quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistada Patricia Gouvêa

Patrícia Gouvêa por Isabel Lögfren

Patricia fotógrafa, artista e fundadora do Ateliê da Imagem permite ao leitor identificar a correlação entre sua madura entrevista e a qualidade de sua obra. Obrigado Patricia.

Patricia, conte algo de sua vida pessoal  
Nasci no Rio de Janeiro em 1973, filha de pai bancário e mãe dona de casa. Estudei o primeiro grau no Colégio Marista São José, na Tijuca, e o segundo grau na Escola Suiço-Brasileira, em Santa Teresa. Morei na Tijuca até os 18 anos de idade, quando mudei com minha família para a Urca e coincidentemente ingressei na Escola de Comunicação da UFRJ, que fica no mesmo bairro.

Como a Arte entrou em sua vida?
Quando tinha 17 anos passei uma temporada na Alemanha estudando o idioma num curso que era vinculado à Universidade de Heidelberg, cidade universitária e muito cultural. O curso incluía várias visitas a museus, coleções de arte e instituições importantes como a sede da Bauhaus. Quase todos os programas culturais eram de graça para estudantes e, quando não estava estudando, passava boa parte do meu tempo indo em concertos de música clássica nas igrejas desativadas, Também tinha um passe de trem e muitos amigos da Escola Suíça que estavam morando por lá e que me acolhiam nos fins de semana. Conheci Berlim um ano após a queda do Muro, ainda com aquela diferença clara entre a parte ocidental e oriental, que estava parada nos anos 40.

Qual foi sua formação artística?
Quando voltei da Alemanha passei a frequentar todos os cursos livres sobre História da Arte que encontrava na cidade e eram acessíveis para estudantes, como os oferecidos pelo CCBB, e também estudei fotografia na extinta FotoRiografia. Meu desejo era estudar cinema na UFF ou Artes Plásticas na UFRJ, mas acabei desistindo porque o cinema estava naquela época pésssima da extinção da Embrafilme, com muito pouco trabalho, e eu também achava que se estudasse Artes Plásticas iria ser difícil conseguir minha independência financeira rapidamente. Talvez tenha faltado coragem da minha parte… Acabei optando pelo curso de Comunicação Social, pois eu gostava de escrever e achei que poderia ser jornalista. Mas logo no primeiro ano da faculdade comecei a trabalhar como fotógrafa e, aos poucos, fui conseguindo realizar o que eu tinha sonhado. Em 1997 fui selecionada para o Curso Abril de Jornalismo em Revistas, morei uma temporada em São Paulo e trabalhei muito como freelancer. Depois, em 1999, fundei o Ateliê da Imagem e, a partir de 2002, quando ganhei o prêmio de melhor portifólio no Encuentros Abiertos de Fotografía de Buenos Aires, passei realmente a me dedicar aos meus projetos autorais.


Que artistas influenciam seu pensamento?
São muitos, mas vou citar os que estão sempre na minha cabeça: Francesca Woodman, Maya Deren, Agnès Varda, Abbas Kiarostami, Cildo Meirelles, Kim Sooja, Rosângela Rennó, Claudia Andujar e Shirin Neshat.

Como você descreve sua obra e qual o assunto preferido?
Desenvolvo uma pesquisa sobre os desdobramentos da noção de Tempo, e as possíveis interfaces entre a fotografia e a imagem em movimento, principalmente. Esta pesquisa foi desenvolvida teoricamente na minha dissertação de Mestrado em Comunicação e Cultura, também feito na ECO/UFRJ, na linha Tecnologias da Comunicação e Estéticas da Imagem, que deu origem ao livro “Membranas de Luz: os tempos na imagem contemporânea”, publicado em 2011 pela Azougue Editorial. Mais recentemente, meus projetos têm incluído também a palavra e as intervenções no espaço, como na série Banco de Tempo, atualmente em exposição na galeria e no jardim do Museu da República, em exposição até 29 de abril. Este projeto foi todo feito em parceria com a artista Isabel Löfgren.

Fotografia digital ou com filme?
O que for mais adequado para a materialização de uma idéia.

Fotografia ou vídeo, alguma preferência?
Não tenho nenhuma preferência a priori. Mas me interessa muito pensar nas relações entre estas mídias.

Que exposição você considera a mais importante?
Do meu trabalho? Sem dúvida, minha primeira individual “Imagens Posteriores”, em 2003, com curadoria do João Wesley de Souza, que foi meu orientador por muitos anos, na antiga galeria Lana Botelho Artes Visuais, na Gávea, que depois virou Galeria 90 Arte Contemporânea, que infelizmente já fechou. A primeira individual a gente nunca esquece. Pelo nervosismo, pelo aprendizado das coisas que dão certo e também pelos erros. Mas a exposição mais importante da vida foi a de Francesca Woodman, que vi no Rencontres d’Arles, na França, em 1998. Saí passando mal… Ela construiu uma obra intensa e surpreendente em muito pouco tempo, dos 14 aos 32 anos de idade, quando suicidou-se. Ela virou um parâmetro angustiante pra mim.

