • Ministrou palestra “Gravura, por que Gravura?”, no Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Campo Grande) - MARCO.



2007

  • Ministrou palestra “Xilogravura do Acervo do Museu Oscar Niemeyer” – Curitiba – Paraná.



2006

·         Ministrou palestra na UFPE – “Xilocidade – processo de criação” – Recife – Pernambuco.



2005

·         Palestra “A Serigrafia como Arte Independente” – SESC Centro – Curitiba – Paraná.

·         Palestra “O Mercado de Arte e a Gravura” – UFPR – Curitiba – Paraná.



2004

·         Palestra “Gravura, Por Que Gravura?” – Museu Oscar Niemeyer– Curitiba – Paraná.

·         Palestra “Processo de Criação e Obra” – UFPR – Curitiba – Paraná.

·         Gravador convidado pela Secretaria de Cultura de Araraquara e Pinacoteca Municipal para participar como debatedor do encontro com artistas no 2º Território de Artes de Araraquara, São Paulo.

·         Artista convidado pelo Santander Cultural e Atelier Livre de Porto Alegre, Rio Grande do Sul; dentro da exposição “Impressões – Panorama da Xilogravura Brasileira” para mesa redonda e encontro com gravadores - Porto Alegre – RS.

·         É membro do GRUPO GRAVURA – Unicamp – Campinas – São Paulo.

·         Foi júri para escolha do logotipo do Centro Universitário de Mato Grosso do Sul.

·         Capa da revista Projeção Esotérica, Editora Ney Livros Ltda, RJ.

·         Ilustração para “Jornal do Povo”, MS.

·         Ilustração para revista “Cadência” – Bauru, SP.

·         Ilustração do álbum “Bandeiras de Portas e Janelas do Século Passado” (Tilde Canti), RJ.

·         Escreveu artigos para: “Jornal do Povo” – Mato Grosso do Sul, “Revista Cadência” – Bauru, SP, “Jornal Atelier” – RJ, “Jornal A Tribuna” – MS, “Boletim do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul”, Porto Alegre.  






Referências bibliográficas e Verbetes




  • Ladrilhando – Deslocamento através da Gravura - TCC (Trabalho de Conclusão de Curso – Artes Visuais – Hab. em Gravura – Universidade Federal de Pelotas – Lidiane Gomes Souza – 2010
  • CIDADE GRAVADA – UMA GEOGRAFIA DO IMPREVISTA - Universidade Federal da Bahia – Dissertação de Mestrado – Adriano Luiz Ramos de Castro –
  • Dicionário de Artes Plásticas Julio Louzada – Brasil – vol. 1989 e 1999, SP
  • Guia Internacional de Arte de Léo Christiano Editorial – 1982 – Rio, RJ.
  • IAR/CPGravura – Unicamp, Campinas, número 2, novembro de 2003.
  • Site: http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura
  • Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul – www.vanet.com.br/nucleogravurars
  • Grupo Gravura – www.grupogravura.org
  • Enciclopédia Itaú Cultural
  • L’EX LIBRIS ITALIA – Rassegna di piccola gráfica – janeiro/abril 2006 – pág. 14
  • L’EX LIBRIS FRANÇAIS – boletim da Associação francesa e colecionadores de Ex Libris – julho/agosto 2006 – nº 240/241 – págs. 628 e 629.
Afonso, Manoela dos Anjos. Imaginário – USP – nº 15 – pág. 69 – 80, 2007





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Maurizio Cattelan

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