É possível viver de arte no Brasil?

Eu acho possível sim, mas exige muita perseverança, desapego, obstinação. Tempo para plantar e esperar a colheita. Vejo muita gente querendo surfar na onda de ser artista, principalmente no meio fotográfico, como se fosse apenas como acordar um dia e decidir “vou ser fotógrafo de arte” porque é isso agora que está na moda. Você não é artista porque está na moda, e sim porque simplesmente você não pode ser outra coisa. Você pode até fugir deste caminho, como eu tentei por um tempo, mas é algo que em algum momento você terá que lidar, porque é uma necessidade existencial.

Você é fundadora e diretora do conceituado Ateliê da Imagem, poderia comentar a contribuição dele para a Arte?
Eu acho que o Ateliê ajudou a formar uma nova geração de fotógrafos, artistas e apreciadores da imagem que não têm preconceitos com os outros suportes, o que é um diferencial para gerações anteriores, onde o que mais importava era o meio e não o conceito.Quando a gente começou a insistir nos hibridismos, que depois viraram um lugar-comum na arte contemporânea, muita gente torcia o nariz para a gente. No Ateliê tem muito espaço para a técnica, para o fazer bem-feito que eu pessoalmente considero algo importante. Mas pensar a imagem e promover o debate entre a fotografia, o vídeo, o cinema, as mídias digitais, a performance etc é o nosso grande norte. Isto se reflete na programação das Sextas Livres, evento que promovemos desde 1999 sem interrupção, nas exposições da nossa pequena Galeria, nos seminários e curadorias que organizamos por aí afora.






O que é o grupo DOC?

O Grupo DOC (Desordem Obssessiva Compulsiva) é um coletivo fundado em 2005 por mim e os artistas quase irmãos Isabel Löfgren, Marco Antonio Portela e Mauro Bandeira. Fizemos parte do mesmo grupo de estudos com o João Wesley de Souza. Fomos muito atuantes entre 2005 e 2009, promovendo diversas ações artísticas afetuosas, cujo objetivo era materializar nossas idéias e desafiar artistas amigos a contribuírem conosco, num movimento de artistas para artistas. Nossa ação mais conhecida e que mobilizou mais artistas no Brasil e no exterior (Bogotá e Estocolmo) foi a NANOEXPOSIÇÃO, que tinha como desafio produzir uma obra com o mínimo de tamanho e o máximo de potência. Na primeira versão, realizada em 2005 na Galeria Arte em Dobro, teve a participação de 34 artistas. Na última, em Estocolmo, realizada em 2009, teve a participação de mais de 200 artistas. Em todas as cidades em que foram realizadas convidávamos um curador que, por sua vez, convidava artistas da cidade. As vernissages eram sempre uma festa, com um monte de adultos e crianças manipulando lupas para ver as obras. Em Estocolmo, por exemplo, foram mil visitantes em apenas 15 dias, numa galeria totalmente off circuitão, também gerida por um coletivo. Todas as nossas ações podem ser vistas em www.grupodoc.net
Estamos tentando reativar o coletivo, mas, com a Isabel morando na Suécia, fica um pouco mais difícil… Temos um convite para o Projeto Vitrine Efêmera em novembro, vamos ver.

Quais são seus planos para o futuro?
Neste momento estou bem focada na captação para o meu segundo livro, o primeiro só com meu trabalho, sobre a série Imagens Posteriores, desenvolvida entre 1999 e 2009. O projeto gráfico está a cargo da Elisa von Randow, com edição de Claudia Buzzetti e texto de André Vianna, todos amigos muito importantes na minha vida. É assim que gosto de trabalhar.
Tenho possibilidades de viajar este ano com minha individual Exercícios de Arte Lúdica, apresentada ano passado no CCJF e pretendo realizar até o fim do ano a segunda edição do Máquinas de Luz: Forum das Imagens Técnicas, projeto que idealizei e que foi realizado em 2009 no Cine Glória, com patrocínio do BNDES.
Além disso, estou trabalhando num projeto de imagem e som desde 2010 com o compositor e músico Marcos Kuzka, vamos apresentar um projeto-piloto agora no dia 01/03 na ocupação “Verão” na Galeria da Gávea. E, mais a longo prazo, pretendo logo que for possível fazer um doutorado, já estou com saudades desta imersão.



Fenda (2003/2006)


Fenda (2003/2006)



Membrana da série Corpo Significante (2005/in progress)



Série Imagens Posteriores (1999-2009)



 Exercícios da Arte Lúdica (2005/in progress)


Exercícios da Arte Lúdica (2005/in progress)



A Volta do Parque em 80 Mundos (detalhe) Still do vídeo Lecture sur L'Herbe e registro da instalação Desejo de Horas série Banco de Tempo.







Tarde (still do vídeo) da série Observações sobre o Tempo.

Para conhecer outros trabalhos, os vídeos e o Ateliê da Imagem vá para os sites abaixo.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Conversando sobre Arte Entrevistado Edney Antunes




Edney Antunes
O artista vive etrabalha em Goiânia. Seu tema central é o ser humano. Textos de Divino Sobral e Carlos Sena enriquecem a entrevista. Obrigado Edney


Edney , conte um pouco de sua história 
Eu nasci em Goiânia , no dia 21 de março de 1966, Onde vivo até hoje , Venho de uma família simples  , porém , o meu pai (Já falecido ) , José Antunes), Era escritor e chegou a publicar dois importantes livros da literatura goiana: “Gravatás” é “capoeirão” : acredito que vem daí a minha aptdão para as artes plásticas. Eu me lembro bem de meu pai escrevendo à mão as idéias iniciais de seus livros e contos . E, mesmo ainda não estando totalmente alfabetizado , eu folheava aqueles cadernos e me chamava a atenção , além da bela caligrafia de meu pai , eram os pequenos desenhos que ele acrescentava nas bordas das páginas. Bem mais tarde eu perguntei a ele o que eram aqueles desenhos e com um sorriso ele me disse que sempre quis ser desenhista e aquelas ,Pequenas figuras eram os personagens de seus contos que ele tentava  transformar  em desenhos. Às duras penas , terminei os estudos fundamentais, pois eu não conseguia me “concentrar”em nada;(hoje eu seria diagnosticado como hiperativo). A minha infância foi muito tumultuada, porém eu era extremamente feliz. Como toda criança imaginativa é, mais foi na infância que comecei a sentir as “dores do mundo “ eu me lembro bem na TV uma cena de tanque de guerra em um campo todo destruído e uma mãe segurando uma criança e gritando . Naquela época as TVs eram preto e branco e eu penso que aquelas imagens eram da guerra no vietnan , pois todos dias apareciam imagens assim na TV,-e , pelo visto , até hoje!

No seu currículo aparece ser autodidata, mas como você construiu seu pensamento ?
Na minha geração , assim como a anterior os artistas , são em sua maioria autodidatas , pois Goiânia  é uma cidade  ainda jovem com seus 79 anos a minha formação se deu direto com o convívio com  outros artistas em ateliers e bares , com conversas até acaloradas em algumas ocasiões , mas depois tudo ficava bem , eu tive o privilégio de conhecer artistas pioneiros em Goiás , Alguns já falecidos como Dj.Oliveira , Cléber Gouveia e o ainda atuante Roos -(um dos que mais admiro)  e também tem o Siron, o Poteiro (também já falecido ).   A arte em Goiás sempre teve uma grande vocação pictórica a pintura aqui é a linguagem mais usada pelos artistas , e eu também me inicie nesta linguagem .já nos anos 80 , eu me encontrava insastifeito com os limites desse suporte e não enxergava na cena local nenhuma renovação de linguagem , foi então que me chegou às mãos um catálogo sobre a obra de Marcel Duchamp, Em 1987 , Aquilo virou a minha cabeça “ Fui falar com outro artistas de “minha descoberta “ e me “bateram com a porta na cara “ também vieram as dificuldades financeiras , pois eu não queria fazer a mesma pintura para o mesmo mercado . Acabei perdendo  o meu atelier e tive que arrumar emprego como (arte – finalista )em uma confecção e como o dinheiro era pouco para comprar material para os meus trabalhos, comecei a recolher objetos nas ruas e recontextualizá-los , em uma tentaviva de “Ready-made “ ,sozinho fui fazendo as minhas pesquisas direcionando o meu pensamento para a arte contemporânea .                                          

 Quais artistas influenciam na construção do seu trabalho?
Quando eu vou realizar algum trabalho , o que me inquieta não é a história da arte , ou outros artistas , é sempre algo pessoal ou o meu próprio cotidiano , eu penso o meu trabalho como tentativas de enteder o mundo , é algo intimo , um diálogo silencioso que preciso travar , entre eu mesmo e a existência transitória , mas eu sempre saio com a sensação de ter sido derrotado . E isso me impulsiona a tentar realizar outros trabalhos. Os artistas que mais admiro são aqueles que constroem sensações visuais com pensamentos que tenham a condição humana como eixo de transformações , ex: On Kawara , Marcel Broodthaers e Krzystof wodzko .

 Como você descreve a sua obra ? 
 As questões políticas são sempre observadas por especialistas em minha obra , mas eu falo em meu trabalho deste mundo , tendo o ser humano como assunto , muitas vezes aponto o olhar para próprio mundo das artes como as ações que o mercado toma , levando com isso as mudanças da própria historia da arte .   Me vejo como um artista naturalista que retrata a paisagem de seu tempo .

 Você tem rotina de trabalho ?
Não,fazer arte para mim é algo extremamente  pertubador. Algo de que sempre tento fugir. Mas, por varias implicações , eu acabo sucumbindo e realizando.

Você escreve sobre o seu trabalho ?
 Já escrevi mais sobre trabalhos de outros artistas que sobre o meu próprio ,por um lado é um exercício válido escrever sobre a própria obra , mas , por outro , a linguagem escrita pode sobrepujar a própria obra e o artista de enamorar por ela . Eu prefiro “falar “ com objetos em minha obra , esse diálogo é algo importante pra mim ; Eu Sempre formalizo o meu trabalho pelo espaço que os objetos ocuparão.

 Além dos estudos sobre artes o que serve de inspiração ?
Até supermercado me inspira , já resolvi algumas questões em minha obra olhando as gôndolas desses espaços .

 Você poderia nos dar uma panorama de arte contemporânea em Goiânia e Brasília.
Mesmo estando próximas , o panorma da arte contemporânea em Goiânia e Brasília vive realidades bastante diferentes . até mesmo porque Brasília tem artistas residentes oriundos de diferentes estados brasileiros e até de outros países , enquanto que a maioria dos artistas de Goiás e da região do estado . isso faz com que haja alguns aspectos peculiares na produção local.

Qual a sua opinião sobre os salões de artes?
 Eu vejo com bons olhos os salões de arte.  Até porque a minha trajetória artística e  firmada por passagens e algumas premiações nestes eventos , acredito que , para , o artista iniciante , e uma forma mais democrática de construir uma trajetória , já que as comissões julgadoras São formadas por especialistas de irrefutável méritos, além dos eventos fornecerem publicações (catálogos ) que autenticam as produções , dos artistas.

É possível viver de arte no Brasil?
Hoje se pode dizer que existe um mercado de arte no Brasil., mas, como qualquer mercado, há grandes oscilações de alta e baixa ,neste momento me parece que está em alta , com crescimento de feiras de arte de abertura de novas galerias diariamente , principalmente onde se concentra o mercado entre rio/são Paulo.                                                                                                                               Agora, isso não livra a maioria dos artistas das dificuldades de sempre, pois há um grande contigente de artistas almejando os mesmo espaços . E, como sabemos , no cimo da montanha cabem poucos.

 Quais são os seus planos para o futuro?
Depois de 30 anos de trabalho expondo  em espaços institucionais , eu estou focado em me situar melhor no mercado , em recente encontro para analise de portifólios  com o curador e critico de ate , Paulo Henkerhoff depois de olhar os meus trabalhos , ele me disse: ”Você construiu uma obra".                                                                                                                                                                                Os meus trabalhos já figuram em algumas coleções de museus. Quero alcançar o colecionador particular , ou o simples comprador , que são um importante fator na necessidade de se resguardar a memória artística nacional .

 Que você faz nas horas vagas?
Gosto de ficar  em meu atelier , cuidando do meu pequeno jardim ou lendo os meus livros sobre arte.                



De Zero a..., 2000 Instalação. 5000 balinhas sobre parede. Dimensões variáveis



De Zero a .... detalhe.



My Reality Museum, 2004



Reverolhar, 2004. Museu de Arte de Goiânia.




Memória Zen.


Frontier line, 2007.




Oh Boys, 2008. Alumínio. Dimensões variáveis.




Q-Oração, 2005. Instalação




Os novos desaparecidos, 2006. Carimbos, impressão fotográfica e madeira.



Sequestro da História, 1999. Fotografia e plotagem. Dimensões variáveis.
           



Te  esperando, 2006. Instalação, pratos, plotter e talheres. Dimensões variáveis.






O conjunto de instalações que Edney Antunes desenvolveu nos últimos anos exibe um alinhavo conceitual que coloca sua obra dentro de um campo de relações entre arte, política e mídia, tensionando em diferentes níveis questões relacionadas aos problemas debatidos tanto pelo circuito artístico quanto pela sociedade.
Surge, com freqüência, em sua produção um enunciado crítico sobre a distribuição de poder e de visibilidade dentro da própria instituição da arte, sobre o discurso estético manipulado politicamente pela História da Arte e pelo museu como depositário de coleção pública; em certo momento ele coloca em xeque o jogo entre a autoridade do curador e a liberdade do artista.
A apropriação é uma operação bastante recorrente – arrolam-se imagens de revistas e jornais, de celebridades e de acontecimentos, fotografias de autores e fotografias impessoais de crianças desaparecidas, depoimentos de pedintes e logomarcas de produtos agrícolas – e geralmente a reprodução do elemento apropriado no contexto da obra acontece com a aplicação de técnicas e veículos de natureza publicitária, como back-light, plotter e out-door.
Edney estrutura instalações cujos conteúdos são abordados com retórica descritiva ou narrativa, e faz isso como estratégia de aproximação com o público, preocupado com o envolvimento do espectador e em suas implicações. Muitas vezes ele propõe trabalhos interativos que operam com a participação direta do espectador no corpo da obra, convidado a chupar uma bala, a carimbar a mão, a apagar uma tarja sobre os olhos, ou simplesmente a olhar-se no espelho e ver-se refletido dentro da obra, e assim o sentido da visão do espectador passa, também, a ser explorado pelo artista.
Algumas instalações de Edney dão voz aos excluídos e marginalizados para promover a reflexão sobre a realidade social do Brasil; aí entram as imagens de crianças desaparecidas, os retratos dos mendigos, as falas dos pedintes, o prato do faminto. São ícones dos conflitos instalados na realidade de um país repleto de grandes contrastes e de descaso com a população pobre.
O título das obras, escritos em português ou em inglês, é elemento importante que instaura um campo de interpretação onde muitas vezes a ironia se faz presente. Nas obras de Edney o espectador é solicitado tanto a ver imagens e objetos quanto a ler mensagens e textos que funcionam como instruções e chamadas, como depoimentos de conteúdo impactante e como legendas que re-significam as imagens.

Divino Sobral








No início dos anos de 1980, Edney Antunes precocemente apresentou-se ao meio artístico. Autodidata, buscou uma formação solitária, direcionada ao acompanhamento das questões tratadas pela arte brasileira. Antunes passou por muitas fases até chegar a desenvolver trabalhos de consistência – o que ocorreu mais para o final da década. Cabe salientar que o artista desde essa época desenvolveu sua carreira através de participações em Salões e mostras coletivas, e não por meio de exibições individuais. Seu trabalho incorporou repertórios divulgados pelas estéticas do Grafite e do Neo- expressionismo que eram algumas das vogas de então. O artista juntamente com Nonato (artista que integrava o “Atelier Inhumas”) fundou o Grupo Pincel Atômico que respondeu por intervenções de grafite de arte em muitos locais de Goiânia. A experiência com grafite foi concomitante com desenrolar de pinturas em que a figuração humorada e meio pop articulava elementos extraídos do cotidiano, como carros ou comida, revestidos com a citação de uma pele animal executada com cores ácidas, e também com o desenrolar de trabalhos com suportes recortados com figurações que remetiam aos ícones da cultura pop. No final da década, explorou questões relacionadas com representação e gestualidade, abstração e materialidade, e obteve sucessivas premiações nos Salões goianos. As pesquisas matéricas perduraram nos primeiros anos da década de 1990, configuradas nos “Totens” que vergavam o plano à dimensão tridimensional.










Apesar de ter investido no início dos anos 90 na pintura, Edney Antunes logo se concentrou na elaboração de instalações baseadas em diversas apropriações e que enveredavam por reflexões de ordem política, pelo cruzamento de cultura popular com cultura de massas, pelo interesse em tratar temas relacionados com a marginalização cultural e a exclusão social. Depoimentos de pedintes e excluídos foram estampados em camisetas, a imagem de seu auto-retrato como seqüestrador cercada de imagens roubadas da História da Arte, fotos de crianças com tarja nos olhos figuradas como estampas em papéis de balinhas, retratos de adolescentes negros, fotografias de Michael Jackson e da ovelha Dolly com espelhos que refletiam a imagem do público no interior da obra, ou ainda, carimbos para o público carimbar uma imagem em seu corpo, eram manobras que solicitavam uma atitude mais ativa e responsável para com os problemas do mundo real.









Texto de Carlos Sena - Arte Contemporânea de Goiás, de 1970 à atualidade.


http://edneyantunes.blogspot.com



                   

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Gabriele Picco


Gabriele Picco (1974-) Nasceu em Brescia. Artista e escritor italiano.Graduou-se em Literatura Moderna pela Universidade de Milão. Inumeros prêmios e exposições em diferentes museus. Seus trabalhos estão em várias coleções importantes (ver abaixo). Três livros publicados, um deles traduzidos para o português. Desenho, objeto, instalação, pintura e performance são utilizados para construção de sua obra. O artista é representado pela Galeria Francesca Minini.


Golden Italy, 2001 70,2x100 cm. MoMA, Nova York.


Diet Pepsi,  2003 21.6x27.9 cm.  MoMA, Nova York.



Wind, 2003 21.6x27.9 cm. MoMA, Nova York





Moka painting, 2011. Pigmento sobre tela e máquina de café. 150x200 cm. Série de pinturas feitas durante performance em que o café da máquina foi substituido por pigmento




Spider, 2008 Aranha desidratada e nota de 500 Euros. 8x4,5x4 cm.




That's no way to say good bye, 2007 Garrafa de Whisky e espada de aço. 80x120x30 cm.




Sem título,  2007 Escultura africana de madeira e maçã. 25x18x14 cm.




Chips endless columm, 2007 Dimensões variáveis.





Nuvola, 2011 Instalação realizada em GAMeC.  Bergamo.




Every day a Sunday, 2007 Alicate, ovo e brinquedo de plástico 26x17x13 cm.




van Gogh, 2005. 160x15x12 cm.





Tiziano, 2005 160x15x12 cm.










The ocean keepers. Óleo sobre tela.



White House with white flag Óleo sobre tela.


Dear Marcio,
no problem at all, I'll enjoy your article! Congratulation for your blog

best

gabriele
Thank you Gabriele.


















http://www.gabrielepicco.con/






PRIZES AND AWARDS


2011
VIADANA PRIZE (literature)
2010
ALINOVI PRIZE (art)

2008
PREMIO ARTEGIOVANE TORINO-MILANO
PREMIO PAGINE BIANCHE D'AUTORE

2004
NEW YORK PRIZE at Columbia University and Italian Academy, New York (winner)


2001
GUARENE PRIZE, Re Rebaudengo Foundation, with Laylah Ali, Muntean/Rosemblum and Thomas Scheibitz, curated by Francesco Bonami and Gianni Romano

2000
MICHETTI PRIZE, new painting in Europe, (winner) Italy
ONUFRI PRIZE (final) Tirana, Albany

1997
Selected for workshop at Ratti Foundation, with Allan Kaprow, Como (Italy)
Selected for workshop at Viafarini with Jimmie Durham, Milan

COLLECTIONS


MoMa, New York
Montblanc Collection
The Robert Lehman Foundation (U.S.A.)
Montblanc collection, Hamburg (Germany)
Michetti Museum, Francavilla al Mare (Italy)
Museo d'Arte Contemporanea Montevergini, Siracusa (Italy)
Museo d'Arte Contemporanea di Monfalcone (Italy)


SOLO EXHIBITIONS


2009
DISEGNATORE DI PARRUCCHE MESSO AL MURO, Massimo Minini, Brescia

2008
FREUD AT STARBUCKS, Francesca Minini, Milan (cat.)

2006
NUOTATORI DI LACRIME IN APNEA SULLA FINE DEL MONDO, Francesca Minini, Milan

2005
Italian Academy at Columbia University, New York

2003
WAITING FOR THE PAINTING, Priska Juschka fine art, New York

2002
MAC Ravenna
IL MONDO IN BOCCA, Le case d'arte, Milano (cat.)

2001
GALLERIA LE CASE D'ARTE, Milano
SPAZIO BOCCONI ARTE, Milano

1999
DISEGNI DAL SOTTOSUOLO, Galleria Loft, Valdagno (VI) (cat.)

1998
DISEGNACCI E DISEGNINI, Viafarini, Milano (cat.)


GROUP EXHIBITIONS


2011
UN'ITALY, Industria gallery, New York, curated by Arianna Rosica
MY BEAUTIFUL MONGO, Thomas Brambilla gallery, Bergamo

2010
IL RAMO D'ORO, Museo d'arte contamporanea di Monfalcone, a cura di Andrea Bruciati e Eva Comuzzi
EUTOPIA, Urban Planning Exhibition Center, Shanghai
IMPRESA PITTURA, Castello Colonna, Genazzano (Roma), curated by Raffaele Gavarro

2009
ALT, UNA COLLEZIONE TRASVERSALE, spazio ALT, Alzano Lombardo, curated by Fabio Cavallucci

2008
SOFT CELL, Galleria Comunale d'arte contemporanea di Monfalcone

2007
GIOVINE ITALIA. Pinacoteca Nazionale, Bologna, curated by Renato Barilli

2006
VIDEO PASSAGES, via Torino, Milan

2005
EXPANDED PAINTING, Prague Biennale, Prague, curated by Helena Kontova and Giancarlo Politi
LE VIE DELL'ARTE, Ente parco Madonie (Palermo), curated by Salvatore Lacagnina
GENERATIONS OF ART - 10 anni alla FAR, Fondazione Antonio Ratti, Como, curated by Giorgio Verzotti
PADIGLIONE ITALIA OUT OF BIENNALE, Trevi Flash Art Museum, Trevi, selected by Andrea Bellini
L'IMMAGINE SOTTILE, Galleria comunale d'arte contemporanea, Monfalcone (GO), Curated By Andrea Bruciati

2004
WALL LIST, Broadway gallery, New York, curated by Marco Antonini
FROM NEW YORK WITH LOVE, Covivant gallery, Tampa, Florida
NEW ITALIAN GENERATION, Assab One, Ex Gea, Milano, curated by Roberto Pinto
ARTE IN TESTA, MACI, Isernia, curated by Luca Beatrice
SUPERMERCATI DELL'ARTE, Museo delle Papesse, Siena

2003
GAME, Ferragamo, New York, curated by Mariuccia Casadio
HOVERING, Peres Project, Los Angeles
20th ANNIVERSARY SHOW, Monica Spruth-Philomene Magers, Koeln

2002
NECESSARI KIDS, Museo Montevergini, Siracusa, curated by Salvatore Lacagnina
VERSO IL FUTURO, identità nell'arte italiana 1990-2002, Museo del Corso, Roma, curated by Ludovico Pratesi e Costantino D'Orazio, selected by Gianni Romano
NUOVO SPAZIO ITALIANO, galleria civica d'arte contemporanea, Trento, curated By Fabio Cavallucci, Giovanna Nicoletti, Giorgio Verzotti
NEXT, Fortino di S. Antonio, Bari, curated by Ludovico Pratesi

2001
JUNGE ITALIANISCHE MALEREI, galleria Binz & Kramer/Ernst Hilger gallery Koln (Germany), Paris, Wienn
PAY ATTENTION, museo MAN Nuoro, curated by Luca Beatrice
INVASIONE ITALIANA, Museo Montevergini Siracusa, curated by Salvatore Lacagnina
BIENNALE DI TIRANA, Tirana (Albany), Curated By Giancarlo Politi
PREMIO GUARENE, Fondazione Re Rebaudengo, Guarene D'Alba (Cn), curated by Francesco Bonami and Gianni Romano

2000
IRONIC, Trevi Flash art Museum Trevi (PG)
LA GENERAZIONE PIÙ ATTESA, Torre del castello Covo (BG), curated by Salvatore Lacagnina
PREMIO MICHETTI (winner), Fondazione Michetti Francavilla al mare , curated by Gianni Romano
FUTURAMA, Museo Pecci Prato, curated ny Raffaele Gavarro e Marco Meneguzzo
MALEREI, Monika Spruth gallery Kon, (Germany)
ONUFRI PRIZE, Tirana, (Albany)
L'OMBELICO DEL MONDO, Ex Mattatoio Roma

1999
FACTS AND FICTIONS, la nuova pittura internazionale tra immaginario e realtà, In Arco, Torino, curated by Luca Beatrice
POMPEIORAMA, Casina Pompeiana, Napoli

1997
INVITATION TO A POINTLESS INVESTIGATION, con Jimmie Durham, Viafarini, Milano, curated by Carolyn Christov-Bakargiev
MOSTRA FINE CORSO con Allan Kaprow, Fondazione Ratti, ex chiesa di S.Francesco, Como, curated by Angela Vettese and Giacinto Dipietrantonio
32 ARTISTI INTERNAZIONALI, tracce di un seminario, Viafarini Milano

1996
PRIMO PREMIO TREVI FLASH ART MUSEUM, Trevi (PG)
TIMECODE, Iperspazio, Milano

1995
CONOSCERE, Spazio Viafarini, Milan, curated by Alessandra Galletta


Imagem Semanal Adão e Eva Reprise revista e ampliada.


“Nossos primeiros pais foram Adão e Eva: ele foi o pai e ela a mãe, logo somos irmãos”.
Santo Agostinho





Masachio (1401-1428) Importante pintor do Quatrocentto dedicado a execução de afrescos com motivos religiosos. Nasceu em Milão e sua carreira começou aos 16 anos quando mudou para Florença. Abandonou o estilo gótico e bizantino e introduziu a perspectiva científica na pintura. Dedicou-se ao naturalismo. Foi o seguidor de Giotto e influenciou Michelangelo. O seu afresco Expulsion from theGarden of Eden (1426-1427) da Brancasi Chapel mostrava Adão e Eva nus. Algum tempo depois, o Duque de Toscana mandou cobrir a nudez com folhas. Somente em 1980, quando da restauração do quadro as folhas foram retidas. Duas imagens antes e depois da restauração.










Lucas Cranach the Elder (1472-1553) Pintor e gravador alemão ligado aos temas religiosos. Tornou-se conhecido pelos retratos de príncipes e das principais figuras do protestantismo. Foi amigo de Matinho Lutero, de quem recebeu a exclusividade para impressão da bíblia. Adan and Eve (1526) Courtauld Institute of Art Gallery. Foi pintada no estilo classico bíblico. O jardim foi descrito incluindo animais e entre eles a serpente na árvore.






Jean Gersoert Mabuse (1478-1532) Nasceu em Maubuerge, França. Iniciou sua formação artística em Bruges e trabalhou em diferentes países da Europa. Foi seguidor de Rogier  van der Weyden e ligado ao Barroco. Cenas bíblicas e retratos de personalidades de sua época compõem sua obra. Adam and Eva (1510) Thyssen Bornemizsa Collection, Madri.











Jacobo Robusti Tintoretto (1518-1571) Tintoretto era seu apelido por ser filho de um tintureiro. Frequentou o atelier de Ticiano, mas ficou pouco tempo. Foi um autodidata interessado na obra de Michelangelo. A maioria de suas obras está em Veneza, onde viveu e morreu. É considerado o grande nome do Maneirismo e precursor do Barroco. Foram seus alunos Domenico, seu filho e Martin Vos. Influenciou a obra deEl Greco. Decorou inúmeros palácios e igrejas e fez muitas obras avulsas. Admirado da música tocava violino. Inventou instrumentos. A perfeição de suas figuras e correto domínio das cores estão presentes em Adam and Eve (1550) Gallerie delliAccademia, Veneza.











Gustav Klimt (1862-1918) Adam and Eve (1917-1918).  Obra inacabada. Österreichise Galerie in Belvedere. Klimt viveu na Belle Époque em Viena. Frequentou a Escola de Artes Decorativas de Viena, mas lutou contra o academicismo. Engajou-se no Simbolismo e na Art Nouveau. Fez inumeros trabalhos para prédios públicos e uma brilhante carreira como pintor. Seus temas prediletos o nu feminino e o erotismo. Foi professor honorário das Universidades de Viena e de Munique. Retrato de Odele Bloch-Bauer foi vendida para Neue Gallery de Nova York por US$135 000 000O.




Marcel Duchamp (1887-1968) Paradise Adam and Eve (1910) Philadelphia Museum of Art, Filadelfia. Nasceu em Blainville-Crevon. Iniciou sua carreira como pintor influenciado pelo Impressionismo, Expressionismo e Surrealismo. Ligou-se ao Dadaísmo. É considerado o criador da arte contemporânea e do ready-made. Trabalhou em Paris e Nova York.





Fernando Botero (1932-) Adam and Eve (2005) Nasceu em Medelin, Colômbia. Influenciado pela arte pré colombiana e por Diego Rivera. Estudou na Academia de San Marco, Florença. Sua obra tem forte conteudo de crítica social e caracteriza-se pelas figuras obesas. Pintor e escultor.







Damien Hirst (1965-) É o maior artista britânico contemporâneo. Foi aluno da Goldsmith College e pertenceu ao grupo Young British Artists, que trouxe para Londres o centro da arte contemporânea. Seu tema preferido é a morte. Pinturas, objetos, desenhos, esculturas e instalações são seus meios prediletos. Adam and Eve Expossed (1965) Duas macas, cada uma contendo um corpo coberto e alguns instrumentos cirúrgicos. Coleção particular. Sua fortuna está estimada em 260 milhões de euros.




Sugestões: The Loss of Sexual Innocense _ Filme dirigido por Mike Figgs,1999.
                    Klimt _ Taschen, 2008.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Gerson Reichert Uma Homenagem


Gerson Reichert



Conheci os trabalhos de Gerson Reichert quando entrevistei seu colega Túlio Pinto, convidei-o a participar de Conversando sobre Arte, ele aceitou, depois pediu para adiar. Mais adiante, um novo prazo foi solicitado em razão de trabalho. Infelizmente não foi realizada, mas fica o registro da beleza de sua obra e a gentileza do contato virtual.Gerson faleceu dia 22/02 último em Porto Alegre.
O artista plástico porto-alegrense Gerson Reichert apropria-se de superfícies já contaminadas para fazer verter desse universo gráfico sua arte. Reichert desenvolve a partir de intervenções com pinceladas espessas de tinta a óleo, acrílico, pigmentos diversos e caneta hidrográfica, um amplo diálogo entre palavra, imagem e gesto resultando em novas narrativas e ressignificações das linguagens artísticas. Apropriado de Intervenções.com





Diálogos ampliados com Carlos Graf (2009)


Diálogos ampliados com Carlos Graf



Diálogos ampliados (2009) com Carlos Graf.



Intervenção sobre revista Humboldt 99


Intervenção sobre revista Humboldt 91



Óleo sobre papel (2007) 226x400 cm.



Óleo sobre tela.


Óleo sobre tela 159x143 cm



Guache e acrílica



Galeria Gestual (2010)



Atelîer



Superfícies Dinâmicas (2006) Óleo sobre tela 130x145 cm

Convites







Maurizio Cattelan

Maurizio Cattelan
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